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Cultura como Rede

André Lemos abre o Encontro Internacional Cultura e Tecnologias Digitais (Foto: Acervo Pessoal)
André Lemos abre o Encontro Internacional Cultura e Tecnologias Digitais (Foto: Acervo Pessoal)

“A cultura deve aprender a lidar com as forças territorializantes e desterritorializantes das redes digitais”, defende André Lemos, professor da UFBA, que abre o Encontro dos dias 23 e 24/set

Não é de hoje que as tecnologias digitais têm transformado expressivamente o campo cultural, ampliando o acesso à informação e à formação e configurando novas formas de produzir conhecimento. Até que ponto gestores culturais têm compreendido essa mudança e se apropriado de suas ferramentas e de todo o potencial das redes digitais?

Com o objetivo de debater essa e outras questões, o Sesc em São Paulo realiza o Encontro Internacional Cultura e Tecnologias Digitais, nos dias 23 e 24 de setembro. O seminário começa com uma discussão sobre a cultura como rede e as redes da tecnologia digital, conduzida pelo professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), André Lemos, mestre em Política de Ciência e Tecnologia e doutor em Sociologia.

Para ele, a rede é a potência, o virtual que coloca tudo em contato e, sendo assim, a observação das mudanças contemporâneas na cultura deve atentar a essas circulações e ações. Em entrevista à Eonline, André Lemos deu uma prévia do que será abordado em sua conferência, confira:

De forma geral, como a cultura se relaciona atualmente com as redes das tecnologias digitais?
Cultura é rede e redes formam culturas. Hoje, as redes telemáticas são a esfera que envolve todas as ações humanas. Não há áreas da cultura que não sejam transformadas e estejam transformando as redes. As relações são múltiplas, e a cultura deve aprender a lidar com as forças territorializantes e desterritorializantes das redes digitais planetárias.

Quais as dimensões dessa rede e como elas mediam e constituem a cultura?
A dimensão hoje é a do globo e a mediação se dá desde sempre na formação da sociedade e da cultura, ou poderíamos dizer, das redes sociotécnicas. Cultura e sociedade são redes sociotécnicas. A cultura só se estabelece por mediação. A mediação constitui a sociedade (o que se associa) e a cultura (o que se forma na relação com o mundo). A rede é o que se forma nessa mediação, não o que possibilita a mediação.

Quais os principais desafios do gestor cultural no contexto atual das redes e tecnologias digitais?
Esta é uma dimensão mais pragmática. Podemos dizer que ele deve saber tirar proveito da visualização das associações em redes digitais, saber utilizar a potência comunicativa das redes sociais, aproveitar a capacidade mnemônica e promover a circulação de ideias, obras e pensamentos mais complexo sobre o nosso tempo (indo ao passado e questionando o futuro), explorar as múltiplas formas de vinculação dessas ideias, obras e pensamentos, proporcionar no fundo uma ação mais ampla que não fique refém nem dos fatos (a ultima notícia), nem dos artefatos (a última tecnologia).

o que: Encontro Internacional Cultura e Tecnologias Digitais
quando:

23 e 24/set

onde:

Sesc Vila Mariana

ingressos:

16,00 [comerciário e pendentes]
40,00 [pessoas com mais de 60 anos, pessoa com deficência, estudante e professor da rede pública com comprovante]
80,00 [inteira]