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A Arte do Encontro

Quando escreveu os versos “a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”, Vinícius de Moraes falava de amor, mas bem poderia estar falando de saúde. Conviver é fundamental para que haja a troca que nos mantém vivos e bem.

 

Um ponto de vista é apenas a vista de um ponto. Por isso, conviver com outros seres humanos agrega diferentes visões de mundo e nos dá a chance de conhecer outras perspectivas. Segundo Marco Akerman, Professor Titular do Departamento de Política, Gestão e Saúde da Faculdade de Saúde Pública da USP, a receita ideal para uma coexistência interessante é fazer uma salada de frutas e não uma vitamina.

O especialista explica que bater todas as frutas juntas elimina as características individuais de cada uma, transformando todas em uma coisa só, homogênea. A salada de frutas, por sua vez, preserva a essência de cada fruta, suas texturas e seus sabores, ao mesmo tempo em que cria uma mistura interessante e diversa. A comparação é usada por Akerman para explicar a importância de preservar a individualidade dentro das relações de coletividade.

Experienciamos que somos seres sociais logo ao nascer, quando precisamos de toda uma rede de cuidados para nossa sobrevivência e bem-estar como bebês. Depois que crescemos, nos tornamos independentes – mas não muito. Continuamos precisando da interação com outros seres humanos, talvez não para sobreviver, mas com certeza para viver bem, mais e melhor.

A qualidade e a quantidade de bons relacionamentos sociais interferem diretamente na saúde de uma pessoa, de acordo com um estudo da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, nos EUA. O estudo, realizado em 2016, foi o primeiro trabalho de pesquisa que mostrou a relação direta dos laços sociais com condições físicas como aumento na pressão sanguínea, obesidade abdominal e inflamações.

 

Delícia e Dor

Hoje, porém, vivemos um grande desafio que é fazer com que os relacionamentos, principalmente os presenciais, continuem acontecendo e gerando boas interações. É que as facilidades da vida atual fazem com que quase tudo seja possível sem contato presencial com o outro: comprar coisas, namorar, fazer amigos, conversar.

 

“As redes sociais nos 'viciam' por reduzir o tamanho do mundo, criar muros de invisibilidade, agregar massas de identidades  semelhantes, projetar inimigos de ocasião.”

Christian Dunker em entrevista ao Huffington Post, junho de 2018

 

Há controvérsias sobre os benefícios dessas mudanças. Um estudo dinamarquês feito com mais de mil pessoas mostrou que ficar longe do Facebook por uma semana deixou os participantes mais felizes, concentrados e socialmente ativos. Segundo o Instituto de Pesquisas sobre a Felicidade, quem deixou o Facebook disse estar mais satisfeito com sua vida. Ninguém quer sugerir que o digital deve acabar, mas é fácil deduzir que está faltando equilíbrio.

Fato é que a dinâmica dos encontros no mundo com o intermédio da internet também mudou. Quase como se perdêssemos a capacidade de interagir com o outro de forma positiva. Não é de se estranhar que se fale tanto hoje em empatia, que é “a capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente”. E isso é muito mais possível quando estamos abertos ao encontro.

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