passe o mouse sobre a seta para ver mais
Estilo
O estilo pode ser considerado de vários pontos de vista. Do ponto de vista do uso da linguagem, o estilo se manifesta nas escolhas que se dão em todo discurso dentro da amplitude de possibilidades que a linguagem oferece. A língua compõe-se de códigos e sub-códigos que estamos aplicando (e transformando) nos nossos atos de fala. Na retórica clássica, por outro lado, diferenciava-se três estilos básicos: o baixo, o médio e o elevado ou sublime. O tratado Sobre o Sublime, anônimo, composto em torno do primeiro século d.C. aponta três fontes para o estilo sublime: figuras, dicção e sintaxe. Na verdade todo estilo é uma modulação de certos aspectos do discurso e pode variar também conforme a ênfase em um deles. Tem-se assim conforme a escolha e ênfase das palavras, um estilo nominal, um verbal; conforme a sintaxe, um estilo paratático ou hipotático; conforme a ênfase em uma das partes do discurso tem-se um estilo objetivo, subjetivo ou auto-refencial (onde o tema é a própria linguagem, como ocorre em certas modalidades de poesia).
Também fala-se de estilo no sentido de uma época literária ou artística, ou ainda para significar certos movimentos artísticos, como o romantismo, o classicismo, o simbolismo etc.
O essencial na questão do estilo ao se tratar de literatura é perceber que sem estilo a obra não existe. A obra é interação entre estilos e textos (cf. intertextualidade) mas que só existe na sua execução singular. Nesse sentido devemos dar especial atenção ao estilo individual de cada texto. O estilo é tanto a marca da individualidade como o que dá vida e sustentação à obra. Estilo originariamente era o instrumento que os antigos usavam na escrita em tábuas de cera que possuía uma ponta aguda com a qual se escrevia e a outra chata para apagar o escrito e amaciar novamente a cera. Como a caligrafia, o estilo também é a marca da individualidade do autor: escrevemos com letras que herdamos da tradição, mas cada um tem sua caligrafia. Diferentemente do estilo de época ou do estilo como gênero, essa noção de estilo individual é algo ainda mais impossível de se reduzir ao conceitual, pois justamente não leva a marca da repetição e da imitação. Ele é uma partícula essencial do discurso, que serve de cimento para o mesmo, mas ao mesmo tempo não pode ser reduzida a fórmulas. Apesar dos inúmeros estudos de estilística, as regras do estilo permanecem desconhecidas. Ele é aquilo que sustenta a linguagem mas que é ao mesmo tempo inapreensível.

Tábua de cera
em forma de livro
(Mesopotamia, VIII a.C.,
Londres, British Museum)