[02|08|2004]
Saiba como foi a Presença Indígena no Fórum Cultural Mundial
Entre os dias 30 de junho e 03 de julho de 2004 várias lideranças indígenas representantes de povos e organizações de todo o país estiveram reunidas na cidade de São Paulo a convite do projeto Presença Indígena no Fórum Cultural Mundial , uma iniciativa conjunta do LACED/ Museu Nacional, MinC/ Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, do INPSO/ Fundação Joaquim Nabuco, do Raízes da Tradição/ Engenho Produções Artísticas, e do próprio Fórum Cultural Mundial.
O objetivo do projeto foi garantir na pauta do evento a discussão que se faz cada vez mais urgente quanto à responsabilidade pela valorização, divulgação e preservação do patrimônio cultural indígena por parte do governo federal. Para tanto, fizeram parte das discussões: Sandro Tuxá e Dourado Tapeba, representantes da APOINME - Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo; Agnelo Wadzatsé Xavante, representante da COIAB - Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira; Bonifácio Baniwa, representante da Fundação Cultural Indígena do Amazonas; Nino Fernandes Ticuna, diretor do Museu Indígena Maguta; Fausto Mandulão Makuxi, representante da Organização dos Professores Indígenas de Roraima (OPIR); Francisco Pianko, liderança Ashaninka e Secretário Extraordinário dos Povos Indígenas do estado do Acre; Gersem Luciano, liderança Baniwa e mestrando em antropologia pela UnB; Adolfo Timóteo Guarani, representante do Conselho Estadual dos Povos Indígenas de São Paulo; Maria e Dimas Pankararu (representando os índios urbanos de São Paulo que vivem na Favela Real Parque desde os anos 70) e mais doze índios Kariri-Xocó (AL) que, além da participação nas discussões, integraram a programação artística do evento com apresentações do Toré.
Além das lideranças indígenas, importantes representações civis e governamentais – a exemplo da Secretária de Cultura do estado de São Paulo Cláudia Costin, do Secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Sérgio Mamberti, da representante da Unesco, Jurema Machado, do antropólogo, professor titular da UFRJ e diretor do LACED do Museu nacional João Pacheco de Oliveira e da administradora da Rede Internacional da Diversidade Cultural, Jennifer Heale – integraram uma das quatro mesas redondas do projeto, compondo uma importante plataforma de interlocução para os interesses defendidos com perspicácia e precisão pelos próprios índios.
Os principais pontos discutidos durante os debates e acordados pelas lideranças indígenas como sendo prioritários na formulação de uma nova política pública que trate da questão cultural foram reunidos e oficializados em um documento final, redigido durante um GT formado pelos próprios índios na manhã do dia 02 de julho. O documento foi entregue em mãos, durante a conferência de encerramento do Fórum Cultural Mundial, ao Sr. Secretário Sérgio Mamberti que publicamente se comprometeu em incorporá-lo imediatamente às demandas do Ministério da Cultura.
“Na nova secretaria da identidade e da diversidade, entre as nossas competências, está tratar das culturas dos povos indígenas. Entre as questões mais fundamentais encontra-se a ação de montar um grupo de trabalho que formulará subsídios, no sentido de criar diretrizes para as bases de uma nova política cultural para os povos indígenas. É um momento muito especial de mudança para eles na sua interação na vida pública nacional, pois saem do campo minado da justiça e da luta pela posse das terras, dando fôlego para a luta pela preservação das suas culturas. Me sinto muito feliz por ser o instrumento, por meio da minha secretaria, para poder demonstrar todo o tesouro cultural que ainda esta invisível e que, de uma certa maneira, esta extremamente acessível. Afinal, são pelo menos 180 línguas e 220 povos, coexistindo conosco atualmente no Brasil. Toda essa ancestralidade, sua cosmogonia, seus pontos de vista em relação ao meio ambiente interagem com o Brasil contemporâneo”, diz Mamberti.
Todas estas iniciativas visam fortalecer o projeto Índios: Os Primeiros Brasileiros , que inclui atividades de pesquisa e divulgação científica e cultural – seminários, exposições, produção de documentação sonora e em vídeo, entre outras – em iniciativas articuladas que reúnem equipes de pesquisa, organizações não-governamentais, representações indígenas e diferentes esferas dos poderes públicos.
Segundo da Diretora Geral do projeto Raízes da Tradição, Ana Paula Jones, esse trabalho representa o movimento indígena organizado, o que estabelece um canal de diálogo e interlocução com o MINC.
“O Minc se comprometeu em apoiar ações afirmativas e o projeto Índios: Os Primeiros Brasileiros , que foi elaborado por meio do projeto modelo que acontecerá em 2005, no Nordeste. Só assim poderemos formular as bases para uma política cultural para os Povos Indígenas com a contribuição e participação ativa dos seus agentes mais interessados e reverter o quadro de exclusão na qual essas identidades e diversidades se encontram”, explica Ana Paula.
Leia na íntegra a carta redigida pelas lideranças indígenas, na qual foi entregue no FCM
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