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Rocco e seus Irmãos em versão restaurada

Foto: Divulgação
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Por Celso Sabadin

Se alguém precisasse colocar Rocco e Seus Irmãos em alguma prateleira, digamos, de uma daquelas videolocadoras hoje em extinção, certamente a tarefa seria difícil.
Como classificar o filme? Clássico. Drama Social. Épico. Saga. Histórico. Romance.
Todas estas classificações seriam corretas, mas nem a somatória delas seria suficiente para categorizar uma das mais pungentes obras da história do cinema.

Com direção do mestre Luchinno Visconti e roteiro inspirado no livro “Il Ponte della Ghisolfa”, do escritor e poeta e Giovanni Testori – ambos milaneses - Rocco e Seus Irmãos narra a trajetória de uma família do sul da Itália que migra para o norte em busca de uma vida melhor. É justamente em Milão que os os irmãos Rocco, Ciro, Luca, Simone e Vincenzo, filhos da viúva Rosaria, se envolvem numa rede de conflitos e traições que dilapida os valores familiares e escancara as fraturas expostas de uma Itália dividida. Boxe, prostituição, lutas operárias e o desenvolvimento urbano de um país à procura de sua identidade formam o pano de fundo de uma saga familiar recheada com a marcante passionalidade italiana. 

O filme foi exibido pela primeira vez em 6 de setembro de 1960, competindo no 21º Festival de Veneza. Naquele ano, os deuses do cinema estavam especialmente inspirados, proporcionando aos mortais cinéfilos obras como A Doce Vida, Acossado, Spartacus, Sete Homens e um Destino, Se Meu Apartamento Falasse, Psciose, Atirem no Pianista, O Homem Mau Dorme Bem... que fase da tela grande aquele 1960!

Saudado como obra prima, Rocco e Seus Irmãos não apenas ganha o prêmio da crítica e o Especial do Júri no festival que o lançou, como também é indicado ao Globo de Ouro, ao David di Donatello e ao Bafta (estes dois últimos, respectivamente, os “Oscar” italiano e britânico).

Para chegar ao circuito comercial italiano, porém, Visconti foi obrigado a cortar cenas consideradas eróticas ou violentas demais para a época. A polêmica da censura acaba favorecendo a divulgação da obra, que se torna um grande suceso de bilheteria, mesmo com suas três horas de duração. O filme chega aos cinemas dos Estados Unidos em junho de 1961, onde sofre uma nova mutilação, desta vez de cerca de 30 minutos, novamente em função da ousadia de suas cenas.
A cópia, exibida no CineSesc até o dia 24/08, é a integral, com 177 minutos de duração.

Rocco e Seus Irmãos nem precisava ter em seu elenco Alain Delon e Claudia Cardinale, dois dos maiores ícones do cinema mundial daquela época. Mas tem. E na prateleira da cinematografia mundial, talvez sua classificação mais adequada seja simplesmente a de “Obrigatório”.

*Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema.

 

Ouça a trilha completa do filme, criada por Nino Rota.

 

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