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Lugar de mulher é onde ela quiser - inclusive na ficção científica

Por Cláudia Fusco*

Lugar de mulher é onde ela quiser - inclusive na ficção científica. É praticamente unanimidade na comunidade acadêmica, inclusive, que esse estilo literário nasceu pelas mãos de Mary Shelley, com Frankenstein, em 1818. Mas isso não quer dizer que a trajetória feminina na FC sempre teve destaque ou a notoriedade que deveria dentro do gênero. 

Nos últimos séculos, autoras precisaram reafirmar inúmeras vezes seu direito a contar histórias, isso quando não sofriam apagamentos sistemáticos ao trocarem seus nomes para conseguirem ser publicadas. 

Shelley, Le Guin, Butler, Atwood: cada uma, em seu tempo e ao seu modo, se tornou defensora dos direitos das mulheres em, mais do que se infiltrar num gênero literário muito associado ao masculino, contar histórias verdadeiramente importantes, que tornam a ficção científica mais plural, relevante e potente. Não é à toa que estamos redescobrindo tesouros da ficção especulativa escritos por mulheres, e acompanhando novas autoras talentosas ganhando prêmios importantes da FC.

Conheça algumas delas:

 

1- Frankenstein, de Mary Shelley

 

 

Eles o escorraçavam de todos os ambientes como se ele fosse um monstro. Ninguém queria saber de seus sentimentos, nem ligava para o fato de que talvez ele tivesse uma alma. Foi então que ele começou a matar. Bem, vamos ser justos: ele era mesmo um monstro, mas tinha motivos para isso. E foram esses motivos que o tornaram o personagem mais importante da literatura de horror.

 

 

 

2- O Sonho de Sultana, de Roquia Sakhawat Hussain

 

 

Roquia foi uma visionária, uma mulher de seu tempo que lutou pela liberdade de outras mulheres e para isso criava mundos de ficção. O Sonho da Sultana, escrito em 1905, é seu trabalho mais importante. Uma utopia feminista onde os papéis de gênero foram invertidos.

 

 

 

 

3- A Mão Esquerda da Escuridão, de Ursula K. Le Guin

 

 

Considerado um dos livros mais importantes da década de 1960, A Mão Esquerda da Escuridão, de Ursula K. Le Guin, conquistou os principais prêmios da ficção científica. No romance fantástico, a autora foi capaz de trazer à tona temas importantes a época de seu lançamento, mas que se mantiveram contemporâneos, como: a polarização política, conflitos religiosos e a inevitável discussão sobre a igualdade entre os gêneros.

 

 

 

 

4- Kindred, de Octavia Butler

Em seu vigésimo sexto aniversário, Dana e seu marido estão de mudança para um novo apartamento. Em meio a pilhas de livros e caixas abertas, ela começa a se sentir tonta e cai de joelhos, nauseada. Então, o mundo se despedaça. Dana repentinamente se encontra à beira de uma floresta, próxima a um rio. Uma criança está se afogando e ela corre para salvá-la. Mas, assim que arrasta o menino para fora da água, vê-se diante do cano de uma antiga espingarda. Em um piscar de olhos, ela está de volta a seu novo apartamento, completamente encharcada. É a experiência mais aterrorizante de sua vida... até acontecer de novo. E de novo. Quanto mais tempo passa no século XIX, numa Maryland pré-Guerra Civil – um lugar perigoso para uma mulher negra –, mais consciente Dana fica de que sua vida pode acabar antes mesmo de ter começado.

 

 

 

5- O Conto da Aia, de Margaret Atwood

 

 

Escrito em 1985, o romance distópico O conto da aia, da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos tempos, ocupando posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política.

 

 

 

6- A Quinta Estação, de N. K. Jemisin

É assim que o mundo termina.
Pela última vez.
Três coisas terríveis acontecem em um único dia: Essun volta para casa e descobre que seu marido assassinou brutalmente o próprio filho e sequestrou sua filha. Sanze, o poderoso império cujas inovações têm sido o fundamento da civilização por mais de mil anos, colapsa frente à destruição de sua maior cidade pelas mãos de um homem louco e vingativo. E, no coração do único continente, uma grande fenda vermelha foi aberta e expele cinzas capazes de escurecer o céu e apagar o sol por anos. Ou séculos.
Mas esta é a Quietude, lugar há muito acostumado à catástrofe, onde os orogenes - aqueles que empunham o poder da terra como uma arma - são mais temidos do que a longa e fria noite. E onde não há compaixão.

 

 

7- Uma Longa Viagem a Um Pequeno Planeta Hostil, de Becky Chambers

O livro de Becky Chambers é um marco recente no universo da ficção científica. Lançado originalmente através de financiamento coletivo pela plataforma Kickstarter, ele conquistou a crítica especializada e os ainda mais exigentes fãs do gênero, sendo indicado para prêmios respeitados, como o Arthur C. Clarke Award e o Hugo Award. O gatilho principal é a construção de um túnel espacial que permitirá ao pequeno planeta do título participar de uma aliança galáctica. Mas o que realmente torna único esse romance on the road futurístico e muito divertido são seus personagens. Instigantes, complexos, tridimensionais. A autora optou por contar a história de gente como a gente — ainda que nem todos sejam terráqueos, ou mesmo humanos.

 

 

 

*Cláudia Fusco é jornalista e mestre em estudos de ficção científica pela Universidade de Liverpool, Inglaterra. Pesquisa a arte fantástica a partir de várias perspectivas, tanto nos meios visuais quanto na literatura. É também colunista sobre cultura pop na Marie Claire. A partir de 10/9, ela dará o curso Naves, lasers e viagens intergalácticas: escreva ficção científica no Sesc Bom Retiro.

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Até o final do ano, o Sesc Bom Retiro recebe a segunda edição do projeto Mulher de Palavra, que propõe a difusão de literatura contemporânea feita por mulheres através de ciclos de leituras, oficinas e contações de história.
A co-curadoria é de Ana Rüsche, escritora e pesquisadora com doutorado em Estudos Literários e Linguísticos em Inglês pela Universidade de São Paulo (USP).
 

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