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Em meio a muita música, Exu é retratado como criança em peça sobre amadurecimento infantojuvenil no Sesc 24 de Maio

Ele é meu tambor, é o guarda do meu corpo, meu caminho e minha fé”. O trecho do samba de Nei Lopes faz menção ao orixá Eleguá, do candomblé cubano, conhecido como Exu no Brasil. A história dele será contada de forma lúdica pelo Clã Jabuti no espetáculo Eleguá: menino e malandro, no Sesc 24 de Maio, de 16 de junho a 07 de julho, aos sábados, das 12h às 13h. Os ingressos custam R$ 17 (inteira), R$ 8,50 (meia) e R$ 5,10 (credencial plena). O espetáculo é gratuito para crianças até 12 anos.

A apresentação tem o intuito de aproximar o mito de Exu de crianças e jovens, afastando preconceitos. Na literatura afro-cubana, Eleguá é um orixá guerreiro e protetor dos caminhos que as pessoas trilham, das encruzilhadas que elas enfrentam e padroeiro dos comerciantes. Na peça, o protagonista é apresentado como uma criança bagunceira, que vivencia brincadeiras e constrói afetos durante suas experiências na Terra.

A história começa narrando a criação do mundo sob a visão espiritual africana e explica o nascimento e a relação de Eleguá com a sua família. Em suas andanças pelas ruas, ele aprende a ajudar e ser ajudado, apaixona-se, amadurece e ganha sabedoria.
Para além da proposta lúdica da peça, que enfoca o amadurecimento infantojuvenil, as experiências do protagonista dizem respeito à relação dele com os seres humanos. Na crença africana, esse orixá é saudado como ‘O Comunicador’, pois traduz as orações humanas aos seres divinos. “Ele é o intérprete, pois a linguagem dos santos não é igual à dos homens. Seu papel é o de um diplomata, poliglota, recadeiro e astuto, que abre barreiras e proporciona acordos”, explica a escritora de literatura africana Carolina Cunha em seu livro ‘Eleguá’, da série ‘Histórias do Okú Lái Lái’.

Para aproximar as crianças e jovens brasileiros da narrativa, a obra leva ao público elementos do rap, do funk, do blues e da poesia popular do Nordeste. “Acreditamos que conhecer rainhas e reis, guerreiras e guerreiros e heroínas e heróis africanos pode modificar o olhar dos jovens e crianças sobre si mesmos, seu lugar na sociedade e incitar o reconhecimento da sua ancestralidade”, afirmam os integrantes do Clã do Jabuti.

O espetáculo tem música ao vivo com os batás – tambores sagrados afro-cubanos – e ritmos levados à ilha durante a diáspora africana. As composições passeiam por diversos cantos sagrados, entoados por Eleguá, chamado na peça de “príncipe menino”.
Acima do bem e do mal.

Em Eleguá: menino e malandro, o protagonista usa roupas vermelhas e pretas que os médiuns vestem ao incorporar esse orixá nos terreiros da Santería Cubana. Essa representação foi forjada pelos negros escravizados com a finalidade de disfarçar suas divindades aos olhos europeus, associando-as aos nomes de santos católicos.

A tradição ficou e Eleguá assumiu a imagem do demônio bíblico em visões preconceituosas. Contudo, a adoração de imagens com chifres, por exemplo, não indicava nada mais do que poder e respeito dessa divindade para os africanos.

No catolicismo, parecem ter esquecido que Moisés também é representado com chifres. Mas essa tendência, no contexto afro, fez com que muitas pessoas relacionassem Exu com o mal”, analisa a antropóloga cubana Yumei Labañino em sua tese de doutorado Objetos sagrados: a Santería Cubana através de sua cultura material. “É correto afirmar que Eleguá é temido, porque ele pode praticar más ações. No entanto, a atitude dominante dos africanos para com ele não é mais de temor do que de afeto. Os jêjes e os yorubás [povos da África] acreditam que as forças sobrenaturais podem ser tanto benéficas como maléficas”, explica a pesquisadora.

A espiritualidade afro em Cuba

O candomblé cubano, conhecido como Santería (“caminho dos Santos”), tem ascendência yorubás, cultua orixás e possui rituais semelhantes aos que ocorrem no Brasil, como a raspagem de cabeça e o preparo de oferendas para cada tipo de cerimônia.

A concepção de família espiritual também está presente na ilha caribenha. Ao se iniciar na religião, o fiel participa de tabus consagratórios que estruturam o modo de enxergar a vida e os tornam comprometidos com o terreiro e as obrigações passadas pelos padrinhos e madrinhas de santo. “A crença passa a regular as relações sociais e interpessoais dos consagrados. Este tipo de crente se conhece, popularmente, como santeiro”, conta Yumei Labañino.

Sinopse

Eleguá é um príncipe muito esperto. Todo mundo tem medo das suas artimanhas e malandrices de moleque. Mas um dia o menino botou o pé na estrada e foi descobrir o mundo. Andou de cidade em cidade. Brincando, pulando e perambulando, encontrou lugares e pessoas para ajudar e ser ajudado. Vivendo sua meninice, nas ruas ele cresce, se apaixona, amadurece, ganha corpo e sabedoria ao longo das aventuras que vive no caminho. Até que um dia decide voltar! Mas nem tudo está como era antes...

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