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Som, Silêncio, Tambores: Uma Viagem Meditativa

Encontro de Yoga em 2015<br>Foto: Lucas Tannuri
Encontro de Yoga em 2015
Foto: Lucas Tannuri

Meditar ao som de tambores é uma experiência que envolve respiração, sentidos e ritmos. No dia 24 de junho, o Sesc Araraquara traz pela primeira vez a atividade Tambores Flow, uma novidade para a abertura do Encontro Yoga Filosofia e Prática, que tem o objetivo de proporcionar uma oportunidade de aumentar os níveis de consciência e liberdade, estimulando a qualidade de vida.

A vivência será ministrada pela meditadora Mônica Jurado (tambor, condução e voz), acompanhada das musicistas Carla Raiza (violino) e Rebeca Friedmann (violoncelo).

O conceito de Flow, desenvolvido na década de 70 pelo psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi, PhD e professor da Universidade de Chicago para designar as experiências de fluxo na consciência, dá início a uma nova etapa na eficiência nas práticas meditativas com tambores. O flow pode ser explicado nos momentos em que estamos tão envolvidos com determinada atividade, que este engajamento nos faz esquecer de quaisquer necessidades do corpo, como o tempo, a fome, e a fadiga, uma vez que nos proporciona uma experiência excepcional.
Embora seja um dos pioneiros da psicologia positiva e autor de diversos livros, Csikszentmihalyi ainda é muito pouco conhecido no Brasil. Suas pesquisas investigam as condições para o trabalho gratificante e avaliam como utilizar forças pessoais e virtudes para construir organizações positivas. Esta inspiração passou a ser a tônica da proposta dos tambores para meditar: a busca por estados de maior nível de consciência através do fluir.
São muitos os benefícios da prática de meditação com tambores e música: relaxam profundamente, diminuem o estresse, restauram a saúde e bom humor, desencadeiam insights, e favorecem a harmonia emocional e mental, o que mantêm corpo, mente e espírito em total equilíbrio.

A partir deste espaço criado para ampliar conhecimentos e estimular reflexões, a EOnline bateu um papo com a idealizadora do projeto, Mônica Jurado:

EOnline: Afinal, o que é meditar? O que é necessário para atingir o estado meditativo?
Mônica Jurado: Meditar nada mais é do que reencontrar a nós mesmos, retornar à nossa condição natural serena e sábia, e amadurecer nosso autoconhecimento. Os caminhos para isso variam muito, afinal, cada um de nós é absolutamente único, e está em algum ponto muito especifico de sua jornada.
Para meditar, é importante buscar o relaxamento do corpo, mente e emoções, treinar a respiração, foco, presença, coragem, diligência e a busca por um ponto de equilíbrio sem tensões até a obtenção da mente de claridade, a mente de vacuidade e a mente de contemplação.
A terminologia parece complicada, mas nada mais é do que tornar-se um Ser Humano íntegro, em harmonia consigo mesmo e o entorno, ciente de suas forças e deficiências, emocionalmente equilibrado, saudável.
Isso pode parecer grandioso de ser obtido, mas na verdade, partindo do conceito que meditar é apenas um retorno a nossa condição natural, vamos perceber que tudo o que nos coloca aqui/agora intensamente presentes se trata de uma meditação.

EOnline: Existem métodos específicos para meditar? Você daria algum conselho para aqueles que estão começando?
M.J: Podemos resumir os métodos em duas grandes famílias: as meditações em imobilidade, como certas práticas budistas e taoístas e os mantras yoga; e aquelas em movimento, como o caso das danças, artes marciais, das praticas Zen do arco e flecha, cerimônias do chá e ikebana, por exemplo.
Para a escolha da prática mais adequada para cada pessoa vale a regra: ouvir os pedidos de nosso coração e a motivação natural que surge quando estamos na hora certa, fazendo a coisa certa, em meio a pessoas certas. Isso simplifica muito.
O ponto é que nem sempre o que é bom pra um é bom para o outro.
Em algumas etapas da vida, precisamos de algo mais dinâmico, em outras de uma prática mais silenciosa e calma.

O Tambor: nascemos com um tambor dentro de nós. O coração da mãe é o primeiro tambor que escutamos ainda no útero. Ele é o primeiro órgão a ser constituído a partir de nossa concepção, e o som rítmico que os tambores emitem nessa perspectiva de meditar, favorece que visitemos nosso mundo interno e onírico em busca de eliminar obstáculos e autoconhecimento. Eles têm a qualidade de trazer a sensação de “voltarmos para casa”. Todo ser humano, após alguns minutos submetidos a certos tipos específicos de batidas de tambor, alcança a frequência elétrica mental Theta, em torno de 4 hz, o que favorece o acesso às paisagens internas, influenciando positivamente estados emocionais, físicos, mentais e criativos, propiciando intensa sensação de relaxamento.

Meditar com Tambores: como toda meditação, favorece a busca por respostas, criando uma realidade pessoal mais serena e calma. Os tambores, acompanhados dos instrumentos de corda favorecem a harmonização e nos ajudam a “deslizar” em frequências sonoras harmônicas.  A proposta não se restringe a nenhum contexto religioso, político ou místico, uma vez que apenas indica caminhos que são naturais e inerentes a todos e, por isso mesmo, não tem pré requisitos para participar além de ser intergeracional. Crianças e até bebês ficam muito confortáveis e costumam participar, meditar e relaxar profundamente.

EOnline: Conte um pouquinho para nós a sua trajetória até encontrar a sinergia entre tambores e meditação.
M.J: Sou arquiteta, atriz e locutora, aspectos que auxiliaram muito nessa proposta de uma forma mais orgânica e acessível para meditar. Pratico meditação desde 1981, quando tive contato pela primeira vez com os conceitos do taoísmo e, desde então, medito diariamente, tendo frequentado as mais variadas escolas e abordagens sobre o tema.
De 2000 a 2004 participei de um retiro para a Yoga dos Sonhos, segmento que se propõe a alcançar estabilidade emocional/mental (Sunyatha) também durante os sonhos. Após este período, me interessei pelos tambores xamânicos, percebendo neles uma ferramenta capaz de potencializar e acelerar os resultados da meditação, por isso passei a utilizá-los em estudos e aulas, com surpreendentes resultados. No início, utilizava como recursos as aplicações xamânicas inerentes a certos tipos de tambor. Depois passei a utilizar outros tambores, percussão, outros instrumentos, mantras e músicas das mais diversas origens.

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