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Ensinamentos de Wynton Marsalis e Todd Stoll sobre jazz que valem para a vida

A Jazz at Lincoln Center Orchestra com Wynton Marsalis <br> Foto: Frank Stewart
A Jazz at Lincoln Center Orchestra com Wynton Marsalis
Foto: Frank Stewart

Líder da Jazz at Lincoln Center Orchestra (JLCO), o trompetista Wynton Marsalis se reuniu com Todd Stoll, vice-presidente do departamento de Educação da orquestra, e o músico brasileiro Guga Stroeter para uma conversa no Sesc Consolação. O encontro, no dia 19, marcou o primeiro dia da temporada de concertos e atividades educativas da JLCO nas unidades do Sesc, que segue até 30 de junho. Dessa conversa entre amigos, destacamos a seguir algumas observações, conselhos e lições que extrapolam o jazz e valem para a vida:

Sobre ouvir

"A música é a arte do invisível. Ela é sensível a todas as coisas que não podemos ver: pensamentos, memórias, ideias, desejos". Assim começou a fala de Wynton no Sesc Consolação. Embora não tenhamos ouvido sua música nessa ocasião, ele compartilhou com o público muitos desses elementos invisíveis durante a noite. 

A primeira memória que ele evocou deixou claro que sua a dedicação à educação não é à toa: "Meu pai é um grande professor", contou. E uma das maiores lições que Wynton aprendeu com ele foi a ouvir. Num exemplo de aula, depois de tocar uma música, seu pai perguntaria a cada aluno: "o que você ouviu?" Numa classe de dez pessoas, cada uma teria escutado alguma coisa completamente diferente. Ao longo de anos desse exercício, ele foi percebendo que ouvir é algo que pode ser melhorado. 

Todd Stoll concorda e dá um conselho aos professores de música presentes: "Tome um tempo da aula para que seus alunos escutem música. A maioria dos estudantes não se tornarão profissionais, mas serão fãs, serão pessoas que, com sorte, vão passar o resto da vida escutando música". 

Para que a música prospere, de acordo com Todd, é importante ter pessoas para ouvi-la. Ele ainda provoca: "Todos pensam que precisamos de mais Wyntons Marsalis, mas o que mais precisamos é de trabalhadores comuns que amem o jazz. Essa é uma parte muito rica da nossa cultura e precisamos que mais pessoas a conheçam".


Sobre generosidade

"Tocar um solo longo é fácil. Tocar alto, ligar o amplificador é fácil, é divertido", diz Wynton. Mundialmente premiado e reconhecido por seu virtuosismo, o trompetista enumera em seguida uma série de itens que considera mais difíceis: tocar um solo curto para que os outros integrantes da banca possam tocar também; tocar no ritmo, no balanço da música; tocar as harmonias mais complexas de uma forma simples, para que todos possam ouvir; tocar música que as pessoas tenham vontade de dançar. 

Para tocar jazz bem, é preciso abrir mão de alguma coisa, continua Todd: "Você precisa ser altruísta e abrir mão de algo que você faria naturalmente para que a banda soe melhor. É algo que deveríamos fazer no cotidiano". 

Além de necessária nos palcos, a generosidade também pode se manifestar ao compartilhar informações, trocar referências e estudos, por exemplo. "Estamos trazendo os jovens músicos do Conservatório da Universidade de Cincinnati. Eles vão encontrar os jovens estudantes brasileiros, e eles estarão instantaneamente conectados, via Facebook, Whastapp. [...] Há um movimento que pode começar aqui, sobre a qualidade da arte, sobre humanidade. São muitas possibilidades". 

 

Já nos últimos momentos do encontro, uma pergunta síntese chega da plateia: afinal, o que a música pode e não pode fazer?

"Música une as pessoas, gerações, raças", diz Todd. 

"A música não é capaz de impedir nações ou seus governantes de fazerem coisas estúpidas", finaliza Wynton. 
 

>>> Até 30 de junho, Wynton Marsalis, a Jazz at Lincoln Center Orchestra e a A big band do College-Conservatory of Music da Universidade de Cincinnati realizam diversas atividades nas unidades do Sesc São Paulo. Acompanhe em sescsp.org.br/jlco

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