meusesc
nome
senha
na programação das unidades no conteúdo editorial   
Ajuda  enviar para um amigo    |    Ajuda    |    Ajuda sugestão de pauta

Indice de artigos
artigo anterior    |  próximo artigo   
Devotos de Corpo e Alma: entre a dança e o ritual
Devotos de Corpo e Alma | Portal SESCSP - REVISTA DIGITAL 23 setembro 2008
Cherrybone
Viviane Madureira, em Calunga

SESC Santana traz expressões da fé na dança popular e erudita em espetáculos, mesa-redonda, bate-papo e lançamento de livro

O projeto Devotos de Corpo e Alma pretende abordar a fé como essência e meio de aproximação do humano e do divino, nas manifestações de danças populares devocionais e também como elemento de inspiração para criação de novas linguagens na dança contemporânea. Para tanto, de 24 a 28 de setembro, o SESC Santana promove um conjunto integrado de atividades, englobando espetáculos, mesa redonda, bate-papo e lançamento de livro.

Os espetáculos exploram os entrelaçamentos entre o popular e o erudito contemporâneo, em um movimento de contínuo retorno às origens do Brasil. A fé é tratada em seu caráter humano (de mistério, contemplação, generosidade, compaixão), além da necessidade de ser ancorada pela religião.

"São experiências diversas, desde a captação da aura de uma festa tradicional, de um gesto, um conjunto expressivo de cores e formas, uma expressão, um olhar, que são traduzidos, relidos, servindo à experimentação, à criação poético-cênico-coreográfica contemporânea", diz Alberto T. Ikeda, etnomusicólogo, professor do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista - UNESP.

Afoxé [veja vídeo ao lado], um dos espetáculos, traz um cortejo de rua, embasado nos cultos religiosos do candomblé, que se apresenta no carnaval, sendo identificado, assim, como "candomblé de rua". Os componentes desfilam e dançam com roupas brancas ou características do culto religioso, ao som de cantos em língua Iorubá e instrumentos diversos de percussão: ilus (atabaques), agogôs, xequerês etc. Após a apresentação, o Prof. Ikeda conduz um bate-papo sobre o trabalho.

Calunga, espetáculo solo da bailarina Viviane Madureira foi criado a partir de toda a simbologia que envolve esta boneca. A coreografia tem um roteiro dividido em treze movimentos, que ritualizam as memórias e o trajeto da bailarina em busca de seu próprio caminho na Arte, um caminho labiríntico e movediço, mas aberto simbolicamente pela boneca-chave: a Calunga. A cenografia e o figurino adotados trafegam entre expressões visuais de Hélio Oiticica, cortejos de maracatu e terreiros de candomblé, desvelando vestes-parangolés, que acoplam cenário e figurino.

Para conhecer outros espetáculos, consulte a programação completa!

o que: Devotos de Corpo e Alma
quando:

24/9 a 28/9, quarta a domingo

onde: SESC Santana | av. Luiz Dumont Vilares, 579 - 2971-8700
atividades:

Consulte a programação completa!





Danças populares: entre o ritual e a apresentação artística

Alberto T. Ikeda (UNESP – S. Paulo)

Nota-se no Brasil, nos últimos anos, um renovado movimento de interesse por expressões das culturas populares de tradição oral e/ou étnicas, principalmente relacionadas a danças, músicas e folguedos. Assim, por todo o País ocorre grande incentivo para a exibição dessas manifestações nas instituições de fomento cultural, que incluem tanto grupos que podemos identificar como popular-tradicional (muitas vezes tratados como folclóricos) quanto grupos de dança contemporânea neles baseados.

O Projeto Devotos de Corpo e Alma sintoniza-se nessa vertente de interesse, e reúne grupos desses dois tipos, que se expressam com danças, músicas e seus elementos cênico-plásticos. Embora em muitos casos, num primeiro momento, possam apresentar semelhanças ou aproximação em seus aspectos expressivos, as duas vertentes tipológicas não se confundem quanto às suas funções sociais e sentidos mais profundos. Os que aqui estão identificados como tradicionais são práticas comunitárias de longa data, heranças dos antepassados, quase sempre preservados como obrigação moral-espiritual dos seus líderes, reunindo pessoas por relações de parentesco, compadrio, vizinhança e amizade de gerações. São folguedos, do tipo cortejo-de-rua, de essência devocional, de fé, destinados principalmente ao cultivo espiritual dos seus participantes. Este é, de fato, o motivo substancial, a lógica maior que explica a permanência de muitas dessas expressões ao longo do tempo, sem que se descuidem, evidentemente, de aspectos estéticos, artísticos. Já os grupos identificados como dança contemporânea, nos casos aqui apresentados, se pautam na representação, tradução ou projeção do popular, e atuam fundamentalmente centrados no interesse estético, voltados para a expressão e exibição artística, destinados a um público. São integrados, na maioria das vezes, por pessoas com formação em dança, música, educação física ou outras. Mas também nesses grupos existem distinções, pois alguns procuram fazer a reprodução musical-visual fiel em relação àqueles tidos como “originais”, enquanto outros fazem trabalho inspirado no tradicional, mas com liberdade para a criação. São experiências diversas, desde a captação da “aura” de uma festa tradicional, de um gesto, um conjunto expressivo de cores e formas, uma expressão, um olhar, que são “traduzidos”, “relidos”, servindo à experimentação, à criação poético-cênico-coreográfica contemporânea, que, em última instância, em tempos de globalização, também buscam revelar o Brasil.

[voltar]