A Seleção de Teatro e Dança
Ao analisarmos os momentos mais criativos do Teatro Brasileiro constatamos
que estes momentos estão intimamente ligados à busca
por uma dramaturgia que retratasse nossos momentos sócio-político-culturais,
a exemplo da dramaturgia de Guarniere, Leilah Assunção,
Fauzi Arap, Chico Buarque, Paulo Pontes, Naum Alves de Souza, Plínio
Marcos.
As déc. de 80 e 90 foram responsáveis
por uma nova concepção da produção de
espetáculos, ocasionando um arrefecimento dos concursos de
dramaturgia e dos grandes festivais. Passa-se a repetir as fórmulas
de sucesso, na tentativa da reprodução do riso fácil
que atrai o consumo. Os grandes clássicos parecem não
satisfazer à ansiedade e dinâmica do Homem moderno. O
conhecido besteirol, embora tenha atingido o seu ápice nos
anos 80, não mais responde às necessidades deste final
de milênio.
Nestes últimos anos, temos assistido a uma boa
parcela da produção de teatro, parte dela resultante
das oficinas de dramaturgia, espaço que consideramos apontar
um dos caminho pelos quais poderá vir a acontecer a renovação
do teatro, sobretudo pelo intercâmbio que proporciona entre
os produtores locais e os profissionais de outros centros.
Após percorrer as diversas capitais que compõem
a região, pudemos ter uma noção mais realista
da produção de teatro e dança do Nordeste, sendo
bastante semelhantes as dificuldades relativas à produção
de espetáculos para todas as localidades, exceção
apenas ao investimento que vem sendo realizado pelo Instituto Dragão
do Mar de Arte e Cultura, no Ceará, com seu estímulo
à produção através da Escola de Direção,
Dramaturgia e Dança, mesmo que ainda embrionária.
Ao contrário do teatro, a dança contemporânea
parece estar encontrando um novo caminho. A dinâmica da vida
urbana começa a interferir na produção, em direção
à incorporação de variados elementos, e seus
resultados parecem dar sinais de vigor e de renovação.
Fato concreto são os festivais mantidos nos estados da Bahia,
Paraíba e Pernambuco, proporcionando a troca de experiências
entre os participantes de variada segmentação e o grande
fluxo de público registrado. Exemplo concreto foi a recente
participação de uma centena de coreografias no Festival
Nacional de Dança do Recife.
A seleção dos espetáculos de teatro
foi norteada levando-se em conta o volume da produção
e a busca por uma dramaturgia e uma coreografia que associasse a linguagem
contemporânea, sem desprezar os elementos que identificam os
aspectos da cultura nordestina, concluindo pelo conjunto de espetáculos
que integra este projeto, após a análise de 98 projetos,
inúmeras consultas e observação de vários
espetáculos.
Se, no momento, mais fértil na dança e
menos punjante no teatro, os espetáculos selecionados darão
mostras da sensibilidade e diversidade da produção existente
nos respectivos estados, quer seja na reflexão de tradições,
quer seja na revelação de contradições,
dicotomias sempre presentes nos momentos de maior ou menor efervescência.
TEATRO
A COBRA MORDE O RABO (BA)
Sinopse:
O espetáculo é baseado no conto O Velho, o Menino e o Burro,
uma história de tradição oral, pertencente ao imaginário popular. A narrativa
é feita pela figura do Cuíca de Santo Amaro, um repentista popular de
Salvador dos anos 50, que nos conta a trajetória de três personagens:
um velho, uma criança e um burro. Tais personagens percorrem uma longa
rota., rumo ao mercado onde oferecerão suas galinhas, carregadas de gaiolas.
Durante a caminhada, são seguidas vezes interrompidos para ouvir opiniões
dos outros e, ao tentar segui-las, atrapalham-se cada vez mais.
Essas complicações, que se sucedem num crescente, servem de pretexto para
a abordagem central do espetáculo: as pressões sofridas pelos homens nas
suas trajetórias de vida, suas esperanças, desilusões e expectativas.
A vontade de agradar a todos, leva-os a atingir situações divertidas e
até ridículas. Daí a opção estética de utilizar figuras de animais falantes
para representar os humanos. Seguem-se imagens de forte conteúdo lírico
e dramático. A cobra, ao morder o rabo, é a metáfora do ciclo da vida:
o menino será o velho e o velho será o menino.
O Grupo:
O Grupo A Roda surgiu em 1997, com o objetivo de estudar e pesquisar
técnicas de manipulações de bonecos. Dois anos depois, nasce o espetáculo
A Cobra Morde o Rabo, com bonecos inteiramente esculpidos em madeira,
valendo-se de efeitos sonoros, através de percussão e do violino, para
pontuar a história. As características de peso e volume dos bonecos, idealizados
e esculpidos por Olga Gómez, determinam mecanismos específicos para sua
manipulação.
Ficha Técnica:
Criação, adaptação e direção: Grupo Roda
Assessoria: Nehle Franke
Coordenação: Olga Gómez
Manipulação: Olga Gómez, Marcus Sampaio, Stella Carrozzo, Fábio Pinheiro
e Marcus Villa
Concepção, pintura e construção dos bonecos e molduras: Olga Gómez
Direção musical: João Omar
Músicas: Loa e Vinde, Vinde Moços e Velhos (domínio público)
referência Antonio Nóbrega
Músicos: Conceição Giba (Percussão), Nicodemos de Souza (violino)
Desenho de Luz: Irma Vidal
Produção: Sérgio Sobreira
Procução executiva: Grupo A Roda
Contra-regras e apoio de manipulação: Eri Souza e Paulo Batistella
Operador de luz: Chico Prado
Projeto do balcão: Naia Alban e Moacyr Gramacho
Serralharia: Roberto e Beto Tosta Braga
Figurinos: Moacyr Gramacho
Costureira: Dora Moreira
Projeto gráfico: Marcus Sampaio

A VER ESTRELAS (BA)
Sinopse:
A Ver Estrelas narra o caminho que Jonas percorre até descobrir
sua maneira de aproveitar dos dias. Este caminho a ser percorrido é figurado,
ao mesmo tempo que não é, pois a peça propõe uma distância física a Jonas,
que é sair do reino de A Ver Estrelas (subjetivo) encontrar um rapaz chamado
Grampo e entregar-lhe A Rosa dos Ventos. Acontece que a maneira de percorrê-lo
não se dá de maneiro objetiva, andando ou correndo, mas sim através do
raciocínio, da maneira de enxergar as coisas. A Ver Estrelas tem
o fabuloso das fábulas, a moral das parábolas e a dúvida de Jonas entre
a monotonia de seu cotidiano - a ver estrelas - ou a busca da felicidade
- o reino do navegar.
O Autor e Diretor:
João Falcão assume a autoria, direção e a música de quase tudo o que
faz além de ser notadamente precoce. Aos 22 anos, escreveu, dirigiu e
musicou sua primeira peça de teatro: Muito Pelo Contrário (1980).
A montagem lhe rendeu o prêmio do melhor autor, melhor diretor e melhor
espetáculo, foi indicado revelação do ano com o prêmio Mambembe, no Rio
de Janeiro e ficou dois anos em cartaz em turnê nacional.
Em seguida, assinou autoria, direção e música de O Pequenino Grão de
Areia, espetáculo que ganhou vários prêmios em festivais nacionais
(Paraná, Pernambuco e Paraíba). Foi montada no Rio de Janeiro, São Paulo
e Acre, recebeu prêmio de melhor trilha musical, 13 indicações para o
prêmio Mambembe no Rio de Janeiro e São Paulo, 13 indicações para o prêmio
Apetesp e uma indicação para o prêmio Apca.
João Falcão também dirige comerciais para televisão e é o primeiro diretor
pernambucano a ganhar o prêmio profissionais do ano da Rede Globo de Televisão.
Sua produtora, João Falcão Produções, foi a mais premiada no norte e nordeste
do país.
Atualmente assina a autoria, juntamente com Jorge Furtado e Guel Arraes,
de várias Terças Nobres apresentadas na Rede Globo, tais como: A Comédia
da Vida Privada, O Coronel e o Lobisomem, O Homem Que Sabia
Javanês e Suburbano Coração.
Adaptou e dirigiu Marcos Nanini na peça Burguês Ridículo, que foi
sucesso de público e a maior bilheteria do ano de 1997 no Rio de Janeiro
e São Paulo, e ainda a minissérie O Auto da Compadecida. Outros
de seus mais recente sucessos de crítica e público são os espetáculos
A Dona da História, com as atrizes Marieta Severo e Andréa Beltrão,
e Uma Noite na Lua, também com o ator Marco Nanini.
Elenco:
Arnaldo Almeida
Cristiane Mendonça
João Miguel
João Perene
Leonardo Bittencourt
Marcelo Flores
Priscila Alpha
Renata Celidônio
Rose Anias
Vladimir Brichta
Ficha Técnica:
Texto e direção: João Falcão
Diretora assistente: Magdale Alves
Assistente de direção: João Sanches
Músicos: Arnaldo Almeida (violão) e Leonardo Bittencourt (percussão)
Músicas: João Falcão
Coreografia: Ana Paula Bouzas
Assistente de coreografia: Erivaldo Souza
Preparação vocal: Arnaldo Almeida
Cenografia: João Falcão
Figurinos e adereços: Miguel Carvalho
Projeto de iluminação: Irma Vidal
Assessoria de imprensa: Almanak
Fotografia: Sora Maia
Projeto gráfico: Adriana Hitomi
Ilustração: André Laurentino
Operador de luz: Fernanda Mascarenhas
Confecção de adereços: Maurício Pedrosa
Produtores: Valadir Archanjo, Bira Saide, Priscilla Alpha
Assistente de produção: Letícia Borges
Workshop: Magdale Alves e João Sanches

BRAVÍSSIMO
(CE)
Sinopse:
Compilação de crônicas e memórias de Nelson Rodrigues, publicadas nos
livros O Reacionário, A Cabra Vadia, O Óbvio Ululante,
O Remador de Benhur, A Menina Sem Estrela e A Sombra
das Chuteiras Imortais. A encenação de Bravíssimo resgata o
ideal de um país econômico e socialmente viável, cuja viabilidade ensejaria
o projeto de uma sociedade igualitária e justa, apta a aglutinar todo
o sentimento de identidade nacional.
O Diretor:
Ator, dramaturgo e diretor teatral. Autor das peças Frei Tito:
Paixão e Morte e o Conselheiro e Canudos, detentoras, respectivamente,
do Prêmio Unesco e da medalha de mérito científico-cultural da Secretaria
de Cultura e Ciência do Rio de Janeiro. Dirigiu e atuou em aproximadamente
cinqüenta espetáculos teatrais, dentre os quais destacam-se as montagens
de Apareceu a Margarida de Roberto Athayde, (1981) Sargento
Getúlio de João Ubaldo Ribeiro, (1991) Valsa Nº 6, (1991) e
Flor de Obsessão de Nelson Rodrigues, (1994) A Cantora Careca
(1994) e A Lição de Ionesco (1996) e, mais recentemente, Na
Olaria do Tempo de sua autoria e Ângela Linhares (1996), Depois
do Fim de sua autoria (1996), É Proibido Nascer em Brasília e Bravíssimo
de Nelson Rodrigues (1997).
Professor das disciplinas de História do Teatro Brasileiro, Teorias do
Teatro e de Fundamentos de Direção, no Curso de Arte Dramática da Universidade
Federal do Ceará, com experiências em diversas universidades da Europa,
da África, Da América Central e da América do Norte. Especialista em Arte-Educação,
em curso de pós-graduação da Universidade Federal da Paraíba. Tem livros
publicados sobre a história do teatro cearense, premiado pelo Ministério
da Cultura, nos anos 70, por seu trabalho de pesquisador e repórter. Jornalista,
cronista e poeta. Fundador do Grupo Pesquisa e um dos fundadores da Televisão
Educativa do Ceará (Hoje TVC) e da Rádio Universitária. Roteirista de
cinema e TV. Ex-Vice-Presidente da Federação Estadual de Teatro. Criador
do Museu Cearense de Teatro e Organizador do Museu dos Teatros de Estudantes
do Brasil, criado por Paschoal Carlos Magno. Formulador da teoria e do
método do Teatro Radical Brasileiro, objeto de pesquisa de alguns trabalhos
acadêmicos e instrumental e referência dos grupos Pesquisa, Pã e Pessoas
(Fortaleza) e de Grupos Teatrais do Distrito Federal.
Atualmente conclui mestrado em Comunicação, na Universidade de Brasília,
com projeto de dissertação sobre a obra de Nelson Rodrigues, e dirige
o Centro de Pesquisa em Teatro da Universidade Federal do Ceará, órgão
que reúne acervos bibliográficos e iconográficos, além de banco de textos
dramatúrgico e núcleo de referência midiática sobre Artes Cênicas do Ceará,
no Brasil e no Mundo.

COMO
NASCE UM CABRA DA PESTE (PB)
Sinopse:
Principal vencedor da VI Mostra Estadual de Teatro e
Dança da Paraíba, em 97, Como Nasce um Cabra da
Peste, adaptação da obra etnográfica do
pesquisador Mário Souto Maior, é uma espécie de
comédia antropológica em que a comicidade se coloca a
serviço da construção de um retrato em movimento do
camponês nordestino. Tendo participado de várias
mostras e festivais de teatro pelo Brasil, a Agitada Gang
vem arrebatando com esta montagem prêmios de melhor
espetáculo ( júri oficial e popular ), melhor ator,
atriz, cenário, figurino e sonoplastia.
Elenco:
Dadá Venceslau: Menino, Dona Zefinha, Dona Gerusa
Edilson Alves: Joaquim
Madalena Acioly: Dasdores
Ficha Técnica:
Adaptação de texto: Altimar Pimentel
Direção: Eliézer Filho
Figurinos: Dadá Venceslau e Maurício Germano
Adereços: Dadá Venceslau e Marabá
Plano de luz: Eliézer Filho
Execução: Eloy Pessoa
Contra-regra: Roberto Assunção
Músicas: Genário Dunas, Lis Albuquerque, Quinteto
Armorial, Jackson do Pandeiro
Execução de sonoplastia: André Falcão
Produção executiva: Giovanna Gondim
Realização: Agitada Gang

FOLGAZÕES
E FOLIÕES FOLIÕES E FOLGAZÕES (PE)
Sinopse:
Um espetáculo que muda radicalmente a trajetória
das encenações até então realizadas pela Companhia. A
montagem mistura o trabalho dos atores e a manipulação
de bonecos, máscaras e objetos. Uma trupe mambemba,
vivendo aventuras no reino inesperado. Impedidos de
prosseguir viagem, confrontam-se com a Tristeza Eterna,
que lhes impõe múltiplos desafios sob pena de mergulhar
a todos nos subterrâneos sombrios da tristeza.
Bravamente, a trupe luta para vencer os obstáculos e
reensinar a crianças de todas as idades, o sentido
poético e existencial dos brincantes - fogazões e
foliões - que povoam, com suas artes ofícios, a alma
brasileira. O espetáculo busca rever o sentido do prazer
do brincar, do festejar, do ser folião, do ser
folgazão, como elementos essenciais à fertilidade da
imaginação e da criação.
O Grupo:
Completando vinte e quatro anos de existência, o
Mamulengo Só-Riso marca a cena do teatro de bonecos
brasileiro, pelos seus espetáculos e pela criação, em
Olinda, do Museu do Mamulengo e do Centro de Produção
Cultural Mamulengo Só-Riso, instituição promotora do I
Encontro Internacional de Teatro de Bonecos. Sua
atuação ultrapassa os limites da produção de
espetáculos, estendendo-se ao trabalho de pesquisa, de
museologia de educação e de atuação junto a
comunidade de baixa renda.
Ficha Técnica:
Texto e direção: Fernando Augusto Gonçalves
Confecção de bonecos: Romualdo Freitas, Célia Regina,
Raimundo Balta, Luciano Pontes, Éder Feitosa e Fernando
Augusto Gonçalves
Trilha sonora: trechos selecionados de composições de
Antonio Nóbrega, Antúlio Madureira, Antonio José
Madureira e Chico Science
Atores manipuladores: Andreza Alves, Célia Regina,
Luciano Pontes, Plínio Maciel, Raimundo Balta e Veruska
Ferreira

MALASSOMBRO
AS NOITES E OS DIAS (PE)
Sinopse:
Malassombro é composto de três monólogos
femininos, no qual cada personagem conta a sua tragédia,
seus rituais pela sobrevivência.
A Diretora:
Com um vasto currículo em sua carreira, a atriz,
diretora e produtora Augusta Ferraz e a sua Parcas
Sertanejas vem, desde 1987, produzindo espetáculos
infantis e adultos como Woyzech, de Georg Bücher,
com direção de Moncho Rodrigues; Muito pelo
Contrário, texto de João Falcão; Os Guarani,
500 Anos de Resistência, texto de Racine Santos,
direção de Moncho Rodrigues e que representou o Brasil
em Portugal durante o 7º Congresso do Algarve. Agora
Augusta Ferraz apresenta o solo Malassombro- As Noites
e os Dias, texto do premiado autor Ronaldo Brito e
que vem obtendo os melhores êxitos na sua longa
temporada com apresentações em várias cidade do
nordeste.
Ficha Técnica:
Interpretação, canto e instrumentação musical:
Augusta Ferraz, Adriana Millet, Virgínia Barbosa
Pesquisa e direção musical, criação e execução de
instrumentos musicais e execução de produção:
Virgínia Barbosa
Apoio de pesquisa musical, execução de instrumentos
musicais, apoio de pesquisa em danças, criação e
execução de programação visual, execução de
produção: Adriana Millet
Encenação, pesquisa de mudrãs indianos, criação de
cenário e figurino, criação e execução de
programação visual, criação e montagem de plano de
luz, administração e execução de produção: Augusta
Ferraz
Releases, assistente de direção e execução de
iluminação: Fátima Braga
Releases e produção executiva na apresentações:
Joélia de Santana
Pintura de painel, apoio de figurino, apoio de
programação visual: Jorge Clésio
Apoio de secretaria de informática, apoio de criação
de logomarcas: Eronildo Januário
Execução de cenário e figurino: as intérpretes e
Jorge Clésio

SONHOS
DE UMA NOITE SÓ ( RN )
Sinopse:
Concebido a partir da obra O Sonho de Uma Noite de
Verão, de William Shakespeare, o espetáculo Sonhos
de Uma Noite Só desenvolve novas técnicas corporais
como a capoeira, acrobacias e a mímica corporal
dramática com o objetivo de fortalecer ainda mais a
linha de trabalho desenvolvido pelo grupo, procurando
identificar os elementos que fizeram do dramaturgo
britânico um autor tão popular.
O Grupo:
Fundado em 1993, o Grupo de Teatro Clowns de
Shakespeare vem realizando um trabalho voltado para o
resgate dos elementos universais da obra de William
Shakespeare, inserindo-a na realidade contemporânea. De
lá pra cá, foram realizadas três montagens de grande
porte e agora experimentam a primeira produção para
teatro de rua.
Elenco:
Guga Wanderley: Francisco Flauta, Flor de Ervilha
Henrique Fontes: Nick Novelo
Renata Kaiser: Pedro Marmelo, Grão Mostarda
Val Dias: Puck
Vini Fernandes: Tomás Trombudo, Falena
Ficha Técnica:
Direção: Fernando Yamamoto
Cenário e figurinos: João Marcelino
Iluminação: Ronaldo Costa
Produção: Luciana Lima
Preparação corporal e vocal: Henrique Fontes

SENHOR
DOS LABIRINTOS (SE)
Sinopse:
O espetáculo é inspirado na genialidade de um
sergipano, que viveu cerca de 50 anos na Colônia Juliano
Moreira, no Rio de Janeiro. De acordo com os boletins
hospitalares, Arthur Bispo do Rosário era um
esquizofrênico - paranóico, fato que o levou a ser
internado. Ele não tinha tempo para aqueles que não o
reconheciam como filho de Deus. E assim foi desafiando os
uniformes azuis da Colônia e os lençóis azuis, e com
sucatas, papelão e tecidos, começou a reconstruir o
mundo: Tudo aquilo que deveria representar a Terra, para
apresentar ao seu pai no dia do Juízo Final. As vozes
que ouvia pediram que tecesse um manto para usar no dia
da passagem. Assim Bispo construiu o seu universo dentro
de um quarto, no seu silêncio, na sua reclusão e seu
imaginário, presente na construção de tudo que deveria
representar o mundo, trás as pegadas de um caminho que
nos leva a sua cidade Japaratuba, onde a batalha das
cabacinhas, no dia 6 de janeiro, dia de Reis, faz
explodir o universo mágico dos grupos folclóricos,
herança da colonização, porém com raízes na idade
medieval. Assim desfilam, conduzindo uma indumentária
rica em cores, fitas e estandartes: a chegança, o
reisado, o guerreiro, o cacumbi, o maracatu e o
candomblé, que saem de dentro da Igreja Matriz Nossa
Senhora da Saúde e vão brincar na Praça ao som de seus
instrumentos de percussão. O Imbuaça com sua linha de
trabalho nos elementos que compõem a Cultura Popular,
não podia deixar jamais, de homenagear um gênio
sergipano, hoje reconhecido como um dos maiores artistas
contemporâneos do Brasil.
O Grupo:
Fundado em 28 de agosto de 1977. O Grupo Imbuaça
(nome que homenageia um artista popular, o embolador
Mané Imbuaça) é fruto de uma série de oficinas
realizadas em Aracaju, principalmente a de Benvindo
Sequeira que ministrou a oficina de Teatro de Rua,
baseada na sua experiência no Teatro Livre da Bahia. O
primeiro espetáculo do Imbuaça foi composto por dois
textos da Literatura de Cordel, adaptados por um dos seus
fundadores, Antônio Amaral e era intercalados por
músicas do cancioneiro popular. Com a entrada do ator
Mariano Antônio Ferreira, o espetáculo adquiriu nova
feição: incorporou as danças e músicas do folclore
sergipano. A Literatura de Cordel sempre elemento
fundamental para a construção da dramaturgia.
Elenco:
Isabel Santos Neves: Médico, Bastiana
Lindolfo Amaral: Capitão, Cadáver/Frade, Arranca-olho
Lizete Feitosa: Policial, Imediato, Enfermeiro, Nossa
Senhora da Saúde
Moisés Mota: Anjo
Rivaldino Santos: Bispo do Rosário
Valdice Teles: Policial, Calixto
Tetê Nahas: Timoneiro, Rosa dos Anjos
Ficha Técnica:
Direção geral: João Marcelino
Dramaturgia: Maurício Arruda Mendonça
Trilha original e direção musical: Danilo Guanais
Cenário: Grupo Imbuaça e João Marcelino
Figurinos e adereços: João Marcelino
Iluminação: Denis Leão
Preparação de atores: Cacá Carvalho e Sávio Araújo
Cenotécnico: Valdemar Nunes
Assistência de cenotécnico: Antônio Santos
Fotos: Marcel Nauer
Operador de som: Antônio Santos
Produção gráfica: Léo A. Mittaraquis
Costureira: Maurelina Santos
Bordadeira: Antônio da Paixão
Secretária: Christiana Nascimento
Office boy: Cleverton Caetano
Ferreiros: Tonho Santos e Rosivam Carvalho
Produção geral: Grupo Imbuaça

DANÇA
FARPAS E
LÂMINAS DE UM CORPO VISÍVEL (BA)
O Espetáculo:
Utilizando a linguagem da dança, Farpas e
Lâminas de Um Corpo Visível é considerável por
Perene como um desafio coreográfico. "A minha
idéia é exibir uma coreografia onde o corpo atue
livremente com todas as suas pluralidades. Com isso
pretendo proporcionar ao espectador sensações densas
que o faça cortar a couraça que exibe em torno de
si", conta. Na busca desse objetivo, diversos
elementos das tendências contemporâneas da dança, como
dança-teatro, teatro físico e dança experimental
estão aliados ao impacto e improvisação
característicos do Contact Improvisation, em Farpas e
Lâminas de um Corpo Visível.
Em cada movimento, os bailarinos valorizam o peso dos
corpos e o som de suas quedas. A suavidade, na maioria
das vezes procurada pela dança, em Farpas e Lâminas de
um Corpo Visível é deixada de lado, já que Perene
deseja entrar em contos obscuros para achar algumas
saídas e revelações para os medos e dores que povoam a
mente e a alma humanas. "O espetáculo busca tocar
um aspecto do nosso ser muitas vezes desconhecido de
nós, e isso é um impacto, que chega a ser brutal",
explica Perene. Um dos momentos mais fortes do
espetáculo são depoimentos em off de pessoas que
passaram por grandes traumas e desilusões em suas vidas.
O cenário é todo feito em cima de jogos de luz, que
ocupam os espaços do palco, criando um ambiente cênico
próximo ao conceito de real para o espectador. A trilha
sonora, pesquisada pôr Perene, apresenta músicas
contemporâneas européias e canções de tribos nômades
do mundo árabe. Apesar de ser essencialmente gestual, as
palavras também fazem parte e serão apresentadas ao
público através de depoimentos de pessoas que são
ditos pelos atores, entrecortando os movimentos que
constróem a coreografia. "Elas são ditos com toda
crueza que caracteriza os temas escolhidos, como aborto,
traumas de infância ou desolamento", justifica
Perene.
O Coreógrafo:
João Perene, ator, bailarino, coreógrafo teve a
oportunidade de adquirir conhecimentos da dança e do
teatro ao qual está em atividade em ambas as áreas.
A partir dos estudos adquiridos com a técnica do
Kathakaly em 1992, por meio do Ballet da Índia em turnê
nacional, sua sintonia estética contemporânea se
aguçou por influências de grupos como: Endança, Lá,
lá, lá Human Steps, ente outros. Com uma formação
clássica, a necessidade da investigação contemporânea
se fez primordial. Em 1994, nos EUA conhece a técnica de
Isadora Duncan, através de Lori Belilove, na Isadora
Duncan fundation for Contemporany Dance, onde veio mais
tarde dar prosseguimento na Escola Contemporânea de
Ballet da Bahia. Estudou a dança contemporânea em seus
diversos estilos, com a técnica de Susan Klein, através
da Cia de Dança Chameckilerner, Improvisation Dance
Development. Prossegue seus estudos, tendo conhecimento
da composição coreográfica com Dududc Herrmen, Luiz
Mendonça e Rainer Viana. Adquire experiência do Contact
Improvisation com profissionais como David Ianitelli,
João Fiadeiro e Rui Horta.
No teatro, tem a oportunidade de trabalhar com diretores
expressivos como Fernando Guerreiro, Carmen Paternostro,
José Possi Neto, João Falcão, entre outros. Entre seus
trabalhos mais significativos estão Sinfonia de
Salvador, O Vazio, Epílogo de uma Ilusão
Como uma Bolha de Sabão, Vozes da Cidade, Meus
Olhos Já Buscam Cores que Não São as Tuas, Casa
de Eros e A Ver Estrelas.
Elenco:
João Perene
Dennys Neves
Ficha Técnica:
Direção: João Perene
Coreografia: João Perene, com participação: Dennys
Neves
Assistente de coreografia: Ana Paula Bouzas
Projeto de iluminação: Fernanda Mascarenhas
Trilha sonora: João Perene
Cenário e figurino: João Perene e Dennys Neves
Projeto gráfico: Adriana Hitomi
Fotos: Ana Bárbara Vieira
Orientação e confecção de figurino: Dora Moreira
Confecção de cenário: Paula Batistela (Nietch)
Operação de luz: Fernanda Mascarenhas eWashington C.
Prado
Assossoria de imprensa: Almanak Comunicação
Fotos: Sora Maia
Produtores: Valdir Archanjo, Ubirajara Sad Saide e
Giselle Said
Realização: Asa Produções Culturais

SAGRAÇÃO
DA VIDA TODA (BA)
O Espetáculo:
A Sagração da Vida Toda é baseada no tema
Sagração da Primavera, música composta por Igor
Stravinski em 1912 para o Balé Russo de Sergei
Diaghilev, com coreografia de Nijinski. Sagração fala
do mito original da criação da força sagrada que deve
negar para afirmar, ou seja, do velho que dá origem ao
novo para assim existir a continuidade. Para construirmos
a nossa Sagração da Vida Toda, pesquisamos
diferentes linguagens cênicas e de movimento: nossas
celebrações de dor e prazer, do sagrado ao profano, que
culminam nos processos de carnavalização das nossas
manifestações mais populares. A Sagração da Vida
Toda é a celebração da criação, da vida, daquilo
que vivenciamos através da leitura do nosso espaço e o
nosso tempo, nos apropriando, desconstruindo o gestual
soteropolitano de todo dia.
A Coreógrafa:
Cristina Castro é bailarina, coreógrafa e
professora formada pela Universidade da Bahia. Sua
formação técnica inclui cursos de dança moderna,
teatro e técnica clássica, tendo como principal mestre
Carlos Moraes.
Como bailarina profissional atuou com o Grupo Viravolta,
sob a direção de Lia Robato, e, de 1984 a 1996 na
Companhia de Balé do Teatro Castro Alves, onde trabalhou
entre outros, com os coreógrafos Luis Arrieta, Oscar
Arraiz, Vitor Navarro, Guilherme Botelho. Tendo se
apresentado em diversas capitais brasileiras e também no
exterior (Suíça, Itália, Alemanha, Israel, Portugal,
Tchecoslováquia, Argentina e Estados Unidos).
Em 1989 iniciou sua carreira como coreógrafa no Concurso
de Coreografia da UFBA, obtendo 1º lugar com o trabalho Além
do Muro. Em 1996, foi convidada para ser a
coreógrafa da Companhia de Balé do Teatro Castro Alves,
criando o espetáculo 200 e Poucos Mega Bytes de
Memória. Ainda neste ano começou a desenvolver
coreografias para os espetáculos do diretor Márcio
Meireles. Em 1998 funda a Cia. de Dança do Teatro Vila
Velha - o Viladança.
Elenco:
Antrife Sanches
Eduardo Pinheiro
Jairson Bispo
Ísis Carla
Izabel Ferreira
Líria Morais
Roberto Montenegro
Sérgio Dias
Silvio Costa
Maitê Soares
Ficha Técnica:
Direção e coreografia: Cristina Castro
Assistente de direção: Antrifo Sanches
Assistente de coreografia: Roberto Montenegro
Preparação em técnica de perna-de-pau: Gordo Neto e
Lúcio Tranchesi
Preparação em técnica de rapell: Gordo Neto
Preparação em técnica de dança moderna: Antrifo
Sanches
Preparação em capoeira: Romeu Rezende
Direção de palco: Danilo Bracchi
Assistente de produção: Daniel Lino
Fotos: Vera Milliotti
Produção: MediArte Marketing e Comunicação
Música: Rui Júnior, Ivan Bastos, Arnaldo Antunes,
Lourimbau, Lívio Trangtenberg e Mickey Hart
Versão voz e berimbau: Sandra Simões e Lourimbau
Projeto de iluminação: Henrique Santos
Cenário e figurino: Márcio Meireles e Cristina Castro

BICHO
TERRA - PELEJA E FOLIA (MA)
O Grupo:
A companhia Barrica é formada por um grupo de
artistas que revigora e evidencia a tradição dos
folguedos e festas populares no Maranhão. Seus
espetáculos acontecem em ruas, praças e palcos, com uma
produção artística que inclui CDs, livros, vídeos e
shows em diversos cantos do mundo como Estados Unidos,
França, Argentina, Coréia, Grécia, Alemanha, Canadá e
Portugal.

ALVARÁ
(PB)
O Espetáculo:
Através de dois prisioneiros somos levados a sentir
as privações pelas quais os seres humanos podem passar,
onde centraliza-se a perspectiva cênica na limitação
espacial, moral e espiritual que uma prisão representa.
O Grupo:
A Mah Cia. de Dança surgiu em 1995, criada pelos
bailarinos Romero Motta, Almir Almeida e Admilson Maia.
Neste mesmo ano, participou da IV Mostra de Teatro e
Dança da Paraíba, na qual ganhou os prêmios de melhor
espetáculo, iluminação, trilha sonora, bailarino
(Romero Motta), direção (Romero, Almir e Admilson) e
bailarino revelação (Admilson Maia) pelo espetáculo Desejos.
Já em 1997, durante o Fenart, Festival Nacional de
Artes, foi agraciada com o prêmio Funesc de Dança e o
prêmio de Revelação Masculina em Dança. Em 1998, na
VI Mostra Estadual de Teatro e Dança, com o espetáculo Alvará,
recebeu os prêmios de melhor bailarino (Romero Motta),
trilha sonora, cenografia, iluminação, direção,
espetáculo de dança e coreografia. Com o mesmo
espetáculo, no ano seguinte, obteve no IV Fenart os
prêmios de melhor bailarino (Admilson Maia),
iluminação, espetáculo e cenografia. Além das
temporadas normais na cidade de Campina Grande e em
outros estados brasileiros, a Mah Cia. De Dança já
participou do Festival de Teatro e Dança da Paraíba,
Fenart - Festival Nacional de Artes, João Pessoa,
Festival de Inverno de Campina Grande, Festinart (Natal),
Festival de Dança do Recife, Via Bahia - Mostra de Artes
Cênicas (a convite da Rede Brasil), Projeto Circulando a
Cultura pelo Brasil (a convite da Rede Brasil) do SESC
Ipiranga (SP) e Mundão (a convite do SESC Santo Amaro).
Elenco:
Admilson Maia
Romero Motta
Ficha Técnica:
Coreografia e direção: Admilson Maia e Romero Mota
Figurino: Antonio Nunes
Cenografia: Antonio Nunes, Admilson Maia e Romero Motta
Plano de luz: Jorge Luis
Operação de luz: Sérgio Adriano

DESEJOS
(PB)
O
Espetáculo:
O amor é mostrado em todas as suas formas inclusive as que existem
à margem do aceitável socialmente, na complexidade que todo relacionamento
desencadeia, numa mistura de emoção e sentimento.
O Grupo:
A Mah Cia. de Dança surgiu em 1995, criada pelos bailarinos Romero
Motta, Almir Almeida e Admilson Maia. Neste mesmo ano, participou da IV
Mostra de Teatro e Dança da Paraíba, na qual ganhou os prêmios de melhor
espetáculo, iluminação, trilha sonora, bailarino (Romero Motta), direção
(Romero, Almir e Admilson) e bailarino revelação (Admilson Maia) pelo
espetáculo Desejos. Já em 1997, durante o Fenart, Festival Nacional
de Artes, foi agraciada com o prêmio Funesc de Dança e o prêmio de Revelação
Masculina em Dança. Em 1998, na VI Mostra Estadual de Teatro e Dança,
com o espetáculo Alvará, recebeu os prêmios de melhor bailarino
(Romero Motta), trilha sonora, cenografia, iluminação, direção, espetáculo
de dança e coreografia. Com o mesmo espetáculo, no ano seguinte, obteve
no IV Fenart os prêmios de melhor bailarino (Admilson Maia), iluminação,
espetáculo e cenografia. Além das temporadas normais na cidade de Campina
Grande e em outros estados brasileiros, a Mah Cia. De Dança já participou
do Festival de Teatro e Dança da Paraíba, Fenart - Festival Nacional de
Artes, João Pessoa, Festival de Inverno de Campina Grande, Festinart (Natal),
Festival de Dança do Recife, Via Bahia - Mostra de Artes Cênicas (a convite
da Rede Brasil), Projeto Circulando a Cultura pelo Brasil (a convite da
Rede Brasil) do SESC Ipiranga (SP) e Mundão (a convite do SESC Santo Amaro).
Elenco:
Admilson Maia
Romero Motta
Ficha Técnica:
Direção e coreografia: Admilson Maia e Romero Motta
Figurinos: Admilson Maia e Romero Motta
Plano de luz: Napoleão Gutemberg
Operação de luz: Sérgio Adriano

A
DEMANDA DO GRAAL DANÇADO (PE)
O
Grupo:
Criado pelo escritor Ariano Suassuna e pela coreógrafa e bailarina
Paula Costa Rêgo, o Grupo Grial de Dança tem como objetivo a pesquisa
de uma linguagem de dança contemporânea baseada no universo da dança popular
brasileira e que, ao mesmo tempo, possa unir a essa linguagem, o teatro
e a música.
O Espetáculo:
O título do espetáculo alude ao fato de que nele acontece uma Demanda;
uma busca; a procura de um dos caminhos possíveis para a dança brasileira
e que nele foi tentado pela fusão da linguagem contemporânea com a popular.
Elenco:
Jaflis Nascimento
Maria Imaculada Salustiano
Maria Paula Costa Rêgo
Pedrinho Salustiano
Sandra Rino
Valéria Medeiros
Ficha Técnica:
Concepção de roteiro: Ariano Suassuna
Coreografia: Maria Paula Costa Rêgo
Direção de arte e cenografia: Dantas Suassuna
Iluminação: Carlos Carvalho
Figurino: Dantas Suassuna, Márcia Lima e Clesinho Santos
Música: Villa Lobos, Beethoven, Zoca Madureira, Antonio Nóbrega e Mestre
Salustiano
Músicos: Mestre Salustiano, Welinton Salustiano, Gutemberg e Valber
Técnicos: Dantas Suassuna, Mônica Barroso e Mário Almeida

TAO
(PE)
O Espetáculo:
O Tao, conceito bastante difundido no pensamento oriental, é relativo
à idéia de Deus para nós ocidentais. No ideograma chinês é representado
pelos conceitos: "Cabeça" e "Caminhar", isto é, caminhar
com consciência. A idéia desenvolvida na composição coreográfica se estrutura
a partir da representação gráfica do Tao Um círculo formado
por duas espirais concêntricas, em preto e branco, cada uma possuindo
em si o princípio da espiral oposta. Transpondo essas imagens para o movimento,
a coreografia se desenvolve num caminhar, traçando percursos em arabescos
que progridem sucessivamente para o gestual da dança.
A peça coreográfica discute ainda a questão dos opostos, traduzida para
esta linguagem através das ações contrastantes de saltar/cair, equilibrar/desequilibrar,
mover/parar, expandir/contrair etc. A concepção de um mundo polarizado
compreendida pela cultura, antiga e sábia, dos povos do oriente usa deste
artifício para indicar o caminho do meio, onde a oposição cessa de existir
e as diferenças não são sinônimos de conflito mas sim de mobilidade e
tensão entre os fenômenos.
O Coreógrafo:
Henrique Schuller nasceu em Recife, em 1961. Iniciou seus estudos
em dança e artes cênicas em São Paulo, onde viveu de 1980 a 1986. Durante
esse período, estudou com profissionais de renome como Ivaldo Bertazzo,
Suzana Iamamuschi e Paulo Yutaka, participou do grupo experimental do
Balé Stagium e freqüentou o Curso de Formação do Ator no Teatro-Escola
Macunaíma, dirigido por Sílvio Zilber e Míram Muniz.
Em 1987 transferiu-se para o Rio de Janeiro onde ingressou no Curso de
Formação em Dança Contemporânea do Centro de Estudos do Movimento e Artes,
Escola Angel Vianna. Através desse curso reuniu alunos de várias turmas
para montar a coreografia Tao, apresentada pela primeira vez em
1988 no Teatro Villa-Lobos. Nesse mesmo ano passou a integrar a Companhia
Atores Bailarinos do Rio de Janeiro, comandada pela coreógrafa Regina
Miranda, onde permaneceu por oito anos e participou de todos os espetáculos
produzidos nesse período.
Em 1988, sem abandonar sua participação na Companhia Atores Bailarinos,
esteve em Paris (França), durante cinco meses, estudando dança contemporânea
com Cecília Bom e técnicas de balé clássico e danças orientais com Laura
Proença, ex-primeira bailarina do Ballet du XX Siécle, de Maurice Béjart.
Paralelamente ao trabalho com Regina Miranda, fundou a Companhia Tabula
Tosa em 1990, montou os espetáculos Tabula Rosa e Geometria
das Intensidades e formou um repertório de mais de 15 peças coreográficas,
todas assinadas por ele. Ainda em 1990 foi premiado na VII Mostra de Novos
Coreógrafos do Rio, promovida pela RioArte.
Em 1992 criou, em parceria com Regina Miranda, a coreografia Imagens
de Nova Friburgo que foi apresentada na Bienal de Música Contemporânea
realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Em novembro de 1994 esteve na Saitama Dance Festival (Tóquio-Japão) onde
defendeu o papel-título da coreografia Moosbrugger Dances, de Regina
Miranda, que conquistou o prêmio de originalidade. No mesmo mês participou
como coreógrafo e bailarino do Encontro Latino Americano.
No final de 1994 retornou ao Recife para difundir os conhecimentos adquiridos
nos 14 anos em que morou no eixo Rio-São Paulo. Ministrou cursos nas academias
Studio de Danças, Espaço Ária e Mônica Japiassu e participou como professor
do V Festival de Inverno de Garanhuns (1995) e do Verão no Campus 96,
promovido pela Universidade Federal de Pernambuco.
Em agosto de 1995 atuou como bailarino e coreógrafo no vídeo Elas Sós
Lembram Raízes para a exposição multimídia Viúvas da Seca.
Um mês depois foi convidado pela Companhia Cais do Corpo para, com o solo
Tao, abrir o espetáculo Imagens. A participação rendeu um
convite para o Festival Janeiro de Grandes Espetáculos, promovido pela
Fundação de Cultura Cidade do Recife no Teatro do Parque, em janeiro de
1996.
Em 1996, o solo Tao foi apresentado no VI Festival de Inverno de
Garanhuns (julho) e também no projeto Estação Dançar, da Fundação de Cultura
Cidade do Recife, realizado ao ar livre na Rua do Bom Jesus no tradicional
Bairro do Recife. Nesse mesmo ano Henrique assinou o roteiro, a direção,
coreografia e a interpretação da aula-espetáculo Nijinski O
Ídolo Quebrado, apresentado na capela do Hospital Ulisses Pernambucano,
e também a direção de movimento do espetáculo Autos Cabralinos,
que reunia dois autos de João Cabral de Melo Neto (Auto do Frade
e Morte e Vida Severina), numa montagem do encenador Antônio Cadengue
para a Companhia Teatro de Seraphin que ficou em cartaz no Teatro Barreto
Júnior.
Em janeiro de 1997, Nijinski O Ídolo Quebrado foi uma das
atrações do Festival Janeiro de Grandes Espetáculos, apresentado no Teatro
Apolo e no Teatro do Parque. Em maio, o espetáculo participou da primeira
edição do Festival de Teatro da Universidade Católica de Pernambuco, no
qual obteve os prêmios de melhor espetáculo e melhor ator.
No mesmo ano, o solo Tao participou da mostra competitiva de dança
do II Festival Nacional de Arte de João Pessoa (PB), onde conquistou os
prêmios de melhor espetáculo de dança (júri oficial e júri popular), melhor
coreografia, melhor bailarino, melhor figurino e melhor trilha sonora.
Tao voltou aos palcos de Recife, em julho, como atração do II Festival
Nacional de Dança do Recife e foi apresentado também no Festival Nacional
de Teatro de São José do Rio Preto (SP).
Em setembro de 1997, Henrique conquistou a Virtuose Bolsa Cultura concedida
pelo Ministério da Cultura e mudou-se para os Estados Unidos onde estudou
no Laban/Bartenieff Institute of Movement Studies, Nova York. Voltou para
Recife em junho de 1998 e montou uma nova coreografia, Quinesfera,
que estreou em setembro do mesmo ano, em João Pessoa, a convite do Núcleo
de Teatro Universitário da UFPB e para a abertura do IV Festival Nacional
de Arte de João Pessoa.
Ficha Técnica:
Direção, coreografia e interpretação: Henrique Schuller
Iluminação: Afonso Tostes e Betuca
Figurino: Ana Paula Guinle
Músicas: Kongerei (Throat Singers of Tuva) e Tabula Rasa (Arvo Part)

ZAMBO
(PE)
O
Espetáculo:
Zambo tem como inspiração o movimento pernambucano manguebeat
para a composição de todos seus elementos: coreografia, música, cenário
e figurino. O roteiro musical reflete a mistura sonora do movimento, unindo
jingles e caboclinhos, música eletrônica e percussão ao vivo, levando
para o palco o cotidiano das cidades e do manguezal com uma linguagem
universal. A gramática da dança contemporânea construída para esta coreografia
é baseada em expressões, gestos e estética popular.
O Grupo:
O Grupo Experimental, cuja base encontra-se vinculada à pesquisa e
desenvolvimento de novas linguagens para a dança moderna e contemporânea,
foi fundado em 1993. É formado por seis bailarinos profissionais que aliaram
suas experiências diante à dança contemporânea. Dentre esses anos, o grupo
realizou o Encontro Pernambucano de Dança do Recife, as quatro edições
do Festival Nacional de Dança do Recife em conjunto com outros grupos
pernambucanos, além de ter recebido premiações como melhor solo
(Zambo) no Festival de Dança do Rio de Janeiro, promovido
pelo Centro Brasileiro da Dança, prêmio estímulo pela Funarte e indicação
ao prêmio Mambembe, também pela Funarte.
Elenco:
Ana Emília Freire
Mônica Lira
Renata Graziella
Ivan Dantas
Gustavo Oliveira
Erick Silva
Ficha Técnica:
Direção: Mônica Lira
Coreografia: Mônica Lira e Sonaly Macedo
Músicos: Gilson Santana e Tarcísio
Iluminação e sonoplastia: Beto Trindade
Contra-regra: Eduardo Autran
Direção de arte e produção: Vera Freire

ZAMBO
SOLO (PE)
O Espetáculo:
Já não falo por definições. Não é necessário. Não existem vínculos
absolutos agora A idéia pode ser apenas uma reação expontânea que a mente
impulsiona. E daí. Imagens se forma. Não defino nada mas registro alguns
fatos. Recife, anos 90. Experimentamos possibilidades. Fazemos adaptações,
propostas - passado x presente x futuro - e a mente na imensidão. Mas
afirmo que há silêncio e ruído em proporções exatas e cada um é feito
por si. E eu, me mantenho presa por vontade ao espaço sólido que ocupo.
Zambo apenas acontece, faz parte do movimento.
A Coreógrafa:
Sonaly Macêdo acumula em seu currículo aulas e cursos de especialização
em ballet clássico com Eduardo Freire, Sasha Svetloff, Fátima Victor,
Marcelo Pereira e Luiz Roberto; em jazz com Roberto Espíndola, Vilma Vernon
e Pedro Costa; em barro-solo com Luiz Roberto; em dança moderna/contemporânea
com Luiz Roberto, Marcelo Pereira, Suyenne Simões, Susan Eldridge, Veta
Gouler, Mirian Druwe, Sérgio Rocha, Jorge Garcia e Henrique Rodovalho.
Já ministrou cursos e oficinas em João Pessoa, Natal e Caruaru.
Com o solo Zambo, recebeu os prêmios de melhor solo contemporâneo
e melhor intérprete de contemporâneo no XIII Festival Nacional e II Encontro
Internacional de Ballet e Coreografia, promovidos pelo Conselho Brasileiro
da Dança, em 1998.
Ficha Técnica:
Coreografia: Sonaly Macêdo e Mônica Lira
Concepção: Sonaly Macêdo e Jorge Dü Peixe
Música: Jorge Dü Peixe e Nação Zumbi
Intérprete: Sonaly Macêdo
Percussão: Sérgio Rocha
Ruídos: DJ Dolores
Figurinos: Período Fértil
Fotografia: Fred Jordão (Imago)
Programação visual: Sonaly Macêdo

DANÇA
DO CALANGO (PI)
O Espetáculo:
A Dança do Calango é uma alegoria ao
homem-calango, o sertanejo e a sua resistência e grande
capacidade de sobreviver num meio tão inóspito. O
espetáculo foi concebido à partir de coreografias
contemporâneas no estilo world art, onde o homem
nordestino pode ser percebido sob a perspectiva de um
olhar lúdico, onírico, como uma fábula.
O Grupo:
Criado pelo Prefeitura de Teresina em 1997, o Balé
Folclórico de Teresina tem alcançado enorme sucesso de
público e de crítica, conquistando prêmios
internacionais de melhor grupo folclórico e melhor
coreografia. Em tão pouco tempo de existência, já se
apresentou para mais de 90 mil pessoas. O Balé
Folclórico de Teresina tem duas montagens em seu
currículo, sendo que A Dança do Calango foi seu
espetáculo de estréia.
Elenco:
Aline Mendes
Antônia Luciana
Cléa Raquel
Cleide Fernanda
Cléo Gleydson
Edson Marcelo
Francisca Soares
Hildegarda Sampaio
Irene Gomes
Jairo Gonçalves
João Paulo Melo
Joelson
José Alves Filho
Márcia Kiara
Samara Rocha
Waldemar Santos
Ficha Técnica:
Pesquisa, concepção e coreografia: Luzia Amélia
Figurinos: Luzia Amélia e Silvana Oliveira
Confecção de figurinos: Erimar
Cenário e sonoplastia: Luzia Amélia
Confecção de cenário: Zezé
Voz em off: Francisca Marques
Consultoria e textos: Jone Clay
Fotografia: Maurício Sipaúba
Direção geral: Luzia Amélia

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