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O Dia Internacional da Mulher vai além das flores

A comemoração desse dia envolve reflexão e luta. O Sesc Santo Amaro traz para a unidade atividades que alimentam essa ideia.

Ao procurar sororidade em alguns dicionários online, a palavra não é encontrada. O termo passou a fazer parte das discussões brasileiras há pouco tempo, mas seu conceito é simples: a união e solidariedade entre mulheres. Se colocar no lugar da outra para entender seus medos e suas conquistas cria um círculo de empatia. Nesse processo, a ajuda mútua aparece e cria um laço feminino de amizade, deixando de lado a suposta concorrência feminina.

Ainda falando em dicionários, o americano Merriam-Webster elegeu feminismo a palavra do ano de 2017. Ela foi uma das mais procuradas no ano passado, trazendo um panorama importante sobre o que o movimento significa para a sociedade do século XXI.  O mundo está discutindo – e até mesmo, descobrindo – um movimento que ficou mais forte desde a década de 1960. No Brasil, a luta feminista garantiu às mulheres o direito ao voto lá em 1932, mas ainda assim, houve limitações: apenas as casadas - com autorização dos maridos –, solteiras e viúvas com renda própria conquistaram o sufrágio. 

Foi um grande passo para a igualdade entre homens e mulheres, assim como a inserção do gênero no mercado de trabalho, mas ainda não eliminou os problemas. Em 2017, mulheres se reuniram em Washington D.C para a primeira Women’s March, em que protestaram para reafirmar os direitos das mulheres no país e abordar questões como imigração e desigualdade racial. As questões debatidas se estenderam e a marcha aconteceu em diversos países.

Em meio a isso tudo, há o Dia Internacional da Mulher. Apesar da criação do dia 8 de março ser muitas vezes relacionado ao incêndio de uma fábrica têxtil de Nova York em 1911, muitas mulheres já se manifestavam antes das operárias do acidente. O primeiro Dia Nacional da Mulher foi comemorado em maio de 1908, nos EUA. Dois anos depois, uma conferência na Dinamarca aprovou a data como uma celebração anual. Mas foi apenas em 1977 que esta data foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU).

A data serve como apoio às mobilizações que asseguram e celebram a conquista dos direitos femininos, além de discutir o que ainda acontece com muitas mulheres: violência. Seja física, moral ou sexual. Em constante luta desde o século 15, época em que muitas mulheres foram queimadas pela Inquisição acusadas de serem bruxas, o 8 de março ajuda a afirmar as novas posições da mulher na sociedade, antes dirigidas apenas aos homens. Não é uma inversão de papéis. É a ocupação das mulheres nos espaços em que elas não eram permitidas participar.

Representatividade é outra palavra forte nos dias atuais. E as mulheres fazem parte disso. Na cena cultural, as personagens femininas estão largando seus estereótipos de feminilidade e hipersexualização para encarar perfis mais compatíveis com a realidade. Mas quem escreve sobre essas personagens? Quem dirige as atrizes de um filme ou espetáculo? A produção está muito além do resultado final e ter mulheres em todas as etapas já é uma realidade.

Isso ajuda mulheres a se identificarem e se inspirarem em outras mulheres. Apagadas da sociedade por muito tempo, a circulação da produção feminina empodera. Porém, se descobrir mulher é apenas uma das descobertas. A participação das mulheres negras nas lutas por direitos segue outro contexto: enquanto as mulheres brancas queriam votar e serem consideradas iguais aos homens, as mulheres negras queriam ser consideradas pessoas. Essa realidade foi exposta em 1851 por Sojourner Truth, ex-escrava que se tornou oradora abolicionista e ativista. Seu discurso E não sou uma mulher? revela que o tratamento às mulheres sugerido pelos homens não chegava às negras.

Essa visão expande as demandas e anseios da população feminina. Mesmo dentro das especificidades de cada mulher, o dia 8 de março se faz uma data importante para todas e todos. Levantando questionamentos e trazendo novas reflexões, o Dia Internacional da Mulher pede como presente algo tão bonito quanto as flores: respeito.

Por isso, o Sesc Santo Amaro preparou uma programação especial nesse mês de março. Os projetos Entre Passos e Traços Femininos e Mulher no Esporte, Mulher mais Forte trarão diversas atividades para celebrar o Dia das Mulheres. Apresentação de forró, sarau, bate-papo e torneio de futsal feminino são algumas delas.
 

ENTRE PASSOS E TRAÇOS FEMININOS

Forró das Cumadre
Nanda Guedes, Sandra Belê, Carol Oliveira e Thamires Tintino invadem os palcos com suas vozes, instrumentos e empoderamento feminino. No repertório, forró, xote, coco, xaxado e baião. Livre. Grátis. 11/03. Domingo, às 17h.

Produção Técnica de Áudio para Mulheres
Curso básico de edição para iniciantes com Glaucia Miranda. 16 anos. R$ 3 a R$ 10. 06/03 a 03/04. Terças, 19h às 21h.

Bate-papo: Mulheres que Lêem Mulheres Convidam Jarid Arraes
Conversa sobre literatura, pluralismo e sororidade com a autora Jarid Arraes. 16 anos. Grátis. 17/03. Sábado, 15h às 17h.

Encontro com o Autor: Heloisa Pires Lima e Taturana Grupo
Conversa sobre literatura para crianças. Livre. Grátis. 24/03. Sábado, 14h às 15h30.

Sarau Vozes Femininas, com Sarau do Binho
Sarau com mulheres poetas, cantoras, artistas da zona sul que cantam e encantam, mesclando música e poesia. Livre. Grátis. 09/03. Sexta, às 19h.

Sangria
Show lírico musical inspirado no livro homônimo de Luiza Romão. Com Luiza Romão e convidadas. Livre. Grátis. 16/03. Sexta, 19h às 20h30.

Curso: O Risco da Caneta
Produção poética com Luiza Romão. 16 anos. Grátis. 13 a 27/03. Terças, 19h às 21h30.

Uma Mulher Não É Um Território, com Luiza Romão
Intervenção. Livre, Grátis. 13/03. Terça, às 14h.

Oficina: A Alimentação que Empodera a Mulher
Alimentos e receitas que podem auxiliar a mulher no seu dia-a-dia, em diversas fases da vida. 12 anos. Grátis. 10/03. Sábado, às 15h.

O Feminino na Cultura Afro: Yagbás na Dança
Exploração das questões do feminino através das danças negras associadas ao arquétipo dos orixás femininos. Com Carol Rocha Ewaci e Flavia Rosa. 14 anos. Grátis. 08 a 29/03. Quintas, 19h30 às 21h30.


MULHER NO ESPORTE, MULHER MAIS FORTE

Aula aberta: Ginástica
12 anos. Grátis. 13 a 16/03. Terça a sexta, às 17h.

Atletismo com Terezinha Guilhermina
Demonstração de técnicas de treinamento para mulheres e deficientes visuais. 07/03. Quarta, 18h às 21h. Livre. Grátis.

Torneio de Futsal Feminino
14 a 28/03. Quartas e sextas, 20h às 21h30.
Inscrições: 01 a 07/03 no Núcleo Esportivo. 16 anos.

 

Outras programações

Literatura

Empoderamento: Feminismo, machismo e racismo. Compreendendo as relações de gênero e etnia no Brasil

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SESC Pompeia

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