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Estreia no Sesc Ipiranga espetáculo de dança sobre a relação intensa do tempo e a morte

Foto: Clarissa Lambert
Foto: Clarissa Lambert

No início de novembro o corógrafo Luis Ferron apresentou o espetáculo Os Corvos no projeto Finitudes. Ao lado de Luis Arrieta, levaram para a cena uma questão latente, a morte, refletindo sobre o presente sem passado ou futuro - o presente como sentido vital e a morte como certeza final. 

Espetáculo Os Corvos. Foto: Ricardo Ferreira

E entre 30/11 e 3/12, o coreógrafo Luis Ferron se junta a Andreia Yonashiro, Daniela Dini e Daniel Fagundes para apresentar Libélulas de Vidro no Sesc Ipiranga. O espetáculo de dança tem apresentações gratuitas e faz parte da programação integrada do Projeto Finitudes, ciclo que abarca bate-papos e atrações de diversas linguagens sobre o envelhecer e a morte. Parte integrante do díptico Diálogos Alados - Colóquios Sobre a Morte, “Libélulas de Vidro” juntamente com “Os Corvos”, aborda, através da analogia com os seres alados, a fugaz e densa relação humana com o ciclo da vida, revelando nossas fraquezas e obstinações perante o tempo que nos resta.

Se o mote em “Os Corvos” é a própria morte, em “Libélulas de Vidro” a discussão se acerca da vida, no viés juvenil pelo qual reconhecemos mais facilmente a voracidade das mudanças que nos atingem. Há muitas reapresentações diferentes da libélula; todas relacionadas com a cultura de determinados locais. Por exemplo, no Japão, a libélula simboliza a luz e novas alegrias. Alguns nativos americanos acreditam que as libélulas são as almas dos mortos. Há também muitas culturas que acreditam que o significado da libélula é a felicidade, a coragem e os pensamentos subconscientes.

Mesmo que a representação da libélula pareça mudar dentre as culturas, algumas coisas são similares; a libélula significa a esperança, a renovação e o amor. A velhice possui seu próprio metabolismo mas na juventude é que as despreocupações se alojam. As libélulas com suas significações diversas nos remetem geralmente à mudança. Seu bater de asas contundente, parecido ao dos colibris, lhe concede a estabilidade e autonomia que não cabe ao corvo, relegado à brevidade de seus voos. Esse enorme gasto de energia acomete num curto tempo de vida, o que gera a necessidade do aproveitamento dessa passagem. Luis Ferron convida para o palco Andreia Yonashiro, Daniel Kairoz e Daniela Dini, que com exceção do diretor, todos na faixa dos trinta anos. Partindo dessa jovialidade, o elenco se desloca pelo tema, encontrando o caminho entre a metáfora e o real, usando o corpo como meio de alusão.
Libélulas de vidro: Nós como seres frágeis, delicados, poéticos, vivos e existentes. Uma poética do hoje, do agora, do presente. Um ser que vive inúmeras trincas e mortes fugazes.

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