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Uma viagem literária pela América Latina

Livros da mediação de literatura Latino-Americana no Sesc Itaquera. Foto: Thaís Fero
Livros da mediação de literatura Latino-Americana no Sesc Itaquera. Foto: Thaís Fero

Octavio paz escreveu em O Arco e a Lira que a nada distingue a literatura argentina da uruguaia, nem a mexicana da guatemalteca. "A literatura é mais ampla do que as fronteiras", conclui o escritor.

Basta uma leitura atenta dos escritores latino-americanos para sentirmos esses limites imprecisos. Brasileiros, colombianos e cubanos têm seus estilos distintos e diferenças linguísticas, mas eles seguem uma mesma trilha, permeada por uma mesma identidade.

Mais do que o processo de “descobrimento”, conquista e colonização, os latino-americanos têm em comum a herança indígena, negra e europeia.

“É uma literatura que une o que estava antes com o que veio depois", define a Beatriz Novick Mainardi , professora de pedagogia, letras e história. Até meados do século XX, as obras de nossos conterrâneos e hermanos era vista como um apêndice da produção portuguesa e espanhola. O reconhecimento mundial de nossa originalidade veio com a premiação da chilena Gabriela Mistral com o Nobel de Literatura em 1945. De lá para cá, Mario Vargas Llosa, Miguel Ángel Asturias, Pablo Neruda, Gabriel García Márquez e o próprio Octavio Paz foram ganhadores do prêmio.

Para os que desejam mergulhar nos clássicos latino-americanos, Beatriz Novick preparou uma lista de indicações para iniciantes. 

 

Beatriz Novick e Jaqueline Garcia durante a mediação de literatura latino-americana. Foto: Thaís Fero


1. As Palavras Andantes - Eduardo Galeano (Uruguai)

Apesar de As Veias Abertas da América Latina ser considerada a obra-prima do escritor, um bom começo para adentrar a literatura de Galeano é a o título As Palavras Andantes. "São pequenos textos que vão contando histórias da América Latina, com lendas, mitos, fatos e fantásticas”, destaca Beatriz. As gravuras do livro foram criadas pelo cordelista brasileiro J. Borges.

2. Pablo Neruda – Confesso que Vivi (Chile)

O livro conta a história do próprio autor, que se mistura com fatos históricos como a Guerra Civil Espanhola, a Segunda Guerra Mundial e o Golpe de Estado do Chile em 1973. “Um dos pontos altos do livro são as descrições que ele faz do Chile”, enfatiza Beatriz.

3. Isabel Allende - A Casa dos espíritos (Peru)

Uma das representantes do gênero feminino citadas por Beatriz, além de Gabriela Mistral, é a peruana Isabel Allende. A Casa dos espíritos, livro de estreia da escritora, conta a trajetória de três gerações da família Trueba. A vida das personagens se confunde com a história chilena do século XX.

4. Horacio Quiroga - Contos de Amor, de Loucura e de Morte (Uruguai)

“Quiroga é o pai dos contos. Ele é um mestre dessas narrativas", afirma Beatriz. O livro reúne 15 histórias que vão do fantástico ao terror. Os contos são ambientados no Uruguai, Argentina e na fronteira com o Brasil.

5. Quino - Mafalda (Argentina)

A menina questionadora dos quadrinhos de Quino foi o símbolo das décadas de 1960 e 1970 na Argentina. As tirinhas misturam humor e critica social. “Em Mafalda é possível ver o humor crítico dos latino-americanos”, enfatiza Beatriz.

 

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