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Muita história para contar!

Sesc Pompeia na Jornada do Patrimônio <br> Foto: Dalmir Ribeiro Lima
Sesc Pompeia na Jornada do Patrimônio
Foto: Dalmir Ribeiro Lima

São Paulo tem muita história! E a Jornada do Patrimônio, que aconteceu entre os dias 19 e 20 de agosto de 2017, trouxe uma extensa e diversa programação para nos lembrar disso.

Com o intuito de fomentar o conhecimento e a valorização do patrimônio histórico e cultural da cidade, o evento promoveu atividades de visitação monitorada a prédios históricos, além de roteiros de memória, apresentações artísticas e uma série de palestras e oficinas. A iniciativa, lançada em 2015, é inspirada nas Journées Européennes du Patrimoine, na França, e no Open House, em Nova York, nos Estados Unidos. Já em sua terceira edição, o evento deste ano teve o tema “Construindo Histórias”, onde toda a programação foi orientada por alguns eixos que tratam os modos de viver na cidade. Verbos que regem algumas ações diárias nortearam as reflexões em torno da relação que se estabelece com a cidade e seu patrimônio histórico: estudar, trabalhar, morar, comprar e vender, circular, lembrar e divertir.

O Sesc São Paulo, por meio de seu programa de Turismo Social, participa desde a primeira edição da Jornada do Patrimônio com uma programação especial de atividades. Em 2017, a parceria com o Departamento de Patrimônio Histórico de São Paulo – DPH resultou na elaboração de algumas Cartas-passeio”, uma série de roteiros autoguiados sobre os temas propostos, além de passeios e atividades em muitas unidades do Sesc na Capital e Região Metropolitana.

O roteiro “Patrimônio Industrial de São Paulo”, promovido pelo Sesc Ipiranga e o Sesc Santo André, contou a história das fábricas de São Paulo, que no final do século XIX e ao longo do século XX, se instalaram em bairros como a Mooca, Brás, Lapa e o Ipiranga. Com o tempo, algumas dessas fábricas deixaram de funcionar, mas seus registros físicos permaneceram através dos edifícios e galpões que compõem o patrimônio industrial da cidade. O próprio surgimento de alguns bairros e suas identidades locais se relacionam diretamente com a instalação destes empreendimentos e a vinda de seus operários, tal como o samba na Barra Funda e a cultura italiana no Brás. Com a mediação da historiadora Maria Dolores Freixa Pascual, os participantes puderam conhecer alguns prédios e histórias que fizeram parte da antiga Fábrica de Tecidos Jafet e do complexo IFRM - Indústrias Reunidas Francesco Matarazzo, como por exemplo a Casa das Caldeiras que hoje funciona como um centro cultural.

"A preservação desses espaços é vital para se compreender o passado e valorizar a cidade de São Paulo como um documento vivo, que faz parte da nossa identidade." - Maria Dolores Freixa Pascual  

Já no Sesc Consolação o passeio "Saracura: Um Quilombo no Centro de São Paulo" buscou apresentar um pouco da história do povo negro em São Paulo com a mediação da historiadora Patricia Oliveira. O roteiro retratou especialmente o bairro do Bixiga, que tem origem no Quilombo de Saracura, refletindo sobre a memória. É possível falar em memória dos quilombos em São Paulo?

São Paulo tem castelos? Com esta pergunta inicial e muita curiosidade, os participantes do passeio “Esse castelo será meu!”, realizado pelo Sesc Santana, percorreram imóveis históricos que tiveram suas construções inspiradas em castelos e palácios europeus: o Palacete Conde de Sarzedas inspirado num castelo escocês, também conhecido como "Castelinho do Amor"; o Castelinho da Av. Brigadeiro Luis Antonio; o Palácio dos Campos Elísios com sua arquitetura inspirada no "Castelo d'Écouen” – França; e o Castelinho da Rua Apa, construído em 1912 como residência da família Reis, que teve como inspiração os castelos franceses. O roteiro contou com uma mediação especial, realizada pelo grupo Ateliê de Teatro, onde uma princesa empoderada e alguns personagens cômicos pelo caminho instigaram a curiosidade das crianças.

Esse castelo será meu | Jornada do Patrimônio 2017 | Sesc Santana | Foto: Dalmir Ribeiro Lima | Registro Fotográfico

O passeio “Hábitos e habitações: como moraram e moram os paulistanos” que partiu também do Sesc Santana circulou pelo centro da cidade para observar e discutir as diferentes formas de moradia que se desenvolveram na cidade de São Paulo desde sua fundação em 1554. Como se construiu a relação entre espaço público e privado e entre nós e a cidades que habitamos?

Prédios históricos e patrimônios culturais em diversas regiões da cidade receberam estes roteiros de memória elaborados pelas unidades do Sesc em São Paulo. No passeio "Arquiteturas que ensinam", realizado pelo Sesc Itaquera, os participantes visitaram a Escola Estadual Santos Dumont e a E. E. Nossa Senhora da Penha para refletir, a partir das características arquitetônicas de cada escola, os diferentes momentos das políticas educacionais e sistemas de ensino no país. O passeio contou com o acompanhamento  da historiadora Monica Mantovani Goulart, e da Patrícia Freire de Almeida, pesquisadora membro do Angana - Núcleo de Pesquisas e Educação Patrimonial em Territórios Negros em São Paulo e do Grupo Ururay - Patrimônio Cultural.

O Sesc Bom Retiro visitou a Pinacoteca, o mais antigo museu de arte da cidade projetado em 1896 pelos arquitetos Ramos de Azevedo e Domiziano Rossi. Neste passeio, “Pina, uma Manobra Arquitetônica”,  o público pôde apreciar em detalhes o edifício, mediado pelo arquiteto André Scarpa, que apresentou como  Paulo Mendes da Rocha estabeleceu o diálogo entre o velho e o novo, quando realizou em 1990 uma intervenção no prédio que desloca o ingresso ao edifício pela lateral, provocando ainda mais a relação entre a Pina e seu público, mudando por completo a dinâmica do edifício junto à cidade. Paulo Mendes também foi o arquiteto responsável pelo projeto da nova unidade do Sesc 24 de Maio, que inaugurou no mesmo final de semana chuvoso e animado que modificou a rotina do centro de São Paulo com diversas intervenções artísticas.

Pina - uma manobra arquitetônica | Jornada do Patrimônio 2017 | Sesc Bom Retiro | Foto: Laura Rosenthal | Divulgação

Partindo do Sesc Pinheiros houve um passeio para o Sítio Morrinhos, um complexo arquitetônico de meados do século 19 e início do século 20, que hoje faz parte do acervo arquitetônico do Museu da Cidade de São Paulo e onde está instalado o Centro de Arqueologia de São Paulo. A unidade do Sesc Pinheiros também realizou uma visita ao Museu da Casa Brasileira, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo que dedica-se às questões da morada brasileira pelo viés da arquitetura e do design. O museu abriga duas mostras de longa duração: Coleção MCB e A Casa e a Cidade – Coleção Crespi Prado.

Sesc São Caetano organizou o roteiro “Avenida Paulista: Da Brigadeiro ao Trianon-Masp em dez passos e uma história”, onde o público entrou em contato com dez pontos arquitetônicos, históricos e culturais que lhes permitiram uma importante reflexão sobre aspectos como moradia, trabalho, lazer, cultura e ação social que surgem ao longo da história desta via que é um dos símbolos da capital paulistana. No mesmo dia a visita na Casa Modernista ficou por conta do Sesc Vila Mariana. O local é um projeto de autoria do arquiteto russo Gregori Warchavchik e foi considerada a primeira obra de arquitetura moderna implantada no Brasil. O roteiro, feito a pé com mediação do arquiteto Renato Hofer, discutiu os impactos do modernismo na arquitetura e na arte.

A "São Paulo de Ramos de Azevedo" foi desvendada a partir de um roteiro do Sesc Carmo que apresentou as importantes construções que marcaram as características de um novo urbanismo na cidade de São Paulo no final do século XIX e início do século XX, dentre elas o Theatro Municipal, o Mercado Municipal e o Palácio da Justiça. Já no "Roteiro Histórico da Zona Sul", realizado pelo Sesc Interlagos, o foco foi na história de parte do território do extremo sul da capital paulista, na região de Parelheiros, desde as  aldeias guaranis no território até a chegada dos migrantes e dos colonos alemães e japoneses.

Durante todo o final de semana da Jornada do Patrimônio o Sesc Pompeia recebeu o público com atividades artísticas e passeios pela unidade para falar da arquitetura e história do local. Localizada numa área estratégica da zona oeste da cidade de São Paulo e construída a partir de uma antiga fábrica de tambores, o que lhe conferiu o nome de Fábrica da Pompeia, o Sesc Pompeia foi projetado pela arquiteta italiana Lina Bo Bardi. A obra começou em 1977 e durou nove anos. A primeira etapa (que compreendia o centro onde funcionava a antiga fábrica) foi inaugurada em 1982 e em 1986 o bloco esportivo foi aberto ao público. Em março de 2015 os prédios do Sesc Pompeia, na Zona Oeste de São Paulo, tornaram-se patrimônio cultural protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)

Sesc Pompeia | Jornada do Patrimônio 2017 | Sesc Santana | Foto: Leila Yuri Ichikawa | Divulgação

E assim, em meio a muita história e arte, perguntas e curiosidades, chuva e sorrisos foi completada mais uma Jornada do Patrimônio. O que fica desta viagem pelos patrimônios históricos de São Paulo é a constatação de que ela pode nos levar a um reencontro com a própria história pessoal e uma nova forma de se relacionar com a cidade que se vive, e também com aquela que nos habita. Realmente, São Paulo tem muita história para contar!

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