[09|08|04] Fernando Solanas é ovacionado pela platéia em um debate do FCM
 
A sétima conferência da Convenção Global, que recebeu o maior número de pessoas que transitaram pelo Fórum Cultural Mundial, tratou do tema O Futuro da Cultura no Mundo não Hegemônico, Impasses e Perspectivas. A mesa foi composta por autoridades e personalidades. Danilo Santos de Miranda, diretor do Departamento Regional do SESC-SP e Presidente do Conselho Diretor do Fórum Cultural Mundial, atuou como mediador; Celso Frateschi, secretário da Cultura do Município de São Paulo abriu os trabalhos da conferência, seguido da ministra da Secretaria Especial da Presidência da República, Matilde Ribeiro; além da presença do cineasta argentino Fernando Solanas, que foi ovacionado pela platéia em vários momentos.
Abrindo as discussões do tema, Celso Frateschi abordou o significado da cultura hegemônica, enfatizando que “é preciso entendê-la como fruto de uma mundialização estandardizante com forte motivação econômica e voltada ao mercado”.
O assunto seguinte abordado por Frateschi foi o incentivo à cultura brasileira: “a cultura oscila entre dois pólos: o Estado e a iniciativa privada”, afirmou. Antes, entretanto, resgatou alguns pontos da Agenda 21 do Fórum de Autoridades Locais referentes à cultura.
Em seguida, a palavra foi dirigida à ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, que lembrou da cultura como mote para a libertação da humanidade e fez o sempre bem-vindo resgate da enorme importância da cultura afro-brasileira, celebrou também a aproximação da cultura africana que o Fórum proporcionou.
“A cultura brasileira pode e deve estar estreitamente conectada com a da África e a do mundo, numa aproximação verdadeira, não só por laços políticos, econômicos e sociais, mas, também, culturais”, declarou a ministra.
O discurso mais inflado, porém, ficou por conta do cineasta argentino, Fernando Solanas, que foi ovacionado pela platéia.
O cineasta começou referindo-se ao Fórum como “um gesto da ousadia, da insolência, da provocação de reunir 60 países para estas discussões”. Solanas abordou também como se dão os mecanismos econômicos que, entre outras, cometem atrocidades como a que o FMI fez com a Argentina ou a dos subsídios agrários de nações ricas que, só para seu país, “causou um rombo de U$ 150 bilhões, levando-o a um quadro de miséria que registra algo em torno de 100 mortes por dia em função de desnutrição ou de doenças curáveis, 100 vítimas diárias do neoliberalismo e da globalização excludente”.
Solanas concluiu mostrando como este controle é exercido por pequenos grupos que coincidem ou representam exatamente a máquina de dominação econômica e seus infinitos tentáculos invisíveis. Pediu, por fim, tribunais internacionais para os políticos e economistas responsáveis por atos atrozes em todo o mundo, exemplificando novamente como o de seu país, lembrou que a guerra é sempre uma antítese da cultura e repudiou a ALCA em nome de um Mercosul que abranja todos os países da América Latina, do Caribe à Terra do Fogo.
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