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Inventário sobre a comicidade gestual

Espetáculo Fulano e Sicrano <br> Foto: Ricardo Gabriel
Espetáculo Fulano e Sicrano
Foto: Ricardo Gabriel

Texto escrito pelo jornalista, crítico e pesquisador de teatro Valmir Santos, discorre sobre a mostra que comemora os 25 anos da Cia Etc e Tal e conta com mímica, circo e muita comicidade

Uma aproximação aos ofícios do mágico e do mímico pode ajudar a ilustrar o esforço do grupo carioca Centro Teatral e Etc e Tal por valorizar a presença de espectadores de todas as idades. O talento do mágico consistiria em subtrair o coelho da cartola e levar o público a crer que o animal exibido há pouco, de fato, desapareceu. Já ao mímico caberia esmerar-se em dar a ver aquilo que não está materializado diante da plateia.

Referência nas artes cênicas brasileiras pelo trabalho de pesquisa continuada em mímica, o Etc e Tal sempre manteve um pé no palco e outro no picadeiro. As linguagens coirmãs do circo e do teatro foram fundamentais na construção de uma estética própria em 25 anos de atividades criativas e formativas sem prejuízo do diálogo com as tradições. Estamos diante de um quarto de século de perseverança na busca poética pela ilusão artística baseada na gestualidade e na comicidade popular.

Seis das dez mais significativas criações mantidas no repertório dessa trupe, sejam elas no formato de espetáculo ou de intervenção, compõem a mostra que o Sesc 24 de Maio realiza entre janeiro e fevereiro de 2018 – o ano das bodas de pratas comemoradas a partir da temporada em São Paulo.

O mímico, ator e diretor Álvaro Assad e o ator, bailarino e coreógrafo Marcio Moura são fundadores do grupo, em 1993. A atriz Melissa Telles-Lôbo ingressou em 1998. Antes dos estudos formais, Assad foi assistente do ator e diretor Luís de Lima (1925-2002), português aqui radicado e considerado um dos precursores da mímica no Brasil.

No final dos anos 1990, o Etc e Tal sistematizou os procedimentos para criar e produzir suas peças, tornando múltiplas as funções dos artistas nos campos da pesquisa, da atuação e da gestão cultural. Deriva dessa filosofia a sede mantida há 12 anos na Cinelândia, no centro do Rio.

O jogo físico, o apreço pelo signo da palavra, a ambiência sonora e a nuance do desenho de luz são alguns dos traços expressivos recorrentes no inventário de narrativas cômicas que, em breve, abrigará mais um desafio ao trio na carona do aniversário: a montagem de um espetáculo para a rua, o espaço público por excelência.

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