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Como as mulheres desafiaram as proibições e têm se tornado protagonistas no Esporte

No mês de março, as mulheres ocupam a programação esportiva do Sesc Pompeia
No mês de março, as mulheres ocupam a programação esportiva do Sesc Pompeia

Por Lu Castro*

O corpo da mulher foi tido por muito tempo como frágil, abrigo carinhoso da família, reprodutivo como fim único e incompatível com a prática esportiva.

Mas, se tem uma coisa que mulher pode, é poder. E assim as mulheres avançaram da prática esportiva prazerosa e diária até o alto rendimento. Ainda que as convenções sociais, narrativas minuciosamente construídas para jornais, TVs e leis tentassem restringir o acesso, a mulher ocupou os espaços abriu o caminho para conquistas para além dos títulos e medalhas.

Segundo relatos, a grega Stamata Revithi foi a primeira mulher a buscar espaço numa competição, mais especificamente na maratona dos Jogos Olímpicos de 1896. Mesmo proibida pelos organizadores, com Pierre de Coubertin declarando que a participação das mulheres no esporte era “impraticável, inestética, desinteressante e incorreta”, Stamata fez o percurso sozinha no dia seguinte ao da prova.

Nos Jogos Olímpicos de Paris, 1900, as mulheres tiveram sua primeira inserção, fato que permitiu que a cada edição dos Jogos, o número de mulheres aumentasse. Nesta edição, 22 mulheres estiveram presentes, com destaque para a tenista britânica Charlotte Cooper, vencedora do torneio de tênis frente à francesa Héléne Prevóst por 6-1 e 7-5.

A primeira participação brasileira se deu em 1932, com a nadadora Maria Lenk. Sua atuação nas piscinas foi tão importante que é a única brasileira a integrar o Hall da Fama da Natação Mundial. Numa conta rápida, após 27 edições, o número de mulheres competindo nos Jogos foi de 0 a 5.185 em pouco mais de um século, ocupando 44,9% das vagas. Isso significa que, em Tóquio 2020, podemos ter mais mulheres que homens nos mais diversos torneios.

Mais recentemente, a figura forte do esporte brasileiro com reconhecimento mundial e mais prêmios de melhor do mundo que outros atletas, está no nome de Marta. A futebolista alagoana saiu dos recônditos do agreste para ser referência num universo cuja discriminação e preconceito contra a mulher são os elos mais difíceis de quebrar, porquanto o futebol é tratado como ambiente rigorosamente masculino.

Na esteira das brasileiras que se destacaram no esporte mundial, outro grande nome é o da tenista Maria Esther Bueno. Com 589 títulos em toda sua carreira e 3 vezes a número 1 do ranking (1959, 1964 e 1966), Maria Esther é a homenageada do Sesc Pompeia neste mês de atividades que tem como principal objetivo fortalecer o vínculo da mulher com o esporte através do conhecimento, do debate, da vivência e da prática.

Neste sentido, é necessário afirmar constantemente que os espaços esportivos, sejam eles competitivos ou não, são democráticos cuja ocupação feminina deve ser amplamente estimulada desde a infância de forma lúdica, como exercício de conhecimento do próprio corpo e seus limites, incentivo à prática como manutenção da saúde e quebra de preconceitos, além, claro, de cooptação de talentos para o alto rendimento.

Se tem uma coisa que mulher pode, é poder. E poder é se movimentar, se descobrir, se deslocar, se reinventar, se conhecer. E isso o esporte permite sem condicionantes, julgamentos ou limites, afinal estes espaços também são delas.

*Lu Castro, jornalista esportiva com vivência intensiva no futebol feminino brasileiro. É parceira do Museu do Futebol e do Sesc SP fazendo a curadoria e produção de conteúdo de exposições temporárias sobre futebol, curadoria de festivais de cinema de futebol e roteiro e produção de curta documentário. É membro da Rede de Pesquisa sobre Futebol, Mulheres da América Latina e Grassroots Sports Diplomacy e colabora quinzenalmente com o portal Ludopédio.

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