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Aprendizado para transformação

texto: Denise S. Baena Segura

Gerente Adjunta da Gerência Educação para Sustentabilidade e Cidadania do Sesc

Vivemos num Ambiente com extremo potencial criativo e, ao mesmo tempo, marcado por riscos que põem à prova nossa capacidade de viver com dignidade. Há um desafio colocado para todos: repensar nosso modo de viver, especialmente nos aglomerados urbanos. O estilo de vida predominante compromete a base de sustentação dos ciclos naturais e acentua a desigualdade, tornando o presente e o futuro incertos, sobretudo para parcelas da população mais vulneráveis socialmente. Esta dimensão é crucial para entender a sustentabilidade.

Por outro lado, tratar da sustentabilidade nos instiga a redescobrir o óbvio: o imenso patrimônio natural do qual fazemos parte é fonte inesgotável de beleza, de regeneração e de aprendizado. Questões primordiais, como “o que faz com que haja vida e do que ela precisa para se manter?”, nos colocam em contato com a surpreendente natureza e com a diversidade de interpretações possíveis que ela permite, da científica à poética. 

Nossa capacidade de responder a estas questõess fortalece competências voltadas às soluções para problemas socioambientais e, sobretudo, anima o espírito para o sentido de pertencimento à biosfera, o conjunto de vida em nosso planeta, e à coletividade humana. Como elemento forte da educação para a sustentabilidade, sentir-se pertencente a algo que é maior que o universo individual de preocupações é fundamental para encorajar posturas favoráveis à conservação dos bens comuns.

Por isso, a difícil tarefa de construir sociedades sustentáveis passa, necessariamente, pelo reconhecimento do valor ético e político da diversidade da vida, e não só a humana. Esta é uma ideia que muda a forma de olhar tudo à nossa volta, pois faz pensar na trama que tece o “nós”.

E qual a conexão disso tudo com o Sesc?

As ações socioculturais empreendidas pelo Sesc têm o propósito de desenvolvimento humano, bem-estar individual, convivência com a diversidade, fruição, criação, melhor aproveitamento do tempo livre e participação na vida pública. As áreas de educação, cultura, saúde, lazer, esporte, turismo e alimentação criam oportunidades pra que as pessoas interajam com o mundo e com o outro e dessa relação produzam signicados para o dia a dia e a vida, para o universo subjetivo e objetivo de cada um, para o presente e o futuro.

Tratar de sustentabilidade neste contexto é convergente para a missão educativa da instituição. O caráter sisteêmico e transversal da sustentabilidade se associa à concepção ampla de educação Ao longo dos seus 70 anos, o Sesc foi se transformando à medida que a sociedade ampliava a percepção, o debate e a internalização da responsabilidade socio-ambiental. Esse processo foi tornando nossos projetos e programas mais consistentes e permanentes, a ponto de tornar a sustentabilidade uma diretriz estratégica, que se relaciona tanto à necessidade de conservar os bens naturais quanto à garantia de participação democrática, entendendo que ambas colaboram para o alcance da justiça social.

Esses pressupostos zeram com que o Sesc passasse a intensificar as atividades de educaçao socioambiental em sua programação. Hoje, técnicos e agentes de educação ambiental, além de especialistas contratados, propõem e realizam vivências que tratam desde técnicas de plantio e conservação de espécies até debates, cursos e encontros sobre mobilidade urbana, economia solidária, consumo, gestão de resíduos, convivência em espaço público, entre outros assuntos.

{Ao longo dos seus 70 anos, o Sesc foi se transformando à medida que a sociedade ampliava a percepção, a ponto de tornar a sustentabilidade uma diretriz estratégica.

Sentir-se como parte de algo maior que o universo individual de preocupações é fundamental para encorajar posturas favoráveis à convervação dos bens comuns} 

Além das atividades educativas, há o trabalho de conservação e recuperação de áreas verdes em algumas unidades, a adequação de instalações de forma a diminuir o consumo de bens como água e energia, a incorporação de critérios de sustentabilidade na contratação de produtos e serviços e, mais recentemente, projetos arquitetônicos passíveis de certicação ambiental.

A relação ambiente (natural e construído) e educação conecta-nos ao propósito de criar espaços educadores. Ambientes onde a estrutura física e a prática educativa se somam para construir e difundir conhecimentos científicos, saberes populares e tradicionais vinculados à temática da sustentabilidade.

Nosso fazer educativo é um processo contínuo de relações que se voltam para a compreensão do que nos faz humanos e para os conhecimentos que nos nutrem para construirmos experiências mais significativas em conexão com o planeta. Nessa perspectiva, não há fronteira entre educação e ambiente.

O que estamos aprendendo com isso?

Como em todo processo educativo, os ingredientes essenciais são observação, interpretação, experimentação, diálogo, avaliação, compartilhamento. Tem sido estimulante apreender sobre o que está ao nosso redor e entender como podemos incrementar o “caldo” que alimentará com ideias, estímulos e vivências as pessoas que frequentam nossas unidades e participam de nossos projetos.

A educação para a sustentabilidade reúne conhecimentos e busca alinhavá-los em um conjunto de valores éticos e atitudes responsáveis. Por fim, destaca-se que a vitalidade da proposta educativa posta em prática no Sesc vem da sua capacidade de diálogo com a realidade social.

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