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Intertextualidade

A noção de intertextualidade foi introduzida na Teoria Literária por Julia Kristeva em 1966 por influência da noção de dialogicidade que M. Bachtin havia desenvolvido no seu livro Estética da Palavra. Para Bachtin o texto está em diálogo com a tradição e com uma comunidade comunicacional. Kristeva expande essa noção que Bachtin pensara a partir da Sátira e aplica-a à literatura como um todo. O importante na concepção da literatura como intertextualidade é o questionamento das visões tradicionais de obra e de autor:

1) critica-se a visão de obra literária como uma obra que seria absolutamente original, encerrada nela mesma; e

2) portanto opõe-se também ao culto do poeta-gênio. Poeta é na verdade alguém que apresenta uma versão mais criativa das potencialidades literárias da língua e da cultura. Paul Valéry afirmou uma vez: "L'originalité, affaire d'estomac", "a originalidade é uma questão de estômago".

Essa concepção de intertextualidade já estava presente dentro da visão tradicional de literatura, só que era reservada ou a gêneros específicos (como a sátira, a paródia, a tradução, o comentário, a crítica, o plágio) ou a certas partes do texto (citações, notas, alusões, epígrafe). Na pós-modernidade a noção de intertextualidade ganha impulso não apenas com as concepções ditas estruturalistas e pós-estruturalistas da literatura (sobretudo de Gerard Genette, de Paul de Man e de Jacques Derrida) mas também com novos fenômenos textuais "multimidiáticos" tais como o hipertexto e a Internet. Genette teorizou também a noção arcaica de palimpsesto, a prática sobretudo medieval de escrever um texto sobre outro, normalmente um texto religioso, cristão, sobre textos pagãos escritos em papiro ou pergaminho. Empregou-se esse tipo de procedimento sobretudo entre os séculos VIII e IX devido à escassez do material para se escrever. O palimpsesto volta a ser valorizado agora como uma forma antecessora do hipertexto e que já encenava - de modo literal - o fenômeno da intertextualidade. De Genette também vem a noção intertextual de paratexto, enquanto o conjunto dos textos e indicações que acompanham um texto: por exemplo, no caso de um livro, sua capa, contracapa, os textos das orelhas, as resenhas e críticas etc. Outra noção intertextual valorizada no século XX foi o anagrama (que foi estudado entre outros por Ferdinand de Saussure): a prática de recombinar as letras de uma palavra para gerar (ou descobrir) palavras cifradas que estariam ocultadas no texto.