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O que você pensa quando olha para o céu?

Rodolfo Langhi, cientista e professor
Rodolfo Langhi, cientista e professor

Ao olharmos para o céu contemplamos a existência de incontáveis pontos de luz. São estrelas e mais estrelas, que nos levam a diversos questionamentos. Afinal, do que é feito o universo? Qual o seu tamanho? É realmente infinito?

A curiosidade move o ser humano desde a antiguidade à busca por respostas. Dúvidas que instigam o trabalho do professor e cientista Rodolfo Langui.

“Sem dúvida que sim. Essas questões sempre me intrigaram desde criança e me intrigam até hoje. Muitas delas ainda não possuem respostas e, por isso, intrigam também outros cientistas e astrônomos. ” Rodolfo Langhi, professor e cientista.


O trabalho de Rodolfo Langui consiste principalmente em desenvolver pesquisas na área de Educação em Astronomia, procurando por respostas e instigando estudantes a fazerem o mesmo.

“Meu trabalho hoje consiste em principalmente desenvolver pesquisas na área de Educação em Astronomia, ou seja, investigar metodologias de ensino e desenvolvimento de materiais didáticos que sejam razoavelmente eficientes para uso na formação de professores de Ciências, na escola da Educação Básica e em instituições não formais de ensino, como observatórios, planetários e centros e museus de ciências. Mais do que questionarmos sobre o Cosmos, temos de questionar o ensino e a divulgação sobre ele. Caso contrário, como motivaremos e incentivaremos alguns dos futuros cidadãos a desejarem ser cientistas e continuarem querendo procurar respostas para tantos questionamentos sobre o universo?”


Conversamos com o cientista sobre as grandes dúvidas que perseguem a humanidade desde que o mundo é mundo. Confere aí esse bate-papo astronômico.

Eonline: Falando em questionamentos, na sua opinião, qual a dúvida mais frequente da humanidade?
Creio que seja sobre a confirmação científica da existência de vida fora da Terra.

Eonline: E você pode responder para a gente, afinal, do que é feito o universo? Qual o seu tamanho? É realmente infinito?
Para termos condições de afirmarmos quão grande ou quão pequeno alguma coisa é, precisamos assumir um padrão de medida. Em relação à humanidade, podemos dizer com certeza que o universo é imenso! Dizer que ele é infinito seria uma extrapolação, pois seus limites observacionais são tão distantes que, para nós, aproxima-se do “infinito”. Quando falamos sobre limites do universo, estamos, na realidade, referindo-nos sobre até onde nossos maiores e melhores telescópios conseguem enxergar. Sendo assim, o limite do universo depende da nossa tecnologia de observação. Até o momento, os atuais telescópios mostram que a luz dos astros mais distantes leva cerca de 13,8 bilhões de anos para chegar até nós. Mas, o universo está expandindo. Portanto, quando o telescópio mostra estes astros mais distantes conhecidos, estes, na verdade, já estão bem mais distantes, devido à expansão cósmica. Quanto à sua composição, ele é feito basicamente de hidrogênio (74%) e hélio (23%), os elementos químicos mais simples da natureza.

Eonline: As estrelas que encantam o céu todas as noites. Nos fale um pouco sobre elas. Quando olhamos para o céu "vemos o passado"?
Este encantamento celeste fascinou o humano desde o início da história da humanidade. As estrelas eram fonte de inspiração e temor para os povos antigos, que organizavam suas atividades e rituais conforme diferentes constelações surgiam no céu noturno. A vida deles dependia de conhecer o céu! Hoje, sabemos que a luz viaja a uma velocidade aproximada de 300 mil quilômetros a cada segundo no espaço. Por isso, enquanto a luz que parte de uma estrela está viajando no espaço, ela ainda não chegou até nossos olhos. Por exemplo, a luz da Lua leva cerca de 1 segundo para chegar até nós. Por isso, dizemos que enxergamos a aparência da Lua de 1 segundo no passado. A luz do Sol leva cerca de 8 minutos para chegar até a Terra e, por isso, podemos dizer que, ao olharmos para o Sol, vemos como ele foi a 8 minutos no passado. Há estrelas cuja luz leva 4 anos (a mais próxima), 330 anos, 1.500 anos, 17.000 anos, milhões de anos e aqueles astros mais distantes, cuja luz leva bilhões de anos para chegar até sua retina. Portanto, quando a luz da estrela atingiu sua retina, ela esteve viajando no espaço todo este tempo, que depende da distância que ela está. Por isso, podemos dizer que, ao observar cada estrela, estamos vendo um passado diferente do universo. É uma verdadeira “viagem no tempo” para o passado.  

Eonline: E o sol, estrela central do nosso sistema solar, algum dia ele pode desaparecer?
Os astrônomos observam estrelas semelhantes ao Sol expandindo-se no final de sua existência, transformando-se em estrelas super gigantes de coloração avermelhada na superfície, indicando a diminuição da temperatura. Isto acontece porque essas estrelas, assim como o Sol, transformam continuamente o hidrogênio em hélio, ação que resulta na emissão de toda energia que conhecemos nas estrelas. Um dia, o hidrogênio se esgotará no Sol, assim como é observado acontecer em outras estrelas, causando a sua expansão em gigante vermelha e, posteriormente, num resto estelar, conhecido como “anã branca”, com imensa densidade. A cada segundo, o Sol converte cerca de 4 milhões de toneladas de matéria em energia, ao transformar o hidrogênio em hélio. Mas, pelos cálculos dos astrônomos, o Sol ainda teria hidrogênio suficiente para uns 5 bilhões de anos pela frente.

Eonline: Vamos falar sobre os buracos negros, o que são exatamente? Eles representam algum tipo de perigo para a existência no planeta? 
Buracos negros são restos de estrelas de massa muito maior do que a massa do Sol. Uma estrela continua existindo e brilhando porque converte elementos químicos em seu núcleo. Por exemplo, o Sol e outras estrelas continuam emitindo energia porque ainda estão convertendo hidrogênio em hélio, em reações de fusão termonuclear. No entanto, quando a estrela possui massa muito maior do que a do Sol, e seus elementos químicos disponíveis se esgotam para conseguir continuar transformando matéria em energia, a força da gravidade da estrela exerce uma força descomunal sobre ela mesma, de modo que toda a matéria restante desta estrela cai sobre si mesma devido à gravidade. Em outras palavras, a gravidade une toda a matéria da estrela num volume tendendo a zero. Isto aumenta a densidade daquele corpo imensamente até que a aceleração da gravidade fica suficientemente intensa para que nem mesmo a luz consiga escapar daquele corpo, que virou um "buraco negro". De fato, ele atrai tudo ao seu redor, mas apenas dentro de um limite específico, chamado de "horizonte de eventos". Além deste limite, não há escapatória para ninguém, nem mesmo para a coisa mais veloz do universo, a própria luz! Mas, podemos ficar despreocupados porque não há nenhum buraco negro tão próximo assim de nós para colocar em perigo a existência de nosso planeta. 

Serviço

Rodolfo Langui estará no Sesc Birigui no dia 22 de julho, às 19h, falando sobre o tema: "A culpa é das estrelas?". A palestra faz parte da programação do "Cosmos", evento que promove reflexões sore a condição humana na terra e no universo. Para participar é de graça.