SESC Belenzinho

uma criação coletiva do Théâtre du Soleil
Escrita em parceria com Hélène Cixous
e inspirada em um misterioso romance póstumo de Júlio Verne
Encenação de Ariane Mnouchkine
Música de Jean-Jacques Lemêtre

ATIVIDADES PARALELAS

Cenas

A amizade, a história da França, os primórdios do cinema,
a calmaria da belle époque e todos os princípios que fazem
o Théâtre du Soleil ser o que é, estão na nova peça
Os Naufragos da Louca Esperança (Auroras)
dirigida pela diretora símbolo da companhia e do teatro
contemporâneo francês, Ariane Mnouchkine.

Arquibancadas, cenários, figurinos e palco, foram trazidos da
França para a temporada do espetáculo em São Paulo
que acontecerá na unidade do SESC Belenzinho, entre
os dias 05 e 23 de outubro, quando o espírito da trupe do
Théâtre du Soleil será reproduzido fielmente nas
apresentações de Os Náufragos da Louca Esperança (Auroras).

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O Théâtre du Soleil tem à sua frente a encenadora Ariane Mnouchkine e uma trupe de mais de 60 pessoas. No Soleil, convivem em harmonia pessoas de cerca de 30 nacionalidades, que se entendem em 22 idiomas. As funções se confundem e o salário é igual para todos os integrantes da companhia.

Inspirada num misterioso romance póstumo de Júlio Verne a criação coletiva de Ariane Mnouchkine com seus atores, a peça estreou em 2010 e está em turnê desde 2011, propõem em um espetáculo composto por nove episódios a discussão e criação de uma sociedade mais justa.

Com aproximadamente quatro horas de duração a peça desenrola em diversos cenários, que os atores manejam com a fluidez de embarcações em alto mar fazendo com que as cenas surjam, arrebatam, desapareçam.

Em atividade ininterrupta há 43 anos, o Théâtre du Soleil
foi fundado em 1964 por Ariane Mnouchkine, junto
com alguns colegas da Universidadede Sorbonne, como
uma Sociedade Cooperativa Operária de Produção.

Em 1970, a trupe se instala no Bosque de Vincennes,
na Cartoucherie, antiga fábrica de munição do exército
francês, nos arredores de Paris.

Desde então, o Théâtre du Soleil se transformou em
uma das maiores companhias da França e do mundo.

Site oficial do Théâtre du Soleil
Site do espetáculo Les Éphémères [São Paulo, 2007]

LINHA DO TEMPO

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LINHA DO TEMPO

  • 1964

    Em 1964, Ariane Mnouchkine funda com seus companheiros da ATEP (Association Théâtrale des Étudiants de Paris) a companhia Théâtre du Soleil e encena seu primeiro espetáculo LES PETITS BOURGEOIS, de Maximo Gorki, com base na adaptação de Arthur Adamov, na M.J.C da Porte de Montreuil. No mesmo ano, coescreve o roteiro do filme de Philippe de Broca L'Homme de Rio, produzido por seu pai Alexandre Mnouchkine.

  • 1965

    Em 1965 o Théâtre du Soleil cria coletivamente CAPITAINE FRACASSE, baseado em Theophile Gautier; em 1967, LA CUISINE, de Arnold Wesker; e em 1968, LE SONGE D'UNE NUIT D'ÉTÉ, de Shakespeare; todos textos adaptados para o teatro por Philippe Léotard.

  • 1969

    Em 1969, o Théâtre du Soleil cria LES CLOWNS, em colaboração com o Théâtre de la Commune d'Aubervilliers. Apresentações em Paris e em turnê (Théâtre de la Commune d'Aubervilliers, Festival d'Avignon, Piccolo Teatro, Elysée Montmartre), 40 mil espectadores.

  • 1970

    Em 1970, o Théâtre du Soleil se instala na Cartoucherie do bosque de Vincennes, que a companhia primeiro utiliza como local de ensaio, depois transformado em teatro.

    Em 1970, o Théâtre du Soleil cria 1789, espetáculo sobre a Revolução Francesa, no Piccolo Teatro de Milão. A segunda parte, 1793, é criada três anos depois na Cartoucherie.
    Apresentações em Paris e em turnê (Villeurbanne, Besançon. Caen, Le Havre, Martinique, Lausanne, Berlim, Londres, Belgrado), 384 mil espectadores.

  • 1974

    Em 1974, Ariane Mnouchkine roda seu primeiro filme, quando das últimas apresentações de 1789 na Cartoucherie. Apresenta também aos espectadores dessa criação coletiva um testemunho inédito do trabalho que estava sendo desenvolvido nessa época em seu teatro.

  • 1975

    Em 1975, o Théâtre du Soleil cria L’ÂGE D'OR, primeiro esboço, criação coletiva que busca contar, com máscaras da Commedia dell'Arte, nosso mundo contemporâneo.
    Apresentações em Paris e em turnê (Varsóvia, Veneza, Louvain-Ia-Neuve, Milão, Veneza), 136 mil espectadores.

  • 1977

    Em janeiro de 1977, começa a rodagem do filme MOLIÈRE, OU LA VIE D'UN HONNÊTE HOMME, dirigido por Mnouchkine, com os atores do Théâtre du Soleil reunidos na ocasião por alguns de seus pares., como Jean Dasté. A filmagem durará seis semanas e juntará pela primeira vez na história do cinema francês a televisão (Antenne 2 e RAI) à produção do filme.

  • 1979

    Em 1979, o Théâtre du Soleil! cria MEPHISTO, OU LE ROMAN D'UNE CARRIÈRE, com base em Klaus Mann, adpatação de Ariane Mnouchkine.
    Apresentações em Paris e em turnê (Festival de Avignon, Louvain-la-Neuve, Lyon, Roma, Berlim, Munique, Lons-Ie-Saunier), 160 mil espectadores.

  • 1981

    A partir de 1981, o Théâtre du Soleil entrará num período que Ariane Mnouchkine poderá depois definir do seguinte modo: «o trabalho do Théâtre du Soleil se inscreve num movimento dialético entre a pesquisa do teatro contemporâneo e uma necessidade periódica de ir reaprender nas fontes do teatro.

    Em 1981, Ariane Mnouchkine confronta o grupo com os dramas históricos de Shakespeare e suas comédias, colocando-se na escola do mestre, que também foi autor e diretor de companhia. Temos assim RICHARD II, em 1981, LA NUIT DES ROIS, em 1982, e HENRI IV (primeira parte) em 1984. Apresentações em Paris e em turnê (Festival de Avignon, Festival de Munique, Los Angeles, Berlim), 253 mil espectadores.

  • 1985

    A partir de 1985, Ariane Mnouchkine dá início a uma colaboração que continua existindo com Hélène Cixous, que escreverá para a companhia várias peças inéditas ou a acompanhará no trabalho coletivo.

    Em 1985, o Théâtre du Soleil! cria L'HISTOIRE TERRIBLE MAIS INACHEVÉE DE NORODOM SIHANOUK, ROI DU CAMBODGE, de Hélène Cixous, tragédia contemporânea sobre o Camboja às vésperas do genocídio. Apresentações em Paris e em turnê (Amsterdam, Bruxelas, Madri, Barcelona), 108 mil espectadores.

  • 1987

    Em 1987, L'INDIADE, OU L'INDE DE LEURS RÊVES, de Hélène Cixous, drama histórico que relata o nascimento da Índia moderna e a divisão de 1947. Apresentações em Paris e em turnê (Telavive), 89 mil espectadores.

  • 1989

    Em 1989, a pedido da Assemblée Nationale, Ariane Mnouchkine filma com sua companhia um conto de Natal humanista, LA NUIT MIRACULEUSE, para comemorar o bicentenário da Revolução Francesa. Na ocasião, a Assemblée Nationale e a Place de la Concorde lhe foram reservados para algumas noites de filmagem.

  • 1990 / 1992

    Entre 1990 e 1992, acontece o Ciclo dos Átridas: IPHIGENIE À AULIS, de Eurípedes, e ORESTIE, de Ésquilo (AGAMEMNON, EM 1990, LES CHOÉPHORES, em 1991, LES EUMÉNIDES, em 1992).
    Apresentações em Paris e em turnê (Amsterdam, Essen, Sicília, Berlim, Lyon, Toulouse, Montpellier, Bradford, Montreal, Nova York, Viena), 287 mil espectadores.

  • 1994

    Em 1994, LA VILLE PARJURE, OU LE RÉVElL DES ÉRINYES, de Hélène Cixous. Apresentações em Paris e em turnê (Liège, Recklinghausen, Viena, Festival de Avignon), 52 mil espectadores. O espetáculo também foi objeto de um filme dirigido por Catherine Vilpoux, que coloca ao lado das imagens do espetáculo documentos de arquivo relatando o escândalo do sangue contaminado, que inspirou a fábula épica escrita por Helène Cixous.

  • 1995

    Em 1995, TARTUFFE, de Molière. Apresentações em Paris e em turnê (Viena, Festival de Avignon, Saint-Jean d'Angely, Liège, La Rochelle, Vienne en France, Copenhague, Berlim), 122 mil espectadores. O processo de criação e a vida da companhia durante os ensaios TARTUFFE foram objeto do documentário AU SOLEIL MÊME LA NUIT. Cenas de parto dirigidas por Eric Darmon et Catherine Vilpoux, em harmonia com Ariane Mnouchkine

  • 1997

    Em 1997, Hélène Cixous colabora no texto de ET SOUDAIN DES NUITS D'ÉVEIL, criação coletiva que encena o exílio e a ruína do povo tibetano. Apresentações em Paris e em turnê (Moscou), 55 mil espectadores.

  • 1999

    Em 1999, TAMBOURS SUR LA DIGUE, sob a forma de peça antiga para marionetes, interpretada por atores. De Hélène Cixous. Ariane Mnouchkine filma uma adaptação em 2001 na Cartoucherie com o elenco do Théâtre du Soleil. Apresentações em Paris e em turnê (Bâle, Anvers, Lyon, Montreal, Tokyo, Seul, Sydney), 150 mil espectadores.

  • 2003

    Em 2003, o Théâtre du Soleil cria LE DERNIER CARAVANSÉRAIL (ODYSSÉES), espetáculo-rio, em duas partes (Le Fleuve Cruel e Origines et Destins) que relata os destinos dos refugiados pelo mundo. Apresentações em Paris e em turnê (Festival de Avignon, Roma, Quimper, Festival Ruhrtriennale, Lyon, Berlim, Nova York, Melbourne, Atenas), 185 mil especatadores. Ariane Mnouchkine assinará a adaptação cinematográfica inteiramente transcorrida na Cartoucherie, transformada na ocasião em verdadeiro estúdio de cinema.

  • 2006

    Em dezembro de 2006, o Théâtre du Soleil cria LES ÉPHÉMÈRES, espetáculo em duas partes. Apresentações em Paris e em turnê (Quimper, Festival d e Atenas, Festival de Avignon, Festival de Buenos Aires, Festival Poa em Cena (Porto Alegre), São Paulo, Taipei, Wiener Festwochen, Saint-Etienne, Nova York (Lincoln Center Festival). 160 mil espectadores.

    [LES ÉPHÉMÈRES site do espetáculo no SESC, em São Paulo]

  • 2008

    O espetáculo LES ÉPHÉMÈRES foi filmado quando das apresentações na Comédie de Saint-Etienne, em junho de 2008, por Bernard Zitzermann (coprodução Théâtre du Soleil, ARTE, Bel Air Media).

  • 2009

    Em setembro de 2009, Ariane Mnouchkine recebeu o prêmio internacional Ibsen, conferido pelo governo norueguês em reconhecimento ao conjunto de sua obra.

  • 2010

    Em fevereiro de 2010, o Théâtre du Soleil cria LES NAUFRAGÉS DU FOL ESPOIR (AURORES) na Cartoucherie, criação coletiva escrita em conjunto com Hélène Cixous, direção de Ariane Mnouchkine.

ENTREVISTA COLETIVA

Ariane Mnouchkine, nascida em 3 de março de 1939 em Boulogne
sur Seine (cidade na margem direita do Sena, à 5 minutos de Paris),
é diretora da companhia Théâtre du Soleil, que ela fundou em 1964 com
seus companheiros da ATEP (Associação Teatral dos Estudantes de Paris).

O Théâtre du Soleil era então uma jovem companhia cosmopolita que
se instalou nos arredores de Paris, num local que se tornaria um novo
espaço de teatro: a Cartoucherie de Vincennes. Acompanhia criou novas
formas de organização e funcionamento privilegiando o trabalho coletivo.
O objetivo era já na época (num período anterior a 1968) estabelecer
novas relações com o público e realizar algo que se distinguisse
do teatro burguês, para chegar a um teatro popular de qualidade.

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Já na década de 1970 o Théâtre du Soleil tornava-se uma das maiores companhias da França, tanto pela quantidade de artistas quanto pela influência exercida internacionalmente. Partindo da idéia de companhia semelhante a uma tribo ou família, Ariane Mnouchkine estabeleceu a ética do Soleil a partir de regras elementares: as funções se confundem, todos recebem o mesmo salário e, em cena, a distribuição definitiva só é decidida depois de vários atores terem passado por diversos papéis.

O Théâtre du Soleil é hoje uma das últimas companhias ainda existentes na Europa a funcionar desse modo. Sua trajetória vem se construindo há mais de quarenta anos graças à fidelidade e à afeição de um público numeroso tanto na França quanto em outros países. O percurso da companhia é marcado por uma interrogação constante sobre o papel, o lugar do teatro e sua capacidade de representar a época atual.

Esse empenho de Ariane Mnouchkine em tratar das grandes questões políticas e humanas com uma abordagem universal junta-se à pesquisa de importantes formas narrativas e à confluência das artes do Oriente e do Ocidente.

CADERNO DE ANOTAÇÕES

HÉLÈNE CIXOUS

HÉLÈNE CIXOUS

JEAN-JACQUES LEMÊTRE

JEAN-JACQUES LEMÊTRE

ARIANE MNOUCHKINE

ARIANE MNOUCHKINE
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ATIVIDADES PARALELAS

  • Encontro com o público:
    O processo de trabalho da Companhia e o novo espetáculo, com Ariane Mnouchkine
    A encenadora participa de debate sobre a trajetória do Théâtre du Soleil e seus processos de criação.
    Dia 20/10 – Quinta, às 13h
    Praça de Eventos (Tenda) - SESC Belenzinho (585 lugares)
    Grátis. Retirada de ingressos com 1 hora de antecedência – até enquanto houver disponibilidade de lugares.

    Oficinas com o Théâtre du Soleil
    Denominadas “estágios”, as atividades ministradas por integrantes da Companhia tem como base a improvisação e jogos cênicos a partir de temas musicais. Com a orientação de Juliana Carneiro da Cunha, Maurice Durozier, Duccio Bellugi, Serge Nicolaï e Olivia Corsini.
    Dias 13, 14 e 15/10 – Quinta, sexta e sábado
    Horários: 9h às 12h e 13h às 16h (Carga horária de 18 horas – 6 horas/dia)
    Sala de Espetáculos II - SESC Belenzinho
    40 vagas. Para maiores de 16 anos interessados na arte teatral, estudantes de teatro, atores amadores e profissionais. (Os participantes devem ter disponibilidade para os 3 dias do curso, consumir alimentação leve e usar roupas confortáveis e de cores neutras e lisas – sem “marcas” aparentes ou estampas)
    R$ 30,00; R$ 15,00 (usuário matriculado, acima de 60 anos e estudante com carteirinha). R$ 7,50 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes).
    Inscrições pelo e-mail: theatredusoleil@belenzinho.sescsp.org.br até o dia 07/10, mediante envio de breve currículo e carta de interesse. Os selecionados devem ser informados por e-mail até o dia 11/10 e a participação é confirmada somente após o pagamento nos dias 11 ou 12/10, na Central de Atendimento do SESC Belenzinho.

    Workshop:
    A pesquisa musical e a criação para a cena, com Jean-Jaques Lemêtre
    O músico, compositor e intérprete coordena esta oficina em que aborda o trabalho de produção de trilhas sonoras para teatro e cinema.
    Dias 21 e 22/10 – Sexta e sábado
    Horário: 13h às 16h (Carga horária de 6 horas – 3 horas/dia)
    CEM (Centro Experimental de Música) - SESC Consolação
    30 vagas. Para maiores de 16 anos, com ou sem experiência, professores de música, atores e bailarinos. (Não é necessário saber tocar um instrumento para participar do curso)
    R$ 30,00; R$ 15,00 (usuário matriculado, acima de 60 anos e estudante com carteirinha). R$ 7,50 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes).
    Inscrições pelo e-mail: theatredusoleil@consolacao.sescsp.org.br  até o dia 14/10, mediante envio de breve currículo e carta de interesse. Os selecionados devem ser informados por e-mail até o dia 19/10 e a participação é confirmada somente após o pagamento nos dias 19 ou 20/10, na Central de Atendimento do SESC Consolação.

    Documentário:
    Ariane Mnouchkine – A aventura do Thêátre du Soleil
    Exibição do filme realizado em 2009 por Catherine Vilpoux, seguida por uma conversa com Ariane Mnouchkine sobre a trajetória da Companhia.
    Dia 15/10 – Sábado, às 13h
    Cinesesc (320 lugares)
    R$ 12,00; R$ 6,00 (usuário matriculado, acima de 60 anos e estudante com carteirinha). R$ 3,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes).

    SESC TV

    Programação especial

    Ariane Mnouchkine e o Théâtre du Soleil
    Dirigido por Antonio Jordão Pacheco, o documentário traz uma entrevista com Ariane Mnouchkine, mediada pelo jornalista e crítico de teatro Jefferson Del Rios. A entrevista foi gravada em 2007, quando a diretora esteve com sua trupe em excursão pela América Latina, em visita a Argentina e ao Brasil para apresentar o espetáculo Les Éphémeres, encenado no canteiro de obras do atual SESC Belenzinho, em São Paulo. Ariane Mnouchkine fala sobre sua carreira e a fundação do Théâtre du Soleil em 1964, seguida por sua instalação numa antiga fábrica de munições (La Cartoucherie) em Vincennes, nos arredores de Paris.  Permeado por trechos de peças teatrais da companhia, o programa traz ainda uma entrevista com a atriz brasileira Juliana Carneiro da Cunha, que recorda sua chegada ao Soleil e a estranheza que sentiu no início. O Théâtre du Soleil é formado por atores de vários países e diferentes culturas. A encenadora filosofa ao comentar sobre a emoção transmitida a ela pelos integrantes do grupo, quando atingem o teatro verdadeiro; fala sobre o seu trabalho como diretora - explicando como conduz o processo com os atores; e comenta a importância da diversidade cultural para esse projeto, tido por ela como “um projeto duplo: artístico e de vida”.
    Dia 11/10 – Terça, às 20h

    Para sintonizar o SESC TV:
    Canal 3, da Sky. Nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro: Canal 137, da NET Digital e Canal 28, da Oi TV. Em outras cidades consulte: www.sesctv.org.br

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ANOTAÇÕES

ARIANE MNOUCHKINE

  • Sobre o Théâtre du Soleil e “Os Náufragos da Louca Esperança (Auroras)”

    Adoro o cinema. Um dia talvez, em algum de nossos espetáculos, haverá cinema, uma personagem que vai ao cinema ou ficará vendo imagens cinematográficas. Mas não se trata de tentar rivalizar com o cinema [...] Faço teatro, amo o teatro. Se um dia o cinema estiver em cena, se um dia alguma personagem estiver olhando para uma tela, essa personagem só permanecerá no palco caso se torne teatral e se o cinema estiver no papel de ator de teatro.
    (1993)

    Introdução a um grande período de preparação do Théâtre du Soleil, fevereiro de 2009

    Graças a quem podemos ainda ter na França um instrumento de trabalho tão esplêndido, tão modesto, tão livre, tão charmoso como a Cartoucherie? Um instrumento que nunca conheceu o cabresto institucional, pois sempre o recusou furiosamente, um lugar tão aberto, tão simples de compartilhar! E eu respondia para mim mesma: é principalmente graças aos homens e mulheres que, nos momentos mais sombrios da guerra, sonhavam com a França do pós-guerra. Eu pensava nessas pessoas.
    Durante a ocupação, época de uma crueldade esquecida na Europa de hoje, quando reinava no país uma covardia contagiosa e devastadora, havia aqui e ali homens e mulheres que se reuniam clandestinamente, por certo para explodir trens, para travar os combates da resistência, mas também, e talvez principalmente, para escrever a Constituição da França do pós-guerra, para sonhar a França do pós-guerra. Essas pessoas planejavam as escolas, a universidade, a seguridade social, a cultura, os teatros da França libertada e novamente em pé. É graças a essas pessoas que ainda estamos aqui hoje, reunidos nesta nave. Mas já não sabemos, já não tenho certeza de que nós, artistas e pessoal da política, continuemos suficientemente fiéis a esse sonho.
    Há, no entanto, artistas, há companhias de teatro – o Théâtre du Soleil faz parte dessas companhias, e há até mesmo homens e mulheres da política – que se esforçam para ser fiéis a esse sonho, o sonho de um país culto, de um país esclarecido, de um país em que a ignorância seja reconhecida como a doença mais grave e a ser combatida em primeiro lugar, um país em que a educação artística seja uma causa nacional. Era esse sonho poético, político, artístico que a Cartoucherie ia nos permitir viver, nós sabíamos, quando, com a cumplicidade de Janine Alexandre-Debré e de Christian Dupavillon, nós a invadimos em agosto de 1970. Era um local inculto, majestoso, tão escondido no bosque de Vincennes quanto Angkor o foi durante mil anos na floresta cambojana. Éramos seus descobridores, seus invasores, seus libertadores, seus cultivadores; íamos “torná-la melhor”, nós e aqueles que iriam se juntar a nós. Seríamos nós, os desobedientes disciplinados, que faríamos desse lugar um palácio de maravilhas, um refúgio de teatro e humanidade, um laboratório de teatro popular, um campo de experimentação e aprendizagem de tirar o fôlego. Um paraíso do povo, do qual seríamos os servos, nunca nos tornaríamos os arrendadores exclusivos. Nenhum ministério no mundo poderia nos ditar algo diferente daquilo que já considerávamos nosso dever sagrado: levar felicidade ao maior número possível de pessoas. Nenhum egoísmo corporativista jamais nos faria lançar para fora, apenas terminado o espetáculo, o público que nos tivesse concedido a honra de querer viver duas ou quatro horas conosco, em busca do teatro, isto é, em busca do humano ( ... )

    Algumas anotações de ensaios do Náufragos da Louca Esperança

    As origens (18 março) – Vamos mergulhar nas águas escuras, na tempestade, em busca de nosso trabalho, de nossa obra, de nosso espetáculo. É um momento muito importante, em que tudo é colocado à prova: nossa paciência, nossa solidez diante das ignorâncias...

    Uma conquista (24 de março ) – Como é difícil, e como vale a pena ( ... ) O que me preocupa, por vocês, por nós, é a dificuldade. Mas há também um esplendor inegável ( ... ) E por que estamos nisso? Buscamos um equilíbrio entre uma ficção infantil, ou juvenil, e uma verdade. A fim de que tudo permaneça poético, emocionante, verdadeiro, justo, para que essa história inverossímil nos pareça absolutamente verdadeira.

    Fazer um Jules Verne (4 de agosto) – Não estamos fazendo um Shakespeare, nem um Tchekhov, estamos fazendo um Jules Verne, uma epopeia em que as personagens estão presentes para contar uma história. Essa é a fraqueza e a força delas. Há uma inocência ( ... ) Quando vejo essas palavras e esses seres num navio cheio disso e daquilo, com neve de papel, vejo todo o começo do século vinte. Aquelas pessoas tão simples, tão populares, tão confiantes na arte do cinema, e nós na arte do teatro: como ousam jogar bolas de neve de papel para fazer uma tempestade?

    Um espetáculo político (25 de agosto) – Atualmente penso que o espetáculo mais político que se possa fazer é um que traga um pouco de entusiasmo, de clareza, de esperança ao ser humano. Não há nada diferente disso que se possa dizer hoje em dia. E, sim, é corpo (... ) E, sim, é idealista. Espero que proporcionemos muita emoção ao evocar esses ideais não realizados (...) Às vezes, temos direito ao delírio, a uma maluquice alegre, mas não à insanidade. No fundo, há sempre um sentido, um objetivo, um desejo ( ... ) Cada riso deveria ser um riso de reconhecimento.

    A coragem da alegria (25 de agosto) – É no corpo, e no coração, nunca na cabeça; o que dizemos nesse espetaculo é muito simples, muito sonhador, o que não quer dizer que não seja complexo, pois acho que a coragem da alegria é muito complexa.

    A poesia furiosa (9 de dezembro) – Vocês sabem que é belo quando os corpos estão presentes, quando o coração está no que se diz, quando os olhos estão cheios de vida, como se devêssemos encontrar a metáfora da criação artística. Se tivéssemos que trabalhar a respeito de Pasteur, Fleming ou Einstein, a respeito da busca deles, teríamos a mesma coisa no corpo. Sem esse corpo não se tem o tumulto interior. É orgásmico, e Jean Vilar já diz dizia isso, há ensaios em que sentimos o orgasmo do espírito. Há algo que é tremendamente dado, tremendamente desejante, é preciso compreender isso, não é expressão corporal, é metáfora viva, carnal, a cada instante.

    Trechos de encontros com os alunos do Conservatoire National Supérieur d'Art Dramatique et de I'École Nationale Supérieure des Arts et Techniques du Théâtre, 2008*.

    «Precisávamos – e continuamos precisando – de atores extremamente corajosos para aceitar trabalhar num navio que às vezes não tem bússola, que navega seguindo uma estrela».

    «O ator, como todo artista, é um explorador; é alguém que, armado ou desarmado, no mais das vezes desarmado, segue por um túnel muito longo, muito profundo, muito estranho, às vezes muito escuro, alguém que, assim como um minerador, recolhe pedregulhos e, entre esses pedregulhos, é preciso encontrar e talhar um diamante. Acho que é isso que os atores chamam de ‘aventura’. Em todo caso, é o que chamo de aventura. Descer à alma dos seres, de uma sociedade – e voltar – é a primeira parte da aventura.

    «Quando o Théâtre du Soleil diz: ‘A gente entra para a escola’, acho que é para se lançar a uma aventura perigosa – psicologicamente, afetivamente, artisticamente, materialmente às vezes. Não se trata de modo algum de modéstia; é talvez uma certa humildade, quando se chega lá, mas creio que isso vem de um espírito de aventura. (...) Esses continentes inexplorados não são necessariamente continentes do globo terrestre; por certo podem ser também continentes internos a serem reconhecidos».

    «E digo a mim mesma que, no fundo, vou saber o que propor em seguida a partir do momento em que souber o que quero aprender. Não apenas saber aonde quero ir. Não apenas a história que eu gostaria de contar. Não: o espetáculo que eu quero ver, porque sei que esse espetáculo fará de mim alguém que terá talvez aprendido. Conhecem a famosa frase de Copeau, eu acho, que diz?: ‘Há dois tipos de encenadores. Aquele que pergunta a si mesmo ‘o que é que vou fazer com essa peça? E outro, que se pergunta: ‘o que essa peça vai fazer de mim?’ Digamos que sou antes do tipo que faz a segunda pergunta.»

    «A cada vez que preparamos um espetáculo, partimos de novo do zero; as pessoas nos dizem: ‘Isso não é verdade, vocês sabem o que vai ser’. Sim, talvez saibamos um pouco melhor o que buscar».

    «No teatro, há sempre muitas histórias que são contadas. Não há espetáculo de teatro sem que haja em seu interior uma história do teatro. E até mesmo quando um espetáculo conta a história de uma catástrofe, uma história odiosa, que descreve a escuridão do gênero humano, isso não impede que haja Esperança na Humanidade –pelo próprio fato de essa peça existir, de haver seres humanos a representá-la. Não é possível fazer teatro sem estar consciente disso.»

    «Confesso que o Teatro é uma forma de religião: quero dizer com isso que nele sentimos também o re-ligare, a conexão, o concentrar-se nas emoções.»

    Ver “Ariane Mnouchkine”, notas selecionadas e introdução por Béatrice Picon-Vallin (Col. “Mettre en scène”. Actes Sud-papiers. 2009).

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ANOTAÇÕES

JEAN-JACQUES LEMÊTRE

  • Trechos de uma conversa, Janeiro 2010

    Quem é você nesse espetáculo?
    - Nessa peça, o músico está em cena: eu me chamo Camille Bérard, sou o pianista que trabalha no restaurante de Félix e que, a pedido da equipe de cinema, cria no sótão a música para um filme mudo. Em certos momentos, ouvem-no também compor para si mesmo...

    Como você trabalhou?
    - Na elaboração do espetáculo, a música já estava presente desde o começo. Estou presente desde o início. Não sou o músico que chega depois que tudo está pronto. E não há nenhuma cena sem música. Ela é o segundo pulmão; e o ator é o primeiro. Ela corresponde a um estado, um sentimento, e ajuda o ator a encontrar ou manter esse sentimento. Para compor, trabalho a partir do ritmo da respiração dos atores. É pela voz dos atores que afino meus instrumentos, ela dá a nota. Quando alguém fala, posso repetir cantando o que essa pessoa diz, posso dizer qual é a nota mais baixa, a mais alta. A grande heresia dos músicos é fazer crer que cantar e falar são coisas diferentes... No momento em que os atores representam sem falar, não tenho esse trabalho com a voz; posso então lançar sinfonias em qualquer tonalidade.. Em outros momentos, a música pode ter seu próprio discurso, e estar em decalagem. Eu me baseio também na época para compor.

    Em que ponto exatamente a música corresponde aos tempos e aos diversos lugares evocados?
    - A música assinala a época: todos os instrumentos presentes no espetáculo surgem de acordo com a época. É por isso que não há cravo, caído em desuso com o barroco, mas piano; também não há viola da gamba, mas violoncelo. Todos os trechos que utilizo foram compostos antes de 1914. No espetáculo há a filmagem de um filme mudo e a vida da companhia fora dessa filmagem, em que a música é bem diferente. No sótão onde se encontra a equipe de filmagem ouve-se a música do restaurante de Félix: os primeiros boleros, os primeiros pasos-dobles, os primeiros tangos... e também um órgão mecânico (uma espécie de grande realejo), que toca música militar. De um lado do palco há uma janela pela qual surgem ruídos da rua (pregões de jornaleiros, caleches que passam); do outro lado, de um prédio vizinho, ouve-se um pianista tocando.

    Pode descrever os diversos trechos ouvidos durante o espetáculo?
    - Minha gama musical nesse espetáculo vai do piano à orquestra sinfônica; são empregados 170 músicos! Escrevi 350 trechos de música, entre os quais 120 para piano. Há músicas de cabaré para o restaurante «Au Fol Espoir», as músicas e os ruídos para o filme mudo, e as melodias que acompanham a voz narradora. Há tambémos momentos de mudança de cena, em que se troca o cenário. Para criar a música para essas passagens, eu me coloquei em estado de urgência de guerra: a equipe precisa terminar rapidamente a filmagem porque precisa partir, embora então pensassem que seria por pouco tempo. Por exemplo: o trecho que intitulei Drame à tique.

    Como você se inspirou no cinema mudo para compor a música?
    - Na época, em 1914, não havia música nos filmes mudos. Tudo dependia dos recursos da sala de cinema, que podia convidar um ou vários músicos para tocar durante as projeções. Eles eram capazes de improvisar ou tocavam trechos de música já composta, mas que às vezes não tinham nenhuma relação com o filme; por exemplo, as valsas da época. Podia ser o pianista local, mas também um soldado da guerra de 1870 que tocava clarim. Ou então levava-se um gramofone e tocavam-se discos, fazendo uma montagem de trechos diversos. Com frequencia era Wagner. Qual filme não tinha as Valquírias como acompanhamento? E a Quinta Beethoven estava em todas as cenas de tempestade. Fui à Cinemateca e quis ver todos os filmes anteriores a 1914 com suas músicas, mas as faixas estavam inutilizadas, não havia mais nada. A única coisa que se pode ouvir são os acompanhamentos musicais feitos para esses filmes muito tempo depois, e isso não me interessa. Em seguida, no tocante às primeiras músicas de filme, vieram os pianistas de palco e até mesmo grandes compositores, como Camille Saint-Saëns e Erik Satie.

    Como você trabalhou os ruídos das cenas filmadas?
    - Para que os espectadores sintam que se trata da Patagônia, criei ventos bem realistas. Lá – tive a ocasião de ir lá há muito tempo – não há nenhum momento de calma, há vento em todas as direções; é um universo caótico. Ainda tenho no ouvido o som desses ventos, são muito particulares. Para recriá-los, falsifiquei eletronicamente ventos gravados mas me sirvo também de apitos, da minha boca... Nessas ilhas, ouvem-se assobios por causa das rajadas de vento muito fortes; lá acontece uma mistura de ventos terrestres e ventos marinhos, os que vêm do Pacífico, os que vêm do Atlântico e os que sobem do Polo Sul... É preciso reinventar todos esses elementos; é um trabalho de músico, não de técnico. Aliás, eu transponho e musicalizo todos os ruídos. Para as bofetadas, por exemplo, não gravo o ruído de um tapa, mas utilizo um tambor chato, que pode criar um efeito cômico. Há também percussões para sublinhar os dramas, as tempestades e as chegadas de navio, e para a transposição sonoras das trompas de bruma....

    Quais são os compositores que você escolheu para a música do espetáculo?
    - Músicos engajados! As grandes reivindicações, as grandes mudanças políticas e sociais da época transparecem nos trechos que têm a amplitude de movimentos coletivos. Assim, preferi Wagner, que rompe o sistema tonal, a Ravel; em vez de valsas de Strauss, uso Chostakovitch porque ele fala ao povo, ao presente. Escolhi Beethoven, que fala ao cosmo e cuja música acompanha as conquistas democráticas; não é à toa que escolhemos sua Nona Sinfonia para o hino europeu, não Bach, que fala a Deus, nem Chopin, cuja música é o ser exposto que fala de alma para alma...

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ANOTAÇÕES

HÉLÈNE CIXOUS

  • Uma sensação de Farol

    «Um coeficiente de incalculável grandeza», eis o que Proust sente na nitidez do pequeno zumbido de vespa no céu de verão de 1913, e não era nem uma mosca, nem um pássaro, mas «um aeroplano montado por homens, velando por nós».

    Essa mosca-aeroplano-cavalo celeste, essa ínfima armação sonora que nos dá a altura do céu de verão, amigável e vertiginoso, é nosso espetáculo. Ele é comparável às minúsculas flores de papel japonês, pequenos pedaços de vida indistintos que, mal tendo sido mergulhadas num caldo de teatro, esticam, ganham outros contornos, se colorem, tornam-se casas, homens, árvores, navegadores, homens de estado, cantoras, presidiários, personagens enfim, e também toda a Europa e seus arredores, os oceanos e as Américas.
    Esse índice de grandeza incalculável o teríamos também ao abrir um dia em 2008 um pequeno romance de Jules Verne que sobrevivera cem anos a seu autor e se encontrava um tanto perdido num sebo de mercado em Paris. Mal tínhamos mergulhado um olhar em sua infusão de palavras, vimos emergir daquela ruína de papeis um turbilhão monumental.
    E eis que estamos no verão de 1895. É talvez logo em seguida, em 1904.
    Quanta alegria nessa época! Estamos no início maravilhoso do mais entusiasmante dos séculos, o século vinte, século elétrico, que chega acelerando a toda velocidade.
    Vejamos: nunca se vira, desde a revolução galileana, uma tal concentração de descobertas. Nas ciências a revolução é total, absoluta; eis que temos a lógica formal, a teoria dos conjuntos, “A Ciência e a Hipótese”, texto revolucionário de Poincaré e, em 1905, a lei de Planck, seguida da teoria da mecânica quântica. Logo vamos deixar de ser mais pesados que o ar, se continuarmos assim. O novo século abre suas asas. A cada ano brilha um farol novo. Estamos na encruzilhada. É como se houvesse uma reação alquímica entre as diversas revoluções que chegam a seu termo de tempo em tempo.
    Eis o impulso explorador dos continentes íntimos, o elã da psicanálise. Nesse ano Freud encontra as chaves do inconsciente. É uma sensação de Farol que inspira as fabulosas explorações de Jules Verne, relatos para crianças de todas as idades que somos, pequenos videntes e felizes intrépidos desse Tempo que já não conhece o não.
    Em alguns anos, digamos de 1890 a 1914, tudo mudou. Não há um recanto da física, da matemática, da química, da biologia, que não tenha sido revirado. O sopro da felicidade, lembram-se? Das menores às maiores coisas, tudo veio à tona e foi transportado como que para um outro continente. É como se passássemos de Paris ou Berlim à Patagônia numa batida de asas! Estão vendo um jovem deitado num prado da Normandia, cabeça no futuro? É Marcel Proust. O tempo está bom. Ele ouve um zumbido de inseto no azul do céu: é a revolução de todos os sentidos. O quê? Esse inseto brilha? Um aeroplano: emoção sobre-humana. Não o vemos, mas em seguida o «vemos»: há homens, não, anjos, cavaleiros celestes, lá em cima. O tempo e o espaço são metamorfoses! Dois quilômetros de trem não são dois mil metros no infinito vertical. Os pontos de vista humanos sofrem transformações-relâmpago.
    E eis que a literatura e os aeroplanos se casam. Em Kafka, assim como em Proust e em Sham¬bala, decola-se! Faz-se a imaginação voar de outro modo. Distâncias e extremas extremidades ficam ao alcance de nossos novos sonhos. Vejamos, um diar Ader voa a três centímetros do solo e dez anos depois estamos nas estrelas.
    De agora em diante desejamos e conquistamos com motor elétrico. Que venha o automóvel! O telefone! O rádio! Iremos mais longe, até o fim, até os polos. Cuidado! Lá embaixo é o desconhecido. Shackleton se aproxima do Polo Sul com seu Endurance.
    Nunca se viu uma época tão impetuosa, tão ávida de extensão e de novas forças.
    Nietzsche acaba de nos dizer: «o homem é um animal promissor». Sim, isso promete! O homem é um animal inventor. E receptor: é como se houvesse, nesses anos, um fenômeno de propagação por contiguidade dos espíritos, um contágio das forças vitais. A eletricidade, acontecimento absoluto, iluminará mais que uma lâmpada: de agora em diante a história da humanidade também se desenrolará à noite. O fato de podermos viver, trabalhar, criar à noite é um milagre técnico. E só estamos no começo! O hábito, monstro que tudo destrói, ainda não empanou o brilho do maravilhoso.
    É nesses anos embriagadores que nossas personagens se põem em ação. É natural nesses tempos propícios que se tenha a ideia e a vontade de mudar o mundo. E de pintá-lo também, em seus movimentos novos, suas aventuras, suas infâncias da arte.
    E naturalmente a vasta esfera política é também tomada de convulsões. Rompem-se as costuras. Categorias, fronteiras, regimes, tronos, poderes, modelos sociais, tudo se agita, tudo é sacudido pelo espírito de liberdade, pois tudo está ligado: o automóvel e os movimentos operários, a psicanálise, a linguística e os direitos das minorias. Sutilmente, politicamente, moralmente, avança-se em ciências e solidariedades: na mesma estação do ano em que aparece na França o primeiro número do jornal que ousa se chamar Humanité, surge na Alemanha o artigo de Einstein intitulado «Da eletrodinâmica e dos corpos em movimento». Relatividade, Humanidade avançam juntas. O que Jaurès e Einstein têm em comum? Ao menos um traço: o amor prudente e arrazoado à paz.
    Se tanto falamos de paz e nela pensamos é porque todos esses «progressos» técnicos e políticos não se dão sem um progresso paradoxal: a guerra também se aperfeiçoa, alimentada de ciúmes, rivalidades, apetites descomedidos. Ao crescer, o mundo faz crescer também as voracidades. Essa época fabulosa é também o tempo amargo da avidez imperialista, das exaltações nacionalistas. A Europa quer engolir os outros continentes. A pequena Inglaterra tem um estômago do tamanho de dois continentes; a França se estende sobre a África e até a Ásia; a Alemanha não aplaca sua cólera. Os dragões chicoteam o ar com suas caudas assassinas.

    Não pensemos mais nisso. A arte nunca foi tão rica. Se a ópera nos embriga e não temos disposição para ir até lá, podemos fazer uma assinatura do teatrofone e ouvir Wagner, Debussy ou Strauss da cama. É o que faz Proust. O distante está no quarto, no sótão. E eis o cinematógrafo! Naturalmente a primeira coisa que ele faz, nessa época em que a Viagem se tornou a coisa mais compartilhada do mundo, é ir à Lua.
    E se fôssemos lá? E se buscássemos a lua na terra? Como ela nos pareceria? Ela seria branca, brilhante e virgem. Seria uma ilha, imaginemos. Poderíamos ali traçar o modelo de uma humanidade futura. Delinearíamos a democracia ideal três mil anos depois de Ésquilo.
    Bem disse Jaurès em seu primeiro editorial em 18 de abril de 1904 que «a Humanidade ainda não existe, ou praticamente não existe...» Ele queria falar da Humanidade humana, naturalmente, da humanidade humanista, a humanidade-igualdade, justiça, compartilhamento. A Humanidade! «A Humanidade ainda não existe» mas ela virá. Ela vem. Sim, vem o século da Humanidade!. É o que nos dizemos. E ela se anuncia moderna, dinâmica. A atmosfera é mitológica. Os seres humanos se prolongam, crescem, se estendem, são levados para além de seus perímetros. Eles aspiram.
    E Jaurès disse que ela: «praticamente não existe». E se esse «praticamente» fôssemos nós? Nós nos daríamos ao trabalho de a fazer nascer, um pouco, modestamente, idealmente, cena a cena.
    Começamos a realizar as profecias de Rimbaud. Nós nos encarregamos da humanidade. Encontramos uma nova língua para pintar em imagens a quantidade de desconhecido. E as mulheres também! Elas estarão na frente.
    Até onde iremos?! Para além da Índia, para além do Chile e da Argentina! Hoje estamos em 29 de junho de 1914.
    O que poderia nos deter?

Os Náufragos da Louca Esperança (Auroras)


Ambientado em 1914, às vésperas da Primeira Guerra Mundial,
Os Náufragos da Louca Esperança (Auroras) leva à cena uma trupe fascinada pelo advento do cinematógrafo,
que se aperta no sótão de um cabaré para rodar um filme. O filme dentro da peça retrata a história
de emigrantes que, no final do século XIX, deixam o País de Gales rumo à Austrália,
mas encalham na Terra do Fogo, onde tentam forjar uma comunidade socialista.

Leia Mais

CENAS

Cenas

FICHA TÉCNICA

Cenas

A montagem é composta por nove episódios:

  1. 1. O manifesto de Mayerling
  2. 2. O embarque dos emigrantes
  3. 3. O bom apetite de Victoria
  4. 4. A partilha forçada
  5. 5. A missão na Patagônia
  6. 6. O naufrágio do Louca Esperança
  7. 7. A boa idéia do governador ou Uma proposta extraordinária
  8. 8. O contrato social ou o outro sonho
  9. 9. A corrida do ouro ou adeus à Hoste

POSTAIS

Cenas

COMPOSIÇÕES

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POSTAIS

Os Náufragos da Louca Esperança (Auroras), e todas as produções do Théatre du Soleil, propõem estas descobertas:

  • O DESCONHECIDO

    O DESCONHECIDO

    Onde se descobre que é além do mundo conhecido que os viajantes descobrem os primórdios da humanidade.

  • O AMOR

    O AMOR

    O amor tórrido se revela nas mais baixas latitudes.

  • A AVENTURA

    A AVENTURA

    Assim como nos romances, os viajantes se deparam com acontecimentos imprevisíveis.

  • A AMBIÇÃO

    A AMBIÇÃO

    Nos revela que existe uma febre incurável mais violenta que o amor, mais mortal que a peste.

  • O PERIGO

    O PERIGO

    É nos perigos extremos que o homem, por algum tempo, se revela sobre-humano.

  • A AMIZADE

    A AMIZADE

    Nos ensina que os verdadeiros amigos se revelam por seus atos.

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COMPOSIÇÕES

As composições de Jean-Jacques Lemêtre

Os episódios do filme de Jean LaPalette

O manifesto de Mayerling
Fica-se sabendo que Rodolphe e seu primo queriam um reino socialista. E também que Rodolphe e sua amante foram assassinados. Com músicas de Grieg, Rachmaninov, Debussy e Orff.

O embarque dos emigrantes
Encontramos os passageiros. Pobres e ricos. Alguns desembarcam a contragosto e outros embarcam sem querer. Com músicas de Brahms, Chostakovitch, Smetana, Tchaikovsky, Fauré, Franck, Prokofiev e Respighi.

O bom apetite de Victoria
Fica-se sabendo que Jean Salvatore desapareceu com seu navio e carga há cinco anos num naufrágio na costa argentina. Isso proporciona a Darwin a oportunidade de estimular o apetite da Rainha Victoria. Com músicas de Respighi, Heel, Strauss, Berlioz e Bruckner.

A partilha forçada
A imbecilidade da guerra entre argentinos e chilenos. Com músicas de Chabrier, Khatchaturian, Chaplin e Sibelius.

A missão na Patagônia
A pessoa que julgavam ter morrido está na verdade bem viva. Surgem os missionários, os índígenas, os assassinos. Com músicas de Dvorak, Debussy e Tchaikovski.

O naufrágio do Louca Esperança
O oceano é poderoso e o ser humano, minúsculo. Nunca se perde absolutamente coisa alguma... Com músicas de Verdi, Wagner, Smetana, Beethoven, D'Indy, Tchaikovski, Respighi e Sibelius.

A boa ideia do governador ou Uma proposta extraordinária
O governador tem uma intenção oculta. Por ele fica-se sabendo que o Chile oferece a ilha Hoste, com toda soberania, aos náufragos. Os Gautrain encontram o que buscavam desde sempre. O ouro acaba de ser descoberto, e para alguns os dados já estão lançados. Verifica-se que as resoluções humanas são frágeis. Com músicas de Rimsky-Korsakov, Chostakovitch, Brahms, Wagner e Khatchaturian.

O contrato social ou o outro sonho
Há dois modos de imaginar a tomada do poder. Deus pode dividir em vez de unir. As mulheres são sempre esquecidas. Com músicas de Wagner, Verdi e Smetana.

A corrida do ouro ou adeus a Hoste
Jean Salvatore escolhe os indígenas, pois, se há ouro, este lhes pertence; se não o querem, precisam fugir, pois os ladrões chegam com armas, álcool, crimes e doenças. Pode-se morrer de amor nessas regiões geladas. Um marido amoroso pode não ver aquilo que precisaria. Com músicas de Rimsky-Korsakov, Respighi e Bruckner.

FICHA TÉCNICA

uma criação coletiva do Théâtre du Soleil
Escrita em parceria com Hélène Cixous
e inspirada em um misterioso romance póstumo de Júlio Verne
Encenação de Ariane Mnouchkine
Música de Jean-Jacques Lemêtre

  • Eve Doe-Bruce

    Encarna Monsieur Félix Courage, o dono da guinguette Le Fol Espoir

  • Juliana Carneiro da Cunha

    Encarna Madame Gabrielle, irmã de Jean LaPalette, cineasta, que interpreta Madame Paoli, emigrante italiana e a Mãe Índia.

  • Astrid Grant

    Encarna Miss Mary Danaher, especialista em fogos de artifício e fumaças, que interpreta Maria Vetsera, amante do arquiduque Rodolphe de Habsbourg-¬Lorraine; Victoria, Rainha Imperial; e Emelyne Jones, socialista e feminista.

  • Olivia Corsini

    Encarna Mademoiselle Marguerite, criada que interpreta a neta de Marguerite; Rachel, célebre cantora de ópera, esposa de Simon Gautrain; e Irmã Augustine, da missão salesiana.

  • Paula Giusti

    Encarna Anita, malabarista saltimbanco que interpreta Amalia Paoli e Herrera, emissário da República Argentina.

  • Alice Milléquant

    Encarna Suzanne, malabarista saltimbanco que interpreta a enfermeira do porto e Segarra, emissário da República do Chile.

  • Dominique Jambert

    Encarna Mademoiselle Adèle, que interpreta a professora Anna e Irmã Magnânima, da missão salesiana.

  • Pauline Poignand

    Encarna Mademoiselle Marthe, braço direito de Monsieur Félix Courage, que interpreta a neta de Marthe; Gervaise, operária da fábrica de mostarda; Rodrigo, secretário do governador da Patagônia; e Anju, jovem índia.

  • Marjolaine Larranaga y Ausin

    Encarna Mademoiselle Flora, a pequena lavadeira.

  • Ana Amelia Dosse

    Encarna Mademoiselle Rosalia, garçonete que interpreta Louise Ceyrac, esposa de Pierre Ceyrac.

  • Judit Jancso

    Encarna Mademoiselle Eszther, a caixeira húngara do caixa, que interpreta a enfermeira de Rachel.

  • Aline Borsari

    Encarna Mademoiselle Fernanda, garçonete que interpreta um marinheiro.

  • Frédérique Voruz

    Encarna Mademoiselle Victoire, garçonete.

  • E a voz de Gabriela Rabelo (a partir da voz original em francês de Shaghayegh Beheshti).

  • Jean-Jacques Lemêtre

    Encarna Monsieur Camille Bérard, músico.

  • Maurice Durozier

    Encarna Monsieur Jean LaPalette, cineasta que interpreta Émile Gautrain, banqueiro e industrial.

  • Duccio Bellugi-Vannuccini

    Encarna Monsieur Tommaso, também cineasta, que interpreta ainda Josef, cocheiro do arquiduque Rodolphe de Habsbourg-Lorraine; o médico do navio; Sir Charles Darwin, célebre naturalista inglês; e Marat Razine, ideólogo de «tendência bolchevique».

  • Serge Nicolaï

    Encarna Monsieur Louis, o animador contador de lorotas da guinguette de Félix, que interpreta o arquiduque Jean Salvatore de Habsbourg-Toscane, denominado Jean Orth, e em Julio Verne denominado o Kaw-djer; Lord Salisbury, primeiro-ministro do Império Britânico e o governador da Patagônia.

  • Sebastien Brottet-Michel

    Encarna Monsieur Ernest Choubert, denominado Schubert, ator, que intepreta um agente do serviço secreto austríaco; Simon Gautrain, banqueiro e engenheiro; Armando Paoli, o filho louco; e Octavio Mac Lennan, um argentino «caçador de recompensas».

  • Sylvain Jailloux

    Encarna Monsieur Alix Bellmans, assistente contra-regra dos LaPa¬lette, que interpreta um agente do serviço secreto austríaco; Antoine, motorista de Rachel; o professor John Jones, pastor, socialista cristão; o tenente Laurence, enviado do governo britânico; e Lusconi, um argentino «caçador de recompensas».

  • Andreas Simma

    Encarna Josef, o garçom austríaco que interpreta o arquiduque Rodolphe de Habsbourg-Lorraine; Padre Matthew, o religioso irlandês; Ian O'Brian, marinheiro; um guarda sikh do Império das Índias; e Lobo, um argentino «caçador de recompensas».

  • Seear Kohi

    Encarna Bonheur, um cumim cambojano, que interpreta um jovem assassino austríaco; um jovem marinheiro e Yuras, o jovem índio.

  • Armand Saribekyan

    Encarna Monsieur Vassili, o pintor russo que interpreta Toni, marceneiro-carpinteiro e Miss Blossom.

  • Vijayan Panikkaveettil

    Encarna Ravisharanarayanan, denominado Ravi, chefe dos cumins, que interpreta o Capitão, comandante do navio; um guarda sikh do Império das Índias e Jenkins, criador de carneiros.

  • Samir Abdul Jabbar Saed

    Encarna Farouk, confeiteiro da Babilônia que interpreta um capanga; Monsieur Paoli, emigrante italiano; o mordomo do palácio de Windsor e um forçado.

  • Vincent Mangado

    Encarna Ulysse, sommelier languedociano que interpreta Patrick O'Leary, marinheiro; e Pierre Ceyrac, geógrafo e socialista utopista.

  • Sébastien Bonneau

    Encarna Jeannot, malabarista e vendedor de jornais, que interpreta um jovem assassino austríaco e Billy, o grumete.

  • Maixence Bauduin

    Encarna Jerôme, caçador que interpreta um capanga e Manuel, professor.

  • Jean-Sébastien Merle

    Encarna Monsieur Dauphin, cabeleireiro que interpreta um grumete do navio; Winston Churchill, jovem pajem da Rainha Victoria; e um forçado.

  • Seietsu Onochi

    Encarna Akira, cliente assíduo que interpreta Huang Huang Hshing, lavadeiro chinês.

  • Jean-Jacques Lemêtre compôs muitas das músicas deste espetáculo. Também invocou e convocou as almas de seus grandes ancestrais, compositores dos séculos dezenove e vinte: Ludwig Van Beethoven, Hector Berlioz, Johannes Brahms, Anton Bruckner, Emmanuel Chabrier, Dimitri Chostakovitch, Vincent D'Indy, Claude Debussy, Anton Dvorak, Gabriel Fauré, César Franck, Edvard Grieg, Aram Khatchaturian, Carl Orff, Serguei Prokoviev, Serguei Rachmaninov, Ottorino Respighi Nikolai Rlmski-Korsakov, Franz Schubert, Jean Sibelius Bedrich Smetana, Johann Strauss, Piotr Ilitch Tchaikovski, Giuseppe Verdi, Richard Wagner.

    Ariane Mnouchkine idealizou o espaço do espetáculo, executado por Everest Canto de Montserrat.

    Charles-Henri Bradier foi o assistente de Ariane Mnouchkine na direção, com a colaboração de Lucile Cocito.

    Serge Nicolaï imaginou e executou os cenários, com a colaboração de Sébastien Brottet-Michel, Elena Antsiferova, Duccio Bellugi-Vannuccini, Andreas Simma, Maixence Bauduin e todos.

    Elsa Revol concebeu e executou a luz do espetáculo com a colaboração de Hugo Mercier e Virginie Le Coënt.

    Yann Lemêtre concebeu e instalou o som, executado por Thérèse Spirli e Marie-Jasmine Cocito.

    Nathalie Thomas, Marie-Hélène Bouvet e Annie Tran executaram o figurino do espetáculo com a colaboração dos atores, de Simona Grassano e de Cecile Gacon.

    Danièle Heusslein-Gire pintou todas as telas do espetáculo.

    Construções em metal e madeira: Adolfo Canto Sabido, Kaveh Kishipur e David Buizard, com a ajuda Johann Perruchon e Jules Infante.

    Outras pinturas e acessórios de cena: Elena Antsiferova.

    Mil e um pequenos detalhes foram estudados e acertados por Sébastien Brottet-Michel e Serge Nicolaï.

    Acastelagem e mastreação: Vincent Mangado e Dominique Jambert.

    Blocos de gelo e icebergs: Erhard Stiefel.

    Paula Giusti reconstituiu as câmeras dos primeiros tempos do cinematógrafo.

    Olivia Corsini com Aline Borsari, Ana Amelia Dosse, Alice Milléquant, Martha Kiss Perrone e outros dirigiram a confecção da grande banquisa.

    Sylvain Jailloux regulou as idas e vindas de todos os chassis e seus contrapesos

    Andrea Marchant e Ebru Erdinc estão nos canhões e na cabine de luz.

    Tradução: Naruna de Andrade e Pedro Guimarães.

    Operadores de legendas: Marie Constant e Judith Marvan Enriquez.

    O piso e alguns elementos do cenário foram fabricados por nosso amigo Dominique Lebourge (Artefact).

    As grandes questões técnicas: Everest Canto de Montserrat.

    As grandes questões de informática e organização: Etienne Lemasson.

    Questões administrativas: Claire Van Zande e Pierre Salesne.

    Questões humanitárias, turnês na França e no exterior: Elaine Méric.

    As grandes questões de relações públicas: Liliana Andreone, Sylvie Papandréou, Maria Adroher Baús e Svetlana Dukovska.

    Questões editoriais: Franck Pendino.

    Chefes de cozinha: Karim Gougam, Augustin Letelier e Julia Marin.

    Cartazes e programa (França):Thomas Félix-François e Catherine Schaub-Abkarian.

    O grande cuidador (fisioterapeuta): Marc Pujo.

    Fotógrafos: Martine Franck e Michèle Laurent.

    Obrigado a Liv Ullmann, ao júri do Prêmio Ibsen e ao Ministério da Cultura da Noruega.

    E como sempre, pela ajuda concreta e fiel, obrigado a Françoise e Lorenzo Benedetti.

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CENAS

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  • Cena 12

MONTAGEM DO PALCO

A concretização da temporada no Brasil torna-se possível graças à reprodução da Cartoucherie - o espaço - sede do Théâtre du Soleil - no SESC Belenzinho. Trata-se de um galpão com cerca de quatro mil m2, onde estão instaladas a área de recepção do público e alimentação, livraria, camarins, área cênica composta por palco e arquibancada, escritório e salas de apoio técnico. De 5 a 23 de outubro de 2011 o grupo ocupa uma tenda na Praça de Eventos da unidade e utilizará a sua Comedoria como espaço integrado, reproduzindo desta maneira o espaço e o espírito humano, criativo e festivo do Théâtre du Soleil, abrigado desde os anos 70 nos arredores de Paris, numa antiga fábrica de armamentos - Cartoucherie de Vincennes -, transformada na sede/teatro da companhia.

Como Chegar
SESC Belenzinho
Rua Padre Adelino,
1.000 - Belenzinho
São Paulo-SP
CEP: 03303-000
Tel: 11 2076-9700
Fax: 11 2076-9798
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