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Ela DJ: o protagonismo feminino na música eletrônica

A última edição do Tomorrowland Brasil, realizada em Itu, interior de São Paulo, reuniu em três dias de evento mais de 180 mil pessoas. Eventos dessa magnitude revelam o quanto a música é capaz de promover a diversidade ao unir uma variedade de públicos sem distinção de sexo ou gênero.

Mas essa máxima nem sempre se aplica ao âmbito profissional da música eletrônica, por vezes, predominantemente composto por homens. Prova disso foi a lista de atrações da edição 2016 do Tomorrowland, composta por apenas 5% de mulheres.

Com o objetivo de ampliar o acesso e potencializar o engajamento de mulheres em práticas como a discotecagem e outras que envolvem as mais diversas tecnologias, durante todo o mês de setembro, os Espaços de Tecnologias e Artes das unidades do Sesc, na capital e no interior, oferecem uma programação feita por e, prioritariamente, para mulheres – cis, trans, meninas, senhoras, mães, negras, brancas, indígenas, migrantes, refugiadas. As atividades fazem parte da campanha "As Mulheres e as Tecnologias".

Em Rio Preto, a música eletrônica ocupa o ETA com a DJ Helen Malta, que conduz uma oficina prática e interativa, trazendo técnicas básicas e equipamentos profissionais de discotecagem. Junto à prática, Helen apresenta um panorama histórico sobre a participação da mulher nesse meio e o mercado de trabalho nos dias atuais.

Confira abaixo a entrevista que fizemos com a DJ Helen Malta.

EOnline: Como surgiu seu interesse pela música e como foram os primeiros passos da sua carreira?
Helen Malta: Desde adolescência gostava de música, ouvia de quase tudo, mas a música eletrônica sempre mexeu mais comigo. Sempre dei prioridades para outras coisas da vida e deixava de lado o que realmente me fazia feliz. Em 2016 passei por uma fase muito difícil, quase entrei em depressão, foi quando comecei a ouvir mais e mais músicas para tentar esquecer um pouco dos problemas e as dores que a vida me causou, mas entre as músicas comecei observar que quando ouvia música eletrônica me sentia diferente, me tocava profundamente, me fazia bem. Aos poucos o som eletrônico foi ocupando cada vez mais espaço nas minhas playlists, minhas forças foram sendo renovadas e o que era tristeza foi se tornando motivação para mudar totalmente e completamente minha vida. Foi quando decidi pesquisar a carreira de DJ e busquei um curso. A princípio, não levei a sério, era mais por um hobby. Mas a paixão pelo som foi tomando uma proporção tão grande que quando menos vi já estava totalmente envolvida.

EOnline: Quais suas influências no mundo da música?
Helen Malta: Minhas influências nunca foram “DJs famosos”. A música me proporcionou renascer e conhecer pessoas incríveis que hoje são meus amigos, e um deles é meu ex-professor do curso de DJ, Henrique Cass, que hoje se tornou um amigo, me ajudou muito e me apoiou em todos os momentos.

EOnline: Você já sofreu algum tipo de preconceito na sua profissão?
Helen Malta: Não por ser mulher, talvez por ter sido iniciante. Mas por se tratar de uma DJ "mulher" as pessoas respeitam e admiram.

EOnline: Como você vê o Girl Power no cenário da música eletrônica?
Helen Malta: As mulheres estão cada dia mais conquistando espaço na cena. É uma profissão em que se ganha destaque e admiração quando se há mulheres.

EOnline: Como é a aceitação no mercado de uma DJ mulher?
Helen Malta: É um diferencial positivo, apesar de haver mais DJs homens que mulheres. A mulher se destaca com sua beleza, simpatia e charme. Temos uma ótima aceitação no mercado, mas existem vários fatores para que haja aceitação, como conhecimento, técnica e dedicação.

EOnline: Quais seus projetos futuros?
Helen Malta: Estou estudando e me aprimorando. Tenho objetivo de tocar em outras cidades e estados. Quero tocar em clubes e festivais.

EOnline: O que aconselha às mulheres que também querem seguir a carreira de DJ?
Helen Malta: Em primeiro lugar digo que é preciso ter amor, amar o que se faz. O amor é o segredo para tudo. Depois vem uma série de fatores que, para qualquer outra profissão se encaixa também. Muita dedicação, estudo, persistência, são fundamentais. Não buscar pela fama, mas busque pelo o que toca a alma. O mundo da música é fascinante, é transformador!

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