| SESC Pompéia
recebe, a partir de quarta (14) músicos, filósofos e antropólogos
no Encontro Internacional de Antropofagia
Só
a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.
Assim inicia, Oswald de Andrade (1890-1954), o Manifesto
Antropofágico publicado em 1928, marco cultural
brasileiro após a Semana de Arte Moderna de 1922. Para rememorar
o conceito fundamental criado pelo escritor, o Encontro Internacional
de Antropofagia (EIA!), idealizado por Zé Celso Martinez Correa
com curadoria da compositora Beatriz Azevedo, segue até sábado
(17), no SESC Pompéia, e recebe Jorge Mautner, Manuela Carneiro
da Cunha, Suely Rolnik, Pascoal da Conceição, Jean François
Chougnet, Zé Miguel Wisnik entre outros antropófagos. Leia
aqui entrevista com Zé Celso Martinez Corrêa.
Foi na primeira edição
da Revista de Antropofagia, publicação a partir da qual
o movimento antropofágico passou a divulgar suas ações,
que o Manifesto repleto de metáforas e aforismos apareceu pela
primeira vez. E as influências para o surgimento do texto foram
muitas: Karl Marx (1818-1883); Totem e Tabu, de Sigmund Freud (1856-1939);
o escritor surrealista André Breton (1896-1966); o Manifeste
Cannibale escrito por Francis Picabia (1879-1953) em 1920; os filósofos
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) e Michel de Montaigne (1533-1592).
Assim, não é à toa, que durante o EIA!, o conceito
de Antropofagia será abordado sob diversas perspectivas, por antropólogos,
críticos literários, estudiosos das religiões, filósofos,
historiadores, psicanalistas, sociólogos, artistas e intelectuais.
Zé Celso foi o motor da idéia do Encontro.
Em mim ecoou a necessidade de celebrar a figura de Oswald de Andrade e
seu pensamento original sobre o Brasil e o mundo!, diz Beatriz Azevedo.
A
noção de antropofagia surgiu inspirado num quadro recebido
por Oswald de Andrade como presente de Tarsila do Amaral (1886-1973),
em 1928. O Abaporu, que em tupi-guarani significa "antropófago,
ajudou a dar inicio ao Clube de antropofagia, do qual surgiu a Revista
e, conseqüentemente, o Manifesto. O Manifesto Antropófago
é pleno de vitalidade, de conhecimento, de utopia. Exatamente por
isso, nesse momento em que vivemos agora, ele torna-se novamente um manancial,
uma fonte, uma usina, diz Azevedo.
Inspirando-se no modo
de vida de alguns grupos indígenas do Brasil, Oswald de Andrade
valorizou o primitivo e o Matriarcado de Pindorama (Pindorama país
do futuro, cantando por Gilberto Gil em Geléia Geral,
no disco Tropicália) - país utópico, tomado
como modelo para a reorganização da vida social em bases
livres e igualitárias. O estudo das práticas rituais
antropofágicas mostra que, mesmo quando uma tribo guerreia com
outra, há o desejo de incorporar as qualidades do Outro. Idéia
muito diferente das guerras do assim chamado mundo "civilizado",
no qual uma guerra expressa o desejo de aniquilar totalmente o outro.
A vida é devoração, afirma Oswald. A questão
é muito complexa e profunda, acredito que o EIA! vai trazer à
tona muitas reflexões importantes e sobretudo vai desfazer os imensos
preconceitos que cercam a questão, diz.
Além do encontro no SESC Pompéia, o fechamento do EIA! acontecerá
também no SESC Santos, no sábado, com show de Zé
Celso Martinez Correa e Zé Miguel Wisnik.
Navegue pelo site do Encontro e conheça a programação
completa http://www.antropofagia.com.br
O que: Encontro Internacional de Antropofagia
Quando: 14 a 17 de dezembro, a partir das 17h
Onde: SESC Pompéia | rua Clélia, 93 - tel.: 11 3871-7700
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