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Música na Telona é a inspiração para o Cinesábado, no Sesc Vila Mariana

A vida do artista pode ser abordada em sua completude pelo cinema? É naturalmente impossível mesmo para filmes longos, ficcionais ou documentais. Contudo, o cinema pode nos aproximar do contexto social e histórico em que viveram intérpretes e compositores, além de ajudar a discutir pontos importantes da história da música.

Com a exibição dos longa metragens ShinePaganini: O Violinista do DiaboMinha Amada ImortalAmadeus, o enfoque do mês de junho do projeto CineSábado, no Sesc Vila Mariana, aborda as vidas de David Helfgott, Niccolò Paganini, Beethoven e Mozart, respectivamente.

As exibições gratuitas - que acontecem aos sábados, 13h30, no Auditório da unidade - serão antecedidas por bate-papos com o público, conduzidos pelo educador Mayki Fabiani, do Centro de Música do Sesc Vila Mariana, responsável pela curadoria do ciclo. Mayki elaborou um roteiro histórico e social da vida de compositores e intérpretes, discutindo suas relações com a arte, com a sociedade de sua época e com seus sentimentos.

Sobre a contribuição de cada um dos filmes escolhidos para iluminar a obra dos artistas retratados, Mayki comenta que, “é importante lembrar que nenhum dos títulos possui o formato de documentário, portanto todos eles são "romantizados". Nossa mediação irá direcionar o público para aspectos histórico-musicais, e a partir desse enfoque específico podemos aproveitar muito dos filmes.”.

Para iniciar este recorte (dia 4), será exibido o filme Shine. Com direção de Robert Scott Hicks (1996), a obra é um drama que retrata a vida do pianista australiano David Helfgott, interpretado por Geoffrey Rush. No filme, um homem desconhecido chega a um bar em uma noite de muita chuva, logo demonstrando ser extremamente excêntrico e estar totalmente perdido. A dona do estabelecimento o leva para casa e, nesse momento, é descortinado um flashback do desconhecido, que desde criança já dava indícios de ser um brilhante pianista.

Com direção de Bernard Rose (2013), o filme Paganini: O Violinista do Diabo”, exibido no dia 11, se passa no início do século XIX, e retrata a vida de Niccolò Paganini, um virtuoso e polêmico violinista. Sedutor e misterioso, o personagem se envolve em vários escândalos, incluindo os rumores de que, para ter o sucesso que alcançou vendeu sua alma ao diabo. Minha Amada Imortal (dia 25), é do mesmo diretor e transcorre em Viena, no ano de 1827. O compositor Ludwig Von Beethoven, interpretado por Gary Oldman, morre e um grande amigo, Anton Felix Schindler, vivido por Jeroen Krabbé, decide cumprir o último desejo do maestro, que deixava em testamento tudo para a Amada Imortal, sem especificar o nome dessa mulher.

Finalizando a temporada, será exibido Amadeus (dia 2/7), com direção de Milos Forman (1984). Nesta história, Salieri vivido por F. Murray Abrahan confessa, após tentar se suicidar, a um padre que foi o responsável pela morte de Mozart (Tom Hulce) e relata como o conheceu, conviveu e passou a odiá-lo, descrevendo-o como um jovem irreverente que compunha como se sua música tivesse sido abençoada por Deus.

Para assistir às exibições e participar dos bate-papos de mediação, basta retirar seu ingresso na Central de Atendimento do Sesc Vila Mariana, sempre com uma hora de antecedência.


A EOnline conversou com o educador Mayki Fabiani. Confira abaixo seus comentários acerca dos critérios na escolha dos filmes, a importância do cinema para a música erudita, e sua abordagem nas mediações que realizará:

Como se deu a escolha dos filmes para esta edição do Cinesábado? Qual aspecto recebeu maior atenção de sua parte, os músicos e sua representatividade, ou a qualidade cinematográfica dos filmes?
Os filmes foram escolhidos por tratarem especialmente da música de concerto. Faremos uma trajetória histórica retroativa, começaremos com Shine para vermos a busca da perfeição por parte do intérprete. Esse filme é narrado no século XX, ou seja, todo o desenvolvimento técnico e estrutural da música é explorado. Retroagimos para Paganini, compositor que eleva a técnica do violino a níveis incríveis, discutiremos a relação da sociedade com o compositor e por sua vez sua relação com o mundo e sua obra. Também abordaremos o 'místico' que esse compositor suscitou em sua época. Mais ou menos na mesma época, "Minha Amada Imortal" vai nos mostrar a relação do compositor e do que é subjetivo, sua relação com seus sentimentos e a questão do que é ser artista numa sociedade que não reconhecia o fazer artístico. Finalizaremos com "Amadeus" e utilizaremos todas as indagações anteriores para entendermos a vida de Mozart.

Qual a importância do cinema para a divulgação da música erudita, na sua opinião?
O cinema é importante para conseguirmos visualizar (mesmo que em alguns casos minimamente), a estrutura da época no que se diz respeito às relações sociais, à cultura, vestimenta, etc. Não que o cinema consiga dar conta de ser fiel em todos os aspectos, mas acredito que pode ser um início de uma pesquisa mais profunda. Podemos partir do filme Amadeus para a leitura de suas cartas, depois aprofundar com a leitura de "Sociologia de um Gênio" de Norbert Elias. Com isso criamos uma trajetória que vai de um estágio mais lúdico (filme), para leituras mais densas (História, Sociologia).

Quais aspectos dos músicos retratados ou dos filmes você pretende abordar nas falas de mediação que fará, antes das exibições?
Em Shine vamos reconhecer a trajetória do intérprete, como se dá o desenvolvimento técnico e psicológico. Trarei casos recentes e similares ao filme. Em Paganini, vamos discutir a relação do esotérico no marketing pessoal do músico. Estratégia essa utilizada ainda hoje por muitos artistas. A relação de Beethoven com o sentimento, com o pessoal será discutida em “Minha Amada Imortal”. Outra situação importante nesse filme é a relação de trabalho do artista na corte. E, "Amadeus" é nossa apoteose, tudo o que é discutido nos outros filmes está presente nesse filme.

Além dos filmes em exibição, quais outros você indicaria para quem quer conhecer mais sobre a relação entre música e cinema?
"Todas as manhãs do mundo" de 1991 é um excelente filme que mostra as relações entre mestre e discípulo, ou seja, como se dava o aprendizado do instrumento antes de haverem conservatórios. Também aponta para questão de como o músico era um serviçal da corte. Um título mais atual é o "Whiplash - Em busca da perfeição", esse aponta para a opressão indiscriminada de alguns professores de música em relação aos seus alunos. Como forçam todas as relações de ensino para que os alunos sejam virtuoses no instrumento.


PROGRAMAÇÃO:

SHINE | DIA 4/6
Dir.: Robert Scott Hicks. AUS, 1996, 106', Cor | 14 anos
 




PAGANINI: O VIOLINISTA DO DIABO | DIA 11/6
Dir.: Bernard Rose. ALE, 2013, 122', Cor | 16 anos





MINHA AMADA IMORTAL | DIA 25/6
Dir.: Bernard Rose. EUA, 1994, 115', Cor | 14 anos





AMADEUS | DIA 2/7
Dir.: Milos Forman. EUA, 1984, 180', Cor, versão editada | 14 anos




o que: Cinesábado
quando:

Dias 4, 11 e 25/6 e 2/7 | 13h30 mediação, 14h exibição do filme

onde:

Sesc Vila Mariana | Rua Pelotas, 141 | 11 5080-3000

ingressos:

Grátis. Com retirada no dia da atividade, a partir das 12h30, na Central de Atendimento

 

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