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O negro representado na cena, no palco, no debate

Começou em novembro de 2016 e se esticou até março de 2017 no Sesc Belenzinho a Mostra das Artes e Culturas Negras Motumbá. E nesses quase três meses, juntamos tudo que rolou e que nossos olhos captaram pra mostrar pra vocês a potência dessa Mostra que ocupou os espaços com uma discussão tão importante. Antes de você se jogar, vamos dar uma geral sobre a Mostra, os impactos que ela teve no público e os rastros que ela deixou. 

Como o projeto nasceu?

Em meados de julho de 2016, a equipe de programação do Sesc Belenzinho e João Nascimento, um dos co-curadores convidados, começaram as reuniões sobre o projeto. Nos encontros, nasceu todo um debate não só sobre programações que se referiam às artes negras, às questões da diáspora e ativismo negro e periférico, mas também como a equipe lidaria com algumas questões na unidade. Junto com isso, veio outro questionamento importante. "Nossa equipe é branca, e estávamos falando de uma cultura que não temos pertencimento. Foi nesse momento que surgiu a ideia de convidarmos outros curadores negros que tem esse pertencimento, esse lugar de fala. Pra gente foi uma experiência de pesquisa, descoberta", afirma Natália Noli Sasso, animadora cultural do Sesc Belenzinho e uma das responsáveis pela Mostra. Depois disso, começou a definição de qual recorte dar na programação. "Achamos que seria mais importante dar lugar pras vozes periféricas, na música, na dança no teatro e para os ativismos negros dentro das artes. Então falamos de feminismo negro, movimento LGBTQ, e também das diásporas negras, uma questão mais da cultura de raiz que está presente ainda nas questões contemporâneas", completa Natalia.

Como o público recebeu a Mostra?

A partir de janeiro, mês em que a programação ficou mais intensa, o público da unidade se apropriou do espaço e começou a voltar em vários shows, debates, etc. Depois dos dois primeiros meses, o público começou a entender que era uma Mostra e que uma coisa tinha a ver com a outra e aí começou a conexão. "Essa ideia de pertencimento, de 'Sou bem-vindo aqui', 'aqui minha cultura é bem-vinda', cria uma relação afetiva, de se sentir representado na cena, no palco, no debate. A partir do momento que você coloca o artista negro, a pensadora negra, o coletivo negro no centro da discussão, o público se identifica, se aproxima e se apropria", afirma Natalia.

O que mudou na equipe de programação depois da Mostra?

"A Mostra refinou nosso olhar pra cultura negra. Vimos que não é tudo que chamamos de cultura negra que é lugar de fala, ficamos mais responsáveis com nossas escolhas, sobre o que o artista está falando sobre essas questões, com qual responsabilidade. Politizamos o olhar, encontramos nossos próprios preconceitos e confrontamos eles. A ideia é continuar novos projetos no mesmo tema", conclui Natalia.  

E como não coube tudo no vídeo, fizemos essa linda galeria de fotos pra você se jogar no que foi a Mostra.

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