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Vanderlei Cordeiro de Lima: a história viva do Brasil nos Jogos Olímpicos

Foto: Bruno Castilho
Foto: Bruno Castilho

O ex-maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima alcançou uma façanha que poucos conseguiram: ganhar uma medalha olímpica e uma medalha Barão Pierre de Coubertin.
Os dois prêmios, aliás, tiveram como cenário os Jogos Olímpicos de Atenas, na Grécia, em 2004. Na ocasião, Vanderlei liderava a maratona até que foi empurrado por um padre irlandês. O fato o fez perder o lugar mais alto no pódio, mas ficou marcado para sempre em sua carreira.

Além disso, Vanderlei também ficará na história por ter acendido a pira olímpica, que marcou o início dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro em 2016.

E todas essas histórias foram relembradas no encontro que aconteceu no Sesc São José dos Campos, junto com o ex-jogador de basquete José Geraldo e a mediação do jornalista Claudio Nicolini.
No bate-papo, os dois ex-atletas relembraram histórias engraçadas, tristes e até mesmo tensas sobre as participações em Olimpíadas. José Geraldo participou dos jogos de 1968, no México e em 1972, em Munique, na Alemanha, na edição que ficou marcada por um atentado terrorista que vitimou 11 atletas israelenses.
Já Vanderlei esteve nos jogos de 1996, em Atlanta, nos Estados Unidos, em 2000 em Sidney, na Austrália, e em Atenas. Entre as conquistas do ex-maratonista ainda está uma medalha de ouro no Pan de 1999, em Winnipeg, no Canadá. Na entrevista, claro, não faltou lembranças do padre, da medalha de bronze, da pira e a evolução de algumas modalidades no país durante os jogos no Rio de Janeiro.

Qual foi sua emoção no momento de acender a pira?
Para mim foi algo inesperado, né? Em momento algum passou pela minha cabeça que poderia ser eu e a notícia chegou horas antes do evento. Mas, para mim, foi gratificante ser escolhido, representar todos os atletas e viver o momento mais especial dos jogos. Esse momento é a coroação da carreira do atleta.

O Rio de Janeiro ficou marcado na sua vida duas vezes: em 2007, quando você foi porta-bandeira na abertura do Pan-Americano e esse ano ao acender a pira olímpica.
No Pan, ser porta-bandeira me surpreendeu, mas acender uma pira olímpica está acima de tudo. Acho que o Rio de Janeiro traz bons fluídos para mim e, o mais importante, é ser reverenciado, ser respeitado e isso é a maior conquista de um atleta. E poder contribuir para o esporte, sendo referência, sendo exemplo principalmente para as novas gerações que estão começando.

Muitos brasileiros comemoraram o fato de você ser escolhido para acender a pira olímpica. Você sentia essa torcida para que você fosse escolhido?
Na cerimônia de abertura eu tinha outra missão. Eu estava como porta-bandeira do juramento dos atletas. E, na hora, o Tande (ex-jogador de vôlei) me disse: “Vanderlei, entre todos os ex-atletas e medalhistas olímpicos, você é unanimidade a essa escolha do Comitê Organizador”. Ouvir isso desses grandes atletas foi algo também marcante para mim, pois eu não esperava isso. Os “deuses do olimpo” conspiraram ao meu favor mais uma vez.

Como você viu a participação do Brasil nos Jogos Olímpicos?
Foi positivo. O Brasil fez sua melhor participação, melhorou sua posição no quadro de medalhas e, o melhor de tudo, foi que os resultados mais expressivos aconteceram em esportes que não são muito conhecidos. Acho que dá para replanejar, pensando nos próximos ciclos olímpicos e olhar com mais atenção para essas modalidades que são um pouco esquecidas, com investimento e estrutura.

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