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A camisinha já não é o único método de prevenção ao HIV

Imagem da oficina de Arte com Preservativos.
Imagem da oficina de Arte com Preservativos.

No discurso, ela é unanimidade. A camisinha é a resposta número um quando se fala em prevenção do HIV. O que muita gente ainda não sabe é que atualmente existe uma nova forma de proteger-se do vírus.  “A camisinha é maravilhosa, mas um dos erros que a gente cometeu nos últimos 30 anos, pra tentar controlar os novos casos de infecção por HIV, foi achar que a camisinha funcionaria para absolutamente todas as pessoas”, afirma o médico infectologistas Ricardo Vasconcelos, coordenador do ambulatório especializado em HIV do Hospital das Clínicas da FMUSP.

Pessoas diferentes vivem contextos de vida sexual diferentes. Para algumas, o uso da camisinha já se tornou um hábito, que de forma nenhuma deve ser abandonado. Para outras, existe uma dificuldade em manter o uso frequente. Nesse sentido, quanto mais opções de prevenção existirem, melhor.

No início de 2018, chegou ao Sistema Único de Saúde a PrEP – Profilaxia Pré Exposição. Trata-se de um comprimido que, quando tomado diariamente, impede que o vírus causador da Aids infecte o organismo. Ricardo é um dos integrantes da equipe brasileira de estudos sobre o método e vem atuando também em seu processo de implementação no SUS.

Um dos argumentos dos críticos desta ferramenta é o fato dela não proteger contra as outras IST. A ideia vem geralmente acompanhada do temor de que os casos de sífilis, gonorréia e clamídia aumentem com seu uso. De acordo com o infectologista, este não é o movimento observado nos países em que a PrEP já é utilizada há mais tempo, como Estados Unidos e Austrália. “Todas as outras IST tem tratamento e cura. Para elas, o melhor que você faz para controlar a epidemia é rastrear, encontrar, diagnosticar e tratar essas pessoas. Assim é possível quebrar a cadeia de transmissão”. Por isso, quando se fala em saúde pública, a testagem para estas infecções também é considerada uma importante forma de prevenção.

A carga moral associada ao sexo atrapalha as ações de educação para a prevenção, a qualidade do atendimento dos serviços de saúde e a aceitação de novos métodos como a PrEP. Por muito tempo, o discurso sobre o controle da Aids veio muito colado ao controle do sexo. Campanhas calcadas no medo e na culpa deixam seus ecos até hoje, inclusive na saúde mental das pessoas que vivem com HIV. Uma estratégia usada por décadas, que não conseguiu impedir o surgimento de novos casos. No Brasil, ainda são registrados cerca de 40 mil novas infecções por HIV ao ano.

Diante desta percepcção, as organizações nacionais e internacionais de saúde vêm buscando uma abordagens diferentes para o assunto, tratando o sexo por uma perspectiva positiva. A OMS – Organização Mundial de Saúde, considera que ter uma vida sexual de qualidade é uma meta para que a pessoas tenham qualidade de vida. 

Por que o HIV continua se espalhando?

Hoje existe uma abordagem multifatorial para compreender e trabalhar no controle da epidemia de Aids. As conjunturas sociais que causam exclusão de determinados grupos também estão associados a este contexto.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Sendo assim, ações de combate o preconceito também são parte importante quando se fala em saúde sexual.  “Um jovem gay que consegue viver a sua homosexualidade de maneira plena, satisfatória, instrumentalizado com tudo que existe sobre saúde sexual para evitar IST, é um jovem que vai ter muito menos chance de pegar HIV. Já um jovem gay que por conta de um país homofóbico, que faz piada com a sexualidade dele, que recrimina e pode até trazer violência pra essa vida dentro de uma sexualidade diversa, vai estar muito mais vulnerável a uma infecção por HIV”

Para avançar no combate ao contágio por HIV, as melhores estratégias de prevenção são aquelas que o indivíduo escolhe, entende como funciona e é capaz de usar de maneira correta e constante. “Dar autonomia pra pessoa entender o que que cabe na vida dela é que mais funcionou até hoje pra controlar o número de novos casos que temos ainda registrados anualmente”.

Saiba quem pode se candidatar à PrEP no SUS e onde o método está disponível

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Rico Vasconcelos participou do encontro Epidemia de HIV no Brasil? Onde?, realizado no Sesc Vila Mariana, na programação do projeto Contato, que acontece 26/11 a 5/12 nas unidades do Sesc SP. As atividades visam promover a saúde sexual e a prevenção das infecções sexualmente transmissíveis, entre elas o HIV/Aids. As atividades buscam proporcionar conversas que incentivem autocuidado e o cuidado mútuo. Saiba mais em sescsp.org.br/contato

 

 

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