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Da capoeira ao Puxirão: um pouco da cultura quilombola no Sesc Verão

Aula de ciranda com Ketu, por CoopFilms
Aula de ciranda com Ketu, por CoopFilms

Neste verão, o grupo Puxirão Bernardo Furquim, do Quilombo de São Pedro, marca presença em uma série de atividades do Sesc Verão em Registro. Entre danças, música e capoeira, trocamos uma ideia com Luiz Ketu, professor de ensino básico e fundador do grupo, sobre cultura quilombola e território. No final, aprendemos sobre o que se trata o Puxirão.


Aula de capoeira com o Grupo Puxirão e Ketu, imagem por CoopFilms

Estabelecido em 1856  pelo casal Rosa Machado e Bernardo Furquim, o Quilombo de São Pedro é sinônimo de resistência no município de Eldorado, na região do Vale do Ribeira. Além das atividades de subsistência, artesanato e bananicultura, o quilombo é conhecido pelo Grupo Cultural Puxirão Bernardo Furquim,  formado em 1997 como um grupo de capoeira para crianças e jovens e que, desde então, resgata práticas culturais que foram se perdendo ao longo dos anos. 

Quando se fala em resgate ancestral, do que sempre esteve nas comunidades quilombolas e que sempre foi nosso, de negros e negras, isso tudo nos foi retirado, foi demonizado, retirado do nosso quilombo e apropriado por outros lugares. Nesse aspecto, é de extrema importância retomarmos essas manifestações para a comunidade se empoderar sobre a própria história e povo.”  , afirma Ketu.


Aula de ciranda com o Grupo Puxirão e Ketu, imagem por CoopFilms

O território quilombola não é só a terra como demarcação. De acordo com Ketu, as práticas que ocorrem em cima e em torno da terra: o sistema agrícola, as relações familiares, os modos de educar e alimentar, a oralidade, tudo se completa. Assim, as práticas como a capoeira, a ciranda, o jongo, o coco e a dança da mão esquerda são de extrema importância para a significação do território e a sua manutenção.

O Puxirão, que dá nome ao grupo, remete a todas essas práticas. Nos dias de colheita, uma família convida as demais para ajudar e, em troca, oferece a alimentação e um baile ao fim. Um momento para colocar em prática as danças e também contar causos, piadas e repassar toda a história para as gerações futuras.

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