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Orlandeli compartilha processo de criação de álbum em quadrinhos

O processo de criação e execução de um livro de história em quadrinhos é algo que desperta a curiosidade de muita gente. Em janeiro, o Sesc Rio Preto traz o premiado cartunista e ilustrador Walmir Orlandeli para compartilhar o passo a passo do processo de produção de sua mais recente obra, o álbum em quadrinhos “O Sinal”. O trabalho foi um dos ganhadores do edital de 2016 do ProAC (Programa de Ação Cultural) para criação e publicação de histórias em quadrinhos.

Orlandeli comandará o encontro “O sinal: da ideia à produção”, dia 10 de janeiro, quarta, das 19h30 às 21h. A participação é gratuita e as inscrições devem ser feitas no local. São apenas 20 vagas e a atividade não é recomendada para menores de 12 anos.

Afrânio, o protagonista de O Sinal

Afrânio, o protagonista de "O Sinal"


Com 96 páginas, “O Sinal” traz a história de Afrânio, um personagem desiludido com o rumo da própria vida e que busca respostas para conseguir mudar esse cenário. Na atividade que realizará no Sesc, o autor utiliza a obra como exemplo para analisar o processo de produção de um álbum em quadrinhos, desde a apresentação do projeto para o edital até as decisões para chegar ao resultado final, como tipo de desenho, cores e soluções narrativas.

Orlandeli já teve outras obras contempladas pelo ProAC, entre as quais, “SIC”, em 2009, e “Daruma”, em 2014. Ele também é autor dos livros “O Mundo de Yang”, “Grump - Um dia eu cheio lá”, “SIC – vol 1” e “SIC – vol 2,” todos pela editora Sesi-SP.

Ele também é autor da Graphic MSP “Chico Bento – Arvorada”, lançada em 2017 pela Panini. A obra retrata o clássico personagem de Mauricio de Sousa com muita poesia e sensibilidade. 

Um dos desenhos do livro O Sinal

“O Sinal” foi lançado em dezembro passado, pela Marsupial Editora, na Comic Con Experience (CCXP), em Sao Paulo
 

Confira abaixo uma entrevista com o cartunista:

EOnline: Como costuma ser o seu processo de criação e execução de um álbum em quadrinhos? Você tem um método próprio? Comente um pouco a respeito.
Orlandeli: Geralmente começa com algum assunto ou situação que, de alguma forma, desperta a minha atenção a ponto de ficar pensando e remoendo várias possibilidades e sensações. Isso vai até o ponto que aparece um plot, uma pequena trama onde uso o personagem para externar um pouco desse processo. Definido o que é a história, entra uma parte mais técnica, que é transformar isso tudo em uma narrativa, costurando todas as sensações presentes de forma fluida e dentro do contexto planejado. Isso vai desde o planejamento de cada quadro desenhado, a distribuição das páginas para cada fase da história e até o tipo de finalização da arte e paleta de cores utilizada. É um processo que não se limita no aspecto estético da arte, mas de contribuir para a narrativa da história.

EOnline: Pode-se dizer que suas narrativas são carregadas de questões existenciais. Como isso está presente em "O Sinal"?
Orlandeli: O Sinal aborda a questão dos acasos, aquela situação não planejada, indesejada, que aparece sem avisar, e a forma como as pessoas se posicionam diante disso. A sensação de que a vida de alguns parece ser mais leve do que a de outros. Esse é o dilema de Afrânio, personagem do livro, que se descobre em uma vida inglória, sem qualquer perspectiva. Começa então a entrar em um processo de encontrar respostas, um "sinal" que lhe indique o melhor caminho para ter uma vida mais promissora. Mas nada é muito claro, superstições, religiões, intuição... Tudo pode ser "um sinal", e cada um tem o seu jeito de interpretar isso. E o jeito peculiar de como isso funciona para o Afrânio é o que move a história.

EOnline: "Chico Bento - Arvorada" foi um trabalho muito elogiado. Como foi criar uma história para um personagem clássico de Mauricio de Sousa, que é uma de suas influências?
Orlandeli: Foi, antes de mais nada, um presente. Passei a infância lendo os personagens do Mauricio de Sousa - dá para afirmar sem medo que minha paixão por quadrinhos começou ali. Revisitar esse universo anos depois, tendo o privilégio de criar uma história no meu próprio traço, foi algo bem gratificante. Principalmente por ser o Chico Bento, um personagem naturalmente engraçado, mas que carrega uma pureza e inocência que possibilita uma história com várias nuances e assuntos mais delicados, como é o caso de Arvorada.

EOnline: Tendo em vista que o Brasil se destaca em talentos no mundo dos quadrinhos, como você avalia as oportunidades que o mercado nacional tem oferecido para os jovens que estão começando no traço? 
Orlandeli: Hoje temos um cenário onde a produção de quadrinhos aumentou muito, inclusive em número de autores. São talentos admiráveis que aparecem a cada dia no cenário independente. Problema maior hoje nem é a produção, mas o escoamento desse material. Estamos em uma fase onde os eventos se tornaram o principal ponto de vendas de boa parte daquilo que é produzido nesse cenário. Não chega a ser uma notícia ruim, antes nem isso tinha, mas é claro que, já que estamos falando de mercado, existe uma necessidade de passarmos para a "próxima fase", onde o leitor não dependa de ser contagiado pela energia do evento, da presença física do autor, para se aventurar a conhecer determinada obra. Mas é algo que vai se conquistando aos poucos.

 

Orlandeli (Sesc Rio Preto)

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