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Foto: André Conti
Foto: André Conti

Sesc Piracicaba realiza o projeto “Caldo – Tradições Contemporâneas” com Tom Zé, Antonio Nóbrega, BNegão e Fernando Campana na programação multilinguagem, que acontece de 28/mar a 18/mai

Misto de “dorme nenê que o bicho vem pegá” e de equações estéticas sofisticadas, onde se vê sobre a cabeça, aviões (e nuvens transistorizadas); sobre os pés, os caminhões de veias sulcadas na mais rica tradição cultural cafuza, mameluca, mulata, o projeto Caldo reconhece-se Modernista, Tropicalista e nesse reflexo, vê o Ivo, bebe no psicodélico e no improviso, brinca com Nóbrega, reverencia Tom Zé, exibe Ralé, Sem dentes, vai à Dinamarca e à Lua para depois soltar poesias ao vento. Aterrissa para descortinar a arte que vem de lança, à frente, e guarda consigo a força da cultura popular brasileira. Quer cantar, declamar, esculpir a veia aberta da América tupiniquim e mostrar, no “lugar onde o peixe para”, o que de mais relevante hoje se produz com os pés pintados de terra e antenas sintonizadas em uivos beats vindos do mangue de um futuro ainda anuviado.

Com a participação de artistas brasileiros da música, literatura, cinema e artes cênicas por meio de espetáculos e atividades normativas, o Projeto Caldo – Tradições Contemporâneas reúne na programação do Sesc Piracicaba o que tem sido produzido no país que mescla a cultura popular brasileira com os novos métodos contemporâneos.

O pontapé inicial do Caldo foi dado em um bate-papo sobre "A cultura popular e as vanguardas artísticas", com a presença da professora da Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ) Viviana Gelado, e do professor da Unimep, teólogo e psicólogo José Lima Jr. O encontro integrou o ciclo intitulado Borda da Mata, que pretende debater as intersecções entre a cultura popular e seus possíveis discursos fronteiriços, na borda, entre a “mata virgem” e o tempo urbano de sopros contemporâneos. O próximo tema do ciclo será "A paixão na arte vanguardista", em 2 de maio; e por fim, "Quando a arte é regional e pop?", em 16 de maio, leva Sérgio Molina, compositor e violonista, ao lado de Arthur Kunz e Leo Chermont, músicos do Duo Strobo. Todos os encontros começam às 20h, no Teatro do Sesc Piracicaba, com entrada gratuita.

Ao todo serão 47 atividades, em diversas linguagens. Entre os destaques da programação estão o músico e compositor Tom Zé (5 de abril) e a Banda Baiana System (18 de maio); espetáculo, oficina e residência teatral com Grupo Magiluth e
Cia Mungunzá; apresentação do espetáculo de Dança Semba, com Antonio Nóbrega; sarau com Baião de Spokens e participação do rapper BNegão; um ciclo especial Ivo Lopes de Araújo que exibe 10 filmes do fotógrafo cinematográfico cearense e um dos mais autorais de sua geração; o designer Fernando Campana ministra palestra e workshop sobre seu trabalho; e, além de toda a programação cultural, a Comedoria do Sesc preparou um cardápio especial durante o projeto em cartaz.

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