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Ubu Rei, mais de 100 anos depois

Marco Nanini e Rosi Campos<br>Foto: Cabéra
Marco Nanini e Rosi Campos
Foto: Cabéra

AS APRESENTAÇÕES DO ESPETÁCULO UBU REI, NO SESC PINHEIROS, ESTÃO CANCELADAS.

Informamos que o Sesc foi notificado pela produção do espetáculo UBU REI que, em virtude de recomendação médica, o ator Marco Nanini está impossibilitado de retomar sua participação na finalização da temporada. Assim, as sessões que ocorreriam nos dias 22, quinta, 23, sexta, 24, sábado e 25/06, domingo, no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros, estão canceladas.

A devolução dos valores referentes aos ingressos previamente adquiridos pelo público poderá ser realizada até 25 de julho de 2017, em quaisquer bilheterias das unidades do Sesc São Paulo, mediante a apresentação do ingresso. Os ingressos adquiridos pela compra online, no Portal Sesc, e ainda não retirados, serão automaticamente estornados. 

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Chegamos num momento histórico que chama Ubu de volta ao palco. Essa peça é uma explosão anárquica. Reconhecemos em Ubu gente como Trump e outros homens terríveis, no centro do desastre que vivemos.

Assim, em entrevista ao jornal O Globo, em março deste ano, o ator Marco Nanini referiu-se à remontagem de “Ubu Rei”, de Alfred Jarry (1873-1907), na qual interpreta o papel-título, contracenando com Rosi Campos, a Mãe Ubu, e com a Cia. Atores de Laura.

Quando, em 2016, Nanini, o diretor Daniel Herz e o elenco reuniram-se para escolher o texto a ser montado, “Ubu Rei” mostrou-se pleno de significados. Naquele momento também eram celebrados 120 anos da estreia ruidosa da peça de Jarry no Teatro do Louvre, em Paris. Era um tempo propício, portanto, para rever a figura autoritária de Pai Ubu, que usurpa o trono da Polônia, assassinando o rei e impondo à população desmandos e atrocidades.

Obviamente que as plateias de hoje já não se chocariam com os recursos de linguagem que fizeram de “Ubu Rei” um divisor de águas na dramaturgia contemporânea. Uma das passagens mais citadas é exatamente o início da peça: em 1896, o ator Firmin Gémier, o primeiro Ubu Roi, silenciava longamente a plateia ao gritar “Merdre!” na abertura da cena. Elementos cenográficos quase infantis, fazendo remissão ao teatro de marionetes, ampliavam o bizarrismo da montagem e a crítica de Jarry aos governos autoritários e manipuladores. Anos depois, a peça influenciaria os dadaístas e seria um marco do teatro do absurdo.

Na produção encabeçada por Nanini, o texto recebeu a adaptação de Leandro Soares, permitindo a abertura de espaço a referências políticas e sociais atuais. Por exemplo: Pai Ubu usa celular e faz selfies, mesmo após perpetrar assassinatos em massa ou afanar propriedades e bens na ficcional Polônia, acentuando a banalidade de suas ações. O texto também se abre a improvisações ao sabor do momento, criando anacronismos que, de uma forma positiva, enfatizam o absurdo subjacente à dramaturgia.

A cenografia de Bia Junqueira traz elementos bastante gráficos, coloridos e gigantescos, que pendem das varas cênicas, fazendo com os que os personagens, mesmo Pai Ubu, sejam apequenados – uma licença poética, talvez, para os marionetes concebidos por Jarry. Destaca-se entre esses elementos a figura de uma enorme vaca, da qual são vistas apenas as patas traseiras e as tetas, nas quais Pai Ubu, Mãe Ubu e seus mancomunados banqueteiam-se enquanto tramam um golpe.

Marco Nanini e Rosi Campos, os protagonistas, reafirmam suas melhores atuações cômicas, que o público aprendeu a ver na TV e no cinema, colocando em cena um filho em uma relação edipiana com sua mãe inseparável. Em torno deles gravitam os nove integrantes da Cia. Atores de Laura, que se revezam entre vários personagens e evidenciam o dramático e o cômico do texto.

Em uma visada geral, a linguagem do espetáculo dialoga com o televisivo e o cinematográfico, sobretudo no coloquialismo de seus diálogos e no ritmo frenético das cenas. Jarry atualizado é a leveza a serviço da densidade, mais de cem anos depois.

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Rose Silveira
Jornalista e Assistente da Gerência de Ação Cultural do Sesc para Teatro
 

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