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Novas tecnologias e saúde: uma conversa com Jairo Bouer

Jairo Bouer durante bate-papo no Sesc Pinheiros, na programação do Dia Mundial de Luta Contra a Aids
Jairo Bouer durante bate-papo no Sesc Pinheiros, na programação do Dia Mundial de Luta Contra a Aids

O simples passar de dedos na tela do celular e um sem fim de possibilidades: conhecer pessoas, conversar, marcar encontros. O uso das redes sociais, games e aplicativos instiga diversas mudanças de comportamentos, com impactos sobre as relações sociais, a sexualidade e a saúde, principalmente entre os jovens. Conversamos sobre os efeitos dessas novas tecnologias com o médico, educador e apresentador Jairo Bouer. Confira:

“Falou com todo mundo e não falou com ninguém”
O jovem hoje entra na internet na sexta-feira, no fim do expediente ou da aula, e vai sair só na segunda, quando vai pra faculdade de novo. Durante esse tempo, falou com todo mundo e não falou com ninguém, trocou mensagem com o mundo e não olhou no olho de ninguém. As tecnologias têm milhões de lados positivos, mas tem que ter cuidado pra não ser tragado por isso. É comum ouvir de pessoas que, quando percebem, estão acordadas às 3, 4 horas da manhã na internet. No dia seguinte estão um “caco”, porque precisam de 8 a 10 horas de sono por dia, nessa fase da vida. Então a gente vê o impacto na concentração, atenção e rendimento.

“Avatar anabolizado de nós mesmos”
Temos que pensar como nos enxergamos na rede social,  como nos projetamos na rede. Será que a gente é a gente mesmo? Ou será que somos uma versão melhorada? As fotos são sempre mais bonitas, os lugares são incríveis, os amigos maravilhosos, a comida fantástica. Funcionamos como um “avatar anabolizado” de nós mesmos. Só que muitas vezes quem está mal, com baixa autoestima, infeliz, sozinho, brigou com a mãe, com o namorado, vai lá na internet e pensa: será que eu sou a única pessoa infeliz no mundo? A única pessoa triste?

“Arremessa e engole”
O que acontece com quem está imerso na tecnologia, no mouse, teclado, no tablet? Ele sai menos, se mexe menos, se movimenta menos. E para quem está com o olho no computador, é mais fácil cortar um bife, uma salada, ou pegar um salgadinho? Então fica nesse “arremessa, engole”: não corta, não tem uma alimentação de qualidade e isso impacta na saúde e obesidade.

“Nem bom, nem ruim”
Cada vez mais, a gente assiste o crescimento desses encontros que nasceram no ambiente virtual, nos aplicativos, na internet. Isso não é nem bom, nem ruim. É uma ferramenta que está aproximando pessoas, que pode ser uma porta de entrada para conhecer pessoas, do mesmo jeito que é o Sesc, o clube ou a rua. Mas a gente sabe que muitas vezes tem o uso exagerado. Alguns estudos mostram que o aumento potencial do número de parceiro sexuais com o uso desses aplicativos é de 200 a 300%: 

Jairo Bouer participou de atividades do Dia Mundial de Luta Contra a Aids em Pinheiros, Campinas e Rio Preto. Além dessas, diversas unidades do Sesc promoveram rodas de conversas, intervenções artísticas e palestras sobre o tema. Veja os registros na nossa galeria de fotos:

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