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Imigração e refúgio são temas do Clube de Leitura do Sesc 24 de Maio

Foto: Marina Burity
Foto: Marina Burity

Com curadoria de Marcelo Maluf, obras debatidas de março a junho pautam o exílio e seus desdobramentos.

A leitura é uma experiência mágica: é possível viajar, criar mundos e imaginar situações a partir do contato com um punhado de páginas. Faz parte da condição humana a necessidade de contar e ouvir histórias e os livros são, mesmo na era digital, o meio material mais popular para a disseminação de narrativas. E nada melhor que trocar experiências sobre essas histórias com pessoas que também se interessam por livros. O Clube de Leitura do Sesc 24 de Maio inicia, em março, suas atividades em 2019. O primeiro ciclo envolve livros que tratam de imigração e refúgio.

Sob curadoria do professor e escritor Marcelo Maluf, os encontros são gratuitos, têm início no dia 21/3. A primeira obra a ser debatida é Passagem para o ocidente - um romance, de Mohsin Hamid (Paquistão). O ciclo segue com O pomar das almas perdidas, de Nadifa Mohamed (Somália), no dia 18/04, Precisamos de novos nomes, de NoViolet Bulawayo (Zimbábue), no dia 16/05, e O Xará, de Jhumpa Lahiri (Inglaterra), finalizando a série de debates no dia 13/06.

Apesar das diferentes identidades culturais presentes em cada uma dessas narrativas, todas têm em comum o fato de que seus autores nasceram ou têm parentes que viveram em países nos quais a pobreza, disputas por território ou conflitos de religião estão na ordem do dia. Por essas razões, indivíduos ou famílias inteiras se deslocam à procura de melhores condições para viver. “O que une essas quatro obras é a busca pela compreensão da existência a partir da percepção desse exílio, desse estar em movimento no mundo, dessa condição de não se fixar a um lugar específico“, afirma Maluf.

Para ele, neto de imigrantes, a questão também é pessoalmente cara. “Meu avô era libanês e minha avó, síria. O tema dos imigrantes e refugiados sempre esteve muito próximo das minhas reflexões”, lembra o escritor, que também fez do refúgio o pano de fundo para seu romance A Imensidão Íntima dos Carneiros. A obra foi finalista do prêmio Jabuti em 2016, venceu o Prêmio São Paulo de Literatura no mesmo ano e será lançada em árabe, numa antologia com 12 autores brasileiros, incluindo Milton Hatoum e Raduan Nassar.

Os livros têm uma dimensão de transcendência de territórios, principalmente imaginários. No caso da escrita literária que emerge em situações de conflito, fronteiras físicas e barreiras sócio-políticas também estão em perspectiva. Para Maluf, o desafio da literatura nessas regiões é poder circular “sem que sejam abafadas as vozes que teimam em dizer que a vida é maior e precisa ter justiça e dignidade”. Portanto, sem que a liberdade seja tratada como uma ficção.

Saiba mais sobre a programação do Clube de Leitura no Sesc 24 de Maio:

21/03 | Passagem para o ocidente - um romance, de Mohsin Hamid

Numa cidade não nomeada, os jovens Saeed e Nadia iniciam um romance constrangido pelas pressões religiosas e sacudido pela crescente violência de uma guerra civil. Quando ouvem rumores da existência de portais clandestinos que levam a outros países, eles resolvem se arriscar numa aventura sem volta. Este livro foi um dos finalistas do Man Booker Prize e considerado um dos melhores de 2017 por publicações como o jornal The New York Times e a revista Time. Mohsin Hamid nasceu em 1971 em Lahore, no Paquistão. Formado em literatura em Princeton e em direito em Harvard, é autor dos romances Moth Smoke e O fundamentalista relutante.

18/04 | O pomar das almas perdidas, de Nadifa Mohamed

Somália, cidade de Hargeisa, ano de 1987. Deqo, menina de 9 anos que cresceu em um campo de refugiados, recebe uma punição após um erro cometido durante uma apresentação de dança, a viúva Kawsar, que vê a agressão, decide intervir. Deqo foge, mas Kawsar é presa por Filsan, uma jovem soldado. O livro acompanha a história de três mulheres de gerações distintas: Deqo, Kawsar e Filsan, às vésperas do conflito que mergulhará a Somália em uma sangrenta guerra civil. Nadifa  Mohamed nasceu na Somália, mas na década de 1980, durante a guerra civil em seu País, migrou com a família para a Inglaterra. A escritora tem formação em História e Política, pela St. Hilda's College, instituição vinculada a Universidade de Oxford. O seu primeiro romance é "Black Mamba Boy", 2010. Foi eleita como uma das melhores jovens escritoras britânicas de 2013, pela Revista Granta.

16/05 | Precisamos de novos nomes, de NoViolet Bulawayo

Darling e seus amigos costumam fugir de Paraíso, favela onde vivem com suas famílias desde que suas antigas casas foram demolidas a mando do governo. O destino é Budapeste, bairro vizinho, onde roubam as goiabas do quintal das casas das famílias brancas e ricas, ou o mundo da imaginação, por meio das brincadeiras que criam para se distrair do cotidiano sem escola nem comida. Darling sonha com o dia em que morará nos Estados Unidos. Quando esse dia chega, terá de enfrentar o frio, a saudade de sua família e de seus amigos e a adaptação nesse país que mudará seu sotaque, moldará seu olhar e a afastará, irremediavelmente, de sua terra natal. NoViolet Bulawayo nasceu em 1981, em Tsholotsho, Zimbábue. Publicou contos em algumas coletâneas, recebendo o Prêmio Craine for African Writing em 2012 por "Hitting Budapest", conto de que originou "Precisamos de novos nomes", seu romance de estreia. Por este romance recebeu o Guardian First Book Award, o Hemingway/PEN Award para romance de estreia, e ainda foi finalista Man Booker Prize em 2013.

13/06 | O Xará, de Jhumpa Lahiri

O protagonista de O xará, Gógol, sente-se perdido entre duas culturas: a dos Estados Unidos, onde nasceu e vive, e a que veio da Índia e nos corações de seus pais, imigrantes em busca de oportunidades em território americano. O romance acompanha a família Ganguli em suas constantes viagens, físicas ou espirituais, entre tradições e costumes, entre a Índia e os Estados Unidos, entre o passado e o presente. Jhumpa Lahiri nasceu em 1967, em Londres, mas cresceu em Rhode Island, nos Estados Unidos. Filha de pais de origem indiana, a autora busca em seus livros um diálogo entre todas as culturas das quais faz parte e promove uma interessante contribuição a um dos temas de maior importância à nossa contemporaneidade: as geografias do sociocultural.

Gostou das sinopses? Então se inscrava no clube pelo e-mail: clubedeleitura@24demaio.sescsp.org.br. Os livros ficam disponíveis para empréstimo na biblioteca (4º andar) do Sesc 24 de Maio!

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