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Banda Ombu, resistência lenta e contemplativa na correria da cidade

Thiago, João e Santiago da banda Ombu | Foto: Carol Vidal
Thiago, João e Santiago da banda Ombu | Foto: Carol Vidal

A banda Ombu, formada em 2012, retorna aos palcos para uma apresentação no Sesc Avenida Paulista, na quinta, 21/6, com ingressos esgotados. João Viegas (baixo e voz), Santiago Mazzoli (guitarra) e Thiago Barros (bateria) conversaram com a Eonline sobre suas influências, sonhos e experiências.

Santiago - A gente se conheceu na escola e se juntava pra tocar as músicas da banda Rancore, que vieram da mesma escola que a gente, a Pueri Domus de Santo Amaro. Eles eram como nossos irmãos mais velhos e tinham recém fechado com a gravadora Deck. Isso deixou a gente com o olhinho brilhando. Também dá pra fazer, um dia quem sabe!

A gente começou a tocar na casa do Thiago e começaram a surgir algumas músicas, o João trouxe algumas, às vezes eu escrevia alguma coisa em casa também e botava na roda, gravamos um primeiro EP, fez alguns shows, gravamos outro EP, fizemos mais shows. O Rancore sempre colocava a gente nos shows que eles tocavam. O Raça também caminha o tempo todo com a gente, o Thiago é o batera também do Raça, fazemos sempre shows juntos.

João - Eram sempre as mesmas seis pessoas que revezavam entre as duas bandas. A Ombu sempre teve um ritmo mais lento, um clima mais leve, não tão pesado quanto era a Raça, no sentido de querer viver da música.

Santiago - Acho que sempre existiu essa vontade, que é uma vontade individual de cada um, independentemente das bandas, acho que todo mundo quer viver de música, que é o que a gente ama fazer. A gente acabou de passar 1 ano sem fazer show, e estamos voltando agora, esse do Sesc é o segundo que a gente tá fazendo. É a primeira vez no Sesc, a gente sempre quis tocar no Sesc. A gente começou muito inocente, vínhamos pouco para o Centro, tínhamos nossas referências, e conforme a gente começou a tocar em casas, a gente ficou a par de tudo que tava acontecendo aqui e acabou se inserindo no cenário, conhecendo todo mundo.

João - Não sei se o som em si não tem muito a ver com São Paulo, tá ligado? Porque é mó lento, contemplativo pra caramba. São Paulo é mó correria, mó doideira. A gente acaba encaixando num jeito bizarro, não sei como.

Santiago - A gente toca canções em português, e elas têm uma pegada um pouco bossa nova nos acordes, e outras coisas, mas também têm uma leva de rock, das coisas que a gente ouviu, a gente também gosta de coisas instrumentais, a gente passou um bom tempo ouvindo, e ainda ouve Hurtmold, uma banda que dialoga muito com São Paulo, é super a cara né? E a gente tem bastante referência deles em alguns sentidos. Tem outra banda que é o Gigante Animal, que tocou a gente, e elas são muito Pinheiros, Pompeia, até no sotaque deles. Uma coisa que tem muito, é que você vê que eles tão tratando da experiência individual deles e a gente faz muito isso também. A gente tá falando de conflitos e vivências nossas.

Por exemplo, uma música que eu escrevi há muito tempo atrás, chama "Caça", do primeiro EP "Caminho das Pedras" que era uma paranoia minha do que iria acontecer com a gente, porque tinham duas bandas, o Raça e o Ombu, e a paranoia era que o Thiago ia sair da banda, e a gente ia acabar e eu coloquei isso numa letra.

A gente parte de uma experiência pessoal, mas não necessariamente retrata ela na música, por exemplo, "Caça" fala de uma pessoa que tem que acordar e lidar com um monte de pessoas que são maiores e superiores que ela e ela não tem ferramentas para lutar contra isso, a gente cria uma narrativa, às vezes com personagens explícitos, às vezes não, e nem sempre são um retrato fiel do que a gente viveu.

Thiago - Tem uma música que chama "Trêmolo" que é um single nosso, e eu compus ela no violão, com acordes do bossa nova, era quase como uma valsa e gente adaptou, acrescentou influências de uma banda que chama Earth, dos EUA, que eles tocavam super lento e a gente se forçou a tocar muito lento na gravação, tipo 40, 50 bpm e isso encaixou muito bem na sonoridade da banda, a gente passou a tocar bem mais lento e é uma qualidade nossa.

Santiago - O que eu gosto muito desse som também é que teve a participação do Candinho, guitarrista do Rancore, a gente nunca imaginou que ia gravar com ele, eu lembro de pegar o Thiago no corredor e falar "mano, a gente tá gravando com o cara ali!" Foi a experiência mais marcante! Acho que essa música dialoga bastante com São Paulo.

João - É meio existencial, depressivo, tem bem a ver com São Paulo! Tá todo mundo mal (risos)

EOnline - E como é a resposta do público?

João - Tem pouca gente que gosta, mais quem gosta é muito fiel e acompanha.

Thiago - Quando a gente tá tocando com bandas diferentes, dá pra ver na cara das pessoas, pensando "nossa que merda é essa? Estão viajando!"

Santiago - Mas acho que também rola uma resposta bem positiva, uma galera que curte, canta junto, mas acho que o show ideal pra gente é um show que tem silêncio por completo, que a gente tá tocando, as pessoas estão sentadas ouvindo e é isso. Já aconteceu várias vezes da gente tocar e ter conversas no meio do show, e como são músicas espaçosas e às vezes elas têm silêncios, as vozes acabam soando mais do que a gente e acaba sendo frustrante.

João - E nem sempre o pessoal tá aberto e tá afim, às vezes cê não tá afim de ouvir um negócio brisa de 5 min. E a gente entende, normal.

Thiago - Acho que é o nosso charme também, se a gente fosse fazer outra coisa, não seria a gente e talvez não ficasse tão digno.

João - Mas nada é definitivo, pode ser que no nosso próximo som a gente faça outra coisa.

EOnline - Como foi gravar com um coro de crianças?

Santiago - A gente tinha uma música [Sem Mais] desse último trabalho que é o "Pedro" que o Popoto, o guitarrista do Raça que falou "nossa, aqui poderia ter um coro de crianças. Naquela época, em 2015, eu tava dando umas oficinas audiovisuais na ocupação do antigo Hotel Cambridge, por conta de um filme que aconteceu lá, "Era o Hotel Cambridge", a gente fazia um monte de coisas com as crianças, a gente dava oficinas, às vezes eu levava o violão, tocava umas músicas, elas curtiam, compunha músicas com elas, sobre a ocupação e as coisas que iam acontecendo lá, e eu levei o gravador, toquei a música, ensaiamos a parte que elas iam cantar, pra ficar bem fixa na cabeça a métrica e a letra, e eu ia gravando uns testes, levei pro estúdio, o Gabriel (técnico do estúdio) juntou rapidão e rolou mó bem!

Ouça na íntegra o último EP da banda, Pedro:


 

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