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Satyros comemoram 30 anos com novo espetáculo

No espetáculo, moradores da Praça Roosevelt entram em conflito (Foto: André Stefano)
No espetáculo, moradores da Praça Roosevelt entram em conflito (Foto: André Stefano)

Neste ano, a Cia. de Teatro Os Satyros celebra seu 30º aniversário com uma série de comemorações. No Sesc Consolação, a companhia vizinha, localizada na Praça Roosevelt, se apresenta pela primeira vez no Teatro Anchieta, estreiando o espetáculo  Mississipi, em 20 de abril, às 21h.

Durante os últimos vinte anos, a Praça Roosevelt passou por um processo de profunda transformação, de local perigoso a um efervescente ponto cultural. A montagem faz dela uma alegoria do cenário político e social do Brasil das últimas décadas, recriando três momentos históricos da praça: 1999, 2009 e 2019. Os períodos, porém, são mesclados de forma a quebrar a ordem cronológica, propondo uma sequência de imagens que constrói a narrativa da peça.

Em 1999, Raul é um bem-sucedido profissional que se estabelece na Praça Roosevelt e passa a se envolver sexualmente com homens em situação de rua.

Em 2009, Princesa e Vangloria vivem na rua. Princesa trabalhou em uma famosa boate dos anos 1970, Le Masqué. Vanglória é sua melhor amiga e companheira. Elas são amigas de Maresias, uma famosa atriz de TV, que vive deprimida e solitária, com pensamentos suicida apesar do sucesso e da estabilidade financeira.

Em 2019, os moradores dos apartamentos da praça mantêm relações paradoxais com as pessoas da rua. Mariana é uma mulher independente que admira a vida livre dessa população. Max é um jovem antissocial que despreza essas pessoas. Ele e seu amigo Thomas consideram-nos fracassados. Alone é recém-chegado à praça e deseja moralizar a região, eliminando as pessoas que vivem na rua.

Já Mississipi, personagem-título, tinha um sonho de criança: conhecer o estado americano em que seu nome era inspirado. Infelizmente, só conseguiu chegar à Praça Roosevelt, outro nome americano, e aparece em meio a essa trama. O painel de personagens com pessoas em situação de rua e moradores da praça abordam os desafios de suas vivências no centro da metrópole, como a intolerância e a violência social, a dificuldade de sobrevivência, a solidão, o abuso policial e a pedofilia. O espetáculo tem elementos de romance policial, espetáculo de denúncia, teatro narrativo e teatro-karaokê.


Elenco conta com 14 artistas da Companhia (Foto: André Stefano) 

Segundo Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, fundadores da companhia, a presença do Satyros no Anchieta está relacionada à região, à proximidade conceitual e geográfica e, principalmente, ao acolhimento cultural que os três espaços (Satyros, Praça Roosevelt e Sesc Consolação) oferecem à população da cidade.

Em continuidade às comemorações, no dia 2 de maio, às 20h, também no Teatro Anchieta, a companhia lança o livro “Mississipi”, obra homônima ao espetáculo distribuido pela Giostri Editora, também inspirada em situações observadas e vividas pelo grupo na Praça Roosevelt.

 

Os Satyros

Os Satyros foi fundado em 1989, por Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez. Já em seus primeiros anos de existência, se destacou por sua linguagem radical e temas polêmicos, em montagens como Sades ou Noites com os Professores Imorais (1990) e Saló, Salomé (1991).

Em 1992, a companhia foi convidada a participar de festivais europeus, em Portugal e na Espanha. Devido à grave crise política e econômica que dominava o Brasil, a companhia se transferiu para Lisboa, em um exílio voluntário até 1999.

Em dezembro de 2000, retorna a São Paulo, abrindo uma sede na Praça Roosevelt, na época considerada uma das regiões mais deterioradas do centro de São Paulo.

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