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Cele
o quê?
por Marcus Aurelius Pimenta
Se você acha bicicleta uma palavra difícil de
pronunciar é porque não viveu no século
XIX e nem conheceu o barão de Civrac.
Ele foi o criador de um veículo que pode ser considerado
o bisavô das atuais magrelas. Sendo mais preciso, tratava-se
de uma estrutura de madeira ligada a duas rodas e impulsionada,
lógico, pelos pés. Podia ser estranho, mas funcionava.
O nome dado a essa engenhoca soa um pouco esquisito para os
nossos ouvidos: celerífero. Achou complicado? Bem,
se isso facilita ele também a chamava de velocífero.
O invento foi, aos poucos, sofrendo modificações.
O barão Von Drais incorporou ao modelo um sistema de
direção. Isso melhorou bastante as coisas para
os proto-ciclistas. Para você ter uma idéia do
desempenho, esse modelo - chamado La Draysienne - atingia
a velocidade de quinze quilômetros por hora.
A coisa foi progredindo e chegamos em 1855, quando se criou,
finalmente, um sistema de pedais parecido com o de hoje em
dia. Aí se começou a pensar na produção
em escala industrial.
Devemos isso a Pierre Michaud, que, curiosamente, não
era barão.
Foi ele o criador daqueles famosos modelos em que a roda da
frente, onde ficavam os pedais, era bem maior que a traseira.
Pierre Michaud foi também o dono da primeira fábrica
de bicicletas do mundo: a Biciclos Michaud. Seus modelos eram
chamados michaudines - pronuncia-se michodines. Como se vê,
gosto para nomes não era o forte dos pais da bicicleta.
Daí para as primeiras competições foi
um pulo, ou melhor, uma pedalada: a primeira prova de que
se tem notícia, realizada no crcuito Toulouse-Craman-Toulouse,
aconteceu em 1869. A partir dessa seguiram-se tantas outras
que foi preciso criar associações internacionais
para pôr ordem e critério nas disputas. Se você
é um fã das bikes, certamente já
ouviu falar das voltas da França e da Espanha, duas
das mais famosas competições dos nossos dias.
O então recém-criado cinema também não
deixou de registrar o grande interesse que se formava em torno
das bicicletas. Em 1905, dez anos após as pioneiras
exibições dos irmãos Lumiére,
André Henzé produziu "O Ladrão de
Bicicleta", primeiro filme a ter uma magrela como tema.
Bicicletas só foram aparecer no Brasil no finzinho
do século XIX. Um dos primeiros conterrânaeos
a dirigir um biciclo foi o jovem paulistano Fortunato de Camargo.
Ele gostava de passear na rua da Consolação
porque ela era toda de terra batida e quase não tinha
trânsito. Bons tempos.
Um italiano, chamado José Noschese, montou na praça
da República uma casa de aluguel de bicicletas chamada
Circo de Velocípedes. O custo era alto, mas os jovens
paulistanos pagavam qualquer preço parasatisfazer o
desejo de experimentar a novidade. Alguma semelhança
com os jovens de hoje em dia?
O ciclismo esportivo também chegou por essa época
e logo se tornou uma mania daqueles tempos. O primeiro circuito
do país foi o Velódromo Paulistano, que ficava
na rua Dona Veridiana, bairro de Vila Buarque. Inicialmente
ele era feito de terra, mas o asfalto não demorou:
foi aplicado apenas um ano após sua inauguração,
em 1895.
Na área central do Velódromo armou-se um dos
primeiros campos de futebol da cidade. Ali se disputavam as
partidas - ou matches, como se dizia então -
entre Corinthians, Palestra Itália (o Palmeiras de
hoje) e Paulistano, os grandes esquadrões da época.
Com o tempo a bicicleta passou a ser uma elemento inseparável
do cenário de todas as cidades brasileiras, consagrando-se
como o meio de transporte preferido da massa trabalhadora.
Toda pessoa que foi jovem entre os anos quarenta e cinquenta
tem pelo menos uma história a contar relacionada a
bicicletas.
Nessa época um fato marcante: Claudio Rosa e Anésio
Argeton fizeram bonito representando o Brasil em competições
de ciclismo internacional. Esse foi também o período
áureo das marcas Caloi e Monark, senhoras absolutas
do mercado nacional por muitos anos.
Hoje o esporte se diversificou e há várias modalidades
praticadas em todo o mundo, como o mountain-bike e suas divisões
como o downhill, o freeride e o cross-country.
A prática do ciclismo, desde que feita com cautela
e responsabilidade, só faz bem à saúde.
Além de ajudar a perder peso - um ciclista queima dez
quilocalorias a cada quilômetro percorrido -, ela melhora
o desempenho respiratório e o bom humor, três
ótimas razões para deixar de lado o carro que
induz ao sedentarismo, ocupa espaço e polui o ar.

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