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Garage Fuzz renova com versões acústicas e promete lançamentos em abril

Foto: Fábio Bitão
Foto: Fábio Bitão

O Garage Fuzz apresenta, na próxima terça-feira (27), às 18h e às 21h, o EP acústico “Acoustic Session on a Hot Day” no Sesc 24 de Maio. O trabalho tem o repertório baseado no álbum ao vivo Celebrating 25 Years e conta com cinco músicas: Ignore List, Cortex, The Morning Walk, Wrapping Paper e House Rules.

O grupo santista de hardcore melódico se formou no início dos anos 90 e se caracteriza por nunca ter cedido aos interesses mercadológicos do mercado fonográfico. Com canções em inglês e uma linha de baixo forte, a banda ficou marcada na cena alternativa como um patrimônio underground nacional e antecipa que em abril duas músicas inéditas serão lançadas nos serviços streaming.

Para entender melhor o contexto do álbum acústico e o que o Garage Fuzz reserva para o futuro, a Eonline conversou com o baixista Fabrício de Souza.

Eonline: De onde veio a ideia de lançar um álbum acústico?
Fabrício: Quando terminamos a moção do último álbum de estúdio, o ‘Fast Relief’ (2015), fizemos uma versão acústica da música ‘Cortex’, levamos para tocar no programa ‘Heavy Perô No Mucho’, da rádio 89FM, e a repercussão foi bem legal. Conseguimos atingir um público diferente do nosso com esse som desplugado. Daí, pensamos em nos divertir fazendo essas versões.

Fabrício: O público está aceitando bem essa mudança?
Fabrício: Tem um pessoal mais radical que torce o nariz, mas tem gente que gosta dos dois jeitos. Há, também, um público que começou a gostar mais da banda depois das músicas acústicas, mas o que nos motiva mesmo é curtir fazer essas versões.

Eonline: Vocês sentem que alguma das músicas perdeu ou ganhou alguma essência apresentada em versão acústica?
Fabrício: Eu gostei de todas, mas a versão de ‘Ignore List’, em especial, ficou de um jeito muito legal.

Eonline: Vocês nunca cederam aos interesses das grandes produtoras e mesmo assim se mantêm firme na cena musical. Como vocês lidam com essa questão do mercado fonográfico?
Fabrício: Depois que saímos da produtora Roadrunner, entendemos como funciona trabalhar com a música dentro de uma empresa. A criação não é tão livre, você tem que atender à certos moldes comerciais. Tem banda que não se importa e consegue funcionar assim, o que não era nosso caso. A gente sabia bem o que queríamos fazer musicalmente. Numa reunião com a gravadora, explicamos que não abriríamos mão do nosso estilo e chegamos ao consenso de que era melhor a revisão de contrato. Assim, voltamos a ser independentes e logo de cara assinamos com a Onefoot Records, da Califórnia. Era um selo pequeno, mas que lançou nosso segundo disco nos EUA e na Europa. Depois disso, e até hoje, cada lançamento nosso é feito por um selo diferente. Isso é bom, porque somos livre e não rola nenhum desgaste na parceria.

Eonline: Quais são os objetivos futuros da banda?
Fabrício: A gente lançou um DVD de 25 anos em 2017 e pretendemos, agora em abril, gravar e lançar, digitalmente, duas músicas inéditas pela ONErpm, mas já temos material pra ir montando um novo álbum mais para frente.

Eonline: Qual a influência dos fãs na banda?
Fabrício: O público influencia bastante no formato em que vamos lançar o disco. Esses dois sons que lançaremos, por exemplo, serão lançados nas plataformas digitais, que é a forma mais comum de ouvir música hoje em dia.

Eonline: As referências de vocês vieram só do estrangeiro?
Fabrício: Na época em que estávamos começando, nos anos 90, não tinham muitas bandas do nosso estilo com um trabalhado musical já amadurecido e antenado nas composições e na parte técnica. Estavam aparecendo novos estilos ao redor do mundo, como o grunge, o hardcore melódico e o punk rock mais pop. No início, sabíamos dessas novidades, mas elas demoravam um pouco para chegar ao Brasil. Tinham duas bandas aqui no Brasil que eram referência para a gente: Second Come (1989) e Pin Ups (1988). Ambas cantavam em inglês, assim como a gente.

Eonline:  Por que cantar em inglês?
Fabrício: Foi algo bem natural, afinal, a maioria das nossas referências vieram de bandas estrangeiras. Por isso, sempre soou estranho cantar em português. Adotamos o inglês de forma natural, sem levantar bandeira para nenhum país ou língua. Temos um som pesado, com melodia e vários arranjos, e tem outras bandas brasileiras com o mesmo estilo, mas essa característica acabou ficando como uma marca do Garage Fuzz.

Eonline: O Garage Fuzz é um patrimônio underground nacional no olhar de críticos e admiradores. O que vocês acham dessa afirmação?
Fabrício: Poxa, ficamos lisonjeados. A intenção nunca foi essa. Sempre acreditamos que o lado comercial não pode sobrepor ao artístico e, assim, nosso objetivo é sempre fazer o som que queremos. Ficamos muito felizes em saber que nosso trabalho virou uma referência para muita gente.

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