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O improviso nas diversas maneiras de ver a música

Foto: Vinícius de Oliveira
Foto: Vinícius de Oliveira

A música, em termos gerais, é uma forma de expressão construída a partir da combinação entre ritmo, melodia e sons em um determinado período de tempo. Mas, assim como cada um tem seu tempo, a música também é individual e única de pessoa para pessoa.

Os gêneros musicais auxiliam os artistas a buscarem a própria expressão, de acordo com a verdade que querem transmitir e a linguagem que querem utilizar. O jazz, por exemplo, tem o improviso como uma das principais características, o que colabora para o momento de criação fluir de maneira leve e sem rótulos.

No mês de agosto, o Sesc Birigui recebeu quatro nomes de peso do universo do jazz contemporâneo– dois nacionais e dois internacionais – sendo eles Dom Salvador Sexteto, Jupiter & Okwess, Salomão Soares Trio e Isfar Sarabski & Trio Shahriyar Imanov. O objetivo da música para cada um deles se difere e isso mostra a universalidade do gênero e da linguagem como um todo.

A individualidade da compreensão musical colabora para o nascimento de criações únicas e contemporâneas. Desta forma, a linguagem evolui e novos estilos surgem de artistas inspirados em clássicos consagrados.

 

“O jazz é um estilo de música muito complexo e muito individual também. Para construir algo próprio, é preciso ouvir tudo o que está acontecendo, para pegar referências. E sempre conversar com as pessoas” - Salvador da Silva Filho, pianista da banda Dom Salvador Sexteto.

 

O desenvolvimento do músico colabora com o processo de composição. Elementos de diferentes gêneros conversam entre si, com inspirações e compatibilidade de melodias.

 

“Eu sou um daqueles músicos que gostam de ouvir diferentes tipos de música: jazz, rock, música eletrônica e um bom pop. Eu considero que não há limites nos gêneros. Da mesma maneira como eu tocava e toco jazz clássico há 3 anos, comecei a tocar música eletrônica e eu adorei fazer isso” - Isfar Sarabski, pianista do projeto musical em parceira com o Trio Shahriyar Imanov.

 


O cotidiano possui várias sonoridades. Alguns sentem a necessidade de buscar gêneros que transcendem o mundo real e instalam a calmaria no ambiente. Para criar, o espaço também acolhe a melodia e os pensamentos do compositor.

 

“No momento em que estou compondo e tocando, não sinto nenhuma barreira, muito pelo contrário. Eu fico extremamente à vontade, sem me preocupar com nada. A música é isso, liberdade” – Salomão Soares, integrante do grupo Salomão Soares Trio.

 

A música rege cerimônias de todos os povos e nações desde sempre, e é considerada uma linguagem universal. Neste universo, vertentes são desenvolvidas e transmitidas com diferentes objetivos.

 

“Utilizamos a música contra a injustiça, já que não estamos armados. As pessoas que têm poder, usam armas de verdade. A nossa arma é a canção” - Jupiter Bokondji, responsável pelos vocais e percussão do grupo congolense Jupiter & Okwess.

 

Seja com música, dança, teatro ou circo, sempre existirá algo a ser transmitido. A arte, como uma expressão humana, permite essa demonstração de pensamentos e emoções. O corpo só precisa estar aberto às sensações. 

 

Texto por Bryan Belati, estudante de jornalismo e estagiário de comunicação do Sesc Birigui.

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