Sesc SP

Matérias do mês

Postado em

Teatro para aproximar

Nomen com Carolina Erschfeld e Dawton Abranches  <br> Foto: Rodrigo Baroni
Nomen com Carolina Erschfeld e Dawton Abranches
Foto: Rodrigo Baroni

O público frequentador da Unidade do Ipiranga habituou-se a assistir espetáculos tão diversos quanto inovadores.
No mês de março, estreou no projeto Teatro Mínimo o espetáculo Nomen. Já em abril, Nos Países de Nomes Impronunciáveis, com Stella Tobar e Antonio Salvador, com direção de Magali Biff e texto de Paula Autran, trata de encontros e desencontros em uma viagem sem volta.

A primeira temporada do projeto em 2018 foi com Medea Mina Jeje, definida como um “poema cênico” que relaciona a clássica personagem Medéia de Eurípedes e a dura realidade da escravidão nas Minas Gerais no século XVIII. Este trabalho, um solo de Kenan Bernardes com texto de Rudinei Borges e direção de Juliana Monteiro, apresenta as características essenciais do projeto: o foco no trabalho do ator, em textos de novos ou consagrados dramaturgos em formato intimista.


Criado em 2011 pela equipe de programação do Sesc Ipiranga, o projeto foi concebido com o objetivo de apresentar temporadas de espetáculos teatrais que discutem a experimentação das linguagens cênicas. Para o ator Eduardo Mossri – que estreou dois espetáculos no projeto, Ivan e os Cachorros de 2012 e Cartas Libanesas de 2015 – alguns pontos foram importantes para a construção do trabalho apresentado neste ambiente de proximidade com o público: “A possibilidade de fortalecer uma atuação como resultado de uma relação franca e direta com a plateia, num jogo de cumplicidade com as pessoas que estão presentes naquele dia, com ou sem interatividade, mas tornando cada dia como realmente um dia único. Também ter tido a chance de desenvolver a habilidade com a improvisação, uma vez que nada se perde de olhos tão próximos, e a beleza está justamente em jogar com isso a favor da atuação e do espetáculo”. Logo após essas temporadas, os espetáculos seguiram trajetória dentro e fora do país. Cartas Libanesas abriu o 10° Festival Internacional de Teatro do Tanger / Marrocos de 2016 e esteve também no Théâtre Monnot de Beirute e na The Holy Spirit University of Kaslik / Líbano em 2017.


Eduardo Mossri em Cartas Libanesas. Foto: Felipe Stucchi 

Também espetáculos de outros lugares do país puderam garantir temporadas na cidade de São Paulo participando do Teatro Mínimo
O espetáculo carioca Se eu fosse Iracema, que cumpriu temporada em 2017, pôde apresentar ao público paulistano uma temática urgente em toda a nossa sociedade. “Se eu fosse Iracema é um trabalho concebido para espaços intimistas - a parte ser um solo, é uma peça que pretende fazer reverberar no espectador questionamentos e reflexões acerca dos povos indígenas brasileiros e que, portanto, traz consigo temas que dizem respeito à maneira como comumente o homem branco urbano contemporâneo vê e cria as relações políticas, econômicas e sociais no mundo e, mais precisamente, no Brasil. Assim, a relação aproximada com o espectador representa diálogo livre e direto com cada olhar, cada presença”, conta a atriz Adassa Martins, indicada ao APCA e Shell por este trabalho.


Adassa Martins em Se eu Fosse Iracema. Foto: Imatra

Ainda que em menor medida, o projeto bebeu da fonte do diretor polonês Jerzy Grotowski na obra Em Busca de Um Teatro Pobre, publicado pela primeira vez em inglês no ano de 1968. Sem muitas alegorias, o tipo de teatro apresentado aproxima ator e público e estabelece uma relação de cumplicidade que dificilmente aconteceria em espaços amplos como uma sala de teatro tradicional.

O Teatro Mínimo é um espaço justo. Na forma da sala e no conteúdo do projeto. Equipada em todos os sentidos, permite excelência técnica e humana das obras, que são pequenas no tamanho e não na dimensão da comunicação ou na relevância para a vida”, opina Georgette Fadel, que esteve presente em 2017 como atriz na experimentação Afinação I e como provocadora cênica em Instabilidade Perpétua. “O Teatro Mínimo é o lugar justo, sem sobras, para a expressão de obras que pedem a proximidade e a intimidade em algum nível. Em conexão com as necessidades do tempo presente, oferece condições ideais para o desenvolvimento da sensibilidade da presença, do corpo do ator e de sua ligação com o corpo do público”.


Georgette Fadel em Afinação I. Foto: Julia Zakia

Por todas essas razões e afetos que compuseram a história do projeto, em 2018 o Auditório do Sesc Ipiranga permanece recebendo montagens com textos inspiradores, atuações marcantes e discussões que aproximam ainda mais o público e o Teatro.

João Evandro Biazotto
Programador da área de Artes Cênicas no Sesc São Paulo. Licenciado em História pela USC, foi professor na educação básica e trabalhou como educador em tecnologias e artes. Entre suas ações recentes no Sesc São Paulo, foi co-curador da exposição "#ForadaModa" e da mostra "Yesu Luso: Teatro em Língua Portuguesa".

--

Sesc ao pé do ouvido
Playlists criadas especialmente por artistas convidados e outras inspirações estão no perfil do Sesc SP.
Bom para acompanhar você quando estiver correndo, com saudade do Angeli e do Laerte dos anos 80 e outras cositas más. Escolha sua plataforma e chega mais!

  



Outras programações