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Uma Grande
Mobilização Internacional
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Queremos
ver o fenômeno cultural, o fenômeno
social e produtivo, como uma grande totalidade,
construída por múltiplas sinapses,
como se fosse um grande cérebro enfrentando
o desafio de produzir uma consciência da vida
moderna, da vida contemporânea. Precisamos
recolocar a questão cultural e a dimensão
cultural brasileira em plena exposição
ao sol da vida republicana, e esse trabalho imenso
é uma prioridade que envolve profundamente
os brasileiros, e especialmente um deles, o nosso
Presidente da República, que fala com firmeza
desse imenso trabalho de fazer falar todos os brasis
que nos compõem, todos os povos, territórios
falas e perspectivas. Creio que devemos buscar isso
dialogando com o mundo e, ao mesmo tempo, com a
contemporaneidade.
O que podemos esperar desse Fórum? Uma reunião
extraordinária de visões, concepções,
um partilhamento imenso de perspectivas distintas
sobre a cultura do mundo, uma grande mobilização
internacional que coloca exatamente os nossos processos
de gestão dentro dessa característica
interessantíssima da vida contemporânea
que é a administração, a programação,
os processos de gestão por fluxo, ou seja,
uma abertura enorme às novidades, aos adventos,
às coisas que chegam de repente, e que chegam
com uma carga enorme de dinamismo de possibilidades
- em oposição àquele que é
o sentido mais clássico da gestão,
que é a gestão por ciclos. Esses dois
estilos de gestão devem dialogar de forma
constante, são duas vertentes imprescindíveis
da administração, e me lembram um
verso escrito numa canção: "O
povo sabe o que quer, mas o povo também quer
o que não sabe". Essa é um
a máxima fundamental para nossa gestão,
para nossa consciência de gestão pública.
Precisamos saber o que faremos junto com o povo,
mas também precisamos estar abertos o tempo
para o que surge de novo, para os desafios. Precisamos
estar todos juntos, de mãos dadas, e só
o fato de desenvolvermos essa consciência
já é um avanço enorme. Esse
Fórum, com o qual já sonhávamos,
está caindo nas nossas cabeças assim
como um relâmpago que energiza tudo, e é
isso mesmo que vai nos dar: uma grande provisão
de meios, de ferramentas, de possibilidades para
a gestão futura da cultura do mundo".
Gilberto Gil, Ministro da Cultura do Brasil |
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São
Paulo abraça o Fórum Cultural Mundial
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A
realização em São Paulo do
Fórum Cultural Mundial é o reconhecimento
da cidade nas discussões mais importantes
da atualidade.
Depois de oito anos marcada internacionalmente pela
corrupção e o descrédito, São
Paulo resgatou nesta gestão municipal a credibilidade.
Fizemos um esforço enorme para reavivar o
dinamismo de uma cidade acolhedora e cosmopolita,
sede de mil povos e culturas que convivem em tolerância
e criatividade.
É essa São Paulo que agora abraça
o Fórum Cultural Mundial. Ele ocorrerá
num momento particularmente oportuno, no aniversário
de 450 anos da cidade, quando vamos sediar uma série
de eventos internacionais. O Fórum ocupará
o primeiro plano nesse processo. Pois pode articular
uma rede global de cooperação para
abrir perspectivas comuns na cultura. É a
oportunidade de constituir uma plataforma comum
a todos.
Vivemos uma época de pasteurização
globalizada e de domínio transnacional da
indústria do entretenimento. Flagramos culturas
locais fragilizadas. A intolerância tem atropelado
o diálogo. E há uma carência
crônica de políticas públicas
que respeitem a criatividade e a diversidade. Hoje,
urge despertar os potenciais dos povos, monitorar
a situação das artes e da cultura,
criar suportes a empresas e resguardar as culturas
locais da selvageria do mercado.
A cultura pode, assim, ser agente da prosperidade,
da coexistência global e do desenvolvimento
das sociedades. Para isso, é urgente redefinir
o papel do poder público na vida cultural
de seu povo.
A Prefeitura de São Paulo está empenhada
num projeto assim. Cada iniciativa nossa implica
a cultura como experiência comum, espaço
do encontro e da memória coletiva. A preocupação
cultural para nós é orgânica,
nossas ações envolvem outras secretarias
além da de Cultura, buscam permitir o encontro,
estimular a circulação de bens culturais,
fazer respirar a cultura local, dos bairros, das
etnias, de toda a cidade.
Cada um dos 21 Centros Educacionais Unificados (CEU)
é mais do que uma reunião de escolas.
É integração comunitária.
Num CEU, há piscina, teatro, telecentro (centros
de inclusão digital) e biblioteca. Há
áreas para esportes, rádio comunitária
e oficinas. Todos são abertos aos fins de
semana, como espaços culturais que fazem
as pessoas conviverem. Só no distrito de
Lajeado, 88% das pessoas que já foram ver
filmes no CEU Jambeiro nunca tinham ido ao cinema.
Nenhuma jamais pisara num teatro para ver uma peça
e só o fez no CEU.
Desenvolvemos o projeto Centros de Bairro, que já
revitalizou 45 das 50 áreas e praças
previstas até o fim da gestão, em
regiões pobres. Cada um é auto-suficiente:
arborizados, seguros, têm playground, quadras,
pistas de skate e lugares para eventos, promovem
partilhas, convívios, encontros.
Temos hoje a maior rede de bibliotecas públicas
do país. Vamos criar o Museu da Cidade, que
vai integrar toda a memória pública
de São Paulo. Redefinimos o uso das casas
históricas. Requalificamos o Centro Cultural
São Paulo. Começamos a reforma da
biblioteca Mário de Andrade.
Essas experiências serão oferecidas
aos participantes das diversas nacionalidades, que
virão compartilhar a oportunidade única
que será o Fórum Cultural Mundial.
Cultura gerando desenvolvimento, responsabilidade
social e construção comum de alternativas.
Essa é a proposta da cidade de São
Paulo."
Marta Suplicy, Prefeita da cidade de São
Paulo |
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Cultura,
Incerteza e Perplexidade

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E
agora, José ?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
Com o gênio contido em José, nosso
Carlos Drummond de Andrade antecipou a nota de
perplexidade que viria marcar este início
de milênio. A festa acabou denota o fim
da utopia - das utopias. A luz apagou esboça
a moldura de incertezas que nos contorna, a composição
claudicante de muitas indagações
e escassas respostas. O povo sumiu, a noite esfriou
sugere o maremoto da massificação,
da cultura insípida saída de linhas
de montagem impelidas pelo incitamento do consumo.
Você que faz versos, que ama, protesta põe
em cena o papel das artes, do criador e do pensador
no quadro intranqüilo de uma sociedade indecisa
quanto a quais rotas seguir. 'Você marcha,
José ! Para onde ?'
É no território balizado pela clarividência
de Drummond que se inscreve o Fórum Cultural
Mundial São Paulo. Pautado por uma agenda
densa, o Fórum ampliará a tese da
centralidade da cultura na vida contemporânea;
enfatizará sua relação com
o desenvolvimento econômico e social; reivindicará
sua presença nas políticas nacionais
e internacionais; estimulará mecanismos
de apoio a iniciativas culturais. Em acréscimo,
adicionará reforço ao empenho do
Ministério da Cultura no sentido de situar
o Brasil em ponto de maior relevo no panorama
mundial das artes e da criação.
Além disso, multiplicará a área
de penetração das recomendações
expressas pela Conferência Intergovernamental
sobre Política Cultural para o Desenvolvimento,
realizado pela UNESCO em Estocolmo, em 1998. Recomendações
de peso considerável, visto que fundadas
no papel, essencial, desempenhado pela cultura
nas estratégias de desenvolvimento.
Se, todavia, incerteza e perplexidade destacam-se
como as cores da época, por outro lado,
e fazendo contraponto ao globalismo, a idéia
de diversidade desponta como afirmação
incisiva, que veio para ficar. Fonte de auto-reconhecimento
e auto-estima, é sob o signo da diversidade
cultural que o Fórum vem se abrigar."
Danilo Miranda, Sesc-SP, Presidente do Conselho
Diretor do Fórum Cultural Mundial
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O Desafio
do Processo Coletivo
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A
partir deste portal, que ora apresentamos, esperamos
potencializar a discussão em torno do Fórum
Cultural Mundial. Os encontros regionais e fóruns
associados que aconteceram e seguirão acontecendo
em diversas cidades brasileiras e em distintos
países, antecipam a grande celebração
que esperamos para São Paulo.
São grandes os desafios de um processo
coletivo dessa dimensão: dialogar com as
diversidades culturais, entender o imaginário
e os valores de cada cultura dentro de seu contexto
peculiar, estar abertos para soluções
e problemas diferenciados, estabelecer uma relação
dialética entre tradição
e inovação. O entendimento do outro
pode estimular tanto a transformação
como também a manutenção
de valores mais permanentes, criando novas relações
estéticas e enriquecendo o patrimônio
comum.
Agradecemos sinceramente todas as contribuições
enviadas, o entusiasmo das lideranças de
organizações da sociedade civil
e dos Governos que aderiram ao projeto, num grande
esforço voluntário. Agradecemos
também a todos os componentes do Conselho
Diretor pela contribuição de alto
nível, aos escritórios de São
Paulo, Rio e Brasília e, em especial, à
equipe de Salvador, pela extrema dedicação
a todo este processo.
A sistematização das idéias
enviadas plasmou a organização do
Fórum em torno de seis grandes temas centrais
que buscam abarcar as diversas dimensões
contidas no projeto. Temas esses que passam a
canalizar as participações abrigadas
pelo Fórum Virtual deste portal.
Apesar das dificuldades enfrentadas até
o momento, sobretudo pela emergencial situação
econômica e política em todo o mundo,
acreditamos na cultura e na arte como um poderoso
meio de comunicação e entendimento
entre os povos de diversas origens, e portanto,
como uma ferramenta eficaz para a superação
de limites.
Ruy Cezar Silva, Casa Via Magia, Conselho
Diretor do Fórum Cultural Mundial
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