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Luchino Visconti: o que há de belo e de real

Entre 28 de fevereiro e 28 de março, o CineSesc recebe uma grande retrospectiva da obra do cineasta italiano Luchino Visconti em sua sala. Visconti, que era descendente da nobreza de Milão, fez da decadência aristocrática um de seus temas preferidos. Ao mesmo tempo, sustentou ao longo de sua vida posicionamentos que não pareciam corresponder aos de sua origem nobre. Assim, sua obra caminha por essas linhas contraditórias do século XX na história europeia.

No total, serão exibidos 17 filmes e a programação estará completa pelo curso “Luchino Visconti, do neorrealismo ao decadentismo” ministrado por Fernando Brito. As cópias serão exibidas tanto em formato digital, restaruradas em 4K, quanto em 35mm. Nessa caso, as películas atravessaram o oceano, saídas da Cineteca Nazionale de Roma, para a sala do CineSesc, que conta com dois projetores de 35mm.

Filmes clássicos como “O Leopardo” e “Morte em Veneza” dividem espaço na programação com outras experiências cinematográficas do diretor como “A terra treme” e o filme de episódios “Boccaccio 70”, com produções também de Mario Monicelli, Federico Fellini e Vittorio de Sica. O jornalista Sérgio Rizzo aponta como característica do cineasta a habilidade de não subestimar seu público: “Para Visconti, assim como para muitos de seus contemporâneos, o espectador médio era capaz de se envolver e de se emocionar com um espetáculo que não o tratasse apenas como uma criança em busca de recompensas emocionais primárias.”

Expoente do chamado neorrealismo italiano, Visconti nunca quis estar preso a uma determinada forma de fazer e entender o cinema, escapando das amarras que o classificavam. Para Luiz Zanin Oricchio, crítico de cinema, a obra de Visconti “não é nem culto ao passado nem reverência ao presente ou confiança cega num futuro promissor, mas dúvida e questionamento político de tudo isso”. Ao contrário do que diz seu personagem mais famoso (“É preciso que tudo mude para que tudo permaneça como está”), o convite é para que nas próximas duas semanas, o público do CineSesc possa aproveitar e transformar-se com as belas cenas e as indagações propostas pelo cinema de Visconti.

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