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O paranauê de Mestra Janja

Na Capoeira, além de ritmo, a música traz ancestralidade, história, resistência. Foto: nzinga.org.br
Na Capoeira, além de ritmo, a música traz ancestralidade, história, resistência. Foto: nzinga.org.br

Quantas vezes você ouviu uma música que parece que foi feita para você? Dá aquela sensação de que quem escreveu a letra te conhece mais do que você mesmo(a). Afinal, a música é isso: a expressão da cultura de um povo. Revela o que fazemos, como nos relacionamos, ou seja, as dores e as delícias de sermos quem somos.

Na Capoeira essa conexão entre a musicalidade e a prática estão fortemente ligadas. Mais do que apenas dar o ritmo para a prática da luta, na Capoeira a música traz ancestralidade, história, resistência, mantendo vivos rituais da prática que se perpetuam pela oralidade. Se as atividades físicas e esportivas já têm uma forte conexão com a música, nesta modalidade a relação fica ainda mais íntima. Por isso, a historiadora e fundadora do Grupo de Capoeira NZinga, Mestra Janja foi convidada para colaborar na playlist Verão no Ritmo.

 

Mestra Janja, à esquerda da foto, em aula na sede do Grupo NZinga em São Paulo. Foto: nzinga.org.br

 

Nem sempre a capoeira esteve na vida da Mestra. Nascida em uma família interracial, com a maioria branca, não tinha uma história de capoeiristas em sua família, que associava questões vinculadas às tradições afro-brasileiras aos estigmas de malandragem e de marginalidade. Sua vida sempre foi ativa em outras práticas, mas foi a capoeira que conquistou seu coração.

“[...]Sempre convivi no mundo das atividades físicas. Comecei a praticar esportes pequena, passei por vários, até chegar no handebol. O handebol me levou à faculdade de educação física. Certo dia, uma amiga me falou do retorno de duas pessoas a Salvador que faziam uma capoeira esquisita. Eu pedi para ela me levar nesse lugar. Quando cheguei, eram Moraes e Cobrinha [também conhecido como mestre Cobra Mansa]. Perguntei o que eu tinha que fazer para praticar a capoeira angola. Me disseram: ‘É só entrar’. Coloquei a bolsa no chão, entrei na roda e nunca mais saí.”


Orquestra de berimbaus do Grupo NZinga. Foto: nzinga.org.br

 

A curadoria de Mestra Janja para a playlist com músicas nacionais e internacionais, expressa sua personalidade, seus valores e tudo aquilo pelo que luta, tanto na capoeira quanto na sociedade.

A representatividade feminina marca todas as faixas, com grandes vozes como Maria Bethânia, Elza Soares, Elis Regina e Edith Piaf. Mulheres marcadas pela resistência e pela força para superar diversos obstáculos que enfrentaram em suas vidas. O protagonismo negro e a espiritualidade africana ganham vida em músicas como “Ponto de Nanã”, de Mariene de Castro, e “Iansã”, de Rita Benneditto. Além de atravessar gerações desde a tradicional “Feeling Good” (Nina Simone) de 1965, até as atuais “Respeita As Mina” (Kell Smith) de 2018  e “Canto da Massa” (Margareth Menezes) de 2019.

Escute aqui a playlist completa e entre na sintonia do Verão no Ritmo. Você vai descobrir como a música pode ser o combustível que faltava para engrenar de vez em uma rotina mais ativa e de bem estar.

 

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