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Segunda fase do Projeto Fricções traz recorte "Negritudes"

Durante o 1° trimestre de 2018, o Sesc Ipiranga deu início ao projeto Fricções, que por meio de espetáculos de dança, teatro e outras intervenções, busca friccionar linguagens artísticas para tratar de temas centrais como “Resistências e Existências em Rede” e “Diversidade e Direitos Humanos”. De janeiro a março, o projeto discutiu o “corpo negro periférico”, produzindo relações e conhecimento acerca da arte e micropolítica.

Entre seus eixos temáticos consolidados por bate-papos, vivências, oficinas, cursos e espetáculos, nos meses de maio e junho, o projeto apresenta o recorte “Negritudes”, que trata da objetificação e mercantilização do corpo da mulher negra, ancestralidade, candomblé, além de reafirmar o espaço para diversidade dos estilos tradicionais e contemporâneos de danças de origens africanas e afro-americanas.

A abertura do projeto acontece no dia 3/5, debatendo “A escravidão enquanto definidora da sociedade brasileira”, com Jésse Souza. Doutor em Sociologia pela Universidade de Heidelberg, Alemanha, e pós-doutorado em filosofia e psicanálise na New School for Social research de Nova Iorque, Jessé José Freire de Souza usa do Teatro para discutir o racismo como estruturador das mazelas brasileiras.


Crédito: Divulgação

Performances

No dia 5/5, Priscila Rezende traz à tona, na performance “Deformação”, os aspectos internos das deformações diárias vividas quando as imagens cotidianas não se assemelham àquelas refletidas frente a frente. Falando sobre objetificação do corpo negro feminino, a graduanda em Artes Visuais discute essa comercialização através de etiquetas de preços que vão gradativamente sendo reduzidos, em “Barganha”, no dia 6/5.

Crédito: Renata Martins

A Cia. Nave Gris volta a fazer parte do projeto Fricções com a performance “A-VÓS”, entre os dias 11 e 13/5. A dança simboliza uma homenagem aos avós e ancestrais místicos, revitalizando o culto a memória e debatendo a desvalorização das origens e do passado, como a contemporaneidade despreza a experiência dos ditos “velhos”. Dançando a sabedoria dos corpos cansados e cabelos grisalhos, integrou 21ª Edição do Programa de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo.

A Série de 4 performances, "Negro é Meu Corpo Ancestral", "Negro é Meu Corpo Ancestral 2", "Agô" e "Ewê",  acontece entre os dias 12 e 13/5. Responsável por essas atrações, o “Ewê Grupo de Pesquisa e Coletivo de Artes Visuais e Cultura Afro-brasileira” trabalha com cultura afro-brasileira do Curso de Artes Visuais da Universidade Federal do Amapá.  

Crédito: Monica Cardim

Rodas

Unindo tradição e contemporaneidade, a “Roda: passinho e tradições populares brasileiras” fala sobre a mistura da favela com centro, misturando o passinho nascido nas periferias cariocas e paulistanas com a dança popular brasileira ou de matriz africana. Com “Clássicos do Passinho” e “Orquestra Humanação Popular”, a roda acontece no dia 19/5, no Quintal.

“Gumboot Dance Brasil” e “House Of Zion Brasil” apresentam a “Roda: gumboot e vogue”, no dia 20/5. Enquanto a “House of Zion” é originária de Nova Iorque e mantém suas atividades no Brasil, o gumboot surgiu em meados do século XIX, na África do Sul, no período em que ocorriam as descobertas de minas de diamante e de ouro.



Já a “Roda: locking e mandingue”, que também acontece no dia 20/5, mistura a dança urbana do grupo “Double-Lock”, com os ritmos de matriz africana, em especial a cultura Mandeng, do grupo “Trupe Benkady”.

Crédito: Marcia Milano

Intervenções


No dia 26/5, “A babá quer passear” e resolve fazer algumas perguntas para quem resolver empurrar o caminho. Em percurso pela Unidade, a intervenção procura debater o espaço das mulheres em trabalhos considerados inferiores. Ana Flávia Cavalcanti realiza “Serviçal”. A artista convida os negros e negras presentes a contar suas histórias de trabalho, mesclando com os depoimentos colhidos durante a performance “A babá quer passear”

Pedro Galiza apresenta “Acidentes”, no dia 27/5 . Segundo ele, a palavra que dá nome à ação vem da escavação de um corpo que está atravessado pela instabilidade, colisão, errância e saturação.
Nos dias 1º e 2/6, Luciane Ramos-Silva e Ana Beatriz Almeida apresentam “Olhos nas costas e um riso irônico no canto da boca” e “Sobre o sacrifício ritual”. Os trabalhos solos abordam as construções sociais que produzem "os semelhantes" e "os outros".

Bate-papos
Buscando discutir sobre a construção do masculino, a “Asili Coletiva” propôs as rodas de conversa “Masculinidades Pretas: que menino preto eu fui?”, no dia 27/6, e “Masculinidades Pretas: que homem preto eu quero ser?”, no dia 3/6.

Teatro

O espetáculo “Farinha com açúcar ou Sobre a sustança de meninos e homens”, acontece no dia 3/6 e fala sobre a palavra cantada e falada. Por meio paisagens sonoras e imagéticas, a atração resolve contar, expor, refletir e dialetizar a experiência de ser negro na urbanidade. Com Jé Oliveira, do Coletivo Negro, a peça é também tributária ao legado dos Racionais Mc’s.

Consulte a programação completa do projeto Fricções aqui. 

 

No dia 21/2, o Sesc Ipiranga dá inicio a uma programação intensa de espetáculos e ações formativas, coordenados sob temas de relevância social e artística, e que se estendem até o final de 2018. O Projeto Fricções é um conjunto de ações de cunho artístico e socioeducativo, ancorado na dança, que promove a fricção entre ações desta área e também em outras linguagens, interagindo e incorporando o teatro, circo, cinema e outras manifestações. Periodicamente o projeto traz um tema expressivo para a sociedade como negritudes, gênero e sexualidade, pessoas e cidades, direitos humanos e ativação de novas redes.

O projeto começa no dia 21/2, em que a psicanalista e escritora Suely Rolnik realiza um bate-papo sobre a resistência enquanto micropolítica e sua atuação nos campos clínico e artístico.
Suely dedica-se à investigação de políticas do desejo, de uma perspectiva teórica transdisciplinar, indissociável de uma pragmática clínico-política, privilegiando a arte como campo de atuação, nos últimos vinte anos. Neste bate-papo, que será seguido do espetáculo de dança “Corredeira” (Nave Gris), a professora e crítica correlaciona os intentos das práticas resistivas com suas reverberações nas esferas cultural e sócio psicológica.

Sansacroma
A Companhia de Dança Sansacroma celebra 15 anos de existência e resistência com uma programação que contempla espetáculo, oficinas e mesa de debate, integrando a abertura do Projeto Fricções. Nos dias 24 e 25/2, o grupo apresenta Rebanho, espetáculo composto de cinco solos que tratam da recusa à submissão e do ato de criar como forma de resistir. A obra tem direção da criadora do grupo, a coreógrafa, atriz e dançarina Gal Martins.

Gal criou o conceito da "Dança da Indignação", linguagem estética que norteia o grupo e que reverbera indignações coletivas, trazendo uma abordagem política e promovendo a fruição da dança. A visão tem por intuito integrar a comunidade, refletindo sobre os desafios de se produzir dança contemporânea nas “bordas da cidade” e a conexão com circuito cultural presente nas regiões centrais, dissipando as barreiras territoriais que são erguidas nesse trajeto. A potência do “corpo negro marginal” é o que há de mais pulsante nas produções do grupo, tornando palpável a prática da resistência e estabelecendo uma “rebeldia”, como profícua fonte de preservação e mutação.


Espetáculo Rebanho - Foto: Leo Brito

A Cia Sansacroma realiza ainda, no dia 22/2, a Mesa de Discussão sobre a “Dança da Indignação”, com a presença da criadora do conceito Gal Martins e as convidadas Kanzelumuka - artista da Dança, integrante da Nave Gris Cia Cênica e idealizadora do projeto Mulheres Negras na Dança -, Érica Malunguinho - ativista, educadora e artista, é fundadora do centro de cultura de resistência negra Aparelha Luzia -, e a artista da dança Anelise Mayumi do Grupo Fragmento Urbano.

No dia 23/2, a Cia. Zona Agbara apresenta Vênus Negra - Um manual de como engolir o mundo, uma singela homenagem à Saartjie, a Vênus Negra, mulher africana que há dois séculos foi exibida em uma jaula na Europa por ter proporções avantajadas. O espetáculo propõe exorcizar a condição vivida por ela, transpondo essa problemática para o nosso tempo.


Foto: Sheila Signario

O bailarino Edson Raphael explora uma encruza consigo mesmo no espetáculo Gbé ou Quando o Corpo Renasce Negro, em que cada viela indica uma face de sua negritude. Na apresentação, que acontece nos dias 23 e 24/2, a travessia só aponta um caminho: o reencontro e reapropriação de seu corpo, sexo, ancestralidade e criação de sua relação com o mundo.

A Cia. Fragmento Urbano traz para o Hall da Unidade, no dia 25/2, o espetáculo Encruzilhada, que aborda a atualidade, a ressignificação da ancestralidade e os espaços urbanos propondo uma outra consciência corpo-política, um ato de resistência das periferias, dos mestres da cultura popular e do Hip Hop.

Oficinas
A oficinas Plataforma Rebanho, desenvolvida pela Sansacroma, é um espaço destinado a experimentação, desenvolvimento e demonstração de criações de processos individuais de artistas, a partir da vivência da aplicação dos procedimentos presentes na estrutura da pesquisa de linguagem “A Dança da Indignação”.
Em parceria com a Nave Gris Cia Cênica e a Cia. Fragmento Urbano, a Sansacroma promove um intercâmbio entre os grupos e dançarinos por meio de troca de informações, discursos e indignações, apresentando as diversas possibilidades e concepções do corpo e dos movimentos que podem compor uma obra. Ambas as atividades abertas ao público com necessidade de inscrição e vagas limitadas.

Consulte a programação completa aqui. 

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