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Projeto Sawé discute o papel das lideranças políticas indígenas na luta pela defesa de seus territórios

Identidade visual do Projeto Sawé - Concepção Denilson Baniwa
Identidade visual do Projeto Sawé - Concepção Denilson Baniwa

Com foco na importância das lideranças políticas indígenas, em especial no papel das mulheres, na luta pela defesa dos territórios, o Projeto Sawé promove, ao longo de 2018 e 2019, uma série de ações que incluem encontros, bate-papos e exposição, que propõem uma reflexão sobre os processos de articulação dessas lideranças, suas diversas modalidades de organização e suas interações tanto com as estruturas internas nas comunidades, como com as estruturas políticas não indígenas.

A construção do projeto estabelece uma sintonia com as dinâmicas atuais das lutas desses povos, unindo-se ao protagonismo indígena em estruturas colaborativas, desde sua curadoria e conceituação até a identidade visual, organização de conteúdos e produção das obras.

O Projeto enfatiza o protagonismo indígena na luta política por seus direitos, possibilitando que o público tenha contato com a diversidade desses povos, compreendendo os indígenas como ativos cidadãos brasileiros em busca da construção de uma sociedade mais democrática e humana.

Os encontros

O primeiro encontro, que aconteceu no dia 29 de setembro, abordou o tema Estratégias Indígenas em defesa dos Territórios Originários e discutiu as diversas formas de luta desenvolvidas pelos povos indígenas para garantir seus direitos constitucionais e legais no que tange aos seus modos de vida em seus territórios tradicionais. A conversa aconteceu com os líderes convidados Eunice Antunes Kerexu Yxapyry (liderança Guarani Mbya da Terra Indígena do Morro dos Cavalos, em Palhoça, SC) e Kretã Kaingang (liderança Kaingang, PR).

Considerando a defesa dos territórios originários como ponto de partida das atuais mobilizações políticas do movimento indígena, a roda de conversa discutiu os diferentes contextos e embates políticos que ameaçam seus direitos e levaram à compreensão da necessidade de ocupar espaços políticos de decisão com representantes próprios.

Com foco nos objetivos do movimento indígena, a discussão abordou sobre a garantia do direito constitucional que reconhece aos povos indígenas a sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam.

Assista ao vídeo apresentado como elemento disparador desse primeiro encontro: 

A segunda Roda de Conversa Os modos de ser indígena no mundo e a busca do bem-viver: Cosmovisões e transformação cultural acontece no dia 20 de outubro, com Sueli Maxakali (liderança tikmü’ün - ou Maxakali -, MG) e Almerinda Nanayo Tariana (liderança indígena do povo Tariano da Terra Indígena Alto Rio Negro, AM) debatendo sobre os desafios que os povos indígenas enfrentam para construir o presente e o futuro com bases em suas concepções de mundo, em contextos onde as influências da sociedade não indígena impõem a necessidade de fortalecimento de suas tradições e  transformam suas organizações políticas e sociais.

Encerrando o ciclo de primeiros encontros, no dia 24 de novembro, a terceira Roda de Conversa: Estratégias, ações e práticas Indígenas na gestão dos territórios recebe os convidados Marivelton Baré (AM) e Marina Terena (MS), o encontro oferece um diálogo sobre as novas maneiras e estratégias indígenas para gerir seus territórios com autonomia e sustentabilidade, a fim de garantir a sobrevivência de suas culturas mediante os desafios impostos pela sociedade não indígena.

Equipe Curadora

Naiara Tukano é graduada em Direito pela UFPR. Em 2013, durante o I Fórum Nacional das Culturas Indígenas, foi eleita membro titular do Colegiado Setorial das Culturas Indígenas do MinC, sendo representante da região Norte. Neste encontro foi eleita representante indígena no Conselho Nacional de Política Cultural, para o período de 2013 a 2015. Em 2014 e 2015 coordenou, junto ao Ministério de Saúde, o Projeto de Intercâmbio Cultural entre os povos Tukano, Dessana, Baniwa e Ashaninka para resgate das práticas tradicionais relacionadas à saúde. Em 2015 foi Relatora do Curso de Agroecologia junto ao povo Ashaninka do AC, e Coordenadora da Inauguração do Ponto de Cultura Centro Yorenka Ãtame e Teia Indígena do Acre em novembro de 2015.

Sandra Benites é Guarani Nhandeva, originária de Mato Grosso do Sul. Cursou Licenciatura Intercultural Indígena na Universidade Federal de Santa Catarina, recentemente completou um mestrado em Antropologia Social pelo Museu Nacional – UFRJ. Trabalha, desde 2004, com educação indígena, inicialmente em Espírito Santo e mais recentemente no Rio. Mora no Rio de Janeiro, onde foi curadora de Dja Guata Porã: Rio de Janeiro indígena no Museu de Arte do Rio em 2017–18. Foi Coordenadora Pedagógica de Educação Indígena na Secretaria de Educação do Município de Maricá, RJ (2012–14). De 2010 até 2015 foi pesquisadora bolsista do Observatório da Educação Escolar Indígena.

Maurício Fonseca é historiador e indigenista. Foi curador e coordenador geral do evento Brasil Indígena: História, Saberes e Ações em 2015 (parceria com o SESC-SP e MinC); foi curador e organizador das seguintes publicações: Brasil Indígena: História, Saberes e Ações (Edições SESC-SP, 2015); Catálogo do Prêmio Culturas Indígenas (edição Ângelo Cretã  – Edições SESC-SP, 2007) e do Catálogo do Prêmio Culturas Indígenas (Xicão Xukuru – Edições SESC-SP, 2008); foi coordenador do projeto Ñande Arandu Pygua – Memória Viva Guarani, em parceria com o SESC-SP, Instituto Teko e o Ministério da Cultura, 2002–06; Coordenador Geral do Prêmio Culturas Indígenas (2006–13); membro do Colegiado Setorial das Culturas Indígenas (2010–15), do Ministério da Cultura.

Pablo Lafuente é curador, escritor e professor. Foi cocurador da 31ª Bienal de São Paulo em 2014 (com Galit Eilat, Luiza Proença, Nuria Enguita Mayo, Benjamin Seroussi, Charles Esche e Oren Sagiv). Trabalhou como professor visitante na Universidade Federal do Sul da Bahia em 2015–16, e em 2017–18 foi curador, com Sandra Benites, Clarissa Diniz e José Bessa, de Dja Guata Porã: Rio de Janeiro indígena, uma exposição de construção colaborativa com povos indígenas do estado de Rio de Janeiro no MAR. Foi também curador do pavilhão nacional da Noruega na Bienal de Veneza em 2011 e 2013, e professor durante 12 anos em Central Saint Martins em Londres. Atualmente é Coordenador do Programa Educativo no CCBB em Rio de Janeiro. 

Convidados

Eunice Antunes Kerexu Yxapyry (SC): Liderança Guarani Mbya da Terra Indígena do Morro dos Cavalos, em Palhoça. É articuladora da Comissão Guarani Yvyrupa e fundadora do centro de Formação Tataendy Rupa, no Morro dos Cavalos. Formada no curso bilíngue Kuaa Mbo’e conhecer-ensinar, e graduada no curso de Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica, com ênfase em Gestão Ambiental na UFSC. Atua nos planos de gestão territorial e ambiental em Morro dos Cavalos e no parque estadual da Serra do Tabuleiro. É candidata a deputada federal por Santa Catarina.

Kretã Kaingang (PR): Liderança Kaingang, atualmente integra a coordenação geral da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). Foi coordenador político da ARPINSUL/Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul, e conselheiro indígena junto ao Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC) do MinC, entre 2013 a 2015. É um dos principais articuladores do movimento indígena em escala nacional.

Sueli Maxakali (MG): liderança tikmü’ün (ou Maxakali), professora, cineasta, artesã, pesquisadora, fotógrafa e realizadora dos filmes Kõnã’ãg xeka: o Dilúvio Maxakali (2016) e Tatakox (2008). Produziu um livro de fotografias intitulado koxukxop, junto com outras mulheres da Aldeia Verde.

Almerinda Nanayo Tariana (AM): liderança indígena do povo Tariano da Terra Indígena Alto Rio Negro. Iniciou sua trajetória no movimento indígena aos 15 anos na Federação das Organizações Indígena do Rio Negro/FOIRN. Participou da fundação e presidiu a Associação de Mulheres Indígenas no Distrito de Yawarete. Faz parte da diretoria da FOIRN da qual foi a primeira Presidente mulher, hoje atua como diretora executiva.

Marivelton Baré (AM): Liderança com 27 anos de idade é atuante no Movimento Indígena desde os 14. Iniciou suas ações através da Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro (ACIMRN), foi secretário do departamento de jovens e adolescentes e coordenou o Projeto Participativo do Médio Rio Negro. Foi membro do Conselho da ACIMRN. Atualmente é Presidente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN).

Marina Terena (MS): Indígena do povo Terena, mora em Campo Grande (MS). Atuou no Conselho Nacional de Mulheres Indígenas, que realizou a primeira Conferência Nacional das Mulheres Indígenas e o livro Natyseno – Luta, trajetória e história das Mulheres Indígenas. Foi gestora da ONG Tydewá, e do portal Índio Educa (www.indioeduca.org), que desenvolveu diversos materiais ligados à educação, cultura e história dos povos indígenas do Brasil. Participou na organização dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas em Tocantins e do Projeto de Formação de Professores em História e Cultura Indígena pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Atualmente trabalha como educadora no Centro de Convivência e Fortalecimento de Vínculo Botafogo em Campo Grande.

 

Projeto Sawé

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