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Que cheiro é esse Jacaré?

Foto: Sônia Inácio
Foto: Sônia Inácio

Faz tanto tempo que eu vivo aqui, já até perdi as contas. Eu sempre fui um Jacaré gigante, e o legal disso é que a criançada não se assusta comigo - muito pelo contrário, elas se divertem bastante! Durante a vida inteira morando aqui eu já vi muita coisa mudar; percebi ao longo do tempo que os hábitos mudaram, o jeito de consumir mudou, o comportamento das pessoas, o entorno cresceu bastante - tá mais populoso - e, com isso, cresceram também os problemas da região. E é sobre isso que eu quero falar com vocês. 

Pra quem não sabe, eu moro dentro do Sesc Interlagos, que fica às margens da Represa Billings, um dos reservatórios de água mais importante da cidade de São Paulo. Muitos amigos passam por aqui todos os dias pra ter aquele dedo de prosa e, ultimamente, muita gente vem se queixando sobre o cheiro da represa. Eu sempre falo pra eles que não é por falta de cuidado de minha parte. O que acontece com a represa é que, devido ao descarte de esgoto in natura, restos de alimentos, detergentes, óleos, e todas as outras substâncias que chegam até ela, como excesso de nutrientes vindos dos dejetos humanos, ocorre o desequilíbrio na qualidade da água.

Mas quem conversa sempre comigo é o meu amigo Felipe Gaspari - Engenheiro Agrônomo do Sesc Interlagos. Ele me explica o porquê e como surge esse cheiro estranho. 

Quer saber?

Todo lixo jogado na rua irregularmente acaba indo parar na represa carregado pela chuva, ou seja, ao invés da chuva diluir a poluição ela carrega ainda mais resíduos para dentro das águas. Toda essa mistura faz explodir a proliferação de algas na superfície (lembrando que as algas são plantas aquáticas que fazem parte do ecossistema), mas a poluição causa a proliferação excessiva dessas algas. Esse excesso de plantas aquáticas funciona como uma tampa na superfície da represa, não deixa a luz do sol entrar, e não permite o contato com o ar, causando a morte de peixes, plantas e outros seres vivos.

Com a chegada do verão esse cheiro fica ainda mais forte, porque as altas temperaturas aceleram a proliferação das algas, que ao se multiplicarem desenfreadamente formam uma barreira na superfície da represa zerando o nível de oxigênio da água. Sem oxigênio, surge esse odor característico.

 
  
Fotos: Luciano Vanderley

Além disso, gostaria muito de falar pra vocês sobre a importância de minimizarmos os danos à natureza. Não se esqueçam de descartar corretamente os resíduos, não jogando lixo nas ruas, matas e córregos. Sempre que possível, encaminhe para a reciclagem. 

Aqui, temos um ponto de descarte de eletroeletrônicos usados Descarte Green e também o programa Lixo menos é mais, que tem o objetivo de reduzir a produção de resíduos nas unidades do Sesc e destina-los corretamente. Ah! E pra ajudar com mais informação, a exposição Água Viva apresenta o tempo de degradação de alguns materiais.

Vamos juntos nessa?

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