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Sábado, antes
do almoço
de
Albano Martins Ribeiro
Os olhos dela brilharam
muito quando a amiga lhe disse que tinha trepado com dois sujeitos ao
mesmo tempo. Ela foi até o sofá onde a amiga estava e sentou-se
ao lado dela com as mãos nos próprios joelhos. E isso, não
sei porquê, me mostrou o quanto o assunto a interessava.
E como foi isso, perguntou ela. Os olhos da amiga se fizeram safados como
eu nunca os tinha visto, e ela disse eu não tinha onde dormir na
noite passada. Quando foi, perguntou ela. Foi hoje, quer dizer, foi de
ontem pra hoje, respondeu a amiga, e contou que ela estava sem ter onde
dormir, e que tinha ido para a casa deles para perguntar se podia dormir
lá. Contou que, quando chegou, um deles abriu a porta de pijama
porque já estava dormindo. Por que você não ligou
antes, ela disse que ele perguntou, e a amiga respondeu que se tivesse
telefonado, achava que eles poderiam dizer não e que ela não
tinha lugar para dormir naquela noite. Está bem, entra e dorme,
porra, ele disse, e saiu de perto da porta. A amiga entrou, fechou a porta
e disse que perguntou durmo onde. Ele respondeu dorme onde você
quiser, porra, aí no sofá, no quarto da tv, lá com
a gente, dorme onde quiser. A amiga contou que disse está frio,
acho que vou querer dormir com vocês, deve estar bem quentinho,
e ele disse então tá, vem comigo mas não faz barulho
que o Eduardo já está dormindo faz tempo.
A amiga contou que, quando entrou no quarto ele disse bota a roupa em
cima da cadeira e entra debaixo das cobertas que eu vou mijar e já
volto, mas não faz marola pra não acordar o Eduardo, olha
lá, porra, e que a amiga nem pensou que fosse estranho tirar a
roupa na frente deles porque os conhecia desde que os três eram
pequenos, e porque eles dois namoravam desde pequenos, eram os viadinhos
da rua e ela era a amiga dos dois viadinhos, e porque eles três
já haviam nadado pelados, tomado banho juntos e se visto pelados
muitas vezes e nunca nenhum dos três, disso ela tinha certeza, tinha
sentido nada pelo outro do sexo oposto, eles porque eram viados e ela
também não, porque eles eram viados, mas se ela pensou que
não era estranho tirar a roupa na frente deles é porque
era um pouco estranho.
A amiga disse que entrou pelada pra debaixo das cobertas e se arrumou
de costas para Eduardo, com a bunda encostada nele, o queixo dele encaixado
na sua nuca, para abrir espaço pro outro que mijava alto no banheiro,
e o ouviu dar a descarga, apagar a luz e arrastar os chinelos no escuro
até se sentar na cama, virar-se e cobrir-se também, deitando
de frente para ela, os três apertados na cama. Você está
fria, ele disse, parece um peixe, brincou sem sorrir. Uma orca, ela disse.
Orca não é peixe e você não é gorda,
se é isto que você quer dizer com orca, porra, você
só é carnuda. A amiga contou que riu com o elogio estranho,
e que o riso dela acordou Eduardo, ela sentiu que ele se mexeu um pouco
saindo do sono e que enfiou a mão por baixo do seu braço
e lhe pegou um peito com a mão e ficou com o indicador rondando
o bico duro de frio, empurrando o bico pra cá e lá como
se brincasse com uma jujuba. Ela disse que achou aquilo estranho e bom,
mas que sentiu medo que o outro visse, estavam todos muito próximos,
e ela não queria se meter na relação do casal, teve
medo que o outro se zangasse e a pusesse pra fora, ia ser uma merda ter
que procurar outro lugar para dormir com aquele frio e naquela hora, mas
o outro lhe pôs uma mão no meio das pernas e lhe enfiou um
dedo no meio da buceta, esticou o outro braço até alcançar
Eduardo e o puxou para perto dela, pegou no seu pau e o foi trazendo para
a bunda dela enquanto a beijava desajeitado, e Eduardo foi escorregando
para os pés da cama por baixo das cobertas e que entrou com a cara
no meio da bunda dela e lhe lambeu e chupou o cu até deixá-la
encharcada e, para poder chupar melhor, a pôs de quatro com o outro
por baixo, com o pau já enfiado na buceta e, quando ela estava
bem molhada, lhe entalou a bunda e treparam os três ali deitados
um sobre o outro, se beijando os três ao mesmo tempo de um lado
e de outro e foram gozando um de cada vez e que, quando acabaram, voltaram
para as posições em que estavam, se cobriram e fecharam
os olhos sem palavra.
A amiga contou que demorou a dormir e que ficou olhando a cara do outro
muito próxima, olhos fechados, soprando sua cara fazendo pfffff
enquanto dormia, e que demorou tanto a pegar no sono que, quando acordou,
eles já tinham se levantado e saído para o trabalho. Daí
a amiga contou que se vestiu sentindo uma sensação estranha
e que tinha ido dali pra nossa casa achando que tudo era muito estranho
nesse mundo, mas não achando que o mundo fosse ruim.
Sabe o que é bom de trepar com dois viados, a amiga perguntou,
e ela ficou só olhando, esperando ainda com as mãos nos
joelhos, sorrindo paralisada de olhos brilhantes, e eu não pude
esperar pela resposta, me levantei do sofá e saí de perto
porque não agüentei o brilho nos olhos dela, ela era minha
mulher e eu era - e sou e sempre serei - um só, e mesmo que um
dia me torne viado, nunca serei dois viados e nunca poderei ver um brilho
como aquele no olhar daquela vagabunda.
Albano Martins Ribeiro

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