CineSESC
| São Paulo

confira o programa dia a dia
------------------- ----------[ingressos: R$ 4,00 e R$ 2,00]










   


 

O Festival SESC dos Melhores Filmes do Ano chega à sua 32ª edição. Foram programados 46 títulos - segundo a votação de 41 críticos e do público freqüentador do CineSESC-, dos quais foram premiados os trabalhos abaixo relacionados:


cinema nacional | crítica

melhor filme

Cinema Aspirinas e Urubus

melhor diretor

Marcelo Gomes (Cinema Aspirinas e Urubus)

melhor ator

João Miguel (Cinema Aspirinas e Urubus)

melhor atriz

Alice Braga (Cidade Baixa)


cinema nacional | público
melhor filme

Cinema Aspirinas e Urubus

melhor diretor

Marcelo Gomes (Cinema Aspirinas e Urubus)

melhor ator

João Miguel (Cinema Aspirinas e Urubus)

melhor atriz

Alice Braga (Cidade Baixa)


cinema estrangeiro | crítica
melhor filme Menina de Ouro
melhor diretor Clint Eastwood (Menina de Ouro)
melhor ator Bruno Ganz (A queda! As últimas horas de Hitler) e Javier Bardem (Mar Adentro)
melhor atriz Hilary Swank (Menina de Ouro)

cinema estrangeiro | público
melhor filme Marcas da Violência
melhor diretor Fernando Meirelles (O Jardineiro Fiel)
melhor ator Javier Bardem (Mar Adentro)
melhor atriz Imelda Staunton (O Segredo de Vera Drake)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

04|04
terça-feira

a
 
17h
 
Conversando com mamãe
(Conversaciones con Mamá)
Argentina/Espanha, 2004
Direção:
Santiago Carlos Oves.
Elenco:
China Zorrilla, Eduardo Blanco, Ulises Dumont, Silvina Bosco.
  Recém-desempregado, o quarentão Jaime (Eduardo Blanco, de O Filho da Noiva) e sua mãe de 82 anos (China Zorrilla) vão redescobrir o prazer de passar mais tempo juntos e as inúmeras possibilidades de acertar suas novas e antigas diferenças. Neste momento de ruína econômica na Argentina, o filho quer convencer a mãe a vender o apartamento em que ela mora. Mas a mãe resiste à idéia. Para convencê-la o filho passa a visitá-la com mais freqüência do que em seus dias de sucesso profissional, quando mal lhe telefonava. Agora, o tempo sobra para Jaime e lhe dá oportunidade de uma rara redescoberta do próprio passado e de sua mãe.
19h
 
Exílios
(Exils)
França/Japão, 2004
Direção: Tony Gatlif.
Elenco: Romain Duris, Lubna Azabal, Leila Makhlouf.
  Zano (Romain Duris) e Naïma (Lubna Azabal) são um casal de jovens parisienses de origem argelina. Um dia, Zano propõe à sua companheira uma longa viagem, atravessando a França e a Espanha para chegar à Argélia e conhecer, por fim, a terra de onde seus pais tiveram que fugir, anos atrás. É uma busca das origens, do sentido da própria vida, uma aventura de encontro a novas paisagens e sabores, sem roteiro nem planos definidos. Vencedor do prêmio de melhor direção no Festival de Cannes 2004.
21h
 
Vinícius
Brasil/2005
Direção: Miguel Faria Jr.
Elenco: Zeca Pagodinho, Mart´nália, Olivia Byington, Mônica Salmaso, Adriana Calcanhoto e Yamandú Costa.
  Vinte e cinco anos após a morte de Vinícius de Moraes, o diretor Miguel Faria Jr. rememora o poeta e compositor neste documentário. O filme alterna a leitura de seus poemas, na voz dos atores Camila Morgado e Ricardo Blat, com imagens raras e inéditas de Vinícius, além de depoimentos de ex-mulheres, filhos e dos muitos amigos – como Chico Buarque de Holanda, Tônia Carrero, Maria Bethânia, Edu Lobo, Carlos Lyra, Caetano Veloso e outros. Ainda, cantores e instrumentistas de diferentes gêneros e estilos recriam parte de suas músicas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

05|04
quarta-feira

a

 
17h
 
Casa de Areia
Brasil/2005.
Direção:
Andrucha Waddington.
Elenco: Fernanda Montenegro, Fernanda Torres, Seu Jorge, Luiz Melodia, Emiliano Queiroz, Ruy Guerra, Enrique Díaz, Stênio Garcia.
  Um sonho de Andrucha Waddington a partir de uma conversa com o produtor Luiz Carlos Barreto, inspirou o roteiro do filme. É a utopia de desbravar uma nova fronteira que leva o conquistador Vasco (Ruy Guerra) a arrastar sua jovem mulher grávida, Áurea (Fernanda Torres) e a sogra, Maria (Fernanda Montenegro) para uma vasta duna no Maranhão, em 1910. Neste ambiente formado de sol, luz e areia, ele encontra a morte e lança as duas mulheres num novo destino.
19h
 
Closer – Perto Demais
(Closer)
EUA/2004.
Direção: Mike Nichols.
Elenco: Natalie Portman, Jude Law, Clive Owen, Julia Roberts.
  O jornalista Dan (Jude Law) tem uma vida tediosa, escrevendo obituários para um jornal. Um dia, salva de um atropelamento uma bela jovem, Alice (Natalie Portman). Os dois começam a namorar. Meses depois, para o lançamento de seu primeiro livro, Dan visita o apartamento da fotógrafa Anna (Julia Roberts), que fará as fotos de divulgação. No meio do trabalho, os dois acabam fazendo um jogo de sedução meio inconseqüente e se beijando. Dan imediatamente acha que estão vivendo um caso amoroso, enquanto Anna fica espantada. Um quarto integrante, o médico Larry (Clive Owen), entra de forma estranha nesta rede de relacionamentos complicados. Os encontros e desencontros amorosos do quarteto levam a uma cruel sucessão de mentiras e manipulações, em que os melhores sentimentos terminam por ser esmagados. Baseado em peça teatral do britânico Patrick Marber.
21h
 
Contra a Parede
(Gegen Die Wand)
Alemanha/Turquia, 2004.
Direção: Fatih Akin.
Elenco: Birol Ünel, Sibel Kekilli, Catrin Striebeck, Güven Kirac, Meltem Cumbul.
  Neste drama vencedor do Urso de Ouro em Berlim (2004), o diretor estreante Fatih Akin retratou o mundo dos alemães de origem turca. Cahit (Birol Ünel) é um homem de 40 anos que desde a morte da mulher vem se afundando no alcoolismo. No auge da depressão, após uma noitada, acelera seu carro contra uma parede, disposto a acabar com a própria vida. Vai parar numa clínica, onde conhece a bela Sibel Güner (Sibel Kekilli), internada depois de cortar os pulsos pela enésima vez.

 

 

 

 

 

 

 

06|04
quinta-feira

a

 
17h
 
Cabra Cega
Brasil/2004.
Direção:
Toni Venturi.
Elenco: Leonardo Medeiros, Débora Duboc, Michel Bercovich, Jonas Bloch.
  A utopia da luta armada dos anos 70 no Brasil é retratada a partir de um registro intimista. O protagonista é Tiago (Leonardo Medeiros), um guerrilheiro ferido num confronto com a polícia. Escondido no apartamento de um simpatizante (Michel Bercovich), ele passa o tempo todo aterrorizado, preparado para matar e morrer caso seja descoberto. Seu único contato com o mundo exterior é Rosa (Débora Duboc), que cuida de seu ferimento, traz-lhe comida, jornais e as instruções do líder de seu grupo (Jonas Bloch). Filme vencedor dos prêmios de melhor diretor (Toni Venturi), roteiro (Di Moretti) e de público do Festival de Brasília 2004.
19h
 
Cidade Baixa
Brasil/2005.
Direção: Sérgio Machado.
Elenco: Lázaro Ramos, Wagner Moura, Alice Braga, João Miguel, José Dumont, Olga Machado.
  A história pulsa na pele dos personagens Deco (Lázaro Ramos), Naldinho (Wagner Moura) e Karinna (Alice Braga), um triângulo amoroso que se forma quando a moça, prostituta, pega carona no barco dos dois, rumo a Salvador. Vivendo entre os bares e as ruelas da Cidade Baixa da capital baiana, os três não conseguem mais se largar, criando uma perigosa tensão entre os dois amigos de infância pela posse desta mulher. Vencedor do Prêmio da Juventude na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes 2005.
21h
 
Ninguém Pode Saber
(Dare Mo Shiranai)
Japão/2004.
Direção: Hirokazu Kore-eda.
Elenco: Yuya Yagira, Ayu Kitaura, Hiei Kimura, Momoko Shimizu, You, Hanae Kan.
  Os irmãos Akira, Keiko (Ayu Kitaura), Shigeru (Hiei Kimura) e Yuki (Momoko Shimizu) vivem uma vida desregrada com a mãe, Keiko (You). Com figura, voz e principalmente mentalidade infantil, Keiko envolve-se em relacionamentos breves. Entrando e saindo de empregos, também costuma passar longas temporadas longe de casa, abandonando seus filhos com seu irmão mais velho, Akira, de apenas 12 anos. Dono de um enorme sentido de responsabilidade pelos irmãos e consciente de que pedir ajuda externa - a vizinhos, assistência social ou policiais – acarretará o risco de que os quatro irmãos não possam continuar a viver juntos, Akira empenha-se no limite de seus recursos de criança para continuar alimentando e guardando os irmãos - que, como ele, nunca foram à escola.

 

 

 

 

 

 

 

07|04
sexta-feira
a
 
17h
 
Sobre Café e Cigarros
(Coffee and Cigarettes)
EUA/2003
Direção:
Jim Jarmusch.
Elenco:
Roberto Benigni, Steven Wright, Joie Lee, Cinqué Lee, Steve Buscemi, Cate Blanchett, Alfred Molina, Steve Coogan, Bill Murray, GZA, RZA, Tom Waits, Iggy Pop.
  Neste filme formado por onze episódios fotografados em preto-e-branco, o diretor Jim Jarmusch costura diversas situações envolvendo o consumo de café e cigarros. O resultado é uma série de esquetes protagonizados por atores conhecidos, quase sempre mantendo conversas absurdamente hilariantes ou de um cinismo absoluto. O projeto foi filmado pelo diretor ao longo de 17 anos.






19h
 
Irmãos
(Son Frère)
França/2002
Direção: Patrice Chéreau.
Elenco: Bruno Todeschini, Eric Caravaca, Nathalie Boutefeu.
  Dois irmãos, Thomas (Bruno Todeschini) e Luc (Eric Caravaca) vivem afastados. A descoberta de que Thomas sofre de uma doença rara, que gradativamente destrói as plaquetas de seu sangue, aproxima-o de Luc, que se dedica a cuidar dele num momento em que todos os demais o abandonaram. As diferenças de personalidade e opções sexuais ficam em segundo plano. Thomas e Luc conversam como há muito não faziam, retomando uma intimidade que nem sempre é harmoniosa mas se estabelece, ainda que sem resolver completamente conflitos e mágoas antigas. Tal como fizera em filmes anteriores, como A Rainha Margot e Intimidade, o diretor francês expõe a realidade dos corpos de uma maneira direta, que não procura o embelezamento, mas o realismo. O filme valeu ao cineasta o prêmio de melhor direção no Festival de Berlim 2003.
21h
 
Dois Filhos de Francisco
Brasil/2005.
Direção: Breno Silveira.
Elenco:
Ângelo Antônio, Dira Paes, Dablio Moreira, Marcos Henrique, Márcio Kieling, Paloma Duarte, Thiago Mendonça.
  O diretor de fotografia Breno Silveira estréia na direção desta história da infância e juventude de uma das duplas sertanejas mais conhecidas do País: Zezé de Camargo e Luciano. A narrativa é centrada na figura de seu pai, o agricultor Francisco Camargo (Ângelo Antônio) que vive no interior de Goiás e tem uma única obsessão: transformar seus dois filhos mais velhos, Mirosmar (Dablio Moreira) e Emival (Marcos Henrique), numa dupla de cantores de sucesso.

 

 

 

 

 

 

 

08|04
sábado

a
 
15h
 
Conversando com Mamãe
(Conversaciones con Mamá)
Argentina/Espanha, 2004.
Direção:
Santiago Carlos Oves.
Elenco: China Zorrilla, Eduardo Blanco, Ulises Dumont, Silvina Bosco.
  Recém-desempregado, o quarentão Jaime (Eduardo Blanco, de O Filho da Noiva) e sua mãe de 82 anos (China Zorrilla) vão redescobrir o prazer de passar mais tempo juntos e as inúmeras possibilidades de acertar suas novas e antigas diferenças. Neste momento de ruína econômica na Argentina, o filho quer convencer a mãe a vender o apartamento em que ela mora. Mas a mãe resiste à idéia. Para convencê-la o filho passa a visitá-la com mais freqüência do que em seus dias de sucesso profissional, quando mal lhe telefonava. Agora, o tempo sobra para Jaime e lhe dá oportunidade de uma rara redescoberta do próprio passado e de sua mãe.
17h
 
Apenas um Beijo
(Ae Fond Kiss)
Inglaterra/Alemanha/Bélgica, 2004.
Direção: Ken Loach.
Elenco: Atta Yaqub, Eva Birthistle, Shabana Akhtar Bakhsh, Shamshad Akhtar, Shya Ramsan, John Yule, Gary Lewis.
  Cidade multiétnica, Glasgow, na Escócia, tem uma grande comunidade paquistanesa e muçulmana. O filho do meio de uma dessas famílias é o DJ Casim (Atta Yaqub), que deve casar-se com uma prima. Ele não tem conflitos com isso até o dia em que conhece uma das professoras da escola de sua irmã, uma irlandesa católica, Roisin (Eva Birthistle).
19h
 
Bom Dia, Noite
(Buongiorno, Notte)
Itália/2003
Direção: Marco Bellochio.
Elenco:
Maya Sansa, Roberto Herlitzka, Luigi Lo Cascio, Pier Giorgio Bellocchio, Paolo Briguglia.
  1978. Chiara (Maya Sansa) é uma jovem de vida dupla. De dia, é bibliotecária. Quando volta para casa, torna-se uma das militantes das Brigadas Vermelhas, grupo terrorista italiano que acaba de realizar sua ação mais sensacional: o seqüestro, à luz do dia, do primeiro-ministro democrata-cristão Aldo Moro (Roberto Herlitzka).
21h
 
Reis e Rainha
Rois et Reine
França/2004
Direção: Arnaud Desplechin
Elenco:
Emmanuelle Devos, Mathieu Amalric, Catherine Deneuve, Maurice Garrel, Magali Woch, Hippolyte Girardot, Valentin Lelong.
 
A bela Nora Cotterelle (Emmanuelle Devos) tem tudo o que quer da vida. Diretora de uma galeria de arte, cuida do filho pequeno e prepara-se para o terceiro casamento, agora com um homem muito rico. O primeiro sinal de perturbação neste futuro que parece brilhante é quando a doença de seu pai, Louis (Maurice Garrel), um velho escritor que tem câncer, agrava-se rapidamente.
Enquanto isso, o violista Ismaël (Mathieu Amalric), ex-marido de Nora que é às vezes tomado por surtos depressivos, acaba internado numa clínica com o consentimento dos próprios pais. Ali dentro, ele não fará mais do que tentar driblar os procedimentos da segurança e convencer a rígida diretora da clínica, Madame Vasset (Catherine Deneuve), de que deve ser liberado rapidamente dali. O desdobramento de todas as situações leva a uma lenta reversão de expectativas, revelando a dissimulação que sustenta todos os relacionamentos de Nora – a mulher em torno de quem gravitam todos os demais personagens. A câmera inquieta do filme dirigido por Arnaud Desplechin é o instrumento mais nítido para materializar a personalidade instável, caprichosa e implacável de sua protagonista. .

 

 

 

 

 

 

 

09|04
domingo

a

 
15h
 
O Tempero da Vida
(Politiki kouzina)
Grécia/Turquia, 2003.
Direção:
Tassos Boulmetis
Elenco: asos Bandis, Markus Osse, Renia Louizidou, Ieroklis Michaelidis, Georges Corraface
 
No final dos anos 50, em Istambul, turcos e gregos convivem em harmonia. A colônia grega é grande. Um de seus membros é Vassilis (Tasos Bandis), dono de uma loja de especiarias, expert em conselhos culinários, aprendidos com atenção pelo neto Fanis (Markus Osse). Traçando uma analogia entre comida e vida, Vassilis sempre repete que é preciso colocar um pouco de sal nas duas para dar o sabor. Repentinamente, as tensões políticas crescem entre a Grécia e a Turquia e os pais de Fanis são obrigados a voltar para a terra natal. O velho Vassilis, porém, recusa-se a sair da Turquia.
O menino sempre se ressente desta distância do avô, a quem homenageia manifestando um inusitado talento para a cozinha. Chega a assustar os pais com sua disposição para a culinária, acordando no meio da noite para preparar pratos – o que também é um jeito de aliviar as naturais tensões da adolescência.
Fanis chega à vida adulta disposto a tornar-se um chef. E chega o dia de voltar a Istambul, reencontrando os sabores e a memória de sua infância, seu primeiro amor e o avô. Numa atmosfera de realismo mágico, o filme de Tassos Boulmetis dá conta da riqueza do multiculturalismo.
17h
 
Cinema Aspirinas e Urubus
Brasil/2005.
Direção:
Marcelo Gomes.
Elenco: Peter Ketnath, João Miguel, Madalena Accioly, Jeane Alves, José Leite.
 
O filme de estréia do cineasta e roteirista pernambucano Marcelo Gomes baseia-se nos relatos de seu tio-avô, Ranulpho. Contando com a parceria do premiado Karim Aïnouz (diretor de Madame Satã), o roteiro resultou num filme de estrada que, pelo uso da câmera na mão e a fotografia despojada, revisita o cenário favorito do Cinema Novo – o sertão - e atualiza a eterna discussão sobre a identidade brasileira.
Nos anos 40, pouco antes da entrada do Brasil na II Guerra, dividem a dura vida de vendedores itinerantes de aspirina a bordo de um caminhão o alemão Johann (Peter Ketnath) e o nordestino Ranulpho (João Miguel). Como costuma acontecer aos forasteiros em terra estranha, o europeu precisa de um guia experiente. Ranulpho é de grande valia para falar a mesma língua que as comunidades e conseguir comida ou favores.
Dessa convivência às vezes tensa mas sempre transparente, nasce uma amizade serena – fundamental até para a sobrevivência de Johann num momento de doença causada pelo atrito com a terra tropical. Sem concessões fáceis nem mensagem edificante, traça-se a narrativa límpida deste filme aparentemente simples, mas tão carregado de significados que se expandem a cada novo olhar.
19h
 
Marcas da Violência
(A History of Violence)
EUA/2005.
Direção: David Cronenberg.
Elenco: Viggo Mortensen, Maria Bello, Ed Harris, Ashton Holmes, William Hurt.
 
Dono de uma lanchonete no interior dos EUA, Tom Stahl (Viggo Mortensen) leva uma vida de cidadão exemplar. Vive tranqüilamente ao lado da mulher, a advogada Edie (Maria Bello) e um casal de filhos. Tudo muda no dia que a lanchonete é invadida por dois assaltantes e Tom liqüida os dois a tiros em legítima defesa.
O incidente eleva instantaneamente o pacato comerciante à condição de herói, tanto na imprensa local quanto no resto do país. Esta exposição traz à cidadezinha um novo forasteiro, Carl Fogarty (Ed Harris). Com o rosto deformado por cicatrizes e comportamento ameaçador, Fogarty garante que Tom Stahl não é quem diz ser e sim um delinqüente que deixou contas a ajustar em outro lugar.
A segurança de Fogarty nestas afirmações não abala a confiança de Stahl, que nega veementemente o que ele afirma. Ainda assim, surgem dúvidas no espírito de sua mulher. O filho mais velho do casal, Jack (Ashton Holmes), até então tímido, muda completamente de atitude, partindo para o revide contra os colegas mais agressivos de sua escola. Um novo clima está se instalando no lugar e Tom decide fazer uma inesperada viagem. Baseado na graphic novel de John Wagner e Vince Locke.
21h
 
O Signo do Caos
Brasil/2003.
Direção: Rogério Sganzerla.
Elenco: Otávio Terceiro, Camila Pitanga, Helena Ignez, Djin Sganzerla, Giovanna Gold, Eduardo Cabús, Gilson Moura.
 
Neste que foi o último filme do cineasta Rogério Sganzerla (1946-2004), ele se manteve fiel ao credo experimental e ousado de toda a sua obra, em que se destacam O Bandido da Luz Vermelha (1968) e A Mulher de Todos (1969). Este filme mais uma vez aborda uma das obsessões do diretor, a vinda do diretor Orson Welles
para o Brasil nos anos 40 para a filmagem do inacabado It´s All True. Observa-se a chegada das latas do filme It´s All True ao Brasil, sendo prontamente apreendidas pelo dr. Amnésio (Otávio Terceiro), que fica obcecado em censurar e banir a obra de qualquer possibilidade de exibição. Simbolizando os censores do Estado Novo, do governo Getúlio Vargas (época em que Orson Welles veio ao Brasil), Amnésio representa um dos alvos preferenciais de Sganzerla, que coloca a censura e a burocracia da produção cinematográfica como os dois principais inimigos da arte e da expressão de idéias. Por conta da dificuldade para conseguir recursos para filmar seus projetos, Sganzerla ficou sete anos sem filmar, entre 1997 e 2003, quando realizou O Signo do Caos. Filmado em super 16 mm e 35 mm, em preto-e-branco e cor, o filme venceu os troféus de melhor direção e montagem no Festival de Brasília 2003..



 

 

 

 

 

 

 

10|04
segunda-feira

a
 
17h
 
Marcas da Violência
(A History of Violence)
EUA/2005.
Direção:
David Cronenberg.
Elenco: Viggo Mortensen, Maria Bello, Ed Harris, Ashton Holmes, William Hurt.
 
Dono de uma lanchonete no interior dos EUA, Tom Stahl (Viggo Mortensen) leva uma vida de cidadão exemplar. Vive tranqüilamente ao lado da mulher, a advogada Edie (Maria Bello) e um casal de filhos. Tudo muda no dia que a lanchonete é invadida por dois assaltantes e Tom liqüida os dois a tiros em legítima defesa.
O incidente eleva instantaneamente o pacato comerciante à condição de herói, tanto na imprensa local quanto no resto do país. Esta exposição traz à cidadezinha um novo forasteiro, Carl Fogarty (Ed Harris). Com o rosto deformado por cicatrizes e comportamento ameaçador, Fogarty garante que Tom Stahl não é quem diz ser e sim um delinqüente que deixou contas a ajustar em outro lugar. A segurança de Fogarty nestas afirmações não abala a confiança de Stahl, que nega veementemente o que ele afirma. Ainda assim, surgem dúvidas no espírito de sua mulher. O filho mais velho do casal, Jack (Ashton Holmes), até então tímido, muda completamente de atitude, partindo para o revide contra os colegas mais agressivos de sua escola. Um novo clima está se instalando no lugar e Tom decide fazer uma inesperada viagem. Baseado na graphic novel de John Wagner e Vince Locke.
19h
 
Quanto Vale ou é Por Quilo?
Brasil/2005
Direção: Sergio Bianchi.
Elenco: Sílvio Guindane, Cláudia Mello, Herson Capri, Caco Ciocler, Leona Cavalli, Lázaro Ramos, Ana Lúcia Torres, Ana Carbatti, Lena Roque.
 
Retomando o viés crítico e provocador de trabalhos anteriores como Cronicamente Inviável, Sergio Bianchi procura pôr, mais uma vez, o dedo nas feridas sociais brasileiras. Partindo de situações reais vividas no Brasil durante a escravidão, obtidas nos autos do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, e adaptando livremente crônicas de Nireu Cavalcânti, do século XVIII, e o conto Pai Contra Mãe, de Machado de Assis, o diretor traça um paralelo entre a exploração dos negros naqueles dias e dos pobres nos dias atuais por entidades assistenciais declaradamente voltadas para a benemerência.
Não escapam de seu crivo nem mesmo as ONGs. Em situações dramáticas, Bianchi coloca como símbolos da hipocrisia social dois diretores de uma delas (Caco Ciocler e Herson Capri). Uma funcionária de um dos projetos, que instalou computadores numa comunidade da periferia de São Paulo, descobre que os equipamentos foram superfaturados e há contas bancárias abertas em nomes de “laranjas”. Para evitar que o escândalo venha à tona, os responsáveis aliciam um jovem desempregado (Silvio Guindane) para tornar-se matador de aluguel e eliminar a moça.
21h
 
A Queda! – As Últimas Horas de Hitler
(Der Untergang)
Alemanha/2004
Direção: Oliver Hirschbiegel.
Elenco: Bruno Ganz, Alexandra Maria Lara, Corinna Harfouch, Ulrich Matthes, Juliane Köhler, Heino Ferch.
 
No clima sufocante das últimas semanas do III Reich, quando o exército soviético já cerca as fronteiras alemãs, dentro do bunker do comando nazista, em Berlim, respira-se a atmosfera do fim iminente. Hitler (Bruno Ganz), Eva Braun (Juliane Köhler), a jovem secretária Traudl (Alexandra Maria Lara) e os militares mais próximos do círculo do poder estão acuados. Mas agarram-se às últimas esperanças. Hitler desanca seus oficiais, acusa-os de incompetência, ressente-se do abandono de dois dos seus mais altos auxiliares, Himmler e Goering. Alucinadamente, traça planos mirabolantes de reação, contando com tropas que já não estão disponíveis. O filme nunca perde de vista esta megalomania insana e criminosa, que opta por abandonar mesmo seu povo à própria sorte. Hitler e Goebbels (Ulrich Matthes) recusam-se a ter compaixão pelos civis alemães, acreditando que, ao escolherem seus líderes, entregaram sua sorte em suas mãos. Se eles falharam, o povo que os escolheu deve segui-los no fim. O próprio Hitler opta por não se render, escolhendo o suicídio. O roteiro baseou-se nas memórias da secretária de Hitler, Traudl Junge, e no livro Der Untergang, do historiador alemão Joachim Fest, biógrafo de Hitler. Filme indicado ao Oscar de filme estrangeiro em 2005.

 

 

 

 

 

 

 

11|04
terça-feira

a
 
17h
 
Bendito Fruto
Brasil/2005
Direção:
Sérgio Goldenberg.
Elenco:
Otávio Augusto, Zezeh Barbosa, Vera Holtz, Lúcia Alves, Camila Pitanga, Enrique Díaz, Eduardo Moscovis, Evandro Machado.
  O casal central da trama é constituído pelo cabeleireiro Edgar (Otávio Augusto) e sua empregada negra (Zezeh Barbosa) que é na verdade sua mulher, sem que ele queira assumir o caso publicamente. Os dois têm um filho que mora na Espanha e que não sabe que Edgar é seu verdadeiro pai. Para complicar, reaparece na vida do cabeleireiro uma velha colega de colégio (Vera Holtz), agora viúva e disposta a tudo por uma nova paixão.
O ponto forte de Bendito Fruto é somar a esse triângulo amoroso alguns ingredientes mais polêmicos, como menções ao racismo envergonhado da sociedade brasileira e ao homossexualismo. Comédia inteligente, rompe uma espécie de círculo vicioso recente do cinema brasileiro ao compor um filme de classe média em que os personagens parecem realmente de carne e osso e fogem aos muitos estereótipos da comédia televisiva. Melhor ainda, o filme do estreante Sérgio Goldenberg também escapa a esse formato televisivo, mostrando amplos planos do Rio de Janeiro e uma fotografia realmente cinematográfica, e chega até a satirizar as novelas.
A dramaturgia adocicada das novelas, aliás, forma um delicioso contraponto à trama principal. Todos os personagens do filme adoram assisti-las, sonhando com o romance complicado do galã (Eduardo Moscovis) com duas gêmeas.
19h
 
Bens Confiscados
Brasil/2004
Direção: Carlos Reichenbach.
Elenco: Beth Goulart, Werner Schünemann, Betty Faria, Antonio Grassi, Renan Augusto, Eduardo Dusek, Marina Person.
 
O drama começa com o suicídio de uma estilista famosa. Sabe-se depois que ela é ex-amante de um senador desonesto, que nunca aparece. Ele tem que sumir de circulação depois que sua mulher (Beth Goulart) denuncia-o por corrupção e infidelidade. Descobrindo que a ex-amante morta lhe escondia a existência de um filho de 16 anos, Luís Roberto (Renan Augusto), o senador encarrega um de seus assessores (Antonio Grassi) de sumir com o rapaz e escondê-lo.
O garoto é levado à força, dopado, para uma casa no sul do País, onde fica sob a vigilância do violento Lobo (Werner Schünemann). Por insistência do senador, chama-se a enfermeira Serena (Betty Faria) para tomar conta do rapaz. Ela deve recuperar Luís Roberto e mantê-lo afastado da curiosidade de estranhos e da imprensa. Mas o garoto fica revoltado não só por ser mantido prisioneiro como por não entender quais os laços entre Serena e seu pai. Isto dura até que ele mesmo forme um forte vínculo afetivo com esta sua protetora.
O veterano diretor Carlos Reichenbach arma aqui um melodrama marcado por fortes personagens femininas. Na verdade, o grande tema da história é a perda da ética, tanto na política, quanto nas relações humanas. Premiado nos festivais de Ceará e Pernambuco 2005..
21h
 
Hotel Ruanda
(Hotel Rwanda)
África do Sul/EUA/Itália, 2004.
Direção:
Terry George.
Elenco: on Cheadle, Sophie Okonedo, Nick Nolte, Joaquin Phoenix.
 
Em 1994, em Ruanda, explode a guerra civil entre hutus e tutsis, as duas maiores etnias do país africano. Um milhão de pessoas, na esmagadora maioria tutsis, vão morrer sob os machados de seus inimigos hutus.
Naquela altura, os países ocidentais se omitem, abandonando o país à própria sorte e apressando-se apenas em retirar seus cidadãos brancos do país. Ficam para trás apenas algumas poucas tropas da ONU, que muito pouco podem fazer para impedir os massacres, que ocorrem à luz do dia, enchendo as estradas de cadáveres. Dentro do caos sangrento da nação, um gerente de hotel, Paul Rusesabagina (Don Cheadle), resolve transformar o local em campo de refugiados. Tem até razões pessoais para isso. Mesmo sendo um hutu, é casado com uma tutsi, Tatiana (Sophie Okonedo), e pai de três filhos com ela. Neste momento, o que mais lhe vale é seu sangue-frio e sua habilidade como negociador, capaz de obter com lábia ou suborno as mercadorias necessárias ao funcionamento do hotel, além da própria garantia de que ele não seja invadido pelas tropas corruptas, tão ávidas de sangue quanto de dinheiro. .

 

 

 

 

 

 

 

12|04
quarta-feira

a
 
17h
 
Uma Vida Iluminada
(Everything is Illuminated)
EUA/2005.
Direção:
Liev Schreiber.
Elenco: Elijah Wood, Hana Hrabetova, Eugene Hutz, Boris Leskin
 
Desde pequeno, Jonathan (Elijah Wood) é obcecado por colecionar todo tipo de objetos, que ele embala cuidadosamente em saquinhos, guardando todos eles num quarto especial, como se fosse um museu. Ele visita regularmente sua avó (Hana Hrabetova) numa instituição de idosos. Um dia, pouco antes de morrer, ela lhe entrega uma foto antiga do avô, já falecido. Na foto, vê-se uma misteriosa jovem que, muitos anos atrás, quando o avô vivia na Ucrânia, ajudou-o a escapar dos nazistas. Jonathan decide, então, viajar para a aldeia natal dos avós na Ucrânia, à procura da mulher misteriosa. Para guiá-lo nessa pesquisa complicada, ele contrata três guias: um jovem tradutor, que fala um inglês macarrônico (Eugene Hutz, vocalista da banda de punk cigano Gogol Bordello); seu avô (Boris Leskin), supostamente cego, mas que é o motorista do grupo; e uma cachorra chamada Sammy Davis Jr. Jr.
Ao mesmo tempo que seguem as pistas desencontradas da mulher perdida, os três personagens mergulham numa jornada de auto-descoberta, marcada por diversos incidentes curiosos, num país em que a realidade e o absurdo muitas vezes se tocam. Baseado no livro Tudo se Ilumina, do escritor Jonathan Safran Foer. Estréia na direção do ator americano Liev Schreiber..
19h
 
Cinema Aspirinas e Urubus
Brasil/2005.
Direção:
Marcelo Gomes.
Elenco:
Peter Ketnath, João Miguel, Madalena Accioly, Jeane Alves, José Leite.
 
O filme de estréia do cineasta e roteirista pernambucano Marcelo Gomes baseia-se nos relatos de seu tio-avô, Ranulpho. Contando com a parceria do premiado Karim Aïnouz (diretor de Madame Satã), o roteiro resultou num filme de estrada que, pelo uso da câmera na mão e a fotografia despojada, revisita o cenário favorito do Cinema Novo – o sertão - e atualiza a eterna discussão sobre a identidade brasileira.
Nos anos 40, pouco antes da entrada do Brasil na II Guerra, dividem a dura vida de vendedores itinerantes de aspirina a bordo de um caminhão o alemão Johann (Peter Ketnath) e o nordestino Ranulpho (João Miguel). Como costuma acontecer aos forasteiros em terra estranha, o europeu precisa de um guia experiente. Ranulpho é de grande valia para falar a mesma língua que as comunidades e conseguir comida ou favores.
Dessa convivência às vezes tensa mas sempre transparente, nasce uma amizade serena – fundamental até para a sobrevivência de Johann num momento de doença causada pelo atrito com a terra tropical. Sem concessões fáceis nem mensagem edificante, traça-se a narrativa límpida deste filme aparentemente simples, mas tão carregado de significados que se expandem a cada novo olhar.
21h
 
Machuca
Chile/Espanha/Inglaterra, 2004
Direção: Andrés Wood.
Elenco: Ariel Mateluna, Matías Quer, Manuela Martelli, Federico Luppi, Ernesto Malbran, Francisco Reyes.
  Às vésperas do golpe militar liderado por Augusto Pinochet contra o governo Salvador Allende, o Chile vive uma época de muita divisão. Nas ruas, enfrentam-se os partidários do governo eleito e também seus opositores. Há desabastecimento, greves, passeatas e dramáticas discussões nos corredores do parlamento.
Aparentemente, o colégio católico de classe média alta, dirigido pelo padre britânico McEnroe (Ernesto Malbran), está a salvo desse clima conturbado. Convencido de que deve praticar justiça social, o padre cria bolsas de estudo para alguns garotos pobres da periferia de Santiago. Um deles é Pedro Machuca (Ariel Mateluna) que, como todos os novos alunos carentes, sofre o preconceito dos ricos colegas de classe. Entre eles está Gonzalo Infante (Matías Quer), participante da elite escolar, mas que, por seus próprios motivos, acaba se tornando amigo de Machuca. Ao visitar Pedro em sua casa paupérrima na favela, Gonzalo entra em contato com um mundo inteiramente diferente do seu. Na companhia de Pedro e sua irmã Silvana (Manuela Martelli), descobre prazeres proibidos, o início de sua própria sexualidade e o gosto de uma nova liberdade. Os dias de sua infância e também os do governo Allende estão contados.

 

 

 

 

 

 

 

13|04
quinta-feira

a
 
17h
 
Maria Bethânia – Música é Perfume
França/Suíça, 2005
Direção:
Georges Gachot.
 
Mesmo com suas raízes tão fincadas no País, a cantora baiana foi descoberta pelo documentarista francês Georges Gachot e transformou-se no objeto deste filme, produzido pelo canal francês ARTE. O impacto da teatralidade de Bethânia no palco causou uma guinada na carreira do documentarista francês, radicado na Suíça e especializado há 15 anos em filmes sobre música clássica. Ele descobriu a intérprete baiana em 1998 no Festival de Montreux. A partir dali, interessou-se em descobrir mais sobre a cantora e a música brasileira, um processo de pesquisa que levou cinco anos. Finalmente, em 2003, Gachot criou coragem e enviou a Bethânia um de seus documentários musicais clássicos, convencendo-a a fazer o filme. Bethânia vence aqui sua proverbial aversão à exposição de sua intimidade diante das câmeras. A vantagem é que a cantora se explica para o cineasta francês de uma maneira que talvez não fizesse se se tratasse de um brasileiro, até por achar desnecessário. E o público ganha com isso, porque a cantora está visivelmente à vontade. Ela conta histórias familiares, muitas delas com o irmão mais velho, Caetano Veloso – que escolheu seu nome a partir de uma canção de Nelson Gonçalves, mesmo tendo apenas quatro anos na época. Além de Caetano, entrevista-se Chico Buarque de Holanda, de quem Bethânia vem sendo uma das maiores intérpretes, e outros amigos.
19h
 
Habana Blues
Espanha/Cuba/França, 2005.
Direção:
Benito Zambrano.
Elenco: Alberto Yoel, Benito Sanmartín, Yailene Sierra.
 
Ruy (Alberto Yoel) e Tito (Roberto Sanmartín) são dois jovens amigos e músicos cubanos. Juntamente com sua banda, apresentam-se em todos os locais disponíveis, tentando fazer da música uma carreira. Mas a vida na ilha não está nada fácil, por conta das dificuldades econômicas. Tito mora com sua avó, uma grande dama da música, e não pensa em outra coisa que sair de Cuba. Ruy vive com a mulher, Caridad (Yailene Sierra), e os dois filhos. Mas o casamento está abalado pela infidelidade de Ruy e os dois agora vivem em quartos separados.
Uma grande oportunidade se apresenta quando chegam a Cuba dois produtores musicais espanhóis. Eles gostam do som de Ruy, Tito e sua banda e se dispõem a contratá-los para uma carreira de sucesso na Espanha. A possibilidade de alcançarem finalmente aquilo que tanto desejarem, no entanto, causa abalos na amizade. Os dois músicos experimentam uma pequena crise existencial, em que está em pauta tanto sua dedicação à carreira quanto seu amor por Cuba. E as concessões artísticas que terão de fazer para chegar ao auge do sucesso também começam a mostrar-se maiores do que os dois pensaram a princípio. O filme do espanhol Benito Zambrano revela-se um colorido tributo à multiplicidade étnica e musical de Cuba, país onde ele viveu.
21h
 
Mar Adentro
Espanha/2004
Direção:
Alejandro Amenábar.
Elenco: Javier Bardem, Belen Ruedas, Lola Dueñas, Clara Segura, Mabel Rivera, Joan Dalmau, Celso Bugallo, Tamar Novas.
  Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2005. O roteiro reconstitui a trajetória real do ex-marinheiro Ramón Sampedro (Javier Bardem), um homem que, depois de ficar tetraplégico e viver preso a uma cama por quase 30 anos, lutou por todos os meios, inclusive na justiça, pelo direito à eutanásia. Bardem incorpora este personagem com uma mistura de bravura, senso de humor ferino e uma inquietante disposição para manter-se firme no seu único objetivo: morrer. É um homem incapaz de mover um único músculo, a não ser no rosto, dependente de parentes para todo e qualquer movimento. Essa dependência, justamente, é o que vem abatendo seu ânimo. Preso por tanto tempo em seu quarto, Ramón nega-se a adotar uma cadeira de rodas acionada por sua respiração e outras conveniências que amenizariam a brutalidade de seu estado. Para ele, essa vida com aparelhos seria o mesmo que aceitar migalhas de uma liberdade que já conheceu por inteiro. Por dura e irredutível que pareça sua decisão, ainda mais que Ramón é cercado de amor de parentes e amigos, o filme não procura justificá-lo nem torná-lo simpático e sim compreender sua posição. .

 

 

 

 

 

 

 

14|04
sexta-feira

a
 
17h
 
Quase Dois Irmãos
Brasil/2005.
Direção:
Lúcia Murat.
Elenco: Caco Ciocler, Flávio Bauraqui, Werner Schünemann, Antônio Pompeo, Marieta Severo, Cristina Aché, Maria Flor, Renato de Souza.
 
Apesar das diferenças de condição social, as vidas de Miguel e Jorge vão se entrelaçar da infância à idade madura. Miguel (Caco Ciocler) é o jovem de classe média que se torna militante da guerrilha e, em plena ditadura, vira preso político na Ilha Grande (RJ). Naquele presídio, ele reencontra Jorge (Flávio Bauraqui), filho de sua empregada. Pela convivência entre presos políticos e comuns, nasce na Ilha Grande uma organização diferente, com decisões tomadas coletivamente e protestos com greves de fome.
As noções de política ensinadas aos presos comuns levam, no entanto, a um resultado inesperado: a organização da criminalidade em facções, futuras comandantes do tráfico de drogas e do crime organizado.
Da mesma maneira, o filme expõe as atuais contradições de Miguel (na meia-idade, interpretado por Werner Schünemann), quando, advogado, negocia a instalação de um projeto social na comunidade comandada por seu velho amigo Jorge (Antônio Pompeo) de uma cela na cadeia. Pontuando este retrato visceral do Brasil moderno, e expondo também a inoperância da esfera política, o filme é um pungente momento de reflexão, a que não faltam, no entanto, nem humor, nem esperança.
19h
 
Nossa Música
(Notre Musique)
França/Suíça, 2004.
Direção:
Jean-Luc Godard.
Elenco: Sarah Adler, Nade Dieu, Mahmoud Darwich, Aline Schulman, Rony Kramer, Jean-Luc Godard
  Equilibrando-se numa narrativa fragmentada e citações de toda ordem, o diretor Jean-Luc Godard reflete sobre a incapacidade humana de construir a paz. Rendendo homenagem à Divina Comédia, de Dante Alighieri, o cineasta divide o filme em três momentos: inferno, purgatório e paraíso.
21h
 
O Segredo de Vera Drake
(Vera Drake)

Direção:
Mike Leigh.
Elenco: melda Staunton, Richard Graham, Eddie Marsan, Ruth Sheen, Sally Hawkins, Sally Menville.
 
A Inglaterra do começo dos anos 50 vive ainda sob condições econômicas e sociais bastante precárias, resultado da recém-encerrada II Guerra Mundial. A faxineira Vera Drake (Imelda Staunton) é uma dessas milhares de mulheres que lutam cotidianamente para manter sua família. Faz limpeza na casa de burgueses mais endinheirados e também acha tempo para ajudar as pessoas necessitadas. Convida o vizinho solitário para tomar chá, visita cotidianamente sua mãe inválida e, secretamente, também faz abortos a domicílio.
Vera não encara sua atividade de aborteira como crime. Ela nem mesmo o faz visando lucro – muitas vezes, não ganha nada por isso. Com um pragmatismo quase ingênuo, ela apenas acredita que deve prestar esse serviço, como tantos outros que desempenha, resolvendo um problema para quase meninas que engravidaram dos namorados ou mães de família arruinadas, que não podem arcar com mais uma boca para sustentar em tempos tão difíceis. Nem seu marido, nem seus filhos suspeitam de nada. Só quem conhece seu segredo é uma amiga (Ruth Sheen), que comercia gêneros no mercado negro e também é quem lhe arruma as clientes – além de ficar com os eventuais benefícios financeiros. Mas a força da lei está para cair sobre Vera.
Filme vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza 2004.

 

 

 

 

 

 

 

15|04
sábado

a
 
15h
 
Habana Blues
Espanha/Cuba/França, 2005.
Direção:
Benito Zambrano.
Elenco: Alberto Yoel, Benito Sanmartín, Yailene Sierra.
 
Ruy (Alberto Yoel) e Tito (Roberto Sanmartín) são dois jovens amigos e músicos cubanos. Juntamente com sua banda, apresentam-se em todos os locais disponíveis, tentando fazer da música uma carreira. Mas a vida na ilha não está nada fácil, por conta das dificuldades econômicas. Tito mora com sua avó, uma grande dama da música, e não pensa em outra coisa que sair de Cuba. Ruy vive com a mulher, Caridad (Yailene Sierra), e os dois filhos. Mas o casamento está abalado pela infidelidade de Ruy e os dois agora vivem em quartos separados.
Uma grande oportunidade se apresenta quando chegam a Cuba dois produtores musicais espanhóis. Eles gostam do som de Ruy, Tito e sua banda e se dispõem a contratá-los para uma carreira de sucesso na Espanha. A possibilidade de alcançarem finalmente aquilo que tanto desejarem, no entanto, causa abalos na amizade. Os dois músicos experimentam uma pequena crise existencial, em que está em pauta tanto sua dedicação à carreira quanto seu amor por Cuba. E as concessões artísticas que terão de fazer para chegar ao auge do sucesso também começam a mostrar-se maiores do que os dois pensaram a princípio. O filme do espanhol Benito Zambrano revela-se um colorido tributo à multiplicidade étnica e musical de Cuba, país onde ele viveu.
17h
 
Tartarugas Podem Voar
(Lakposhtha ham parvaz mikonand)
Irã/Iraque, 2004
Direção:
Bahman Gobadi.
Elenco: oran Ebrahim, Avaz Latif, Hiresh Feysal Rahman, Saddam Hossein Feysal, Abdol Rahman Karim, Ajil Zibari.
  É uma história quase toda vivida por crianças curdas, em que os adultos entram como coadjuvantes. Na primeira imagem, uma menina de 12 anos, Agrin (Avaz Latif), contempla o precipício, uma metáfora poderosa da situação de toda a sua geração. Tem um semblante triste, como se tivesse vivido bem mais do que a sua idade poderia permitir. Órfã, agora faz parte de um grupo de refugiados nômades, ao lado do irmão Henkov (Hiresh Feysal Rahman) e do pequeno Riga (Abdol Rahman Karim). Henkov perdeu os dois braços, possivelmente na explosão de uma das muitas minas que enchem os campos. Tem o dom da profecia, mas nestes tempos obscuros, isto lhe parece mais uma maldição do que um benefício. Na aldeia onde se refugia agora o trio, o número de barracas é bem maior do que o de casas em pé, devido aos constantes bombardeios. O líder inconteste desta verdadeira comunidade de meninos desgarrados atende pelo apropriado apelido de Satélite (Soran Ebrahim). Tudo porque, entre seus muitos talentos, um dos mais lucrativos atualmente é o de instalar antenas, parabólicas ou não, que permitam aos moradores acessar os canais internacionais e saber notícias sobre a iminente invasão americana. É o começo de 2003, pouco antes do início da Guerra do Iraque.
19h
 
Sobre Café e Cigarros
(Coffee and Cigarettes)
EUA/2003
Direção:
Jim Jarmusch.
Elenco:
Roberto Benigni, Steven Wright, Joie Lee, Cinqué Lee, Steve Buscemi, Cate Blanchett, Alfred Molina, Steve Coogan, Bill Murray, GZA, RZA, Tom Waits, Iggy Pop.
  Neste filme formado por onze episódios fotografados em preto-e-branco, o diretor Jim Jarmusch costura diversas situações envolvendo o consumo de café e cigarros. O resultado é uma série de esquetes protagonizados por atores conhecidos, quase sempre mantendo conversas absurdamente hilariantes ou de um cinismo absoluto. O projeto foi filmado pelo diretor ao longo de 17 anos.





21h
 
O Jardineiro Fiel
(The Constant Gardener)
EUA/Inglaterra, 2005
Direção:
Fernando Meirelles.
Elenco:
alph Fiennes, Rachel Weisz, Hubert Koundé, Danny Huston, Pete Postlethwaite.
 
Dustin Quayle (Ralph Fiennes) é um alto funcionário do governo britânico. Um dia, conhece num debate uma aguerrida ativista, Tessa (Rachel Weisz). Apesar de estarem em campos opostos na discussão, os dois acabam se apaixonando. Casam-se e vão morar no Quênia, país para onde ele foi designado em missão diplomática. Um dia, quando viaja com um colaborador e amigo médico, Tessa aparece brutalmente assassinada. A versão aceita pela polícia é que se tratou de um crime passional, já que seu acompanhante está desaparecido.
Duvidando da infidelidade da mulher, Justin usa de todos os meios ao seu dispor para montar uma investigação paralela, reconstituindo todo o passado de sua mulher. Descobre indícios do envolvimento de Tessa com a pesquisa de dossiês para a denúncia de uma gigantesca operação ilegal, expondo a ação de laboratórios internacionais e a aplicação de testes com medicamentos proibidos com populações pobres do Quênia. A própria vida de Justin passa a correr perigo. Dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles, adaptando romance de John Le Carré, o filme venceu o Oscar de melhor atriz coadjuvante para Rachel Weisz. .

 

 

 

 

 

 

 

16|04
domingo

a
 
15h
 
O Castelo Animado
(Hauru no ugoku shiro)
Japão/2004
Direção:
Hayao Miyazaki.
 
Desenho animado do mestre japonês Hayao Miyazaki, vencedor do Oscar de animação em 2003 por A Viagem de Chihiro. A protagonista desta nova história é Sophie, jovem chapeleira de 18 anos. Um dia, andando na rua, é cercada por dois soldados e salva pela intervenção de um jovem belo e misterioso. Mais tarde ela saberá que é Hauru, um poderoso bruxo.
A jovem fica fascinada pelos poderes de Hauru, que a leva para um vôo sobre os telhados da cidade. De volta à terra, recebe em sua pequena loja a visita de uma bruxa, que está procurando por Hauru. Ciumenta pelas atenções recebidas de Hauru por Sophie, a feiticeira transforma-a numa velha de 90 anos. Agravando o feitiço, Sophie será incapaz de contar a alguém o que lhe acontece.
Ela resolve, então, esconder-se no campo, fugindo até mesmo de sua própria irmã. Logo mais, assiste à chegada de um bizarro castelo andante, que se desloca com pernas metálicas, e entra dentro dele. É o castelo do bruxo Hauru, que costuma sair muito, deixando sua casa entregue a dois auxiliares: o menino Marko, capaz de disfarçar-se em velho improvisando uma barba com seus longos cabelos, e o demônio Calcifer, a chama de fogo que proporciona energia ao castelo movente..
17h
 
A Menina Santa
(La Niña Santa)
Argentina/2004
Direção: Lucrecia Martel.
Elenco: aría Alche, Julieta Zylberberg, Mercedes Morán, Carlos Belloso, Mía Maestro.
 
Segundo filme da diretora argentina Lucrecia Martel, do aclamado O Pântano (2001).
Amalia (María Alche) e Josefina (Julieta Zylberberg) são duas jovens amigas. Amalia entorpece o despertar de seu desejo adolescente em aulas de religião, conduzidas por uma bela professora (Mía Maestro), sobre quem, aliás Amalia e a amiga Josefina fantasiam aventuras sexuais.
Um dia, Amalia é molestada por um homem mais velho, na rua. Ela não diz nada a ninguém mas, mais tarde, quando volta para o hotel em que mora com a mãe divorciada, Helena (Mercedes Morán), a menina reencontra o homem. Ele é o dr. Jano (Carlos Belloso), um dos médicos participantes de um congresso com sede no hotel. Ignorando completamente o incidente ocorrido entre ele e a filha, Helena está no momento flertando com o dr. Jano, numa de suas habituais aventuras com homens casados, em que ela desafoga seu desejo e também a atual frustração depois de saber que o ex-marido, casado novamente, vai ter filhos gêmeos. Neste clima de sentimentos proibidos, nunca expostos diretamente, e pela escolha de uma câmera sempre muito próxima dos personagens mas que nunca os mostra diretamente de frente, a diretora delimita o território de uma batalha infernal de emoções.
19h
 
Maria Bethânia – Música é Perfume
França/Suíça, 2005
Direção:
Georges Gachot.
  Mesmo com suas raízes tão fincadas no País, a cantora baiana foi descoberta pelo documentarista francês Georges Gachot e transformou-se no objeto deste filme, produzido pelo canal francês ARTE. O impacto da teatralidade de Bethânia no palco causou uma guinada na carreira do documentarista francês, radicado na Suíça e especializado há 15 anos em filmes sobre música clássica. Ele descobriu a intérprete baiana em 1998 no Festival de Montreux. A partir dali, interessou-se em descobrir mais sobre a cantora e a música brasileira, um processo de pesquisa que levou cinco anos. Finalmente, em 2003, Gachot criou coragem e enviou a Bethânia um de seus documentários musicais clássicos, convencendo-a a fazer o filme. Bethânia vence aqui sua proverbial aversão à exposição de sua intimidade diante das câmeras. A vantagem é que a cantora se explica para o cineasta francês de uma maneira que talvez não fizesse se se tratasse de um brasileiro, até por achar desnecessário. E o público ganha com isso, porque a cantora está visivelmente à vontade. Ela conta histórias familiares, muitas delas com o irmão mais velho, Caetano Veloso – que escolheu seu nome a partir de uma canção de Nelson Gonçalves, mesmo tendo apenas quatro anos na época. Além de Caetano, entrevista-se Chico Buarque de Holanda, de quem Bethânia vem sendo uma das maiores intérpretes, e outros amigos.
21h
 
Manderlay
Dinamarca/Suécia/Holanda/França/Inglaterra/Alemanha, 2005.
Direção: Lars Von Trier.
Elenco: Danny Glover, Lauren Bacall, Bryce Dallas Howard, Willem Dafoe, Isaac de Bankolé, Chloe Sevigny, Jeremy Davies, Udo Kier, Jean-Marc Barr.
 
Segundo capítulo da trilogia sobre a América iniciada pelo cineasta Lars Von Trier em Dogville (2003). O cenário agora é Manderlay, uma cidadezinha perdida no Alabama onde, apesar de o ano ser 1933, setenta anos depois da abolição, a escravidão ainda vigora. Na plantação, quem manda é Mam (Lauren Bacall), a matrona branca, mantendo o domínio com mão de ferro e a assistência de um capataz negro, Wilhelm (Danny Glover), que acredita que os negros ainda não estão preparados para a liberdade.
Chegam às portas de Manderlay a jovem Grace (Bryce Dallas Howard), seu pai mafioso (Willem Dafoe) e um bando de gângsters armados. Grace decide ficar, mantendo com ela alguns dos capangas. Revoltada com a injustiça local, a moça aproveita a morte de Mam para instalar-se como líder em seu lugar e implantar a democracia racial.
Sua primeira medida é libertar os escravos. O passo seguinte é prepará-los para participar de eleições livres e votar. Todos os procedimentos de organização e trabalho deverão, a partir de agora, ser decididos por eles mesmos. Mostrando-se confuso, o capataz cita a existência do livro deixado por Mam, que classificava todos os escravos segundo suas habilidades e definia o modo de funcionamento da antiga ordem..

 

 

 

 

 

 

 

17|04
segunda-feira

a
 
17h
 
Uma Vida Iluminada
(Everything is Illuminated)
EUA/2005.
Direção:
Liev Schreiber.
Elenco: Elijah Wood, Hana Hrabetova, Eugene Hutz, Boris Leskin
 
Desde pequeno, Jonathan (Elijah Wood) é obcecado por colecionar todo tipo de objetos, que ele embala cuidadosamente em saquinhos, guardando todos eles num quarto especial, como se fosse um museu. Ele visita regularmente sua avó (Hana Hrabetova) numa instituição de idosos. Um dia, pouco antes de morrer, ela lhe entrega uma foto antiga do avô, já falecido. Na foto, vê-se uma misteriosa jovem que, muitos anos atrás, quando o avô vivia na Ucrânia, ajudou-o a escapar dos nazistas. Jonathan decide, então, viajar para a aldeia natal dos avós na Ucrânia, à procura da mulher misteriosa. Para guiá-lo nessa pesquisa complicada, ele contrata três guias: um jovem tradutor, que fala um inglês macarrônico (Eugene Hutz, vocalista da banda de punk cigano Gogol Bordello); seu avô (Boris Leskin), supostamente cego, mas que é o motorista do grupo; e uma cachorra chamada Sammy Davis Jr. Jr.
Ao mesmo tempo que seguem as pistas desencontradas da mulher perdida, os três personagens mergulham numa jornada de auto-descoberta, marcada por diversos incidentes curiosos, num país em que a realidade e o absurdo muitas vezes se tocam. Baseado no livro Tudo se Ilumina, do escritor Jonathan Safran Foer. Estréia na direção do ator americano Liev Schreiber..
19h
 
Bom Dia, Noite
(Buongiorno, Notte)
Itália/2003
Direção: Marco Bellochio.
Elenco:
Maya Sansa, Roberto Herlitzka, Luigi Lo Cascio, Pier Giorgio Bellocchio, Paolo Briguglia.
  1978. Chiara (Maya Sansa) é uma jovem de vida dupla. De dia, é bibliotecária. Quando volta para casa, torna-se uma das militantes das Brigadas Vermelhas, grupo terrorista italiano que acaba de realizar sua ação mais sensacional: o seqüestro, à luz do dia, do primeiro-ministro democrata-cristão Aldo Moro (Roberto Herlitzka).
21h
 
Menina de Ouro
(Million Dollar Baby)
EUA/2005.
Direção: Clint Eastwood.
Elenco: Hilary Swank, Clint Eastwood, Morgan Freeman, Jay Baruchel, Mike Colter.
 
Hilary Swank obteve seu segundo Oscar como melhor atriz por este trabalho dirigido por Clint Eastwood que, em 2005, levou outras três estatuetas: melhor filme, direção e ator coadjuvante (Morgan Freeman).
Trata-se da história da garçonete de 31 anos, Maggie Fitzgerald (Hilary Swank). Moça simples e solteira, leva uma vida dura, pobre, mas alimenta um sonho muito inusitado: tornar-se lutadora de boxe. Por ser mulher e também por já ter uma idade um pouco avançada para começar no esporte, ela é sistematicamente recusada por treinadores. Não é diferente, a princípio, quando ela procura o ginásio dirigido por Frankie Dunn (Clint Eastwood). Com a cumplicidade de seu ajudante, Eddie (Morgan Freeman), ela começa a treinar e é finalmente aceita por Frankie, que acaba de perder seu lutador mais promissor.
Entre o treinador e a lutadora, forma-se lentamente um vínculo paternal. E Maggie corresponde a cada migalha de sua atenção. Treina até o limite da dor. Não se intimida com os golpes no ringue que quebram seu nariz e deixam marcas por todo o corpo. Assim, torna-se lentamente uma atleta de sucesso ao ir vencendo, etapa por etapa, os torneios que Frankie lhe propõe. Uma luta com uma rival mais dura e desleal coloca um trágico dilema para Maggie e Frankie.

 

 

 

 

 

 

 

18|04
terça-feira

a
 
17h
 

O Fim e o Princípio

Brasil/2005.
Direção:
Eduardo Coutinho.
  Maior documentarista do país, Eduardo Coutinho mostra o avesso de seu método de trabalho neste novo filme. O diretor de Cabra Marcado para Morrer (1985), Santo Forte (1999), Edifício Master (2002) e Peões(2004) abre mão da sua habitual pesquisa prévia de personagens e sai a campo no sertão da Paraíba. Nas redondezas de São João do Rio do Peixe, descobre o sítio Araçás e várias pessoas comuns com muito a dizer sobre a vida e sobre a morte. Uma delas é a rezadora dona Mariquinha, que garante que “reza com o apelido da pessoa não funciona, só com o nome todo”. Acha também homens cheio de certezas, como Leocádio, que num certo momento questiona o próprio Coutinho sobre sua crença em Deus. Pelo tempo que ocupa em cena, vê-se que Leocádio é nitidamente um dos personagens preferidos do diretor, ao lado de Chico Moisés, outro que aparece em mais de um momento. Chico é daqueles que, como diz, “acredita no que vê com os olhos e pega com as mãos”. Mas nem por isso deixa de ter sonhos muito elaborados sobre o inferno. Essa sabedoria popular instintiva, sem filosofia nem psicanálise, é o verdadeiro espetáculo deste filme simples e intenso.
19h
 
A Menina Santa
(La Niña Santa)
Argentina/2004
Direção: Lucrecia Martel.
Elenco: aría Alche, Julieta Zylberberg, Mercedes Morán, Carlos Belloso, Mía Maestro.
 
Segundo filme da diretora argentina Lucrecia Martel, do aclamado O Pântano (2001).
Amalia (María Alche) e Josefina (Julieta Zylberberg) são duas jovens amigas. Amalia entorpece o despertar de seu desejo adolescente em aulas de religião, conduzidas por uma bela professora (Mía Maestro), sobre quem, aliás Amalia e a amiga Josefina fantasiam aventuras sexuais.
Um dia, Amalia é molestada por um homem mais velho, na rua. Ela não diz nada a ninguém mas, mais tarde, quando volta para o hotel em que mora com a mãe divorciada, Helena (Mercedes Morán), a menina reencontra o homem. Ele é o dr. Jano (Carlos Belloso), um dos médicos participantes de um congresso com sede no hotel. Ignorando completamente o incidente ocorrido entre ele e a filha, Helena está no momento flertando com o dr. Jano, numa de suas habituais aventuras com homens casados, em que ela desafoga seu desejo e também a atual frustração depois de saber que o ex-marido, casado novamente, vai ter filhos gêmeos. Neste clima de sentimentos proibidos, nunca expostos diretamente, e pela escolha de uma câmera sempre muito próxima dos personagens mas que nunca os mostra diretamente de frente, a diretora delimita o território de uma batalha infernal de emoções.
21h
 
O Jardineiro Fiel
(The Constant Gardener)
EUA/Inglaterra, 2005
Direção:
Fernando Meirelles.
Elenco:
alph Fiennes, Rachel Weisz, Hubert Koundé, Danny Huston, Pete Postlethwaite.
 
Dustin Quayle (Ralph Fiennes) é um alto funcionário do governo britânico. Um dia, conhece num debate uma aguerrida ativista, Tessa (Rachel Weisz). Apesar de estarem em campos opostos na discussão, os dois acabam se apaixonando. Casam-se e vão morar no Quênia, país para onde ele foi designado em missão diplomática. Um dia, quando viaja com um colaborador e amigo médico, Tessa aparece brutalmente assassinada. A versão aceita pela polícia é que se tratou de um crime passional, já que seu acompanhante está desaparecido.
Duvidando da infidelidade da mulher, Justin usa de todos os meios ao seu dispor para montar uma investigação paralela, reconstituindo todo o passado de sua mulher. Descobre indícios do envolvimento de Tessa com a pesquisa de dossiês para a denúncia de uma gigantesca operação ilegal, expondo a ação de laboratórios internacionais e a aplicação de testes com medicamentos proibidos com populações pobres do Quênia. A própria vida de Justin passa a correr perigo. Dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles, adaptando romance de John Le Carré, o filme venceu o Oscar de melhor atriz coadjuvante para Rachel Weisz. .

 

 

 

 

 

 

 

19|04
quarta-feira

a
 
17h
 
Doutores da Alegria
Brasil/2005
Direção: Mara Mourão.
 
Este documentário sensível retrata o trabalho da ONG formada por 37 atores dedicados a uma atividade diferente: devolver a alegria a crianças portadoras de câncer e outras doenças gravíssimas através de seus shows e performances dentro de hospitais. O grupo, fundado há 14 anos, já atuou para mais de 350 mil crianças. Diretora das comédias Alô! e Avassaladoras, a cineasta paulista Mara Mourão – que é casada com o ator Wellington Nogueira, fundador dos Doutores da Alegria - aproveita cada cena para demonstrar a seriedade de seu trabalho. Ouvem-se os depoimentos dos atores, relatando suas dificuldades. Falam também os pais de crianças doentes, que se declaram um público tão beneficiado quanto elas mesmas.
As cenas reais de interação entre os pequenos pacientes e os atores constituem as melhores tomadas, permitindo acompanhar o desenvolvimento dos números dos atores e a carga de emoções com que diariamente têm de lidar. O sentimento de impotência frente a doenças graves e o desgaste dos pequenos doentes com tratamentos longos e não raro dolorosos encontram um contraponto lúdico na companhia destes destemidos palhaços – favorecendo a própria recuperação dos pacientes, como atestam médicos e enfermeiros. Filme vencedor do prêmio especial do júri e do júri popular no Festival de Gramado 2005.
19h
 
Quase Dois Irmãos
Brasil/2005.
Direção:
Lúcia Murat.
Elenco: Caco Ciocler, Flávio Bauraqui, Werner Schünemann, Antônio Pompeo, Marieta Severo, Cristina Aché, Maria Flor, Renato de Souza.
 
Apesar das diferenças de condição social, as vidas de Miguel e Jorge vão se entrelaçar da infância à idade madura. Miguel (Caco Ciocler) é o jovem de classe média que se torna militante da guerrilha e, em plena ditadura, vira preso político na Ilha Grande (RJ). Naquele presídio, ele reencontra Jorge (Flávio Bauraqui), filho de sua empregada. Pela convivência entre presos políticos e comuns, nasce na Ilha Grande uma organização diferente, com decisões tomadas coletivamente e protestos com greves de fome.
As noções de política ensinadas aos presos comuns levam, no entanto, a um resultado inesperado: a organização da criminalidade em facções, futuras comandantes do tráfico de drogas e do crime organizado.
Da mesma maneira, o filme expõe as atuais contradições de Miguel (na meia-idade, interpretado por Werner Schünemann), quando, advogado, negocia a instalação de um projeto social na comunidade comandada por seu velho amigo Jorge (Antônio Pompeo) de uma cela na cadeia. Pontuando este retrato visceral do Brasil moderno, e expondo também a inoperância da esfera política, o filme é um pungente momento de reflexão, a que não faltam, no entanto, nem humor, nem esperança.
21h
 
Casa Vazia
(Bin Jip)
Coréia do Sul/Japão, 2004.
Direção:
Kim ki-Duk
Elenco: Jae Hee, Lee Seung-yeon, Hyuk ho-Kwon, Jin mo-Ju.
 
O diretor coreano Kim ki-Duk escreveu, produziu, dirigiu e montou este que é seu filme mais pessoal, depois do áspero A Ilha (2000) e do contemplativo Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera (2003).
O protagonista é Tae-suk (Jae Hee) é um jovem motoqueiro que invade pacificamente casas vazias e retribui sua hospedagem não solicitada com pequenos serviços – conserto de eletrodomésticos, lavagem de roupas, limpeza geral – como um invisível benfeitor que quisesse provocar a perplexidade de seus moradores, presos à rotina e à normalidade do trabalho e das férias, no momento em que retornassem às suas casas.
O anjo solitário encontra sua parceira numa mulher, Sun-hwa (Lee Seung-yeon), que mora numa ampla mansão mas tem um marido violento, como as marcas em seu rosto evidenciam. O convite à liberdade trazido por Tae-suk mostra-se irresistível e os dois partem juntos numa aventura. Casa Vazia é uma sutil história de amor, mas é também um caso de amor com o cinema. Kim Ki-duk mostra aqui quanto acredita na câmera. Prova disso é que quase não há diálogos. Os protagonistas, por exemplo, ficam mudos quase até a cena final e nem por um momento se deixa, por esse detalhe, de acreditar na intensidade de suas emoções.

 

 

20|04
quinta-feira

a
 
17h
 
Cidade Baixa
Brasil/2005.
Direção: Sérgio Machado.
Elenco: Lázaro Ramos, Wagner Moura, Alice Braga, João Miguel, José Dumont, Olga Machado.
  A história pulsa na pele dos personagens Deco (Lázaro Ramos), Naldinho (Wagner Moura) e Karinna (Alice Braga), um triângulo amoroso que se forma quando a moça, prostituta, pega carona no barco dos dois, rumo a Salvador. Vivendo entre os bares e as ruelas da Cidade Baixa da capital baiana, os três não conseguem mais se largar, criando uma perigosa tensão entre os dois amigos de infância pela posse desta mulher. Vencedor do Prêmio da Juventude na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes 2005.
19h
 
Crash – No Limite
(Crash)
EUA/2005.
Direção: Paul Haggis.
Elenco: Brendan Fraser, Sandra Bullock, Don Cheadle, Terrence Howard, Ryan Phillippe, Thandie Newton, Matt Dillon, Loretta Devine, Jennifer Esposito.
 
Vencedor do Oscar de melhor filme em 2006, o enredo aborda como os preconceitos raciais e étnicos contaminam as relações interpessoais na cidade de Los Angeles. Um promotor público (Brendan Fraser) e sua mulher (Sandra Bullock) têm seu carro roubado por dois jovens negros. O promotor convoca um detetive negro (Don Cheadle) para investigar mas não deseja criar nenhum atrito com a comunidade afro-americana, porque está na véspera de uma eleição. O detetive, por sua vez, tem problemas com a mãe alcoólatra e um irmão que enveredou no crime.
Num outro lugar, um policial branco e racista (Matt Dillon) pára um rico produtor de TV, negro (Terrence Howard) e sua mulher (Thandie Newton), que estão num carro luxuoso. O policial submete-os a uma revista humilhante e a mulher revolta-se contra a falta de reação do marido. O parceiro do policial (Ryan Phillippe), por sua vez, não aceita as atitudes do colega e pede para trabalhar com outra pessoa. Um casal iraniano, cuja filha formou-se médica, chama um serralheiro de origem hispânica para consertar a porta de sua loja. Mesmo assim, o estabelecimento é arrombado e o dono vai procurar vingança contra o rapaz, que, no entanto, o tinha alertado de que era preciso trocar a porta. Todas estas histórias convergem para um grande acidente de carro, que tem conseqüências dramáticas para os envolvidos..

 

 

 

 

 

21|04
sexta-feira

a
 
15h
 
Madagascar
EUA/2005
Direção: Eric Darnell, Tom McGrath.
  Desenho animado em que os personagens são os animais moradores do Zoológico de Nova York. A rotina está matando de tédio uma de suas principais atrações: a zebra Martin, que sonha em conhecer a selva ao vivo e em cores. A estrela do lugar, o leão Alex, já não tem a mesma vontade. A maior alegria do felino é ser o alvo da maior parte das atenções e o mais fotografado pelos visitantes. Depois de comemorar mais um aniversário na jaula, a zebra decide que é hora de cair no mundo lá fora. Consegue fugir, contando com a ajuda de um bando de pingüins. Quando percebem a fuga do melhor amigo, o leão, a hipopótamo Glória e a girafa Mellman saem pela cidade para tentar trazer Martin de volta.
Depois de algumas aventuras e altas emoções – como um encontro com a polícia numa das mais movimentadas estações do metrô -, os quatro animais conseguem embarcar num navio, que os conduz diretamente à paradisíaca ilha de Madagascar. Na selva real e sem contar com o atendimento de suas necessidades por um grupo de funcionários atentos, os quatro tentam aprender os macetes da sobrevivência da vida selvagem. O maior problema é como resolver a insaciável fome do leão Alex.
17h
 
Um Filme Falado
França/Portugal, 2003.
Direção: Manoel de Oliveira.
Elenco: Leonor Silveira, Irene Papas, Catherine Deneuve, John Malkovich, Stefania Sandrelli, Ricardo Trepa, Filipa de Almeida.
 
Professora de História da Universidade de Lisboa (Leonor Silveira) viaja em cruzeiro marítimo com a filha pequena. O destino final é Bombaim, onde o marido, piloto civil, deve reencontrar a família para seguirem em férias. Durante as escalas da viagem - Grécia, França, ruínas de Pompéia, Egito, Istambul –, a mãe aproveita para ensinar lições à menina sobre a civilização ocidental.
No navio, outras passageiras são três mulheres, uma famosa cantora grega (Irene Papas), uma empresária francesa (Catherine Deneuve) e uma ex-modelo italiana (Stefania Sandrelli). Todas são convidadas para jantar na mesa do capitão (John Malkovich), americano de origem polonesa que fala o inglês, a língua universal contemporânea.
No curioso detalhe de que cada um dos integrantes desta mesa fala a própria língua e, no entanto, é compreendido pelos demais, o diretor Manoel de Oliveira cria uma metáfora sobre o respeito pela diversidade cultural. E, quando o agradável jantar é interrompido pelo aviso de que terroristas colocaram bombas a bordo do cruzeiro, o veterano diretor português abre espaço para a discussão deste dramático flagelo moderno neste que é um de seus filmes mais instigantes.
19h
 
Vinícius
Brasil/2005
Direção: Miguel Faria Jr.
Elenco: Zeca Pagodinho, Mart´nália, Olivia Byington, Mônica Salmaso, Adriana Calcanhoto e Yamandú Costa.
  Vinte e cinco anos após a morte de Vinícius de Moraes, o diretor Miguel Faria Jr. rememora o poeta e compositor neste documentário. O filme alterna a leitura de seus poemas, na voz dos atores Camila Morgado e Ricardo Blat, com imagens raras e inéditas de Vinícius, algumas liberadas por Susana de Moraes, uma de suas filhas, e depoimentos de ex-mulheres, filhos e dos muitos amigos – como Chico Buarque de Holanda, Tônia Carrero, Maria Bethânia, Edu Lobo, Carlos Lyra, Caetano Veloso e outros. Ainda, cantores e instrumentistas de diferentes gêneros e estilos recriam parte de suas músicas.
21h
 
Manderlay
Dinamarca/Suécia/Holanda/França/Inglaterra/Alemanha, 2005.
Direção: Lars Von Trier.
Elenco: Danny Glover, Lauren Bacall, Bryce Dallas Howard, Willem Dafoe, Isaac de Bankolé, Chloe Sevigny, Jeremy Davies, Udo Kier, Jean-Marc Barr.
 
Segundo capítulo da trilogia sobre a América iniciada pelo cineasta Lars Von Trier em Dogville (2003). O cenário agora é Manderlay, uma cidadezinha perdida no Alabama onde, apesar de o ano ser 1933, setenta anos depois da abolição, a escravidão ainda vigora. Na plantação, quem manda é Mam (Lauren Bacall), a matrona branca, mantendo o domínio com mão de ferro e a assistência de um capataz negro, Wilhelm (Danny Glover), que acredita que os negros ainda não estão preparados para a liberdade.
Chegam às portas de Manderlay a jovem Grace (Bryce Dallas Howard), seu pai mafioso (Willem Dafoe) e um bando de gângsters armados. Grace decide ficar, mantendo com ela alguns dos capangas. Revoltada com a injustiça local, a moça aproveita a morte de Mam para instalar-se como líder em seu lugar e implantar a democracia racial.
Sua primeira medida é libertar os escravos. O passo seguinte é prepará-los para participar de eleições livres e votar. Todos os procedimentos de organização e trabalho deverão, a partir de agora, ser decididos por eles mesmos. Mostrando-se confuso, o capataz cita a existência do livro deixado por Mam, que classificava todos os escravos segundo suas habilidades e definia o modo de funcionamento da antiga ordem..

 

 

 

 

 

 

 

 

 

22|04
sábado

a
 
15h
 
Doutores da Alegria
Brasil/2005
Direção: Mara Mourão.
 
Este documentário sensível retrata o trabalho da ONG formada por 37 atores dedicados a uma atividade diferente: devolver a alegria a crianças portadoras de câncer e outras doenças gravíssimas através de seus shows e performances dentro de hospitais. O grupo, fundado há 14 anos, já atuou para mais de 350 mil crianças. Diretora das comédias Alô! e Avassaladoras, a cineasta paulista Mara Mourão – que é casada com o ator Wellington Nogueira, fundador dos Doutores da Alegria - aproveita cada cena para demonstrar a seriedade de seu trabalho. Ouvem-se os depoimentos dos atores, relatando suas dificuldades. Falam também os pais de crianças doentes, que se declaram um público tão beneficiado quanto elas mesmas.
As cenas reais de interação entre os pequenos pacientes e os atores constituem as melhores tomadas, permitindo acompanhar o desenvolvimento dos números dos atores e a carga de emoções com que diariamente têm de lidar. O sentimento de impotência frente a doenças graves e o desgaste dos pequenos doentes com tratamentos longos e não raro dolorosos encontram um contraponto lúdico na companhia destes destemidos palhaços – favorecendo a própria recuperação dos pacientes, como atestam médicos e enfermeiros. Filme vencedor do prêmio especial do júri e do júri popular no Festival de Gramado 2005.
17h
 
Irmãos
(Son Frère)
França/2002
Direção: Patrice Chéreau.
Elenco: Bruno Todeschini, Eric Caravaca, Nathalie Boutefeu.
 
Dois irmãos, Thomas (Bruno Todeschini) e Luc (Eric Caravaca) vivem afastados. A descoberta de que Thomas sofre de uma doença rara, que gradativamente destrói as plaquetas de seu sangue, aproxima-o de Luc, que se dedica a cuidar dele num momento em que todos os demais o abandonaram. As diferenças de personalidade e opções sexuais ficam em segundo plano. Thomas e Luc conversam como há muito não faziam, retomando uma intimidade que nem sempre é harmoniosa mas se estabelece, ainda que sem resolver completamente conflitos e mágoas antigas. Tal como fizera em filmes anteriores, como A Rainha Margot e Intimidade, o diretor francês expõe a realidade dos corpos de uma maneira direta, que não procura o embelezamento, mas o realismo. O filme valeu ao cineasta o prêmio de melhor direção no Festival de Berlim 2003.
19h
 
Flores Partidas
(Broken Flowers)
EUA/2005
Direção: Jim Jarmusch.
Elenco: Bill Murray, Julie Delpy, Jeffrey Wright, Sharon Stone, Frances Conroy, Jessica Lange, Tilda Swinton, Alexis Dziena.
 
Don Johnston (Bill Murray) é um homem maduro que, ao longo de toda sua vida, nunca conseguiu manter por muito tempo um relacionamento com uma mulher. Mais uma vez, uma delas (Julie Delpy), o está deixando. Na mesma hora, chega o carteiro, tendo na mão uma carta rosa, que vai alterar drasticamente o rumo da história. Inspirado por seu vizinho Winston (Jeffrey Wright), pacífico pai de família, imigrante, com cinco filhos e o hábito de detetive amador, Don decide seguir a pista da carta - que garante que ele teve um filho com uma antiga namorada, 20 anos atrás, mas não conta o nome dela.
Instaura-se aí o filme de estrada, gênero caro ao diretor Jim Jarmusch. Don tem alguns reencontros, alguns patéticos (com Sharon Stone e Frances Conroy), outros explosivos (com a irreconhecível Tilda Swinton), em busca desse passado meio vago, mas que determina a solidão e o vazio do presente. Flores Partidas mostra-se, também, a mistura ideal de humor e melancolia que cai tão bem a Murray, verdadeiro Buster Keaton do cinema moderno, repetindo o bom desempenho que teve como protagonista de Encontros e Desencontros, de Sofia Coppola. Filme vencedor do Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes em 2005.
21h
 
Mar Adentro
Espanha/2004
Direção:
Alejandro Amenábar.
Elenco: Javier Bardem, Belen Ruedas, Lola Dueñas, Clara Segura, Mabel Rivera, Joan Dalmau, Celso Bugallo, Tamar Novas.
 
Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2005. O roteiro reconstitui a trajetória real do ex-marinheiro Ramón Sampedro (Javier Bardem), um homem que, depois de ficar tetraplégico e viver preso a uma cama por quase 30 anos, lutou por todos os meios, inclusive na justiça, pelo direito à eutanásia.
Bardem incorpora este personagem com uma mistura de bravura, senso de humor ferino e uma inquietante disposição para manter-se firme no seu único objetivo: morrer. É um homem incapaz de mover um único músculo, a não ser no rosto, dependente de parentes para todo e qualquer movimento. Essa dependência, justamente, é o que vem abatendo seu ânimo. Preso por tanto tempo em seu quarto, Ramón nega-se a adotar uma cadeira de rodas acionada por sua respiração e outras conveniências que amenizariam a brutalidade de seu estado. Para ele, essa vida com aparelhos seria o mesmo que aceitar migalhas de uma liberdade que já conheceu por inteiro.
Por dura e irredutível que pareça sua decisão, ainda mais que Ramón é cercado de amor de parentes e amigos, o filme não procura justificá-lo nem torná-lo simpático e sim compreender sua posição. .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



23|04
domingo

a
 
15h
 
Um Filme Falado
França/Portugal, 2003.
Direção: Manoel de Oliveira.
Elenco: Leonor Silveira, Irene Papas, Catherine Deneuve, John Malkovich, Stefania Sandrelli, Ricardo Trepa, Filipa de Almeida.
 
Professora de História da Universidade de Lisboa (Leonor Silveira) viaja em cruzeiro marítimo com a filha pequena. O destino final é Bombaim, onde o marido, piloto civil, deve reencontrar a família para seguirem em férias. Durante as escalas da viagem - Grécia, França, ruínas de Pompéia, Egito, Istambul –, a mãe aproveita para ensinar lições à menina sobre a civilização ocidental.
No navio, outras passageiras são três mulheres, uma famosa cantora grega (Irene Papas), uma empresária francesa (Catherine Deneuve) e uma ex-modelo italiana (Stefania Sandrelli). Todas são convidadas para jantar na mesa do capitão (John Malkovich), americano de origem polonesa que fala o inglês, a língua universal contemporânea.
No curioso detalhe de que cada um dos integrantes desta mesa fala a própria língua e, no entanto, é compreendido pelos demais, o diretor Manoel de Oliveira cria uma metáfora sobre o respeito pela diversidade cultural. E, quando o agradável jantar é interrompido pelo aviso de que terroristas colocaram bombas a bordo do cruzeiro, o veterano diretor português abre espaço para a discussão deste dramático flagelo moderno neste que é um de seus filmes mais instigantes.
17h
 
Cabra Cega
Brasil/2004.
Direção:
Toni Venturi.
Elenco: Leonardo Medeiros, Débora Duboc, Michel Bercovich, Jonas Bloch.
  A utopia da luta armada dos anos 70 no Brasil é retratada a partir de um registro intimista. O protagonista é Tiago (Leonardo Medeiros), um guerrilheiro ferido num confronto com a polícia. Escondido no apartamento de um simpatizante (Michel Bercovich), ele passa o tempo todo aterrorizado, preparado para matar e morrer caso seja descoberto. Seu único contato com o mundo exterior é Rosa (Débora Duboc), que cuida de seu ferimento, traz-lhe comida, jornais e as instruções do líder de seu grupo (Jonas Bloch). Filme vencedor dos prêmios de melhor diretor (Toni Venturi), roteiro (Di Moretti) e de público do Festival de Brasília 2004.

19h
 
Nossa Música
(Notre Musique)
França/Suíça, 2004.
Direção:
Jean-Luc Godard.
Elenco: Sarah Adler, Nade Dieu, Mahmoud Darwich, Aline Schulman, Rony Kramer, Jean-Luc Godard
  Equilibrando-se numa narrativa fragmentada e citações de toda ordem, o diretor Jean-Luc Godard reflete sobre a incapacidade humana de construir a paz. Rendendo homenagem à Divina Comédia, de Dante Alighieri, o cineasta divide o filme em três momentos: inferno, purgatório e paraíso.
21h
 
Alila
Israel/2003
Direção: Amos Gitai.
Elenco: Yaël Abecassis, Uri Klauzner, Hana Laszlo, Ronit Elkabetz, Amos Lavie.
  Conhecido por filmes de conteúdo político e social, como Free Zone e Kedma, o cineasta Amos Gitai muda de tom para construir uma comédia dramática, ambientada num conjunto habitacional na periferia de Tel Aviv. Um homem maduro (Amos Lavie) aluga aqui um quarto para seus encontros secretos com a amante, Gabi (Yael Abecassis), que se manifesta ruidosamente toda vez que sente prazer. Já o construtor Ezra (Uri Klauzner) perturba a vida dos outros moradores com a barulhenta reforma de um dos apartamentos – onde emprega o trabalho de imigrantes chineses ilegais. Ezra e sua mulher (Hanna Lazlo) têm um desgosto mais sério quando seu filho (Eyal Mestechkin) deserta do Exército e é considerado fugitivo. A personalidade mais marcante mesmo é de Ronit (Ronit Elkabetz), mulher enérgica de exótico penteado, cuja profissão ninguém no condomínio consegue imaginar.
Neste universo instável, onde todos incomodam a todos, a temperatura parece estar prestes a explodir a todo instante – exatamente como acontece no resto de Israel. Mas aqui é impossível aos contrários negarem-se a conviver e negociar. Roteiro adaptado de livro de Yehoshua Kenaz