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Cena Preta - Plano Negro: Representatividade Negra no Cinema

Cena do filme 'Pele Suja Minha Carne'
Cena do filme 'Pele Suja Minha Carne'

Onde estão as diretoras, diretores e roteiristas negros na produção audiovisual brasileira?

O racismo no Brasil, reflexo de uma herança de quase quatro séculos de escravidão, relegou a população negra à marginalidade, subcidadania e pobreza, situação que, em pleno século XXI, permanece de forma alarmante. Segundo a campanha Vidas Negras, lançada pelas Nações Unidas no país em novembro de 2017, o racismo mata um jovem negro a cada 23 minutos.

O meio audiovisual é mais um lugar no qual esta discriminação está presente, percebida na estereotipação dos papéis destinados à população negra, quase sempre vinculados à pobreza e criminalidade, e nas funções por detrás das câmeras. Negras e negros estão longe de serem protagonistas e ocuparem números expressivos nos cargos de direção, roteiro e produção – desempenhados em sua maioria por homens brancos.

A pesquisa realizada pela Agência Nacional do Cinema (ANCINE), intitulada “Diversidade de Gênero e Raça nos Lançamentos Brasileiros de 2016” mostrou que entre os longas produzidos 75,4% foram dirigidos por homens brancos, 19,7% por mulheres brancas, enquanto apenas 2,1% por homens negros. Nenhum longa metragem foi dirigido ou roteirizado por mulheres negras. A pesquisa também mostrou que há uma relação entre um aumento de negras e negros na equipe quando a diretora, diretor ou roteirista também são negros.

Se por um lado a presença ainda tem pouca expressividade, por outro, lança luz a lugares de fala construídos a partir de outros referenciais. Abre espaço para os saberes produzidos por seres discriminados e discursos invisibilizados pela sociedade. Partindo do tema negritudes, a mostra CENA PRETA, PLANO NEGRO, no Sesc Ipiranga, discute lugar de fala e representatividade na produção do cinema brasileiro contemporâneo. Curtas, médias e longas metragens, mesas de bate-papos, oficina e apresentação musical trarão outras possibilidades de expressões e existências para além do discurso dominante. 

A Mostra começa no dia 26 de julho com a exibição dos curtas O dia de Jerusa (Direção de Viviane Ferreira) e Mulheres Negras: Projetos de Mundo (Direção de Day Rodrigues e Lucas Ogasawara). 

A exibição será seguida do bate-papo Representatividade e a presença negra na produção cinematográfica brasileira com Carolina Costa, Viviane Ferreira e Day Rodrigues, com a proposta de debater a representatividade e a presença negra na produção cinematográfica brasileira.

De 26/7 a 26/8, serão exibidos nove curtas em um espaço montado especialmente para receber a mostra na Área de Convivência do Sesc Ipiranga. Entre eles, Pretas no Hip HopEmpoderadas e Negritudes Heliópolis.   

O projeto contará ainda com o bate-papo Três gerações na direção cinematográfica brasileira com Adélia Sampaio, Renata Martins e Gabriel Martins, a oficina Tranças e Penteados com a hair style Amanda Diva Green. E no dia 29/7 show com Tiely e os convidados Luana Hansen, Filosofia de Rua e Hellena Borgys. 

No dia 1/8, a partir das 19h30, as crianças ganham exibição dos curtas ‘A piscina de Caíque’, ‘Òrun Aiyê: a criação do mundo’ e ‘Cores e Botas’, no Espaço do Cine Favela em Heliópolis, localizado na Rua do Pacificador, nº 288. A exibição será gratuita.

>> Confira a programação completa aqui.
 

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