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Esta seção bem que poderia se chamar "Você sabia...?", pois são inúmeras as curiosidades que cercam a história de nossa madeira. Muito bem, prepare seu espírito fofoqueiro e vamos bisbilhotar um pouco a vida da velha senhora Caesalpinia.
Na Holanda do século XVI, a população carcerária não devia querer ouvir falar em pau-brasil. Sabe por quê? Lá, as toras eram reduzidas a pequenos fragmentos e raspas pelos presos nas casas de detenção e, nesse estado, entregues às tinturarias.
Pau-brasil: um nome em cada porto: A respeito de sua vasta lista de nomes, vale lembrar que o pau-brasil original mesmo, o legítimo, existe em uma única espécie no Brasil. O também famoso sapam, de origem indiana, apesar de muito parecido com o pau-brasil, é um gênero de uma família diferente da Caesalpinia. Portanto chamar um sapam de pau-brasil ou vice-versa constitui-se em uma tremenda gafe botânica!
O famoso naturalista Von Martius em sua "Viagem pelo Brasil" escreveu: "Numerosas como sejam essas plantas na América (as leguminosas) entretanto só raras vezes o olhar se depara com elas em conjunto, pois não são sociáveis e crescem separadas no meio de outras. Será erro crer que no Brasil se possam encontrar matas inteiras do nobre pau de tinturaria (...) Ele cresce isolado entre os mais diversos vizinhos na mata virgem".
Especialistas em química e em medicina da Universidade Federal de Pernambuco estão realizando experimentos com o princípio ativo extraído do pau-brasil a fim de investigarem sua ação anti-neoplásica, ou seja, sua eficiência no combate a certos tipos de tumor. Em algumas aplicações em ratos, a substância conseguiu propiciar a inibição do tumor em até 87%.
Pau pra toda obra:
MPB: Música do pau-brasil
Vejamos agora um exemplo de absoluta falta de consciência ecológica. Nem tudo o que é bom pra Metrópole...
O pau-brasil é coisa nossa!
Je taime, pau-brasil
O pau-brasil e a pena de morte!
Em busca do tempo perdido
Coisas do arco da velha!
Durante excursão que realizou pela "costa do pau-brasil", em 1981, o botânico Prof. Francismar Francisco Alves Aguiar encontrou vários povoados com o nome de Pau-brasil.
A 100 km de Vitória (Espírito Santo) está localizado um dos povoados brasileiros com o nome de Pau-brasil. Ironicamente, lá a madeira está extinta, ficando o lugarejo localizado justamente em meio a uma espessa floresta de eucaliptos.
"Eu mesmo nunca vi pau-brasil, nem sei pra que serve." e "A professora nunca me falou dele." são frases recolhidas entre os habitantes de Pau-brasil (ES), no início da década de 80.
O viajante Saint-Hilaire, no século XIX, assim descreveu o desmatamento de que foi testemunha no mesmo local em que hoje se situa o miserável povoado de Pau-brasil : "Na época de minha viagem (1816 a 1822), já tinham vindo arrancar as raízes, depois de haver cortado todas as árvores."
Na opinião do professor João Vasconcelos Sobrinho, a intensa e contínua exploração do pau-brasil pelos portugueses, associada à dos franceses, holandeses, ingleses e espanhóis, no período de 1500 a 1875, possivelmente tenha sido a causa do processo de desertificação do Nordeste.
Apesar da quase certeza da extinção do pau-brasil, em 1928, o então estudante de agronomia João Vasconcelos Sobrinho e o professor de botânica Bento Pickel, num local chamado Engenho São Bento, hoje sede da Estação Ecológica da Tapacurá da Universidade Federal Rural de Pernambuco, verificaram a presença de uma árvore de pau-brasil, eliminando qualquer dúvida sobre a sua extinção ainda em nossas matas.
Não há registros da existência do pau-brasil no sul do país e nem sequer na Amazônia. Não há referência dele nessas regiões nem mesmo pelos índios que as habitavam.
Os naturalistas Piso e Marcgravena registraram o pau-brasil com o nome tupi de Ibirapitanga na "História Naturalis Brasiliae", em 1649. Dele também se ocuparam vários cientistas de renome como Velosso, Sprengel e Voguel.
Os historiadores são unânimes em afirmar que o primeiro ciclo da história econômica do Brasil foi o do pau-brasil. "Por este modo se tem feito muitos homens ricos" afirmou o historiador Brandônio. O ciclo do pau-brasil encerrou-se em 1875. Ou seja, foram ao todo 374 anos de exploração predatória.
Botanicamente, só existe uma espécie de pau-brasil, conhecida por Caesalpinia echinata Lam., embora outras espécies de árvores sejam erroneamente chamadas de pau-brasil, simplesmente por apresentar algumas semelhanças com a planta verdadeira. São, assim, os chamados falsos paus-brasil. Dentro da espécie Caesalpinia echinata o que pode ocorrer são variedades ou raças geográficas que apresentam pequenas diferenças morfológicas na forma e na quantidade de acúleos (espinhos) e no tamanho dos folíolos e pinas (parte das folhas). Atualmente algumas pesquisas estão sendo realizadas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, na Ceplac (BA) e na Embrapa (DF) em vistas de esclarecer essas controvérsias.
Pau-brasil: poesia de exportação
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![]() ![]() O que o chefe Seattle está dizendo? Você sabe? | |
Capa do livro "Pau-brasil", de Oswald de Andrade, 1925. (Ilust. "Artes Plásticas na Semana de 22"- autora: Aracy Amaral; Bovespa-1992)
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